quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Maintenon: castelo de requinte e sonho


Há perfumes tirados por sucessivas destilações, preparações e acréscimos a partir de uma substância quintessenciada, tão agradável, fina, e extraordinária, que quase não tem mais nada de comum com a flor.

As vezes dizem “perfume de tal flor”. Mas, a flor foi desintegrada e deu uma coisa muito melhor. Trata-se de perfumes tão finos, raffinées e excelentes, que perdem contato com a realidade.

Mais parecem com um sonho de coisas que não existem do que com a quintessência viva da realidade.

Um país que quintessenciou tanto, tanto, tanto, que palácios, castelos, modas, músicas, tecidos, maneiras, tipo humano parecem sonhados: é a França de antes da Revolução Francesa.

Aquilo tudo é um sonho. Quando os homens resolveram sonhar, a França surgiu com sua fisionomia.

Um dos muitos exemplos disso é o castelo de Maintenon. Já o nome é de castelo de um outro mundo.

Esse sonho satisfaz de tal maneira um desejo da alma humana, que os turistas vivem abarrotando a França, vindos do mundo inteiro.

Maintenon pertenceu à esposa segunda, legítima mas morganática, de Luís XIV, que era Madame de Maintenon. Ele deu para ela esse castelo.

É um castelo em estilo medieval construído numa ilha. Em volta onde havia canais e lagoas foram escavados fossos segundo a arte de guerra medieval.

É uma beleza de castelo e muito bom para a família feudal passarem a noite, porque recolhiam tudo dentro da ilha. Se fossem atacar a ilha, os canais ajudavam.

Em Maintenon se deu um fato histórico. O rei legítimo Carlos X fora destronado em 1848 por uma revolução meio republicana e teve que fugir da França. No caminho parou em Maintenon.

Carlos X passou uma noite tranquilíssima no castelo, e no dia seguinte partiu até o porto, para pegar um navio que o levaria para Inglaterra.

Na hora da despedida, o rei em desgraça a tropazinha de fiéis formar em estilo militar, para um último adeus. No fundo era um adeus à legitimidade, foi uma coisa tremenda.

Carlos X foi passando montado a cavalo para receber a continência da tropa. Então, um soldado saiu das fileiras, pôs-se diante dele e olhou para ele.

Então o rei disse em tom de reprimenda militar:

‒ O que é que você faz aí?

‒ “Eu quero vos admirar por uma última vez, majestade!”

Carlos X não disse nada.

Aquele homem admirou o rei o quanto quis e daí a um instantinho as vias das vidas dos dois se separaram. O soldado voltou para casa, para a vidinha dele, e Carlos X foi para as amarguras do exílio.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, datas diversas. Sem revisão do autor.)

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