terça-feira, 21 de junho de 2016

Fortaleza de Montalegre:
coragem altaneira e coerência


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O castelo de Montalegre, em Portugal, evoca séculos de luta e de reconquista na época medieval.

Testemunhou brilhantes manifestações de coragem e heroísmo.

Que impressão causa este castelo? Coragem altaneira e coerência. A alma do homem coerente é como uma dessas torres — não há fendas nem concessões.

A torre que sobressai, despida de qualquer ornato, reflete uma seriedade extraordinária.

Como era a vida quotidiana dentro dessa fortaleza?

Nela havia residência confortável para o senhor feudal, moradias e áreas de serviços para os servidores e para a população das cercanias, além de capela.

Quando os inimigos se aproximavam, toda a população das proximidades refugiava-se nela com todos os seus bens. Era uma espécie de amparo seguro para toda a população, e não apenas para o senhor feudal.

Internamente, era uma verdadeira aldeia com todos os artesãos trabalhando, cada qual em seu ofício do dia-a-dia.

Havia freqüentemente, na parte de um castelo em que habitava o senhor feudal, uma escada encimada por grande patamar.

Em determinados dias, colocava-se ali um pequeno trono do qual ele exercia o papel de juiz das disputas entre seus súditos.

Nessa espécie de cidadezinha, suas torres eram risonhas e encantadoras por dentro, sérias e terríveis por fora.

Todas as janelas davam para um pátio interior, no qual árvores frutíferas perfumavam todo o ambiente.

Da fonte com seu chafariz ouvia-se o cântico das águas, enquanto das torres partiam brados dos guerreiros em combate.

Nisso temos uma idéia do heroísmo ante perspectivas terríveis, do alto senso do sacrifício de pessoas que não temem a morte.

Elas sabem que outra vida bem-aventurada as espera, sobretudo se morrem lutando pela fé católica.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 5 de maio de 1984. Sem revisão do autor.

(Fonte: Catolicismo, setembro de 2010)


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quinta-feira, 9 de junho de 2016

O castelo de Chambord: harmonia misteriosa de força e delicadeza

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na floresta de Chambord, vale do Loire, França, ergue-se um fascinante castelo real.

Ele foi construído a partir de 1519, por ordem do rei Francisco I para ser pavilhão de caça.

O castelo tem duas partes principais.

A inferior é retangular, massiva, composta por uma fortaleza central e quatro imensas torres baluartes nos cantos.

A parte inferior obedece ao esquema medieval das fortalezas.

A parte superior lembra a galharia de um velho, nobre e majestoso cervo. É a parte mais original do palácio.

Ela é composta por uma floresta surpreendente de torres e chaminés.

Que maravilhoso conglomerado de torres! Quanta força! Quanta solidez!

O conjunto do castelo produz uma sensação de harmonia e delicadeza ao mesmo tempo.

Há nobreza nesses tetos azulados que descem harmonicamente até a parte de cantaria de pedra.

Na parte inferior, os muros de pedra agarrados ao chão parecem dizer:

“Quem quiser me derrubar, se espatifa; quem quiser arrancar-me do solo tem que tirar o mundo dos seus próprios gonzos, porque eu sou uma torre do Castelo de Chambord e ninguém me tira daqui”.

Que harmonia misteriosa nessa conexão entre a força e a delicadeza; entre o planejado e o espontâneo aparente da disposição das torres!



Como é belo ver qualidades antitéticas juntas!

Por quê oferecem beleza especial as qualidades harmônicas opostas quando juntas?

Porque um dos princípios da beleza é o da unidade na variedade.

A unidade na variedade é a melhor imagem de Deus na criação natural.

Ela exprime uma das formas de perfeição que Deus pôs no Universo.

O espírito humano tende a contemplar o que é uno, mas também o que é vário, diverso e movimentado.

Em Chambord há unidade na variedade. Contemplando-o, minha alma repousa e ao mesmo tempo se eleva até Deus.

Que beleza, que elegância, que distinção, que nobreza, que grandeza, que requinte!

Essa harmonia só se conseguiu na Civilização Cristã!

Como é fecundo o sangue precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Oh Senhor! Mil e quinhentos anos depois de Vossa morte, ainda nasce essa flor da civilização fundada por Vossa Igreja!

Esse encanto não teria desabrochado se Vós não tivésseis derramado Vosso sangue para nos remir!

Senhor Jesus Cristo, Vós sois a fonte de toda graça, de toda glória e de toda beleza! Eu Vos adoro!


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terça-feira, 24 de maio de 2016

Fontainebleau: castelo real com diversos estilos que falam de sua história

Fontainebleau  dormitório em que podem se apreciar ainda elementos do estilo Renascença
Fontainebleau  dormitório em que podem se apreciar elementos do estilo Renascença

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O gênero de beleza evoluiu no tempos em que Fontainebleau acolheu gerações de reis legítimos, e até um imperador oco, envolvendo a todos numa feeria de beleza única.

Fontainebleau, a poucos quilômetros de Paris foi uma das residências favoritas dos reis medievais Filipe II e de São Luis IX.

Porém, o criador do castelo atual foi Francisco I, que varreu o prédio medieval e quis um outro inteiramente novo segundo as estilos da Renascença. Confira nossos posts sobre o castelo.

A nota de raffiné introduzida nos estilos de vida por Luís XIV girava em volta da imponência que atingiu seu ápice no castelo real de Versailles.

Seu sucessor Luís XV fez consistir o raffiné no gracioso. E estimulou um estilo esplêndido, onde domina a graça, o charme, o arredondado, de tons suaves e sorridentes. Porém, seu estilo teve  um valor abaixo do imponente de Luís XIV.

Na sala do Conselho do castelo de Fontainebleau se notam nas paredes as formas do estilo Luis XV arredondadas em tudo.

As poltronas, entretanto, não são do estilo Luís XV. Elas privilegiam os ângulos retos que exprimem muito mais a força do que o arredondado, a organização militar que passa por cima do jeito, da conciliação e do sorriso.

Pátio interior de Fontainebleau
Pátio interior de Fontainebleau
Não é preciso dizer que obedecem ao estilo preferido de Napoleão Bonaparte que ocupou longamente o castelo.

Na época de Luis XV predominou a preferência pelas cores mais delicadas que podem se apreciar nas paredes.

O ar triunfal, que manifestavam as salas de Luís XIV, havia desaparecido.

Não é uma sala para um Rei vencedor do mundo — como Luís XIV pretendia ser, e em certa medida o foi —, mas para um Rei que leva uma vida gostosa e, nas horas vagas, realiza uma reunião de seu Conselho.

Desta sala não resulta a conquista do universo nem a prevenção da Revolução. O ambiente é otimista, de quem não deseja ver o processo revolucionário se formando e adensando.

Considerado sob o prisma do maravilhoso, ela o exprime com uma nota de gracioso. Neste sentido, o faz magnificamente. A linha da feeria está inteiramente afirmada. Dir-se-ia que, de algum modo, ela é até mais refinada que os salões de Luís XIV.

Dentro desse gracioso há qualquer coisa de tristonho. Não está presente aquela alegria matinal dos ambientes de Luís XIV. É uma beleza e um gracioso crepuscular, mas com todos os encantos do crepúsculo.

Numa monarquia com uma rainha regente, esta sala estaria adequada — mas não para uma rainha da têmpera de uma Branca de Castela.

O ambiente, em todo o seu maravilhoso, poderia servir para lazer num palácio real. Mesmo assim, há algo de perigoso, porque ficando muito tempo aqui, não se tem vontade de passar para outros salões.

Salão do Conselho em Fontainebleau muros estilo Luís XV, cadeiras estilo napoleônico.
Salão do Conselho em Fontainebleau muros estilo Luís XV, cadeiras estilo napoleônico.
Ela contém qualquer coisa do anestésico do otimismo, na linha da cançãozinha “Tout va très bien, Madame la Marquise”.

Na Sala da Imperatriz, que outrora foi a sala de jogos da rainha Maria Antonieta, esposa de Luís XVI, apreciamos bem a ordenação militarista de que gostava Napoleão.

As damas deviam se sentar numa ordem de regimento que as cadeiras põem em relevo. E sem respaldares como guardas em posição de sentido.

O grandioso de Luís XIV foi substituído pelo grandioso da parada militar. O sorridente e gracioso de Luís XV desapareceu e dir-se-ia que só faltava ter um sargento para dar os ordens para as damas levantar, sentar, etc.

Tampouco podemos imaginar nessa organização o ambiente encantador de Maria Antonieta se aplicando  aos entretenimento risonhos e por vezes superficiais dessa rainha de sonho.

Obviamente o estilo napoleónico não criava ambiente para que as conversas e o relacionamento de alma a alma numa atingissem uma alta clave de categoria e distinção, bom gosto e charme.

Conta-se que em suas opulentas festas, Napoleão passava revista aos presentes. Esses ficavam tensos e arregelados enquanto o imperador taciturno passava olhando a cada um. De vez em quando Napoleão parava diante de alguém, podia ser uma dama, e lhe fazia um comentário qualquer.

Esse comentário caberia bem num quartel. O aludido respondia com um salamaleque e o imperador prosseguia em sua revista.

O Grand Salon de l'Impératrice em Fontainebleau.
O Grand Salon de l'Impératrice em Fontainebleau.
O príncipe de Talleyrand-Périgord, famoso ministro das Relações Exteriores de Napoleão, assim que podia fugia das faustosas e espalhafatosas festas de Napoleão para frequentar o salão de umas velhas princesas do Antigo Regime.

Nele se cultivavam as velhas fórmulas aristocráticas cheias de charme, inteligência, boa educação e requintado refinamento.

Essas senhoras, como muitas outras aristocratas da era napoleônica, estavam reduzidas à quase miséria e só tinham leite para oferecer aos convidados.

Talleyrand preferia esse leite aos carissíssimos champagnes e inigualáveis iguarias das festas de Napoleão porque apreciava mais os valores de espírito da ordem católica anterior à Revolução Francesa que o exibicionismo crassamente materialista que vem crescendo rumando sempre para auges de vulgaridade.

Tampouco é preciso acrescentar que a República da Revolução Francesa não suportou os ambientes requintados de Fontainebleau e nunca o usou para cerimônias de Estado. Hoje é museu.




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terça-feira, 10 de maio de 2016

Castelo de Amboise:
fruto da Cristandade que espelha a Luz de Cristo

Luis Dufaur
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A Luz de Cristo só brilha na sua autenticidade e plenitude na Igreja Católica.

E a Igreja comunica essa luz às obras de seus filhos.

Isto é especialmente verdadeiro para a Cristandade.

Este reflexo divino, enquanto se fazendo brilhar na ordem temporal a Igreja e o espírito religioso e ortodoxo dos católicos que constituem a Cristandade, pode ser chamado, com a devida analogia, também de Lumen Christi - Luz de Cristo.

O castelo de Amboise é um dos inúmeros exemplos concretos de essa irradiação da Luz do Redentor no campo temporal.

Ele foi construído num promontório com vista para o Loire. Na Idade Média foi substituído por uma ponte.

Ainda em tempos medievais, no século XI, Fulques III o Negro, Conde de Anjou, reconstruiu a fortaleza.

Em 1434, o edifício foi adicionado por Carlos VII aos bens da Coroa, depois do seu proprietário, Louis d'Amboise, ter sido acusado de conspiração e executado em 1431.

O castelo foi um dos favoritos dos reis franceses.

Carlos VIII, que nele nasceu e faleceu, fez extensas reconstruções no estilo do gótico flamboyant francês tardio.

Depois de 1495 empregou mestres pedreiros italianos, Domenico da Cortona e Fra Giocondo, que aplicaram alguns dos primeiros motivos decorativos renascentistas.






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