quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Em torno do castelo se efetivou a promessa divina: “Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo"

Le Lude, França
Castelo de Le Lude, vale do Loire, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Desde a “motte” primitiva, não encontraremos no castelo nada que lembre príncipes românticos nem torvos tiranos.

Há apenas, porém no mais alto grau, o ambiente para uma vida austera, temperante e cheia de espírito de sacrifício.

Através dos séculos, enquanto o castelo evolui — de um lado tornando-se mais poético e cheio de encanto, e de outro mais severo e importante — a vida nele continua no mesmo teor.

Porque na Idade Média os homens viviam com os olhos postos no alto, na eternidade, em Deus, e a existência terrena era para eles apenas uma provação transitória, na qual deveriam ajudar-se mutuamente como membros da mesma família — a família de Deus.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Vitré: super-castelo sublimado, reflexo de Deus

Para além da realidade, Vitré sugere um trans-castelo que existe numa trans-esfera
Vitré sugere um trans-castelo que existe numa trans-esfera além da realidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Vitré é um castelo-palácio fortificado na Bretanha, França.

O primeiro castelo, em pedra, foi construído no século XI pelo Barão Robert I de Vitré sobre um promontório rochoso que domina o vale do Vilaine.

Por volta do ano 1000 foi substituído por um castelo de madeira, até que no século XIII o Barão André III lhe deu a sua forma atual.

O domínio passou em razão de casamentos para a família dos Condes de Laval, que aperfeiçoaram as defesas da fortaleza.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

BURG ELTZ (II): harmonia entre o atarracado e o fantasioso, entre o militar e o aconchegado

Armonia da cultura com a natureza, do criado com o Criador
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No castelo há uma inegável harmonia que vem dos jogos dos torreões e da base, e muito do jogo de proporção entre a secção e a altura.

Nessa proporção o possante aparece delicado.

Depois de ter derrubado as árvores, deitado as garras no chão, e impedido a vegetação de crescer, o castelo ao longo dos séculos ficou ligeiramente sonolento e risonho na boa vizinhança das árvores que venceu.

E as árvores se colocam ao lado dele como junto a um protetor.

Há uma verdadeira coexistência entre o mato e o castelo, e pacífica, de uma coisa que não forma um unum, mas que tem uma junção muito agradável. Não há um choque, mas uma junção muito agradável.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

BURG ELTZ (I): beleza sóbria, discreta e majestosa; encantador equilíbrio entre o espontâneo e o planejado

Poesia e mistério no castelo alemão de Burg Eltz
Poesia e mistério no castelo alemão de Burg Eltz
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









O castelo de Burg Eltz apresenta uma verdadeira charada.

A floresta dá a impressão de brotar num chão lindo, onde não tem poças de água, aranhas, bichos correndo, cobras, nem nada disso.

Mas um chão limpo, claro, onde só há a poesia de algumas coisas mortas ou abandonadas, pequenas trepadeirinhas com rosinhas, umas framboesas escondidas. 

E misteriosa.

A natureza toda é muito limpa, mas a floresta é misteriosa. 

Daria para aparecer ali um daqueles anõezinhos de conto de fada, mas também Santa Isabel de Hungria, Santa Cunegundes, Santo Henrique, etc., etc.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Cloughoughter: castelo arruinado
num lago de cisnes cantores

Cloughoughter no “Lago dos Cisnes”
Cloughoughter no “Lago dos Cisnes”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Na Irlanda, país onde as lendas e as histórias se entrecruzam com maravilhosas proezas entre verdes paisagens e ruínas de castelos medievais que falam de eras heroicas, se encontra o condado de Cavan.

Ele fica no antigo território de East Breffny e conserva um dos segredos melhor conservados no Leste Ancestral da Irlanda, como registrou reportagem do jornal “Clarín”.

Num campo repleto de rios, canais e lagos, se ergue uma torre em ruínas no maior dos espelhos d’água denominado Lough Oughter com quase 8.500 hectares, ou “Lago dos Cisnes” porque abrigar, no inverno, cerca de 3% da população dos cisnes cantores de toda a Europa.

E o castelo, ou melhor suas ruínas, entoa um cântico silencioso que fala de acontecimentos heroicos.

A fortificação circular única se apoia numa pequena ilha artificial, no meio do lago e é conhecida como Castelo Cloughoughter.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

A boa ordem temporal desperta o desejo do Céu

Avrilly, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Na Idade Média, a Igreja Católica realizou este fato incrível: transformou um continente saqueado pelos bárbaros e abandonado pelos romanos decadentes em seminário do Céu.

Além do trabalho fundamental da pregação do Evangelho e da distribuição dos sacramentos, a Igreja teve o talento de inspirar uma civilização que encarnou os valores religiosos na vida quotidiana.

E isto foi feito sabendo interpretar o lado simbólico das realidades mundanas em que se desenvolve a existência corriqueira dos homens.

O lado simbólico é muito mais importante que o lado prático ou o estético.

Por isso ele agrada tanto e exerce um poderoso estímulo convidando as pessoas a se voltarem para as grandes realidades da Fé e do destino último de cada ser humano.

Em primeiro lugar, levando-as a pensarem no Paraíso Celeste que é um lugar material. 

Nele Deus criou Adão e Eva, e nele o primeiro casal viveu corporeamente antes do pecado original. 

E nele viverão também os bem-aventurados durante a eternidade, após a ressurreição dos corpos.

O Paraíso Celeste é um lugar onde Deus instalou coisas magníficas, castas e santas, para o homem viver imerso nelas. 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

A feliz junção da Europa medieval
com a Igreja e a Religião

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Na Europa medieval, as vidas dos conventos e dos castelos, dos santos e dos heróis se entrecruzaram indissoluvelmente.

Por exemplo, o mosteiro do Escorial. Ele, aliás, não é medieval. Mas foi feito por homens que tinham mentalidade medieval.

É, ao mesmo tempo, um convento e a residência pessoal do rei mais poderoso da Terra no seu tempo: Filipe II da Espanha.

Sem dúvida o Escorial é muito bonito.

Mas, a gente pode pensar na salinha do Escorial, ou num dos salões, e ali imaginar Filipe II lendo uma carta de Santa Teresa de Jesus.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Esclimont: um castelo de sonho
para um numeroso grupo de famílias

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Esclimont, entre Versalhes e Chartres, a oeste de Paris, é uma jóia que brilha em todo o seu esplendor com as vestes do outono.

O que outrora fora um frio, triste e insalubre pântano transformou-se, pelo trabalho humano, em um recanto paradisíaco.

Originalmente medieval e guarnecido por poderosas torres de pedra erguidas para o combate, o edifício transformou-se na Renascença em château de plaisance, onde se pode levar uma vida agradável.

Em sua entrada norte ostenta ainda, em baixo relevo, a figura equestre de Francisco de La Rochefoucauld (séc. XVII), cuja célebre família o possuiu e ocupou até 1968.

Sua conformação atual conserva os traços de uma restauração e reforma realizada no século XIX.

Pertence atualmente a uma cadeia de hotéis de charme, que o mantém com bom gosto.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Castelo de La Rochefoucauld: a história de uma família milenar esculpida na pedra

Castelo que leva o nome da ilustre família que o possui há mil anos
Castelo que leva o nome da ilustre família que o possui há mil anos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O castelo de La Rochefoucauld leva o nome da ilustre família que o possui há mil anos, na localidade do mesmo nome, no departamento de Charente, França.

Um castelo é um livro aberto em que se pode ler a história da família fundadora, de seus momentos fastos e nefastos, através dos séculos, das eras históricas.

É muito importante conhecer as datas em que foi sendo erguido e os nomes de seus construtores.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Val: castelo da “Bela adormecida”,
ou ápice de realidade bem pega?

Val: castelo que parece feito para a “Bela adormecida”
Val: castelo que parece feito para a “Bela adormecida”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Val dominava outrora o vale. Construído no século XIII perto de Lanobre (Cantal, França), hoje está isolado numa ilha criada por uma barragem.

A água toca o pé das muralhas, conferindo-lhe uma inusitada beleza.

O feudo de Val pertenceu às famílias de Tinières e de Pierre de Pierrefort.

Guillaume IV d'Estaing, nascido em 1397, fez levantar o castelo atual.

A família o conservou até Guillaume V d'Estaing, nascido em 1529.

Depois deles, um certo número de famílias nobres foram herdando o castelo, até que em 1946 a família d'Arcy foi expropriada com o argumento do alagamento do vale pela barragem.

Finalmente, o nível das águas não subiu tanto e o castelo não foi engolido. Teria sido um crime.

Ele ficou nas mãos da empresa estatal de energia, que o deixou abandonado, tendo sido saqueado.

Finalmente foi vendido pelo valor simbólico de um franco à prefeitura de Bort-les-Orgues que realizou nele alguns trabalhos de restauração.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

A Cristandade: uma espécie de Céu na terra,
inspirada pela Igreja

Maillebois
Castelo de Maillebois, residência familiar na região Centre, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Tradição vem de tradere, que é transmitir.

A tradição é a transmissão que vem do passado.

Mas a tradição não é para o católico o que é, por exemplo, para o índio.

O hábito de usar cocar, aquela coisa toda, no índio é tradição.

Para nós tradição não é isso só.

Pela tradição, o católico tem no fundo da alma um lampejo da Igreja como Ela se apresenta habitualmente.

A Igreja -- obviamente não falamos de suas deturpações -- é para o verdadeiro católico, não muito conscientemente talvez, uma espécie de Céu na Terra.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Maintenon: castelo de requinte e sonho

Maintenon aparece como um sonho cheio de realidade
Maintenon aparece como um sonho cheio de realidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Há perfumes tirados por sucessivas destilações, preparações e acréscimos a partir de uma substância quintessenciada, tão agradável, fina, e extraordinária, que quase não tem mais nada de comum com a flor.

As vezes dizem “perfume de tal flor”. Mas, a flor foi desintegrada e deu uma coisa muito melhor.

Trata-se de perfumes tão finos, raffinées e excelentes, que perdem contato com a realidade.

Veja vídeo
Maintenon: sonho ou
realidade cristã
bem vivida?
Mais parecem com um sonho de coisas que não existem do que com a quintessência viva da realidade.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Josselin: charme, requinte e amor à milenar história bretã

Castelo de Josselin renaceu várias vezes
Castelo de Josselin renaceu várias vezes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Na maioria dos casos, a história de um castelo está ligada intimamente à história de uma família, com seus altos e seus baixos.

É o caso também do castelo de Josselin e a família dos príncipes de Rohan, que o possuem até o dia de hoje.

O castelo de Josselin (Morbihan, Bretanha, França) foi fundado por Guéthénoc, visconde de Porhoët, de Rohan e Guéméné, da família dos condes de Rennes, por volta de 1008.
O local tinha grande importância militar e comercial, pois dominava o rio Oust.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Manzanares El Real: castelo categórico
num panorama montanhoso e heroico

Manzanares El Real com sua orgulhosa torre parece desafiar as montanhas
Manzanares El Real parece desafiar as montanhas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Castelo de Manzanares El Real foi construído não longe de Madri, a capital da Espanha.

Suas torres cheias de ufania parecem desafiar as montanhas circunvizinhas, cuja grandeza supera qualquer outra que procure confrontá-la.

Magnífico castelo, altaneiro, nobre, forte disposto a enfrentar mil mouros, até há poucas décadas era uma carcaça, uma ruína, que só no século XX foi reconstruída.

Manzanares el Real ficou muitos séculos esquecido e abandonado.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Altaneiro, solitário, heroico: o castelo escocês

Castelo de Druart, Escócia
Castelo de Duart, Escócia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Os castelos escoceses criam ambiente propício às novelas, as quais gostam de figurar fantasmas que aparecem na noite, no frio e na solidão de uma pétrea fortaleza semi-destruída.

Alguns castelos sugerem que outrora neles se deram fatos reprováveis, cujos maus efeitos ainda projetam eflúvios ruins e misteriosos no presente.

De fato, eventos ruins aconteceram na história do Reino da Escócia.

Outrora integramente católica, num triste momento a Escócia caiu sob a pata do protestantismo mais deprimente e radical: o presbiterianismo. 

quarta-feira, 10 de março de 2021

Fontainebleau: um anseio de alma em busca do Céu

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A primeira impressão que a sala produz é de aturdimento, tal a pluralidade de cores e coisas belas.

O teto é de rara beleza, porque lembra a abóbada celeste. Não exibe nada de lambido dos edifícios modernos.

Chama a atenção como as pinturas da sala realçam as traves, tornando-as um elemento de decoração a mais.

Cores muito bem escolhidas: azul esverdeado claro, ouro velho, em arabescos muito elegantes que exploram o pontudo e o ovalado.

Os lustres são de conto de fadas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Castelo de Xavier: onde se formou o heroico apóstolo do Oriente

O conquistador espiritual do Oriente se formou em austera e senhorial fortaleza
O conquistador espiritual do Oriente se formou em austera e senhorial fortaleza
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Em Navarra, Espanha, cerca de 52 quilômetros a leste de Pamplona ergue-se o castelo de Xavier em uma elevação dominante sobre a vila.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Chenonceaux: o castelo cisne

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A impressão que o castelo de Chenonceaux causa, à primeira vista, é de entusiasmo!

Qual é a razão pela qual ele produz esse sentimento?

Imaginemos que fosse um castelo construído em terra, e que, em vez de correr um rio debaixo dele, passasse uma estrada poeirenta comum, permitindo o trânsito de carroças, automóveis, etc., etc.

Não é verdade que o castelo perderia pelo menos cinqüenta por cento de seu encanto?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Tomar: reduto dos templários em desgraça (II)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








continuação do post anterior: Tomar: reduto dos templários em desgraça (I)

 

 Quando a injustiça se abateu sobre os templários, eles estavam também em Portugal desde os tempos de D. Afonso Henriques, e ali nenhuma suspeita pôde ser contra eles levantada.

Nem por isso estavam isentos de sofrer a mesma punição que tinha caído sobre eles na Europa.

Foi hábil a decisão do Rei D. Dinis de Portugal, de executar a ordem pontifícia de fechar a Ordem, mas não para apossar-se de seu patrimônio, e sim para doá-lo à Ordem Militar da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou simplesmente Ordem de Cristo, que criou em 1318.

O Papa João XXII nomeou D. Gil Martins seu primeiro grão-mestre, que antes o fora dos cavaleiros de Aviz.

Quis El-Rei que a nova Ordem tivesse seu quartel-general em Castro Marim, para defender o Algarve das incursões dos mouros dos reinos do Marrocos e de Granada.

Em 1356, transferiu-se para Tomar, no Ribatejo. Ali existiam, desde 1160, o castelo e o convento dos templários, doados à Ordem de Cristo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Tomar: reduto dos templários em desgraça (I)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Cavalaria, que um autor francês chamou de “a mais bela aventura da História”, é fruto do amor de Deus numa época em que sociedades inteiras moviam-se em conformidade com os 10 Mandamentos e as leis da Igreja.

São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, é o patrono da Cavalaria.

Enquanto instituição, ela nasceu das relações feudais, pelas quais os homens se apoiavam mutuamente para defender-se ante as freqüentes invasões bárbaras.

Essa confiança mútua baseava-se na noção de honra lastrada na caridade cristã.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Chambord: castelo que convida a louvar a Deus

Castelo de Chambord: o maior palácio do vale do rio Loire
Castelo de Chambord: o maior palácio do vale do rio Loire
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Chambord é o maior palácio do vale do rio Loire.

De início foi apenas um pavilhão de caça para o rei Francisco I. Leonardo da Vinci teria sido responsável pelo desenho do atual castelo.

Entre 1725 e 1733, Stanislas Leszczynski, rei deposto da Polónia e sogro de Luis XV, viveu em Chambord.

Em 1745, Luis XV deu o palácio a Maurice de Saxe, Marechal da França em reconhecimento pelo seu valor no combate.

Em 1792, o governo revolucionário procedeu a um verdadeiro saque: ordenou a venda das mobílias; os painéis das paredes e mesmo os soalhos foram removidos e vendidos pelo peso da madeira, as portas apaineladas foram queimadas como lenha. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

CONCIERGERIE: a cela onde Maria Antonieta aguardou a execução

Conciergerie, Maria Antonieta na prisao
Maria Antonieta na sua cela. Imagem de cera.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Os castelos medievais abrem horizontes de alma. Eles apontam para uma ordem de coisas que vai muito além do que nós vemos na vida diária.

Mas também neles aconteceram tragédias, e até algumas das maiores da História.

Uma delas deu-se na Conciergerie.

A Revolução Francesa transformou o palácio em prisão.

Conciergerie, guarda revolucionario
Guarda revolucionário do castelo-prisão. Imagem de cera.
Nela eram jogados os infelizes condenados a morrerem após um odioso juízo “revolucionário”.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Jehay: joia esculpida pelo sonho de uma estirpe nobre

Castelo de Jehay, Bélgica, vista aérea
Castelo de Jehay, Bélgica, vista aérea
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Quando se fala de castelos pensa-se antes de tudo nos maiores, grandes, belos e famosos. Portanto, nos castelos reais. E com justiça.

Porém, ao lado dessas obras primas dos povos europeus católicos, convive uma miríade de outros castelos erigidos por famílias nobres nos tempos da Cristandade.

Muitos desses castelos menores ainda são mantidos, e com muito esforço, por essas famílias de antiga estirpe.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

ALMOUROL: história épica, mistério e lenda

Almourol: castelo de heroísmos e mistérios
Almourol: castelo de heroísmos e mistérios
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Almourol, no distrito de Santarém, em Portugal, foi erguido numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no curso médio do rio Tejo, à época da Reconquista.

Moedas romanas do século I a.C. e medalhas do período medieval desenterradas no local falam de sua história.

A partir do século III, o local foi ocupado por Alanos, Visigodos e pelos muçulmanos a partir do século VIII que o nomearam Al-morolan (pedra alta).

À época da Reconquista cristã Almourol foi tomado pela força em 1129 por D. Afonso Henriques (1112-1185).

O soberano entregou-o aos cavaleiros da Ordem dos Templários, então encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa de Coimbra, então capital de Portugal.

Nesta fase, o castelo foi reedificado, tendo adquirido as suas atuais feições, características da arquitetura templária.

Planta quadrangular, muralhas elevadas, reforçadas por torres adossadas, dominadas por uma torre de menagem.

Uma placa epigráfica, colocada sobre o portão principal, dá conta de que as suas obras foram concluídas em 1171, dois anos após a conclusão do Castelo de Tomar, edificado por determinação de Gualdim Pais.

Almourol integrava a Linha do Tejo dos Templários e constitui um dos exemplos mais representativos da arquitetura militar da época.

Sobre a porta principal do castelo, uma inscrição datada de 1209 (1171), menciona Gualdim Pais e sua ação militar contra os muçulmanos no Egito e na Síria, bem como sua ascensão à chefia da Ordem do Templo em Portugal e a subsequente construção dos castelos de Pombal, Tomar, Zêzere, Cardiga e Almourol.

Almourol está intimamente ligado à história de Portugal,  dos Templários e do Brasil.
Almourol está intimamente ligado à história de Portugal,
dos Templários e também do Brasil.
O Almourol foi ponto nevrálgico da zona do Tejo, controlando o comércio entre a região e Lisboa.

E está intimamente ligado aos primórdios do reino de Portugal e a história dos Templários.

Isso nos leva a refletir sobre um aspecto presente em todos os castelos, porém muito palpável em Almourol: o mistério e a lenda.

A Ordem dos Templários foi extinta pelo papa Clemente V em 1311. O episódio gerou uma polêmica que ainda perdura.

O rei francês Felipe o Belo teria pesado inescrupulosamente nessa interdição e confiscado iniquamente seus bens.

Como a ordem do Papa não foi efetivada em Portugal, muitos cavaleiros templários refluíram para o reino luso, onde possuíam grandes castelos como o de Tomar. E também Almourol.

Por fim, o rei D. Dinis (1279-1325) transformou a Ordem do Templo em Ordem de Cristo, que herdou posses e privilégios dos templários.

Almourol passou então a integrar o patrimônio da Ordem de Cristo. Essa Ordem teve parte muito grande na expansão do império português, a ponto de as naus que descobriram o Brasil lhe pertencerem, ostentando a respectiva Cruz em suas velas e o novo país ser batizado Terra de Santa Cruz.

O terremoto de 1755 danificou a estrutura do castelo, que foi recuperada com modificações no século XIX. Nessa fase, a tendência era de valorizar as obras do passado à luz de uma visão ideal. E ali entra a questão do mistério e da lenda de Almourol.

Hoje o castelo se ergue numa ilha isolada, outrora de difícil acesso, destacando-se pela sua austeridade. Tudo nele parece pensado para suportar o assalto de atrevidas hordas maometanas.

Almourol: austeridade e combatividade
Almourol: austeridade e combatividade
Nada fala em acomodações nem em facilidade de vida. É o castelo ideal para guerreiros combatentes que transitam entre uma batalha e outra, numa vida de luta em favor da Cruz de Cristo.

Essa fortaleza rude e áspera está envolta no mistério. Falou-se, sem nunca se provar, que ali estaria escondido o “tesouro dos templários”.

A suposição tem muito de mítico, mas encarna a impressão geral de que a história dos templários não está concluída.

De alguma maneira, ela não terminou com a proibição real e papal.

Com efeito, como vimos, a Ordem de Cristo ainda descobriu o Brasil e, em certo sentido, ganhou mais territórios para a Igreja – incluído o maior país católico do mundo hoje em dia – do que transitoriamente os templários ganharam na Terra Santa.

Alguns falam de um “revide” templário que ainda viria.

Cabe neste caso deixar de lado as fantasias quixotescas ou as iniciativas ocas, não raras vezes intoxicadas pela literatura de botequim, ocultismo e maçonismo de baixo nível.

O enigma dos templários toma corpo a partir do momento em que um alto plano de Deus foi interrompido pelos homens, mas que ainda vai se realizar por vias que escapam ao raciocínio ou à intuição humana.

Almourol, nesse sentido, não fala apenas do passado, mas de um futuro que encerra muitos acontecimentos vindouros.

Como, aliás, também, não longe de Almourol, a Fátima das aparições.


Vídeos: castelo de lendas e batalhas CLIQUE NAS FOTOS







GLÓRIA CRUZADAS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS