terça-feira, 24 de maio de 2016

Fontainebleau: castelo real com diversos estilos que falam de sua história

Fontainebleau  dormitório em que podem se apreciar ainda elementos do estilo Renascença
Fontainebleau  dormitório em que podem se apreciar elementos do estilo Renascença

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O gênero de beleza evoluiu no tempos em que Fontainebleau acolheu gerações de reis legítimos, e até um imperador oco, envolvendo a todos numa feeria de beleza única.

Fontainebleau, a poucos quilômetros de Paris foi uma das residências favoritas dos reis medievais Filipe II e de São Luis IX.

Porém, o criador do castelo atual foi Francisco I, que varreu o prédio medieval e quis um outro inteiramente novo segundo as estilos da Renascença. Confira nossos posts sobre o castelo.

A nota de raffiné introduzida nos estilos de vida por Luís XIV girava em volta da imponência que atingiu seu ápice no castelo real de Versailles.

Seu sucessor Luís XV fez consistir o raffiné no gracioso. E estimulou um estilo esplêndido, onde domina a graça, o charme, o arredondado, de tons suaves e sorridentes. Porém, seu estilo teve  um valor abaixo do imponente de Luís XIV.

Na sala do Conselho do castelo de Fontainebleau se notam nas paredes as formas do estilo Luis XV arredondadas em tudo.

As poltronas, entretanto, não são do estilo Luís XV. Elas privilegiam os ângulos retos que exprimem muito mais a força do que o arredondado, a organização militar que passa por cima do jeito, da conciliação e do sorriso.

Pátio interior de Fontainebleau
Pátio interior de Fontainebleau
Não é preciso dizer que obedecem ao estilo preferido de Napoleão Bonaparte que ocupou longamente o castelo.

Na época de Luis XV predominou a preferência pelas cores mais delicadas que podem se apreciar nas paredes.

O ar triunfal, que manifestavam as salas de Luís XIV, havia desaparecido.

Não é uma sala para um Rei vencedor do mundo — como Luís XIV pretendia ser, e em certa medida o foi —, mas para um Rei que leva uma vida gostosa e, nas horas vagas, realiza uma reunião de seu Conselho.

Desta sala não resulta a conquista do universo nem a prevenção da Revolução. O ambiente é otimista, de quem não deseja ver o processo revolucionário se formando e adensando.

Considerado sob o prisma do maravilhoso, ela o exprime com uma nota de gracioso. Neste sentido, o faz magnificamente. A linha da feeria está inteiramente afirmada. Dir-se-ia que, de algum modo, ela é até mais refinada que os salões de Luís XIV.

Dentro desse gracioso há qualquer coisa de tristonho. Não está presente aquela alegria matinal dos ambientes de Luís XIV. É uma beleza e um gracioso crepuscular, mas com todos os encantos do crepúsculo.

Numa monarquia com uma rainha regente, esta sala estaria adequada — mas não para uma rainha da têmpera de uma Branca de Castela.

O ambiente, em todo o seu maravilhoso, poderia servir para lazer num palácio real. Mesmo assim, há algo de perigoso, porque ficando muito tempo aqui, não se tem vontade de passar para outros salões.

Salão do Conselho em Fontainebleau muros estilo Luís XV, cadeiras estilo napoleônico.
Salão do Conselho em Fontainebleau muros estilo Luís XV, cadeiras estilo napoleônico.
Ela contém qualquer coisa do anestésico do otimismo, na linha da cançãozinha “Tout va très bien, Madame la Marquise”.

Na Sala da Imperatriz, que outrora foi a sala de jogos da rainha Maria Antonieta, esposa de Luís XVI, apreciamos bem a ordenação militarista de que gostava Napoleão.

As damas deviam se sentar numa ordem de regimento que as cadeiras põem em relevo. E sem respaldares como guardas em posição de sentido.

O grandioso de Luís XIV foi substituído pelo grandioso da parada militar. O sorridente e gracioso de Luís XV desapareceu e dir-se-ia que só faltava ter um sargento para dar os ordens para as damas levantar, sentar, etc.

Tampouco podemos imaginar nessa organização o ambiente encantador de Maria Antonieta se aplicando  aos entretenimento risonhos e por vezes superficiais dessa rainha de sonho.

Obviamente o estilo napoleónico não criava ambiente para que as conversas e o relacionamento de alma a alma numa atingissem uma alta clave de categoria e distinção, bom gosto e charme.

Conta-se que em suas opulentas festas, Napoleão passava revista aos presentes. Esses ficavam tensos e arregelados enquanto o imperador taciturno passava olhando a cada um. De vez em quando Napoleão parava diante de alguém, podia ser uma dama, e lhe fazia um comentário qualquer.

Esse comentário caberia bem num quartel. O aludido respondia com um salamaleque e o imperador prosseguia em sua revista.

O Grand Salon de l'Impératrice em Fontainebleau.
O Grand Salon de l'Impératrice em Fontainebleau.
O príncipe de Talleyrand-Périgord, famoso ministro das Relações Exteriores de Napoleão, assim que podia fugia das faustosas e espalhafatosas festas de Napoleão para frequentar o salão de umas velhas princesas do Antigo Regime.

Nele se cultivavam as velhas fórmulas aristocráticas cheias de charme, inteligência, boa educação e requintado refinamento.

Essas senhoras, como muitas outras aristocratas da era napoleônica, estavam reduzidas à quase miséria e só tinham leite para oferecer aos convidados.

Talleyrand preferia esse leite aos carissíssimos champagnes e inigualáveis iguarias das festas de Napoleão porque apreciava mais os valores de espírito da ordem católica anterior à Revolução Francesa que o exibicionismo crassamente materialista que vem crescendo rumando sempre para auges de vulgaridade.

Tampouco é preciso acrescentar que a República da Revolução Francesa não suportou os ambientes requintados de Fontainebleau e nunca o usou para cerimônias de Estado. Hoje é museu.




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terça-feira, 10 de maio de 2016

Castelo de Amboise:
fruto da Cristandade que espelha a Luz de Cristo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Luz de Cristo só brilha na sua autenticidade e plenitude na Igreja Católica.

E a Igreja comunica essa luz às obras de seus filhos.

Isto é especialmente verdadeiro para a Cristandade.

Este reflexo divino, enquanto se fazendo brilhar na ordem temporal a Igreja e o espírito religioso e ortodoxo dos católicos que constituem a Cristandade, pode ser chamado, com a devida analogia, também de Lumen Christi - Luz de Cristo.

O castelo de Amboise é um dos inúmeros exemplos concretos de essa irradiação da Luz do Redentor no campo temporal.

Ele foi construído num promontório com vista para o Loire. Na Idade Média foi substituído por uma ponte.

Ainda em tempos medievais, no século XI, Fulques III o Negro, Conde de Anjou, reconstruiu a fortaleza.

Em 1434, o edifício foi adicionado por Carlos VII aos bens da Coroa, depois do seu proprietário, Louis d'Amboise, ter sido acusado de conspiração e executado em 1431.

O castelo foi um dos favoritos dos reis franceses.

Carlos VIII, que nele nasceu e faleceu, fez extensas reconstruções no estilo do gótico flamboyant francês tardio.

Depois de 1495 empregou mestres pedreiros italianos, Domenico da Cortona e Fra Giocondo, que aplicaram alguns dos primeiros motivos decorativos renascentistas.






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terça-feira, 26 de abril de 2016

Castelos interpretam anseios profundos dos alemães

Burg Zwingenberg, no estado de Baden-Württemberg.
A primeira menção histórica é de 1326. Hoje pertence ao príncipe Ludwig von Baden.
Luis Dufaur
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A Alemanha há 90 anos não é monarquia, porém os antigos castelos da nobreza suscitam um sagrado maravilhamento, escreveu o diário “Die Welt”.

Eles são os mais visitados monumentos históricos.

Onde o Estado não restaura, iniciativas populares fomentam a reconstrução, inclusive na ex-Alemanha Oriental.

O que esta por trás dessa “mania” popular pelos castelos que não tem mais utilidade? indaga o jornal.

O desejo de ver coisas belas e nobres, a curiosidade pela riqueza e esplendor, a admiração por obras de arte perfeitas não explicam a obsessão.

O castelo pertence à época feudal, à sociedade de classes, à forma monárquica de Estado. Mas “Die Welt” se espanta pelo fato de lojas e shopings-centers milionários escolherem castelos como símbolo.

O castelo é um dos primeiros edifícios de que ouvimos falar, quando chegamos ao mundo, prossegue o diário.

Antes mesmo que tenhamos visto um castelo em concreto, já se forma uma imagem dele em nossa alma. É uma imagem de conto de fada que nos é apresentada.

Nos castelos, segundo as lendas, acontecem cosas estranhas, prossegue “Die Welt”.

Rãs se transformam em príncipes, mendigos em reis, meninas pobres em rainhas, e sem interrupção há casamentos.

Há torres, escadarias, uma cozinha e a trepadeira de espinhos que cresce sobre o teto e que florescem depois de cem anos.

Mais frequentemente, o castelo se encontra numa floresta ou num pico quase inacessível.

Ele esta fora do alcance, de fora da época democrática.

O castelo aparece, até para o homem de pensamento prosaico e economicista do século 21, como um local de encanto, de maravilhamento e de enobrecimento.

É o contrario do mundo da aceleração, da globalização. Nele o tempo parece ter ficado parado.

Nele, o país encarna o orgulho de sua história, de seu esplendor e de sua identidade.

Drachenburg foi construído em estilo neogótico no século XIX.
Hoje pertence ao estado de Renania do Norte-Westephalia
O castelo foi para os alemães um marco de identidade, de uma ordem universal de convívio supra-nacional, baseada no senhorio pessoal porque no antigo Império a pátria e a nação cristalizavam-se no poder pessoal do nobre.

Os castelos alemães são testemunhas muito especiais daquele antigo império. Neles converge toda a historia e uma concepção do Estado, que somente em 1806 perdeu sua conformação política. [Ano da abolição do Sacro Império por imposição de Napoleão]

Acima de tudo há uma presença palpável de um rasto que se perde no infinito, de origem e de antiga ordem, que fazem com que as velhas moradias dos senhores se tornem locais de culto.

Os homens têm desejo de autenticidade e não de conto da carochinha.

Por isso os alemães procuram os velhos castelos encravados na história e na alma popular como no topo de um rochedo.



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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Langeais: perguntas que nos faz um castelo de conto de fadas

Luis Dufaur
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O castelo de Langeais foi reconstruído a partir de 1886 por um magnata francês de nome Jacques Sigfried, estudioso dos costumes da época medieval. O prédio estava todo escangalhado.

A seu lado existem as ruínas da mais antiga torre feudal da França, do século X.

Sigfried determinou no seu testamento que ele e sua mulher fossem enterrados lá.

É uma bonita ideia.

A não ser enterrado numa igreja, aos pés de um altar, a coisa mais bonita é ser enterrado aos pés de um edifício histórico desse alcance.

O castelo é puro conto de fadas. Ele foi completamente remobiliado e redecorado com grande rigor histórico.

Possui peças muito bonitas. O interior de Langeais alarga o espírito ver.

terça-feira, 29 de março de 2016

Fontainebleau: galeria de mundo de fadas, de sublimidade real e esplendor da aristocracia

Luis Dufaur
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A foto é de uma galeria do castelo francês de Fontainebleau (séc. XVI).

Uma galeria com perspectivas colossais, nobres e imponentes. De dimensões tão amplas, que nela realizavam-se festas e bailes.

Chamo a atenção para o teto. Os caixilhos formam desenhos lindíssimos.

Os lustres, altos e elegantes, causam a sensação de que estão flutuando.

A preocupação ornamental é toda estabelecida por um jogo de luz refletido no assoalho.

As janelas, muito altas, com um tipo de cristal vagamente leitoso, de maneira que a luz entra meio tamisada, tocando o assoalho esplendidamente encerado.

Uma luz nobre, que revela a categoria de espírito, numa espécie de mundo irreal, superior, diáfano.

terça-feira, 15 de março de 2016

Chambord: o Céu dominando a Terra
e o espírito dominando a matéria

O mais surpreendente de Chambord está na floresta de torres do telhado.
O mais surpreendente de Chambord está na floresta de torres do telhado.
Luis Dufaur
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O aspecto mais maravilhoso de Chambord está no telhado.

Ele é coroado por uma floresta de torres e chaminés que sobem para cima como que num concurso.

Elas dão a impressão de um prédio que começa a voar e que várias partes de seu teto começam a subir para o céu, levadas por uma força oposta à força da gravidade.

Ai está um bonito contraste do castelo. Tudo na parte inferior fala da solidez na terra. A floresta de torres e chaminés fala de leveza que vai para o céu.

terça-feira, 1 de março de 2016

Castelos e famílias construtoras:
o mistério da beleza dos nomes




continuação do post anterior: O castelo de uma família com nome de conto de fadas: Sforza





O Castelo Sforzesco é impressionante até de tão bonito.

Uma senhora bem culta, aparentada comigo e casada com um criador de gado que era bem inculto, me contou o seguinte:

Estavam andando naquele pátio interno do castelo de Milão e por coincidência eles passaram em frente a uma dessas seteiras largas que havia em certos castelos antigos.

Nesse momento viram passar uma carroça puxada por um animal de tração. O marido dela em vez de olhar para o castelo, puxou para ela e disse: “Olhe aqui, olhe aqui um boi raça tal”. Era a raça mais comum do mundo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O castelo de uma família
com nome de conto de fadas: Sforza


Luis Dufaur
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O castelo da família Sforza no centro da cidade de Milão, conhecido como Castello Sforzesco faz jus a seu lindíssimo nome.

Hoje é sede de diversos museus e atividades culturais.

Em Milão eu visitei não sei com quantos encantos o castelo Sforzesco, tal vez mais do que a catedral.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fontainebleau: triunfo da harmonia e da medida francesa





Fontainebleau foi construído por reis da Casa de Valois e foi habitado pelos Bourbons. Depois foi conspurcado pelos Bonapartes.

A fachada lateral de Fontainebleau dá uma certa ideia do castelo. Ela é luminosa.

O teto não é inteiramente horizontal, mas de vez em quando é interrompido por altos corpos de edifícios.

A fachada tem uma sucessão de janelas, e há uns painéis que interrompem a sucessão.