terça-feira, 23 de maio de 2017

Warwick: vigor, esplendor
e charme da cavalaria antiga

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Numa colina sobre o rio Avon, Guilherme o Conquistador, duque de Normandia e rei da Inglaterra, erigiu uma fortaleza que até hoje causa admiração.

A finalidade estritamente militar permaneceu até o século XVII.

A pacificação da vida na Europa contribui para essa mudança.

Sem perder sua alma medieval, Warwick foi acolhendo refinados ambientes que prolongavam o charme longínquo medieval.

O castelo pertenceu aos condes de Warwick desde 1088 até 1978, em meio a muitas vicissitudes, e mudanças de famílias proprietárias.

Às torres medievais acrescentaram-se torres e edifícios residenciais.

No século XIV constituía um dos mais extraordinários exemplos da arquitetura militar.

No século XVII, os campos circundantes foram transformados em jardim.

Na Revolução Inglesa, Warwick foi cenário de cercos, batalhas e ilustres prisioneiros.

O castelo original construído por Guilherme de Normandia reproduzia o esquema dos castelos franceses com uma grande torre de menagem e uma muralha exterior.

Guilherme nomeou Henrique de Beaumont, duma poderosa família normanda, como condestável e primeiro conde de Warwick.

O castelo foi reconstruído várias vezes.

Ele era um símbolo do poder e riqueza dos condes, predominando este aspecto sobre o exclusivamente militar.

A chegada da Renascença e do protestantismo pareceu condenar a gloriosa fortaleza ao abandono.

O castelo caiu em ruínas.

A fé e a nobreza que eram sua razão última para existir começavam a se extinguir.

Imagem de cera afigura
um servidor magnificamente vestido
As ruínas foram aproveitadas para uma casa de campo no século XVII.

A restauração da monarquia trouxe a salvação para o castelo que foi confiado pela Coroa aos barões Brooke. Eles iniciaram um restauro.

O oitavo Lorde Brooke, Francis Greville, ganhou o título de Conde de Warwick.

O movimento de retorno ao gótico começava então a ganhar corpo.

Mas, o grande século do retorno ao gótico foi o XIX.

Sucessivas restaurações foram lhe dando um esplendor especial.

O literato Sir Walter Scott, um dos inspiradores de retorno ao medieval na Inglaterra, descreveu o castelo como “o mais nobre local da Inglaterra”.

Dormitório em Warwick
Disse também que era “o mais belo monumento do esplendor da antiga cavalaria que permanece preservado pelo tempo”.

O elogio de Sir Walter Scott percorreu o país e estimulou uma onda de veneração pelo glorioso castelo.

Hoje é uma das maiores atrações turísticas centradas na glória e no esplendor medieval.

Ele recebeu ilustres visitas como Lady Diana em 1986 e a rainha Elisabeth II e o príncipe consorte, o duque de Edimburgo em 1996.

As multidões da Inglaterra e do mundo todo acorrem a visitá-lo.



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terça-feira, 25 de abril de 2017

Cristandade: onde a luz de Cristo
inspira as obras dos homens

Montizón, Espanha
Luis Dufaur
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Os aspectos dos castelos ressaltados pelo fotógrafo sublinham um reflexo de Deus brilhando em obras feitas por homens.

Neles aparece o espírito da Igreja Católica, pois foi a Igreja Católica que inspirou as almas que os criaram.

Há, portanto, uma justificativa religiosa para as sensações da ordem metafísica que esses castelos transmitem. Não se trata de meras sensações superficiais e passageiras.

Olite, Navarra, Espanha

O que leva uma criança a se encantar com um castelo desses é a mesma coisa que a leva a se encantar com um enfeite de árvore de Natal.

A criança está no berço; a mãe suspende uma bola dourada e a criança fica vivaz, começa a balbuciar e rir porque um senso profundo do belo, do bom e do verdadeiro que há nela se alegra com a bola natalina. A criança não tem raciocínio, mas sente uma afinidade que vem do fundo de sei ser.

É a inocência primeva que fala nela antes mesmo do uso da razão. Mas que pode falar num adulto que soube conservar e desenvolver essa inocência primeva e que exulta em contato com um castelo desses.

“Bem Aventurados os puros, porque verão a Deus”.

Olvera, Espanha
Em sentido contrário, a criança pode ser muito deformada por uma má apresentação de fatos prosaicos da existência, por exemplo com o modo pelo qual se dá a procriação.

Essa atitude distorcida pode ser passada a respeito das necessidades naturais do organismo, ou exprimindo de modo grotesco defeitos que existem até nas pessoas mais respeitáveis.

Isso cria na criança uma espécie de conaturalidade com o prosaico que abafa essa inocência primeva.

Uma boa formação da inocência, não consistiria em não falar dessas coisas, mas consistiria em explicá-las à criança apresentando corretamente o pecado original e suas consequências.

Explicando isso direito à criança salvaria a inocência e faria a criança viver uma linha de pureza extraordinária.

E protegeria essa aptidão para se voltar para a ordem metafísica de que falam estes castelos.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 10/03/84. Adaptação sem revisão do autor)



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terça-feira, 28 de março de 2017

Austeridade, luta e grandeza:
o apanágio de Ronneburg

Castelo de Ronneburg: visão de conjunto
Luis Dufaur
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No castelo Ronneburg não longe da fronteira com a Áustria, pude dar-me conta do que é um autêntico castelo medieval.

Diferentemente dos castelos renascentistas — Fontainebleau, Chenonceaux, mesmo Versailles e tantos outros — que à primeira vista nos encantam pela beleza, arte e bom gosto, o impacto produzido na sensibilidade por Ronneburg é de austeridade, luta, grandeza trágica e sublimidade.

terça-feira, 14 de março de 2017

O castelo de Chambord: harmonia misteriosa de força e delicadeza


Luis Dufaur
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Que maravilhoso conglomerado de torres! Quanta força! Quanta solidez!

Mas, ao mesmo tempo, o seu conjunto produz uma sensação de harmonia e delicadeza.

Há uma nobreza nesses tetos azulados que descem tão harmonicamente até a parte de cantaria de pedra, assim como algo de vigoroso nessas rochas agarradas ao chão, que parecem dizer:

"Quem quiser me derrubar, se espatifa; quem quiser arrancar-me do solo tem que tirar o mundo dos seus próprios gonzos, porque eu sou uma torre do Castelo de Chambord e ninguém me tira daqui".

Que harmonia misteriosa nessa conexão entre a força e a delicadeza; entre o planejado do castelo e o espontâneo aparente da disposição das torres!

Como é belo ver qualidades antitéticas juntas.

Por que oferecem beleza especial as qualidades harmônicas opostas quando juntas?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O castelo de Saumur: fortíssimo e delicado,
tendendo para o Céu

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Este é o famoso castelo de Saumur.

Há no castelo duas partes diferentes: uma parte vai do chão até as primeiras janelas.

São torres fortes que agarram como garras. Essas torres suportam com decisão e para todo o sempre, uma massa enorme.

À medida que as torres vão subindo, vão se tornando mais leves. E no alto elas como que se dividem num mundo de agulhas, de flechas, que todas elas tendem para o Céu.

Todas elas ‒ aqui a reprodução não dá ‒ têm no alto figuras simbólicas: um galo, símbolo da França, símbolo da Igreja, ou uma flor-de-lis, grandes e douradas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Um mundo irreal ou a fina ponta da realidade?

Peñafiel, Castela
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Os castelos aqui reproduzidos, embora muitos sejam ruínas, pela arte fotográfica passam a idéia de que quem entra neles, encontra tudo colocado no lugar adequado, como se os castelões ‒ eles próprios umas figuras de lenda ‒ tivessem saído nesse momento.

É um mundo irreal que a arte da luz faz aparecer como sendo parte do mundo real de hoje.

Uma irrealidade como essas que, entretanto, parece integrar a realidade, e até ser a mais fina ponta da realidade, é algo impossível?

Ou é uma possibilidade que apenas o bornesismo dos homens não consegue enxergar?

Quer dizer, não há um mundo metafísico, fina ponta do mundo físico, que leva a se maravilhar almas dotadas de uma capacidade peculiar?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Castelo de Beja: desafiante, afetuoso e sacral

Luis Dufaur
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Uma arquitetura forte, estável, sólida, desafiando qualquer inimigo que venha. Como uma catadura terrível!

Ele é tão admirável que a gente exclama óhóhóhóhóh!!! a respeito de tudo.

O castelo é a própria imagem da defesa cavalheiresca, da defesa aristocrática do solo de Portugal contra os inimigos maometanos que avançam.

No castelo tudo está feito para a guerra, para a seriedade e para a luta.

Hospedar um senhor feudal, ter ali uma repartição da prefeitura municipal do local, são finalidades próprias a quem cuida da vida temporal.

Mas o prédio tem bastante sacralidade para nele caber com toda dignidade uma coisa religiosa. Por exemplo, uma capela com o Santíssimo Sacramento.

O que que isto significa? Isto significa que o modo de ver as coisas da Igreja, do céu e de Deus de um lado, e as coisas da terra de outro, não são idênticos.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Montemor-o-Velho: reminiscências
à espera de um ressurgimento

Montemor-o-Velho: igreja de Santa Maria da Alcáçova, na vila protegida pelo castelo.
Montemor-o-Velho: igreja de Santa Maria da Alcáçova,
na vila protegida pelo castelo.
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O castelo de Montemor o Velho — com suas muralhas a coroar o monte, tendo a seus pés a vila, próxima do rio Mondego, na planície final que o conduz ao mar — constitui um exemplo entre tantos da vocação guerreira que marcou Portugal desde os primórdios de sua existência como nação cristã.

Situado no distrito de Coimbra, no centro de Portugal, o rio Mondego passou a constituir a divisa natural que separava os territórios cristãos das terras ocupadas pelos mouros após a decadência da província romana da Lusitânia.


No século VIII os muçulmanos do Norte da África invadiram a Península Ibérica.

Um chefe mouro teria construído uma fortificação e uma mesquita no lugar onde se encontra o castelo de Montemor o Velho.

Após a reconquista de Coimbra ao rei de Castela no século XI, Afonso VI reconstruiu a fortaleza e fez erigir a igreja de Santa Maria da Alcáçova, ali abrigada até nossos dias, objeto embora de várias restaurações.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Castel Valer: um castelo cuja alma
foi uma família entre a Itália e a Áustria

Castel Valer nas Dolomitas.
Castel Valer nas Dolomitas, Itália.
Luis Dufaur
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Os castelos mais famosos e visitados da Europa são os castelos reais.

Na sua maioria, hoje pertencem aos respectivos Estados e podem ser visitados parcial ou integramente como museus.

Esses, entrementes, não são os mais numerosos. Dezenas de milhares de castelos estão espalhados pelas regiões e países que constituíram a Cristandade europeia.

Em muitos casos estão em ruínas, mas também em muitos outros foram zelosa e meritoriamente conservados pelos seus donos através de muitas gerações.

Com frequência não estão abertos à visitação, pois se trata de casas de família. Ou por vezes, a visitação está restringida a certos períodos do ano ou da semana.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Dramas familiares no castelo:
o senhor feudal voltará?

A partida do cavaleiro, detalhe da lareira do castelo de Cardiff, Gales
A partida do cavaleiro,
detalhe da lareira do castelo de Cardiff, Gales
Luis Dufaur
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E a família dele participava intensamente das dores da guerra e do combate do chefe familiar.

Quando o cavaleiro ia para a guerra, a família rezava para ele e estava sempre à espera de notícias dele.

Não havia alegria maior do que quando o vigia do alto da torre anunciava que bem ao longe nos caminhos, um grupo de cavaleiros se aproximava fazendo sinal convencional de longe, que era o senhor do castelo que voltava.

Às vezes a dor era muito grande, porque em vez de ser o senhor, eram seus vassalos, seus escudeiros, que vinha trazendo seu corpo; ou eram apenas as relíquias dele pois seu corpo ficara no fundo do mar.

A família passava dias, meses, anos de agonia, a espera de uma notícia. As horas e horas de espera, a castelã as enchia rezando ou fazendo tapeçarias.

E as longas tapeçarias relatando vidas de santos ou episódios da vida quotidiana, mostram as longas esperas da castelã que às vezes, em umas horas de folga, subia à torre com uma tapeçaria na mão, trabalhando e olhando para ver se o seu senhor vinha.

Esses dois anos, cinco anos de fidelidade, na mesma espera e sobretudo, na mesma resignação.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A capela do castelo e a vigília de armas do cavaleiro

A vigília do cavaleiro, fim da Idade Média
A vigília do cavaleiro, fim da Idade Média.
Luis Dufaur
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Muito característico do estado de espírito cheio de coragem por amor a Cristo e à Fé, é a vigília de armas do cavaleiro.

Pode-se imaginar a cena: numa igreja ou capela do castelo, durante a noite: silêncio absoluto; diante do altar estão as armas que o cavaleiro irá revestir no dia seguinte quando for armado.

Ele passa a noite inteira rezando sozinho naquela igreja ou capela do castelo onde seus antepassados também vigiaram, onde toda a sua família durante gerações rezou.

Ele sabe que a partir do momento em que ele for armado cavaleiro, ele não se pertence mais a si mesmo.

Ele é obrigado por juramento a dispor a sua vida sempre que a Igreja for perseguida; que os órfãos, as viúvas e os fracos forem opressos.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O castelo, a coragem e o exemplo de Jesus Cristo

Castel Sforzesco, Milão, Itália
Luis Dufaur
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O medieval encontrava o exemplo perfeito da coragem contemplando Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras.

Jesus Cristo é o protótipo de heroísmo.

Ele, no Horto das Oliveiras, não teve nenhuma atitude de estourado, pois isto seria incompatível com sua santidade infinita.

Ele mediu toda a tristeza das dores que Ele ia sofrer. Chegou a ter tanto medo dessas dores que suou sangue.

Mas apesar disto, como era dever dEle enfrentar aquelas dores, para cumprir a missão que o Padre Eterno lhe deu, Ele enfrentou tudo, levou a Cruz até o alto do Calvário e aí se deixou crucificar e morreu. Havia um ato deliberado da vontade dentro disso.

O cavaleiro cristão da Idade Média tinha eminentemente esta concepção da coragem. E o castelo era o fundo de quadro onde devia se exercer a coragem.

Ou servir de ponto de partida e referência constante de seus atos de heroísmo inclusive em terras longínquas. Como na Cruzada.

O cavaleiro tinha também no mais alto grau a noção do perigo.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Castelos: sonhos do Céu que antecipam a bem-aventurança eterna

O castelo Coradelli em Joinville: realização de um sonho de infância. A realização de um sonho de um alma pura está na origem dos maiores castelos da Europa.
O castelo Coradelli em Joinville: realização de um sonho de infância.
A realização de um sonho inocente está na origem dos maiores castelos da Europa.
Luis Dufaur
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Leonardo Coradelli, 66, massoterapeuta que ganha “mil e pouco por mês”, construiu com pouco dinheiro e muita paciência um castelo em Joinville, no norte de Santa Catarina. A construção demorou cerca de 20 anos e hoje é ponto turístico, noticiou a UOL.

Situado no alto de um morro, o castelo é todo branco, com janelas e vitrais verdes, tem mais de 700 metros de área construída, quatro andares, 48 torres, 31 arcos, 21 cômodos e uma piscina com chafariz.

Mas Leonardo mora só, num bairro humilde. E nos momentos livres trabalha no castelo. “Minha vida toda foi dedicada a esse projeto. Dia e noite, sábados e domingos e, às vezes, os vizinhos faziam mutirões para me ajudarem”, contou.