quarta-feira, 9 de março de 2011

Castelos ante-salas da vida eterna

Vaux-le-Vicomte, escritório
 
A influência apaziguadora da Igreja foi moderando os primitivos impulsos bélicos dos povos bárbaros batizados.

O Direito Romano cristianizado e posteriormente desenvolvido na Idade Média foi instalando o império da Lei pela Europa medieval.

Uma das conseqüências desse progresso foi a diminuição das guerras tribais primeiro, feudais depois.

Nas fronteiras os inimigos tinham sido cristianizados: os Normandos no Norte, os Saxões e outras tribos germânicas e eslavas no Leste, os muçulmanos estavam sendo postos laboriosamente fora da península ibérica.

A finalidade dos castelos foi então se modificando. Sua razão de ser principal ‒ a puramente militar ‒ foi sendo substituída por outra que, de início não era tão evidente.



Vaux-le-Vicomte, quarto de dormir
A nobreza que foi se destilando na era medieval penetrada do espírito do Evangelho desempenhou um papel essencial para a ordem cristã.

O Papa Bento XV de feliz memória não hesitou em qualificar essa missão de “sacerdócio da nobreza”.

Plenamente inserida na ordem temporal e vivendo à testa dela, o nobre estabelece uma espécie de ponte cultural entre a ordem social em que ele vive e o Céu.

Esta vida é transitória, nós estamos nela como os alunos na escola que se preparam para desempenhar uma tarefa na vida. Neste vale de lágrimas nós nos preparamos para a vida eterna.

Como? Antes de tudo cumprindo todos os nossos deveres religiosos como a Igreja ensina.

Depois, vivendo como bons cristãos. Mas, o que significa isso em trocos miúdos?

Vaux-le-Vicomte, mesa dos nobres
Por exemplo, na hora de escolher a mobília para minha casa, meu quarto, ou aprontar um jantar, dá na mesma escolher um móvel de fábrica que também pode ser comprado e usado diariamente por um protestante, um ateu ou até um satanista?

Evidentemente, há móveis e móveis e uns estão mais de acordo com o espírito cristão e outros não.

Mas, quem vai definir isto? Não é tarefa do sacerdote, cuja missão é estritamente religiosa e sobrenatural.

Também não é matéria de lei nem de regulamentos. Seria preciso uma massa esmagadora de lei, o que acabaria sendo pior.

Acresce que um bom católico, por exemplo um espanhol, pode legitimamente achar mais de acordo com o espírito católico um certo móvel, mas um inglês acha que é um outro de um outro estilo, e o alemão outro, e o francês outro, e assim indefinidamente.

Está ali o papel do nobre: penetrado do espírito da Igreja e profundamente inserido na realidade temporal do local destilar um ambiente, um estilo de vida que está mais de acordo com o espírito católico e com a peculiaridade do povo de seu feudo, de sua região.

Vaux-le-Vicomte, mesa dos criados.
Ele não impõe esse estilo de vida, nem pode fazê-lo. Ele simplesmente dá o bom exemplo de uma vida cultural eximia e extremamente atraente na fidelidade à Igreja.

Ele cria ordem, beleza, ensina o desejo da perfeição até nas pequenas coisas. Propõe um modo de vida virtuoso e extremamente agradável, penetrado do amor à Cruz e ao mesmo tempo aconchegante.

Organiza suave e belamente a vida de seus súbditos, segundo seus modos de ser locais e pessoais.

Ele vai pouco a pouco criando nesta terra de exílio um ambiente que convida a aspirar a felicidade do Céu.

Os castelos foram assim virando um ante-sala da vida eterna.


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4 comentários:

  1. GOSTEI MUITO DA MENSAGEM QUE RECEBI. OBRIGADA ! !

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  2. nossa,como são lindo os castelos,
    eu fequei imperssionada.
    muito lindo!!!

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  3. vale a pena morar num deses

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