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terça-feira, 1 de abril de 2014

A feliz junção da Europa medieval
com a Igreja e a Religião

Na Europa medieval, as vidas dos conventos e dos castelos, dos santos e dos heróis se entrecruzaram indissoluvelmente.

Por exemplo, o mosteiro do Escorial. Ele, aliás, não é medieval. Mas foi feito por homens que tinham mentalidade medieval.

É, ao mesmo tempo, um convento e a residência pessoal do rei mais poderoso da Terra no seu tempo: Filipe II da Espanha.

Sem dúvida o Escorial é muito bonito.

Mas, a gente pode pensar na salinha do Escorial, ou num dos salões, e ali imaginar Filipe II lendo uma carta de Santa Teresa de Jesus.

A gente pode imaginar por perto um Núncio gordalhão, bonachão, renascentista, contrário à reforma dos Carmelos, fazendo suas manobras.

E Filipe II, que tinha uma alma maior do que todo o Escorial, decidindo.

Santa Teresa de Jesus e Filipe II: havia uma junção entre essas duas almas, porque Santa Teresa era ainda mais Escorial do que Filipe II.

Ela encarnava o Escorial do Céu que olha para a Terra e Filipe II representava o Escorial da Terra que fica olhando para o Céu.

No Escorial há um entrecruzamento do temporal com o religioso.

Por causa disso, a ordem temporal era sacral.

Ela reconhecia e afirmava que nada de válido e autêntico podia brotar a não ser da verdadeira visão da Religião Católica, que os santos tiveram nos seus conventos.

Então nasciam as maravilhas da Civilização Cristã sob a sombra benigna e materna das instituições da Igreja Católica.

Foi assim que os santos geraram uma civilização católica, que antes de nascer palpitava na alma de santos como São Bento, São Remígio, e tantos outros.

Foi a junção da Europa medieval com a Igreja e a Religião que trouxe a paz de Cristo ao mundo.

No Céu nós teremos a Visão Beatífica e o Paraíso Celeste. Deus achou que a Visão Beatífica seria bem completada com o Paraíso Celeste.

A prefigura da visão beatífica são as graças sobrenaturais. E a prefigura de Paraíso Celeste é a Civilização Cristã.

Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.


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terça-feira, 18 de março de 2014

Castelo de Coca atravessa os séculos
com coragem e elegância


A primeira impressão que causa esta foto do castelo de Coca é algo de irreal. Tem-se a inclinação a dizer: “Não, este castelo não existe!”.

O artista soube fotografar a fortaleza numa hora de um contraste muito feliz: o céu sombrio e o castelo bem iluminado.

Céu sombrio, mas luminoso num ponto. Dir-se-ia que um raio acabou de estalar e ilumina magnificamente o castelo.

Uma construção tão grande, com tantas torres, tantos salões, tantas muralhas, que se diria que é um castelo incomensurável.

É um castelo de conto de fadas!

Pode-se imaginar seus salões, uma capela tão grande como uma catedral, salas de trabalho, salas de conversas políticas, dormitórios extraordinários.

Tudo com conforto para um número indefinido de personagens. Nobres que se encontram pelos corredores, fazem grandes reverências, saúdam-se com cerimônia, mas, ao mesmo tempo, cochicham, fazem política, etc. É a vida de todos os dias.

Foi construído com uma preocupação artística muito apurada.

Notem, por exemplo, as estrias brancas nas pedras. Na parte bem central, um torreão composto de um conjunto de torres coligadas.

O castelo lembra, sem dúvida, uma vida nobre e requintada, de mil delicadezas. Mas as delicadezas próprias à civilização cristã se deterioram se vividas num clima sem heroísmo.

Daí o aspecto de heroísmo do castelo, todo feito para combater, para resistir a longos cercos dos adversários.

Resistia-se com coragem, mas também com elegância, que consiste na leveza e distinção do guerreiro quando descansa.

Quem não é batalhador, quem não é polêmico, não tem verdadeira distinção nem verdadeira elegância.

Assim os nobres lutavam contra as investidas árabes, impedindo o avanço muçulmano na Europa.

(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Excertos de conferência proferida em 5 de maio de 1984. Sem revisão do autor).


O Castelo de Coca, de estilo gótico-mudéjar espanhol, localiza-se na Província de Segóvia, no centro-oeste da Espanha a 135 km de Madri, a capital do país.

O local teve grande importância durante o Império Romano. Uma rica aristocracia da região regeu os destinos desse império no fim de sua história.

Os bárbaros visigodos extinguiram essa era dourada e mouros e cristãos disputaram aldeias e castelo.

No século XV o nobre Don Íñigo López de Mendoza, marquês de Santillana iniciou a construção do atual castelo.

Napoleão ocupou o castelo em 1808 e o transformou em quartel. As tropas revolucionárias saquearam e incendiaram a região, deixando o castelo em ruínas na hora de fugirem derrotadas pelos espanhóis.

Desde então não foi teatro de grandes acontecimentos.




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terça-feira, 11 de março de 2014

Esclimont: um castelo de sonho
para um numeroso grupo de famílias


O castelo de Esclimont, entre Versalhes e Chartres, a oeste de Paris, é uma jóia que brilha em todo o seu esplendor com as vestes do outono.

O que outrora fora um frio, triste e insalubre pântano transformou-se, pelo trabalho humano, em um recanto paradisíaco.

Originalmente medieval e guarnecido por poderosas torres de pedra erguidas para o combate, o edifício transformou-se na Renascença em château de plaisance, onde se pode levar uma vida agradável.

Em sua entrada norte ostenta ainda, em baixo relevo, a figura equestre de Francisco de La Rochefoucauld (séc. XVII), cuja célebre família o possuiu e ocupou até 1968.

Sua conformação atual conserva os traços de uma restauração e reforma realizada no século XIX.

Pertence atualmente a uma cadeia de hotéis de charme, que o mantém com bom gosto.


Um castelo como esse servia apenas para fruição dos seus proprietários?


Essa será talvez a pergunta de algum nosso contemporâneo, picado pela mosca do igualitarismo tão difundido em nossos dias.

Tal ideia, porém, não confere de modo algum com a realidade histórica.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Cristandade: uma espécie de Céu na terra,
inspirada pela Igreja

Maillebois
Castelo de Maillebois, região Centre, França

Tradição vem de tradere, que é transmitir.

A tradição é a transmissão que vem do passado.

Mas a tradição não é para o católico o que é, por exemplo, para o índio.

O hábito de usar cocar, aquela coisa toda, no índio é tradição.

Para nós tradição não é isso só.

Pela tradição, o católico tem no fundo da alma um lampejo da Igreja como Ela se apresenta habitualmente.

A Igreja -- obviamente não falamos de suas deturpações -- é para o verdadeiro católico, não muito conscientemente talvez, uma espécie de Céu na Terra.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Blois: castelo povoado de personagens e eventos históricos — 2

Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França
Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França

continuação do post anterior

A Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França, destinada a uma finalidade temporal.

Foi Sala de Justiça dos condes de Blois, e depois albergou os Estados Gerais – espécie de Assembleia nacional extraordinária – em 1576 e 1588.

Era costume dos senhores feudais administrar justiça.

São Luis fazia-o embaixo de uma árvore famosa do bosque de Vincennes, então na periferia de Paris.

E se pudéssemos assistir em espírito a essa cena?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Blois: castelo povoado de personagens e eventos históricos — 1

Pavilhão renacentista-medieval
Pavilhão renacentista-medieval
Os castelos condensam a história de sua região ou de seu país.

Os grandes fatos que neles se deram ficam registrados como num livro vivo aberto a todos que sabem lê-lo.

Eles mantêm os ambientes onde se passaram fatos memoráveis, bons ou maus, e como que estão habitados pela presença dos personagens que neles participaram.

É o caso do castelo real de Blois no vale do rio Loire, na França.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Torre de Belém:
símbolo da vocação providencial de Portugal


A Torre de Belém em Lisboa se ergue sozinha.

Ela não faz parte de nenhum corpo de edifício. Está isolada.

Ela é apenas uma torre?

É, mas é quase um palácio em forma de torre, porque ela é espaçosa.

Ela consta de quatro andares.

No quarto andar, resplandecente de luz, está o caminho da ronda.

A torre está cercada de um patamar grande com guaritas nos ângulos, para os vigias ficarem durante a tempestade; para disparar fogo contra quem se aproxima.

A idéia de guerra está altamente presente na torre.

Sempre que um homem, ou uma senhora, apresenta com vaidade sua própria dignidade, só obtém a antipatia.

Mas, sempre que ele está consciente de representar algo mais alto do que ele, aí ele se torna respeitável.

Porque os homens valemos na medida que representamos algo de Deus.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Castelos e jardins: encontro da cultura e da natureza modelada segundo o Paraíso — 2

Jardins do castelo de Sceaux
Jardins do castelo de Sceaux
continuação do post anterior

Conta-se que, filho e neto de bons jardineiros, André Le Nôtre viu pela primeira vez Luís XIV no jardim do Louvre quando o rei tinha cinco anos e correu para abraçá-lo e osculá-lo.

No fim da vida, o mesmo rei convidou-o para deambularem juntos, cada um numa chaise carregada por guardas suíços pelos jardins de Marly-le-Roi, rodeados por muitos cortesãos ... a pé.

“Ele tinha uma probidade, uma precisão e uma retidão que faziam com que todo o mundo o estimasse e amasse”, escreveu dele o duque de Saint-Simon, brilhante mais exigentíssimo memorialista.

Le Nôtre, porém, se definia como um “pobre jardineiro”, tendo recusado o título de nobreza que Luís XIV quis lhe conceder.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Castelos e jardins: encontro da cultura e da natureza modelada segundo o Paraíso — 1

Vaux-le-Vicomte: uma das obras primas de jardinagem de Le Nôtre
Vaux-le-Vicomte: uma das obras primas de jardinagem de Le Nôtre
A França comemora o 400º aniversário do nascimento de André Le Nôtre, jardineiro e filho do povo que atingiu a glória realizando os mais famosos jardins do mundo para o rei Luís XIV e outros grandes castelos da nobreza francesa do Grande Século.

Sua mais famosa realização são os jardins do castelo de Versalhes, que ainda hoje maravilham milhões de turistas todo ano.

Mas há, entre outros, o famosíssimo jardim do castelo de Vaux-le-Vicomte, do ex-ministro das Finanças Fouquet, caído em desgraça pela opulência ostentada.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A Conciergerie: Palácio de um rei santo em Paris

Fachada sobre o rio Sena. À esquerda a Torre do Relógio
Fachada sobre o rio Sena. À esquerda a Torre do Relógio

A Conciergerie (literalmente = portaria) é parte do antigo palácio de São Luis em Paris.

Sua fachada é quase toda ela medieval.

O atual Palais de Justice junto com a Sainte Chapelle faziam parte do mesmo conjunto.

O Palácio da Cidade como é seu nome, foi a residência dos Condes de Paris, senhores da cidade e depois reis da França. Este palácio foi habitado pelo rei Eudes I de França.

A família real francesa recebeu o nome de Capeto em alusão a uma relíquia da Capa de São Martinho de Tours que ganhou do santuário de Tours.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

GUIMARÃES: afabilidade, bondade, hospitalidade e combatividade

Castelo medieval de Guimarães
Castelo medieval de Guimarães
O castelo de Guimarães é um castelo da Idade Média com reformas de tempos posteriores.

Sério, sóbrio, distinto, ele transmite uma nota que é muito própria aos palácios portugueses.

É uma nota que também faz pensar no Brasil e no estilo de ser brasileiro, e que é a seguinte.

Os castelos europeus são todos muito bonitos, mas estabelecem uma espécie de solução de continuidade entre o castelo e o castelão e quem passa perto.

Eles transmitem a idéia de que o castelo é meio inacessível e onde é meio difícil de entrar.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

MARÇAY: força, simplicidade e encanto

À beira da estrada, um “castelinho” cheio de beleza e dignidade transmite um sorriso encantador.

Seu nome é Marçay, o mesmo da localidade, no vale do Loire, na França.

De onde vem seu encanto?

É porque ele é ao mesmo tempo forte e tem algo de brinquedinho.

O teto é em “V”, com ângulo muito fechado e a pedra é forte.

Ele é de uma época em que já não eram construídos os castelos militares medievais mas conservavam-se os que existiam.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

WARWICK: força e delicadeza, nobreza e sacralidade

Warwick: imensa fortaleza, parte em ruínas, parte refeita no estilo Belle Époque
Warwick: imensa fortaleza, parte em ruínas, parte refeita no estilo Belle Époque

O castelo de Warwick, na Inglaterra, considerando-se a simples formosura do conjunto arquitetônico, dispensaria comentários.

Porém sua beleza é especial, muito de acordo com o gosto anglo-saxão que inclui elementos que não são frequentes nas preferências latinas.

Sua beleza não está tanto contida em algum aspecto chamechante de cor ou forma, mas se encontra difusa discretamente pelo todo.

A imensa muralha e o conjunto de prédios que constituem o castelo em muitos lados estão em ruínas. Por vezes, são ruínas de grandes partes de muralhas ou torres.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Casa do Rei em Bruxelas

Casa do rei, Burxelas. Castelos medievais
Vemos nesse palácio – denominado Casa do Rei, porquanto foi a residência do Rei da Espanha – a beleza das várias seqüências de ogivas.

Ele está situado na Praça do Mercado de Bruxelas, capital da Bélgica.

O prédio é constituído por três andares e uma mansarda, com o mesmo estilo arquitetônico - o gótico -, exibindo, contudo, harmônicas e elegantes distinções entre suas diversas partes.

O andar térreo apresenta uma galeria com colunas, sobre as quais repousam ogivas muito abertas.

Sobre esta galeria, como fachada do primeiro andar, ergue-se outra, cujo número de colunas e ogivas é o dobro das colunas e ogivas de baixo, com exceção das duas colunas e da ogiva do centro do edifício, que se repetem nas duas galerias.

Todas as ogivas são trabalhadas finamente; de repente, elas se adelgaçam e terminam numa ponta.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

COCHEM: castelo das “mil e uma torres”

O castelo de Cochem domina o rio Mosela com fascinante atrativo
O castelo de Cochem domina o rio Mosela com fascinante atrativo

O castelo de Cochem coroa uma elevação que domina o rio Mosela com fascinante atrativo.

Essa colossal joia arquitetônica faz parte do segundo menor distrito rural do Lander Renânia-Palatinado, grande região da Alemanha.

Com pouco menos de 5.000 habitantes, Cochem só é menos populosa que o distrito rural de Kusel.

Como é possível que de algo tão pequeno na ordem material tenha surgido algo tão grande na ordem do espírito, da arte e da arquitetura?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Se os homens tivessem continuado construindo castelos, até que patamares de beleza e elevação não teriam chegado?

Clerans, Castelos medievais
Castelo de Clerans, França

A Idade Média gerou grandes castelos de fábula, por exemplo o de Chenonceaux ou o de São Luís.

Mas também produziu centenas e centenas de castelos de graus menores de beleza e magnificência.

E eles são muito bonitos e admiráveis também como o de Clerans na foto ao lado.

E, não só de castelos, mas casas senhoriais, burguesas e populares nas quais se espelhava qualquer coisa do brilho do grande castelo.

O universo dos castelos medievais não se compreende verdadeiramente, sem considerar esta dimensão social.

No período medieval o teor geral da vida possibilitou ao homem realizar na Terra não propriamente um mundo de gostosuras, mas sim um mundo de maravilhas e de realizações arquitetônicas, ultra-sapienciais e ultra-capazes de nos falar do Céu.

E por causa disso mesmo ultra-agradáveis para o homem peregrino nesta terra.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

ALMOUROL: história épica, mistério e lenda

Almourol: castelo de heroísmos e mistérios
Almourol: castelo de heroísmos e mistérios
O castelo de Almourol, no distrito de Santarém, em Portugal, foi erguido numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no curso médio do rio Tejo, à época da Reconquista.

Moedas romanas do século I a.C. e medalhas do período medieval desenterradas no local falam de sua história.

A partir do século III, o local foi ocupado por Alanos, Visigodos e pelos muçulmanos a partir do século VIII que o nomearam Al-morolan (pedra alta).

À época da Reconquista cristã Almourol foi tomado pela força em 1129 por D. Afonso Henriques (1112-1185).

O soberano entregou-o aos cavaleiros da Ordem dos Templários, então encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa de Coimbra, então capital de Portugal.

Nesta fase, o castelo foi reedificado, tendo adquirido as suas atuais feições, características da arquitetura templária.

Planta quadrangular, muralhas elevadas, reforçadas por torres adossadas, dominadas por uma torre de menagem.

Uma placa epigráfica, colocada sobre o portão principal, dá conta de que as suas obras foram concluídas em 1171, dois anos após a conclusão do Castelo de Tomar, edificado por determinação de Gualdim Pais.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Castelos que alimentam a fé e convidam para a vida eterna

Castelo de Montbrun, Limousin, França
Castelo de Montbrun, Limousin, França
As obras da Criação inspiraram em almas como a de São Francisco de Assis os mais sublimes transportes de amor e adoração ao Criador, Deus Nosso Senhor.

As obras geradas pelo espírito católico e suavemente inspiradas pela graça, que o grande poeta italiano Dante Alighieri chamou de “netas de Deus”, pois filhas dos filhos de Deus, também podem suscitar movimentos de enlevo análogos.

Posto que o homem tem corpo e vive numa terra material, em meio a objetos materiais como prédios, pontes ou estradas, ele vive em contato necessário e incessante com eles.

Se esses objetos estivessem impregnados de espírito católico, o homem viveria em contato continuado com obras sacrais que lhe falariam constante e suavemente dos gáudios da bem-aventurança eterna.

É o caso dos castelos iniciados na Era de Luz, a Idade Média, quando o “espírito do Evangelho penetrava todas as instituições” segundo o consagrado ensinamento do pranteado Papa Leão XIII.

Não é verdade que faria bem a um sem-número de pessoas, se ao invés de ter para observar as lambidos e frios prédios modernos de hoje em dia, pudesse admirar construções erigidas com esse espírito?

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Palácio dos Doges de Veneza: sublimidade, simplicidade, arte e aristocracia

Palácio dos Doges de Veneza: sede de governo de uma república aristocrática
Palácio dos Doges de Veneza: sede de governo de uma república aristocrática
A renda de pedra do Palácio dos Doges de Veneza é o lado surpreendente do mais sublime caixotão que possa haver.

Porque este é o mais sublime caixotão da História, porque é um caixote, mas que caixote!

Há uma inversão: a parte pesada fica em cima. Mas, para desfazer a parte pesada, há um desenho de pedra que é uma beleza.

As ogivas, no estilo gótico veneziano, foram duas fileiras de uma delicadeza e de uma beleza linda. Mas o “caixotão” não pesa em cima delas.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

HAUT-KŒNIGSBOURG: o “alto-castelo do rei”

Haut-Kœnigsbourg: imponente fortaleza protege vales e estradas
Haut-Kœnigsbourg: imponente fortaleza protege vales e estradas

O castelo de Haut-Kœnigsbourg é uma fortaleza medieval muito ligada à história alemã, mas que hoje faz parte da região francesa da Alsácia.

Seu nome significa “alto-castelo do rei”. O termo “alto” não se refere à elevação em que foi construído, mas à sua elevada categoria.

E, de fato, seu imponente perfil rodeado de bosques domina as planícies e irradia força, ordem e majestade.

No ano 774, Carlos Magno legou o morro de Staufenberg – sobre o qual foi construído Haut-Kœnigsbourg – e as terras vizinhas ao priorado beneditino de Lièpvre, que por sua vez era vassalo da abadia de Saint-Denis, sede dos túmulos da família real francesa na proximidade de Paris.

Após 1079, Frederico II, Duque de Suábia, o Caolho, criou uma linha defensiva composta de muitos castelos, inclusive em terras que não lhe pertenciam.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Como pensa um nobre proprietário de um castelo francês?

Pierre-Louis de La Rochefoucauld, duque de Estissac,
e sua esposa a duquesa Sabine
Pierre-Louis de La Rochefoucauld, duque de Estissac, declarou ao jornal irlandês “The Irish Times”, que ele não comemora o aniversário da queda Bastilha, fato revolucionário que marcou o inicio da derrocada da monarquia na França.

O duque afirma que são muitos os nobres franceses que assumiram essa posição, e que o socialismo ovante do presidente François Hollande os vem reforçando nessa recusa.

“Na Revolução Francesa nós tínhamos que fugir, nos esconder ou sermos mortos”, explica. No dia da Bastilha, há 224 anos, seu antepassado François Alexandre Frédéric de La Rochefoucauld foi interrogado pelo decadente rei Luis XVI se havia uma revolta em Paris.

E ele respondeu com uma frase célebre: “Não, majestade. Não é uma revolta, é uma revolução”.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Importância do castelo ou palácio real para a vida de um povo

Castelo do rei São Luís IX em Paris, conhecido como Conciergerie
Um castelo ou palácio real tem como finalidade abrigar o soberano ‒ ele tem que morar em algum lugar ‒ com o esplendor que corresponda à sua alta categoria.

Ali recebe visitas e embaixadores com suas credenciais, oferece banquetes, dá recepções, tem seus apartamentos privados onde leva a sua vida particular.

Tudo adequado ao supremo degrau dele, em correlação à etimologia da palavra majestade ‒ stat majus ‒, o estado que é maior, máximo, mais que todos os outros. Nisso consiste a majestade.

Mas esse é o aspecto interior do palácio.

O verdadeiro é perguntar que importância tem para a vida de um povo seu exterior.

O povo fica vendo que ali mora o homem que é o rei, o número um da nação.

Então, pergunta-se como é a habitação número um?

domingo, 18 de agosto de 2013

Faça uma visita virtual à Catedral de Santiago de Compostela


Veja vídeo


A história da catedral de Santiago de Compostela começou pelo ano 813, quanto um eremita de nome Pelayo e alguns pastores se depararam com uma estranha luminosidade.

Aquela misteriosa luz se espalhava sobre um pequeno bosque perto de um morro chamado Libredón. A paisagem, em certos momentos, ficava tão clara que se parecia a um campo estrelado (Campus Stellae = Compostela).

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O risco na vida dos homens dos castelos

Castelo de Cheverny, armas e armaduras
O jovem pajem que ia ser senhor feudal quando seu pai morrer, era esbelto, magro, fino, com o corpo ereto, com a fisionomia pronta para a aventura, de espada à cinta, pronto a montar um corcel e a correr para fazer uma viagem de um mês, no meio de todas as aventuras, e voltar carregado de glórias ou de ferimentos.

O homem da plebe não tinha obrigação de combater, não tinha vocação de herói.

Eles apenas tinham que ser produtivos.

Nas iluminuras e vitrais medievais aparecem tranqüilos, gordões e pacíficos.

O fidalgo não. Ele era feito para todos os brilhos, glórias, riscos, e para a qualquer momento, despencar em qualquer precipício!

Riscos da vida de um fidalgo? Mas todos! Todos!

Inclusive de um inimigo, que ele podia encontrar na esquina daquelas ruas tão sinuosas das cidades da Idade Média, com quem ele trava desde logo um duelo de morte, que seria o quinto do dia...

Depois ele vai repousar em sua cama, se não vai já de uma vez no caixão funerário...

terça-feira, 30 de julho de 2013

O morador do castelo: forte, herói, dando a vida pelos súbditos

Castelo de Yvoire, Suíça
O senhor feudal era homem forte, vigoroso, destro nas artes da guerra.

Desde muito jovem, com doze, treze anos, já era mandado por seus pais para servir de pajem na corte de outro senhor feudal.

Talvez por reputarem que, sob a férula de um outro senhor, mais elevado, ele seria educado de um modo mais varonil, do que com os carinhos do pai ou da mãe.

Então, ele era mandado cedinho para o castelo de um senhor feudal mais alto, para ali começar a se adestrar na guerra.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Montreuil-Bellay: equilíbrio de belicosidade, beleza e … penitência!

Posto chave para um belicoso, pecador e penitente senhor feudal
Posto chave para um belicoso, pecador e penitente senhor feudal
O castelo de Montreuil-Bellay é uma das mais vastas construções medievais hoje subsistentes, embora muito reformado durante os séculos.

Ele se espraia com ufania no coração da cidade forte – quer dizer rodeada de muralhas – que leva seu mesmo nome.

Na origem do castelo encontramos um homem muito característico dos primeiros séculos medievais: Foulques Nerra (965/970-1040), duque d’Anjou.

Ele foi um personagem de temperamento violento e de uma energia pouco comum. Nele ainda fervia o sangue dos bárbaros não há muito batizados.

Passou para a história como “um dos batalhadores mais agitados da Idade Média”, segundo o historiador Achille Luchaire.

Fazendo jus ao próximo sangue bárbaro, Foulques foi cruel. Mas aqui encontramos uma diferença com o bandido moderno.

Foulques tinha também um coração amante e um enlevo de criança pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. E isso fez a diferença.

Já foi escrito que “seus remorsos estavam à altura de seus crimes”.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Fortaleza de Consuegra: aparente brinquedinho, tremendo meio de defesa

Consuegra: sede da Ordem de Malta e cenário de batalha histórica
O castelo de Consuegra, na região de Castela la Mancha (Espanha), foi de início a fortaleza de uma importante cidade romana – Consabura – que possuía termas, muralhas, aqueduto e circo.

No século X, o líder islâmico Almanzor reergueu a fortaleza para garantir o domínio muçulmano nas comarcas vizinhas.

Porém em 1097, o líder Al-Mu'tamid cedeu o castelo ao rei Alfonso VI de Castela em virtude de um acordo.

A pose cristã durou muito pouco. Em agosto do mesmo ano, o rei perdeu o castelo na desastrosa batalha de Consuegra.

O castelo foi recuperado definitivamente no século XII e foi reconstruído pelos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém (Ordem de Malta) em 1183. A fortaleza se transformou no priorado da Ordem para a região de La Mancha.

A estrutura do castelo é atípica. Está composto por um corpo central quadrado com uma grande torre cilíndrica em cada um de seus lados.