segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os nobres acentos do canto próprio da Igreja Católica no Natal





O Natal é cantado por todos os povos com seus estilos próprios, em Vladivostock, no Ceilão, no Pamir, ou em qualquer recanto do mundo. Porque a alma universal da Igreja Católica está em todas as latitudes.

Porém, a Igreja, Ela mesma, comemora o Natal com seu canto próprio: o cantochão, cantado a uma só voz, sem ritmo, sem acompanhamento, sem ornatos, aproveitando o som das palavras para sublinhar seu significado profundo.


Mas, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu, um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

O cantochão é a voz da Igreja cantando o dom do Espírito Santo, que Deus a ela comunicou por meio de Nossa Senhora.

Na extrema simplicidade de cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis.

O canto da “Ave Maria” é um sublime exemplo.

São Gabriel apresentou-se diante de uma Virgem, e disse que Ela conceberia do Divino Espírito Santo e seria a Mãe de Deus.

O Evangelho narra com toda simplicidade: “Ave Maria, cheia de graça...”

Com essa singeleza, o arcanjo transmite a mensagem aguardada durante milênios pelos Patriarcas e pelos Profetas.

A Santíssima Virgem ficou perplexa e o anjo lhe esclareceu.

Veja vídeo
Vídeo: Como a Igreja Católica
canta o Natal

Ela então deu a resposta mais dócil do mundo: “Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” ‒ “Ecce Ancilae Domini, fiat mihi secundum verbum tuum”.

Serena, tranqüila, admiravelmente disse tudo. Tudo simples e inocente, mas com elevadíssimo significado.

Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

Ó serenidade, ó tranqüilidade, Ó dignidade e caráter profundamente religioso como o cantochão!

É a voz da Igreja cantando o dom que Deus concedeu a Nossa Senhora, ao sopro do Espírito Santo!

Assim a Igreja comemora o Natal, Ela, a alma dos tesouros de todos os Natais diferentes da Terra!

Video: Como a Igreja Católica canta o Natal




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terça-feira, 15 de novembro de 2011

As muralhas de Ávila: Hieraticidade, firmeza e vigor


As muralhas de Ávila, na Espanha, ostentam uma sinuosidade serpentiforme.

Delas não podemos dizer que apresentam um movimento sutil e com certo charme. As coisas que se esgueiram, normalmente têm charme.

Essas muralhas, entretanto, não manifestam charme, exibem sobretudo solidez.

Hieráticas, firmes, vigorosas como se fossem muralhas e torres no alto de um abismo.

Qual a razão disto? É claro que as numerosas pontas das ameias concorrem para causar essa impressão, bem como as várias torres salientes e firmes existentes na muralha.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A abadia fortaleza do Monte Saint-Michel reluz ao perfazer 1300 anos

Em 1º de maio, o santuário, abadia e fortaleza do Monte Saint-Michel comemora seus 1.300 anos.

Foi fundado no remoto ano de 708 sobre o monte Tombe, na Normandia, França.

Os festejos incluem mostras, concertos e colóquios.

A restauração dos prédios da mítica ilha-abadia e a recuperação do seu caráter insular exibirão grandes progressos para este aniversário.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A certeza na missão da nobreza e a supervivência dos castelos

Wissekerke, Belgica
Um outro fator de decadência dos castelos foi a perda de convicções na família nobre com respeito a sua missão histórica, ligada visceralmente à religião católica, a monarquia e a oposição aos fatores de desagregação moral e igualitários do mundo moderno.

Escreveu o já citado d’Ormesson:

A segurança que me envolvia inteiramente estava longe de ser a segurança social, resultante de um acordo entre homens. Eu estava literalmente entre as mãos de Deus.

Ele não estava morto e velava sobre mim e portanto nada podia acontecer-me, a não ser peripécias sem sérias conseqüências. Poderia morrer, naturalmente. E então?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Origem e morte do castelo depende da moral e da religião da família nobre

Montreuil-Bellay
O castelo está intrinsecamente ligado a uma família. A família é a alma do castelo.

Tudo nele, grande o pequeno, carrancudo ou charmoso, é a manifestação do espírito de uma linhagem.

Como tantos deles ficaram abandonados e até viraram ruínas?

Quanto mais se procura, encontra-se quase infalívelmente o mesmo fato:a família que o criou e/ou habitou, previamente decaiu. As causas alegadas da decadência podem ser diversas: guerras, desastres naturais...

Porém, sempre se encontra uma grande e decisiva causa: a crise moral e religiosa da família nobre que foi a alma do castelo.

O acadêmico Jean d'Ormesson, de nobre origem, escreveu sobre a escalada dos prazeres, a infidelidade conjugal e a morte da vida em muitos castelos:

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vaux-le-Vicomte e sua inesquecível festa

Vaux-le-Vicomte


Nicolas Fouquet (Paris, 27 de janeiro de 1615 Pignerol, 03 de abril de 1683) foi visconde de Melun, Visconde de Vaux, marquês de Belle-Île, e todo-poderoso Superintendente de Finanças do rei Luis XIV.

Também foi protetor e padroeiro dos escritores e artistas.

Em 1653, ordenou a construção de um magnífico castelo em Vaux-le-Vicomte.

Reconstituição histórica para Natal, 2010
A propriedade inicial, em verdade, fora adquirida antes de sua nomeação como superintendente, e constava apenas de um velho palácio rodeado por terras não cultivadas.


Em 17 de agosto de 1661 o visconde ofereceu ao Rei Luís XIV uma festa suntuosa, com jatos de água, fogos de artifício, um banquete para 1.000 comensais.

Na ocasião foi interpretada a peça Fâcheux de Molière, composta especialmente para o evento.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Conversas à luz de vela no castelo de Saint-Fargeau

Ao cair da tarde, ao final do século XIX, os empregados em libré percorriam os quartos, os vestíbulos, a sala de bilhares, as salas de jantar, salões e boudoirs acendendo, aos poucos, como numa cena de contos de fadas, as lamparinas do tempo de meu pai.

Um teatro de sombras, que não conheci, animava-se na noite. Lá estava um ancião, mas não era meu avô, era o pai de meu avô.

Juntos ao bispo, o vigário, um general previamente tirado de Prévert, dois coronéis, visitantes hospedados desde cinco ou seis meses, nossos primos da Bretanha ou da Provence.

Não compareciam nem préfets de police, nem banqueiros.

E, cercados de lacaios em uniforme azul à la française conduzindo candelabros, todo esse bonito mundo esvaecido passava, em cortejo, à sala de refeições.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aspectos das famílias que deram vida aos castelos

Azay-le-Rideau refletido na água

“Meu avô era um velho distinto, vivendo de suas recordações. Ele permanecia apaixonadamente ligado à monarquia legítima.

“Flutuava entre nós, certamente um pouco acima de nós, um personagem silencioso e ausente : era o rei.

Nós não dávamos importância aos homens de teorias. Gostávamos dos pintores, dos arquitetos, dos homens de guerra e de Deus.

O castelo da família representava nossa própria mitologia. O castelo tinha um papel imenso em nossa vida de todos os dias.

“Talvez se pudesse dizer que ele era a encarnação do nome : ambos eram envolvidos na mesma atmosfera do sagrado. (...)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Otto de Habsburg: Requiem para quem o povo sonhou imperador


A Áustria deu o último adeus a um imperador que a nação sonhou, na imponente catedral de São Estevão, em Viena.

Otto von Habsburg renunciou aos direitos à Coroa imperial, mas o povo quis seguir vendo nele a figura que encarnava o glorioso passado do Sacro Império Romano Alemão.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Áustria e o sonho de um imperador que não foi

O principezinho Otto no coroação dos pais
Carlos e Zita, como reis da Hungria

A Áustria profunda sonha com seus imperadores.

Como imperadores do Sacro Império Romano Alemão e, depois, do Império Austro-Húngaro, tinham a liderança moral das nações cristãs, aliás muito odiada pelo laicismo e o igualitarismo anti-católico.

O recente enterro do chefe da Casa da Áustria, Otto von Habsburg, foi mais uma manifestação de essa profunda aspiração do povo austríaco e, por acrêscimo, da vasta gama de povos que a Casa de Áustria governou com um tato inigualado.

terça-feira, 21 de junho de 2011

As famílias dos castelos e o tufão destruidor

No castelo de Maintenon

Meu avô tinha seus padrões, suas fidelidades, seus rancores, suas convicções. Ele tinha o senso da honra junto ao culto do passado.

Ele era a intolerância feita homem. Inflexível, sem nuances, vivia num sistema no qual não faltava nenhuma parte.

Mas pura e simplesmente seu sistema não mordia mais o mundo. Mas ele pouco se importava.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Imponderáveis da “vida de castelo”

Relógio em Vaux-le-Vicomte
Continuação do post anterior

Prosseguimos com a narração de Jean d'Ormesson, filho do marquês, então criança, no castelo de Saint-Fargeau, Borgonha:

A vinda de M. Machavoine [o relojoeiro da cidadinha vizinha] me lançava em delícias inefáveis. Ele falava pouco. Pequeno, curvado, fazia pouco barulho, executando sua função com gestos precisos e seguros, próprios a antiquários ou cirurgiões.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A “vida de castelo” no dia-a-dia

Cheverny

A finalidade dos castelos mudou com o tempo.

O objetivo primeiro foi essencialmente militar: defender a população local da invasão de povos estrangeiros, bárbaros ou muçulmanos.

O triunfo do cristianismo trouxe a paz para a Europa, perturbada é verdade pela ofensiva protestante e, mais tarde, pelo ódio anti-aristocrático da Revolução Francesa

terça-feira, 17 de maio de 2011

Castelo da Garça Branca: delicado, nobre, uma obra de sonhos


A Idade Média foi uma era histórica bem definida no tempo e no espaço.

Começou com a queda do Império Romano em 476 d.C. e concluiu com a queda de Constantinopla nas mãos dos turcos em 1453, segundo alguns historiadores.

Para outros o fim coincide com a descoberta de América.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os castelos cristãos moderaram as guerras

A cavalaria foi o grande entusiasmo da Idade Média.

O sentido da palavra cavalheiresco, que ela nos legou, traduz muito fielmente o conjunto de qualidades que suscitavam a sua admiração.

Basta percorrer a sua literatura, contemplar as obras de arte que dela nos restam, para ver por todo lado — nos romances, nos poemas, nos quadros, nas esculturas, nos manuscritos com iluminuras — surgir esse cavaleiro do qual a bela estátua da catedral de Bamberg representa um perfeito espécime.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Preparativos em palácio para o casamento do príncipe William

O alfaiate da Guarda Real confere que tudo esteja perfeito

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terça-feira, 5 de abril de 2011

A elevação da vida quotidiana promovida pelo castelo

Quarto da rainha Luisa de Lorena
É próprio de a nobreza cultivar um estilo de vida que procura a distinção, o bom gosto e a sublimidade.

Este estilo é comunicado como que por osmose às populações que vivem em volta do nobre.

Nada a ver com a proliferação de peças artísticas num morto museu hodierno.

Lá vivia-se e, em alguns casos, vive-se numa ante-sala do Céu convidando a todos a aspirar às grandezas de nossa última e definitiva moradia.

O castelo de Chenonceaux é um exemplo destacado desta missão da nobreza e de seu estilo de vida.

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terça-feira, 29 de março de 2011

Castelo de Lourdes: marco vitorioso contra o Islã

Vista do castelo desde o santuário de Lourdes
No pináculo de um rochedo, protegendo, como um guerreiro, a pequena cidade onde Nossa Senhora quis se manifestar, ergue-se altaneiro o castelo-fortaleza de Lourdes, numa posição de domínio sobre o verdejante vale que se estende a seus pés.

Como fundo de quadro, nos confins do horizonte, parecendo desafiar o castelo-fortaleza, sobressaem grandiosas montanhas nevadas - contrafortes dos Pirineus.

terça-feira, 22 de março de 2011

Castelo: residência por excelência do nobre,
símbolo e orgulho da comunidade feudal

Hoje se tenta reviver a vida do castelo em eventos medievalizantes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O castelo é a residência por excelência do nobre.

A classe nobre bem entendida tem algo de intermediário.

Por um lado, ela participa da glória e do poder real, se bem que em proporções muito diversas, inferiores e subordinadas ao poder régio.

Por outro lado, ela participa e, a bem dizer, está imersa na vida do povo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Castelos ante-salas da vida eterna

Vaux-le-Vicomte, escritório
 
A influência apaziguadora da Igreja foi moderando os primitivos impulsos bélicos dos povos bárbaros batizados.

O Direito Romano cristianizado e posteriormente desenvolvido na Idade Média foi instalando o império da Lei pela Europa medieval.

Uma das conseqüências desse progresso foi a diminuição das guerras tribais primeiro, feudais depois.

Nas fronteiras os inimigos tinham sido cristianizados: os Normandos no Norte, os Saxões e outras tribos germânicas e eslavas no Leste, os muçulmanos estavam sendo postos laboriosamente fora da península ibérica.

A finalidade dos castelos foi então se modificando. Sua razão de ser principal ‒ a puramente militar ‒ foi sendo substituída por outra que, de início não era tão evidente.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (2)

O jardim do castelo de Valençay é especialmente belo.

Ele é constituído por grandes canteiros com grama e arbustos, estabelecendo uma certa distinção reverencial entre quem está olhando para o castelo e o próprio castelo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (1)


A primeira impressão, ao se observar esse castelo, situado no vale do Loire, na França, é de deslumbramento.

Uma coisa maravilhosa!

Um conjunto de torres que se elevam garbosas para o ar, indicando senhorio, poder, grandeza e esplendor.

São torres de um castelo-fortaleza.

O intuito da fortificação está muito expresso na carência de janelas nas torres.

Percebe-se que de um lado foram abertas janelas, mas não existem janelas por toda parte. Deve haver falta de ar e de luz em algumas partes desse edifício.