Chateaubriand, grande romancista do século passado, era filho do Visconde de Chateaubriand. A família possuía um castelo da Bretanha perto do mar: Combourg.
É um castelo enorme e a família era pequena, de maneira que não dava para encher todas as alas do castelo. Então o pai, para fazer o castelo habitado em todas as suas partes distribuía a família pelas várias partes do castelo.
E Chateaubriand –menininho de 9, 10 anos, mas já chamado nessa idade Monsieur le Chevalier –, quando chegava 21:00 horas em que o serão familiar se interrompia, recebia um castiçal com uma vela na mão e ia para uma torre perto do mar, onde uivavam todos os ventos.
Combourg fica perto da Mancha cujos ventos são famosos. É um dos trechos do mar mais agitado que há no mundo.
Tanto mais que em Combourg havia histórias de fantasmas, aliás de todo castelo se diz que tem fantasmas.
Quando chegava a noite no inverno, ele fechava a cortina em torno da cama. Esse cortinado formava uma verdadeira tendazinha em torno da cama, para que o calor das cobertas e do corpo fique conservado.
Então Monsieur le Chevalier subia alguns degraus para se encarapitar numa cama muito alta e muito grande onde Le Chevalier nadava.
Na torre os ventos uivando, uivando, uivando... E ele naquele cortinado, com pavor que, de repente, um fantasma pálido como a lua abrisse a cortina e olhasse para Monsieur le Chevalier.
Os nobres que eram educados assim, depois quando adultos faziam de tudo, como Chateaubriand. Todos eles eram aventureiros, porque ficaram habituados à aventura desde meninos.
Um velho ditado diz que em menino se torce o pepino. E é o hominho que vai fazer grande o homem.
Quem quiser ter grandes homens tenha grandes hominhos. Nada de educação tola para crianças, com bola boba para criança boba, nada disso.
“Relegado ao lugar inabitado junto à entrada das galerias subterrâneas, não me passava despercebido um só dos murmúrios das trevas. Por vezes o vento parecia correr com passos ligeiros; por vezes exalava gemidos; bruscamente minha porta era sacudida com violência, os subterrâneos rugiam, e depois cessavam para recomeçar mais tarde. Às quatro horas da manhã, a voz do castelão (que era o pai dele) se fazia ouvir chamando o camareiro, sob as abóbadas seculares, ressoando como a voz do último fantasma noturno”.
Então, o último fantasma da noite diante do dia que nascia era o velho Chateaubriand, esquelético, alto, com um olhar que batia como uma pedra e que chamava.
Monsieur le Chevalier entendia que chegou a hora de escapar de lá e de voltar para o convívio dos vivos. Ele tinha passado uma noite inteira com os fantasmas.
A vida dos nobres medievais ‒ Chateaubriand não é da Idade Média, mas há muitas analogias ‒ era muito dura. Por isso, a maioria da população gostava ficar no aconchego das classes populares, gordas, bem alimentadas, bem aquecidas, preocupadas apenas com o trabalho, a produção, o comércio, a família e a festa.
O nobre era o protetor e o garante da felicidade geral. Mas, ele próprio no seu castelo, vivia uma vida austera que formava heróis para o dia em que o perigo se abatia sobre a região toda e ele tinha que sair o primeiro a expor a vida para salvar a todos.
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