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terça-feira, 16 de setembro de 2014

O castelo medieval, jóia da Cristandade

Castelo na Aquitânia, França

De dois modos costuma-se ver os castelos feudais.

Ora é o suave e romântico solar dos contos de fadas, com suas torres brilhando ao luar, sua ponte levadiça baixando silenciosamente para deixar entrar o príncipe valente e formoso, que vem encontrar-se com a dama dos seus sonhos, enquanto o vigia soa a trompa e as notas maviosas se espalham pelo lago ao redor, etc.

Para outros é o tenebroso reduto da opressão de um tirano, com negras masmorras em que gemem servos desgraçados.

Segundo essa tétrica versão, as plantações dos camponeses foram destruídas pelas cavalgadas do senhor em alegres folgares de caça, ou pilhadas por sua hoste em rudes lides de guerra.

Castelo de Bannes, na Dordogne, França
Castelo de Bannes, na Dordogne, França
A verdade não está em nenhum destes extremos, clamorosamente contraditórios entre si.

O feudalismo na Idade Média foi suscitado pela Igreja.

Foi o espírito católico dos homens medievais que os levou a se organizarem numa sociedade como nunca houve mais perfeita.

Nem o romantismo dos trovadores, que marca a decadência do espírito medieval, nem as assombrações ridículas com que os inimigos da Igreja procuram denegrir as instituições da civilização cristã nos dão a verdadeira fisionomia do castelo feudal.

Castelo de Val, na Dordogne, França
Castelo de Val, na Dordogne, França
Para compreendê-la, remontemos às suas origens e vejamos como os castelos surgiram, como evoluíram, como se formou a sociedade feudal de que eles são imagem.

Embora todas as nações da Cristandade tenham tido a mesma estrutura social, a evolução foi diferente em cada caso.

E a França foi um dos países em que o feudalismo atingiu seu apogeu.

(Fonte: “Catolicismo”, nº 57, setembro de 1955)


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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Castelos medievais: exemplos de uma Terra que prepara as almas para o Céu

Castelo de Bonnétable, Loire, França
Castelo de Bonnétable, Loire, França
A Europa medieval foi um mito que se realizou.

A Religião Católica transformou um continente povoado de bárbaros e romanos decadentes num seminário do Céu.

Os valores que os castelos encarnam são, no fundo, valores religiosos. Porque eles são símbolos.

O lado simbólico é muito mais importante que o lado prático e que o lado estético. É por isso que nos agradam tanto.

Símbolos do quê?

O Paraíso Celeste é um lugar material.

Nele viveram Adão e Eva antes do pecado original e nele viverão os bem-aventurados durante a eternidade.
Castelo de Wernigerode, Alemanha
Castelo de Wernigerode, Alemanha

É um lugar onde Deus instalou coisas magníficas, castas e santas, para o homem viver imerso nelas.

É um mundo feito de matéria, mas de uma matéria que fala de Deus.

E os bem-aventurados ressurretos depois do fim do mundo, passearão seus corpos ressuscitados pelo Paraíso, enquanto suas almas estarão envolvidas nos gáudios magníficos da Visão Beatífica.

I. é, da visão de Deus face a face.

Para preparar os homens para isso é necessário alimentar o espírito deles.

E isso se faz não só considerando diretamente as coisas da Religião.

Nozet, castelo na Borgonha, Franca
Castelo de Nozet, Borgonha, França
Os homens chamados ao Céu precisam se voltar para Deus também a propósito das coisas do mundo temporal.

Portanto, do mundo da matéria, porque até no Céu empíreo e no Paraiso a matéria vai existir.

Como fazer isso sem chafurdar no materialismo grosseiro que anda por ai?

Os castelos ‒ poderíamos falar da arquitetura de igrejas, da arte católica em geral ‒ nos dão um exemplo.

Um exemplo de como elevar nossa alma a Deus através de construções feitas de matéria, mas modeladas pelo espírito.

E pelo espírito católico, o qual animado pela graça divina, é um preanuncio da vida eterna.



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terça-feira, 19 de agosto de 2014

La Brède: castelinho encantador cheio de história da pequena nobreza


continuação do post anterior (para os dados históricos clique aqui)


O castelo de La Brède nasceu como um castelo estritamente funcional. Todas as partes dele foram calculadas para uma função militar muito definida.

Mas, apesar dele ser estritamente funcional, não lhe falta grande beleza e encanto. E isso não obstante o fato de se tratar de uma construção pobre.

De onde vem essa beleza e esse encanto? Qual é o valor artístico desse castelo construído manifesta-mente com a preocupação principal de ser uma fortaleza e não de ser uma bonita construção?

O primeiro elemento de beleza é dado pelas águas. Tudo que fica à beira da água sobe de valor.

Se o castelo estivesse no meio do campo, ele perderia enormemente. Mas a água lhe dá uma moldura de irrealidade.

O céu e o castelo se refletem na água e toda a arquitetura se nobilita.

Há um modo digno e plácido do castelo dominar a água, que lha dá uma distinção aristocrática tranqüila. Por esta forma, o castelo sai da linha do vulgar.

De outro lado, é bonito que o contorno da ilha não seja regular. Há uma inopinada doçura nessa forma. E o que essa forma tem de achatarrada é vantajosamente compensado pelas torres.

Nada menos do que seis torres ou cúpulas se levantam no castelo. A torre principal domina todo o castelo com a sua massa. As pequenas torres lhe fazem cortejo. E o telhado superior dá toda a impressão de pertencer à capela do castelo, encastoada no corpo da construção.

Por outro lado, as duas ilhotas de forma tão diferente com uma torre separada têm um quê de inde-finivelmente digno e plácido apesar do seu ar de fortificação.

A torre flanqueada por duas outras menores, que lhe dão como que um apoio, e que se perde nas águas, fica distanciada do resto.
E depois, muito inopinadamente, há uma ilha com forma de quadrilátero, realçada por um arbusto e um grande gramado verde, com a beleza dos gramados europeus.

O conjunto dá um ar de calma, dignidade, altaneria, distinção, harmonia, mas ao mesmo tempo de fantasia que distraem a vista.

É o charme, o encanto, do pequeno castelo e da pequena vida de castelo, da pequena nobreza.

A arquitetura nos dá certa idéia de como era a vida nos castelos medievais. Sobre tudo nos mais numerosos: isto é, os mais pequenos povoados por uma nobreza ligada à terra. É uma nobreza que vive na familiaridade dos homens do trabalho manual e constitui o ponto de apoio da verdadeira aristocracia na massa da nação.

É essa nobreza que conseguiu em algumas regiões da França, levantar os camponeses contra a Revolução Francesa e produzir a Chouannerie. É este tipo de castelo, é este tipo de ambiente.

A vida que aqui se leva é de que gênero? Em geral as famílias típicas moradoras destes castelos eram numerosas.

O filho mais velho ficava no castelo. E como o castelo era ao mesmo tempo a sede de uma pro-priedade rural grande, ele se dedicava à agricultura e à criação, e exercia alguns poderes governativos sobre seus súditos.

Eram restos do feudalismo, que é o regime político, social e econômico no qual esse tipo de construção foi concebido.

Um nobre desse tipo, de vez em quando freqüentava a corte do rei, aonde ele tinha um lugar proto-colar, embora modesto, mas definido, em razão de sua categoria e de seu nascimento.

Mas, em geral, a sua vida era pacífica. Quando moço ele servia no exército, e quando ele se tornava um pouco mais maduro, ele se retirava para as suas terras.

E então entregar-se o resto da vida à agricultura, à criação, a esse pequeno governo local, à educação de seus filhos, ao convívio com sua esposa, e de vez em quando ele ia ver o rei em Paris. Era esta a vida calma e operosa de um castelão desse tipo.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra pronunciada em 4/9/1967. Sem revisão do autor).



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terça-feira, 5 de agosto de 2014

La Brède: o encanto do castelinho e da vida da pequena nobreza

A maravilha do Castelo de La Brède consiste precisamente em ser micro.

Trata-se de um pequeno castelo francês. Não é um castelo de grande luxo, é uma habitação comum com proporções de um castelo.

Ele tem certa importância histórica porque nele morou o célebre ‒ e, aliás, malfazejo ‒ barão de Montesquieu. O castelo fica na Gironde, nas proximidades de Bordeaux.

A arquitetura de suas várias partes é um pouco singular. Ele tem um corpo grande, uma ponte levadiça, por baixo da qual corre água, de maneira que, suspensa, ninguém entra no castelo.

Por fim, outro corpo de edifício numa ilhazinha autônoma ligada pela ponte levadiça. Há ainda uma terceira ilha.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Almansa: um castelo de sonhos e heroísmo cristão

Almansa: um castelo de sonhos e heroísmo cristão
Almansa: um castelo de sonhos e heroísmo cristão

Como que se faz análise de uma fotografia?

Olhando e tendo a primeira impressão; depois, procurando ver qual a sensação que ela causa e, em seguida, analisando o fundamento dessa sensação.

Na foto desse castelo da Espanha, o Almansa, é preciso fazer uma distinção entre dois campos visuais admiravelmente harmônicos, mas perfeitamente distintos.

Um é o castelo propriamente dito — com a montanha que lhe serve de base — e o outro é o conjunto de nuvens extraordinárias que servem de moldura para a fortaleza.

O castelo e as nuvens fazem centralizar toda a vista na torre. Esta incute a impressão de altaneria, dignidade e majestade extraordinárias.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Em volta do castelo da Idade Média, nobres protetores e plebeus obedientes formaram uma família social

Castelo de Auzers, Cantal, França.
Castelo de Auzers, Cantal, França.

Com o correr do tempo a família do “sire” que reina sobre o primeiro esboço do futuro castelinho chamado de “motte” se multiplica em novos ramos.

Estes continuam unidos ao tronco pelo espírito de solidariedade que os anima, pelo desejo de ver crescer a sua “pátria”.

Pois “pátria” significa a “terra onde estão enterrados os pais” (do latim pater=pai).

Os artesãos e lavradores também permanecem, de geração em geração, ligados à estirpe do seu senhor.

terça-feira, 24 de junho de 2014

BURG ELTZ (II): harmonia entre o atarracado e o fantasioso, entre o militar e o aconchegado

Armonia da cultura com a natureza, do criado com o Criador

No castelo há uma inegável harmonia que vem dos jogos dos torreões e da base, e muito do jogo de proporção entre a secção e a altura.

Nessa proporção o possante aparece delicado.

Depois de ter derrubado as árvores, deitado as garras no chão, e impedido a vegetação de crescer, o castelo ao longo dos séculos ficou ligeiramente sonolento e risonho na boa vizinhança das árvores que venceu.

E as árvores se colocam ao lado dele como junto a um protetor.

Há uma verdadeira coexistência entre o mato e o castelo, e pacífica, de uma coisa que não forma um unum, mas que tem uma junção muito agradável. Não há um choque, mas uma junção muito agradável.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

BURG ELTZ (I): beleza sóbria, discreta e majestosa; encantador equilíbrio entre o espontâneo e o planejado

Poesia e mistério no castelo alemão de Burg Eltz
Poesia e mistério no castelo alemão de Burg Eltz

O castelo de Burg Eltz apresenta uma verdadeira charada.

A floresta dá a impressão de brotar num chão lindo, onde não tem poças de água, aranhas, bichos correndo, cobras, nem nada disso.

Mas um chão limpo, claro, onde só há a poesia de algumas coisas mortas ou abandonadas, pequenas trepadeirinhas com rosinhas, umas framboesas escondidas. E misteriosa.

A natureza toda é muito limpa, mas a floresta é misteriosa. Daria para aparecer ali um daqueles anõezinhos de conto de fada, mas também Santa Isabel de Hungria, Santa Cunegundes, Santo Henrique, etc., etc.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Foulques Nerra, grande construtor de castelos:
“seus remorsos estavam à altura de seus crimes”

Castelo de Missillac
Castelo de Missillac


Há uma diferença fundamental entre o homem moderno e o homem medieval.

Não podemos nos iludir: os homens da Idade Média eram homens como nós, concebidos no pecado, que tinham que fazer muito esforço para se vencerem a si próprios e serem bons.

E houve medievais ruins, pecadores, criminosos ou heréticos, além de bons, virtuosos, campeões da lei e da fé.

Eles também encontravam um contexto social e econômico muito conturbado. Mas de um modo diverso: a civilização e a ordem romana haviam ruído estrepitosamente. Não havia ordem no início da era medieval. Tudo era caos e confusão.

E essa desordem geral era propícia a toda espécie de crimes e abusos que, de fato, aconteciam.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Torre de Belém: beleza artística e utilidade militar

A Torre de Belém, em Lisboa, de tal maneira causa a impressão de ser um castelo, e não uma simples Torre, que até se poderia perguntar como uma Torre pode ser tão bela!

Ela ostenta a pompa e a imponência de um castelo de conto de fadas, com sua pedra branca que brilha ao sol.

As paredes da Torre são lisas, mas a monotonia delas é remediada pelas pequenas janelas geminadas, divididas por um arco gracioso, e o terraço. Também ajudam a quebrar a monotonia as guaritas, bem nos ângulos da Torre.

Temos então reunidos, numa superfície pequena, uma sobrecarga de ornatos que lembra uma caixa de joias, um escrínio. Assim, ficamos com a sensação de uma harmonia perfeita.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Aux jardins de Monsieur Le Nôtre

Castelo de Chantilly, Ile de France, França.
Castelo de Chantilly, Ile de France, França.
Nascido em Paris numa família de jardineiros (seu pai Jean era o superintendente dos jardins do palácio das Tulherias, como já o fora seu avô Pierre), André estudou arquitetura e pintura na escola do Louvre, entrando depois no atelier de Simon Vouet, pintor da corte de Luiz XIII, onde aprendeu sobretudo a arte da perspectiva.

O jardineiro enobrecido

Em 1635 foi nomeado superintendente do duque Gastão d’Orleans, irmão do Rei, e, depois, superintendente dos jardins das Tulherias, sucedendo a seu pai.

Nomeado por Luiz XIV Superintendente Geral dos Jardins Reais, a partir de 1657 assumiu também a Controladoria Geral dos Reais Palácios. Seguindo uma antiga tradição, em 1675 o Rei Sol lhe conferiu um título de nobreza, em reconhecimento pelos seus talentos artísticos.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Fontainebleau: severidade e esplendor dos aposentos da Rainha-mãe

Salão da Rainha-mãe em Fontainebleau
Nota-se neste ambiente de Fontainebleau um quê de severidade. E explica-se, porque se trata da sala da Rainha-mãe.

Era ela viúva e tudo quanto acompanhava a viuvez tinha um tom de tristeza.

De onde as portas escuras, que trazem — ao lado de todo o esplendor — uma vaga reminiscência de luto.

Entretanto, o que essa porta tem de muito sério é compensado por diversos desenhos miúdos, de arabescos finos, de flores, de guirlandas e de figuras mitológicas.

Um elemento decorativo, ao lado das tapeçarias colossais, que torna o ambiente muito bonito, são os espelhos, certamente produzidos em Veneza. Enormes, profundos e que são como que janelas abertas que aligeiram o ambiente.

terça-feira, 1 de abril de 2014

A feliz junção da Europa medieval
com a Igreja e a Religião

Na Europa medieval, as vidas dos conventos e dos castelos, dos santos e dos heróis se entrecruzaram indissoluvelmente.

Por exemplo, o mosteiro do Escorial. Ele, aliás, não é medieval. Mas foi feito por homens que tinham mentalidade medieval.

É, ao mesmo tempo, um convento e a residência pessoal do rei mais poderoso da Terra no seu tempo: Filipe II da Espanha.

Sem dúvida o Escorial é muito bonito.

Mas, a gente pode pensar na salinha do Escorial, ou num dos salões, e ali imaginar Filipe II lendo uma carta de Santa Teresa de Jesus.

terça-feira, 18 de março de 2014

Castelo de Coca atravessa os séculos
com coragem e elegância


A primeira impressão que causa esta foto do castelo de Coca é algo de irreal. Tem-se a inclinação a dizer: “Não, este castelo não existe!”.

O artista soube fotografar a fortaleza numa hora de um contraste muito feliz: o céu sombrio e o castelo bem iluminado.

Céu sombrio, mas luminoso num ponto. Dir-se-ia que um raio acabou de estalar e ilumina magnificamente o castelo.

Uma construção tão grande, com tantas torres, tantos salões, tantas muralhas, que se diria que é um castelo incomensurável.

É um castelo de conto de fadas!

terça-feira, 11 de março de 2014

Esclimont: um castelo de sonho
para um numeroso grupo de famílias


O castelo de Esclimont, entre Versalhes e Chartres, a oeste de Paris, é uma jóia que brilha em todo o seu esplendor com as vestes do outono.

O que outrora fora um frio, triste e insalubre pântano transformou-se, pelo trabalho humano, em um recanto paradisíaco.

Originalmente medieval e guarnecido por poderosas torres de pedra erguidas para o combate, o edifício transformou-se na Renascença em château de plaisance, onde se pode levar uma vida agradável.

Em sua entrada norte ostenta ainda, em baixo relevo, a figura equestre de Francisco de La Rochefoucauld (séc. XVII), cuja célebre família o possuiu e ocupou até 1968.

Sua conformação atual conserva os traços de uma restauração e reforma realizada no século XIX.

Pertence atualmente a uma cadeia de hotéis de charme, que o mantém com bom gosto.


Um castelo como esse servia apenas para fruição dos seus proprietários?


Essa será talvez a pergunta de algum nosso contemporâneo, picado pela mosca do igualitarismo tão difundido em nossos dias.

Tal ideia, porém, não confere de modo algum com a realidade histórica.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Cristandade: uma espécie de Céu na terra,
inspirada pela Igreja

Maillebois
Castelo de Maillebois, região Centre, França

Tradição vem de tradere, que é transmitir.

A tradição é a transmissão que vem do passado.

Mas a tradição não é para o católico o que é, por exemplo, para o índio.

O hábito de usar cocar, aquela coisa toda, no índio é tradição.

Para nós tradição não é isso só.

Pela tradição, o católico tem no fundo da alma um lampejo da Igreja como Ela se apresenta habitualmente.

A Igreja -- obviamente não falamos de suas deturpações -- é para o verdadeiro católico, não muito conscientemente talvez, uma espécie de Céu na Terra.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Blois: castelo povoado de personagens e eventos históricos — 2

Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França
Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França

continuação do post anterior

A Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França, destinada a uma finalidade temporal.

Foi Sala de Justiça dos condes de Blois, e depois albergou os Estados Gerais – espécie de Assembleia nacional extraordinária – em 1576 e 1588.

Era costume dos senhores feudais administrar justiça.

São Luis fazia-o embaixo de uma árvore famosa do bosque de Vincennes, então na periferia de Paris.

E se pudéssemos assistir em espírito a essa cena?