terça-feira, 16 de agosto de 2016

Neuschwanstein: o senso do combate e da dignidade afidalgada


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O castelo de Neuschwanstein foi construído pelo rei Luís II da Baviera (1845-1886).

Corresponde a uma concepção romântica e wagneriana da Idade Média.

O homem que o imaginou quis refletir todo o espírito medieval, ou seja, o senso do combate e da dignidade afidalgada do homem da Idade Média.

O castelo está situado num panorama extremamente favorável: um extenso movimento montanhoso, que se prolonga e vai descendo, numa espécie de píncaro em relação a todas as circunjacências


Ele tem como fundo de quadro dois aspectos bonitos da natureza:

‒ lagos no alto da montanha, sempre com água puríssima

‒ e uma floresta.

Não é floresta virgem embora seja densa e vigorosa. Mas, dá a sensação de se estar diante de uma floresta virgem.

Veja vídeo
Neuschwanstein:
senso do combate
e da dignidade afidalgada
A primeira impressão é causada pelo jogo das torres. A torre mais alta parece desafiar os montes atrás, como quem diz:

“Eu estou no píncaro do orbe, mais do que eu não há ninguém”.

O corpo principal do castelo, constituído de vários andares, e é o traço de união entre dois outros edifícios que terminam também em torres desiguais.



A entrada do castelo recolhe toda a atmosfera de grandeza.

A grandeza reside como numa taça representada pelo pátio interno. Ele é de pedra ou de tijolo avermelhado, com um portal magnífico. Tem-se a idéia de algo hierárquico.

Do grande terraço se domina a natureza.

O castelo tem um aspecto altamente hierárquico. Neuschwanstein encarna a grandeza que tem graus até tocar os homens menores.

Neuschwanstein oferece um afago a quem nele quer entrar com boa intenção,

Mas, exprime uma ameaça para quem deseja entrar com má intenção.

Porque o castelo revela algo de fortaleza e algo de prisão. Sente-se a existência de sinistras masmorras para castigar o crime.

Neuschwanstein é um castelo altamente simbólico.

(Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, outubro de 2001)



Video: Neuschwanstein
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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Castelo de Sant'Angelo: escabelo para os pés do Arcanjo São Miguel


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Na ilustração ao lado, vemos o rio Tibre em Roma, com a ponte que conduz ao castelo de Sant´Angelo.

Ao longo dessa ponte monumental, construída para resistir aos séculos, percebem-se imagens de anjos.

Os fiéis que transpõem lentamente a ponte, rezando diante dessas imagens certas orações prescritas pela Igreja, ganham indulgência plenária, desde que depois visitem o castelo.

* * *

Os antigos imperadores romanos pagãos tinham o hábito de construir para si monumentos nos quais se faziam sepultar.

E este, inserido na cidade de Roma, que serviu de base para o futuro castelo de Sant'Angelo, foi mandado construir pelo Imperador Adriano (78 – 138), a partir do ano de 135.

Na época dos romanos, chamava-se Mole Adriana (Mole significa algo com grande massa).

Apresenta um diâmetro colossal, é uma afirmação do poder romano.

Na Idade Média, devido às contínuas guerras, esse monumento passou a ter uma finalidade diversa.

* * *

O 'Passetto di Borgo' permitiu a fuga do Papa até Castel Sant'Angelo quando a basílica foi invadida por mercenários alemães protestantes
O 'Passetto di Borgo' permitiu a fuga do Papa até Castel Sant'Angelo
quando a basílica foi invadida por mercenários alemães protestantes
A construção que se vê sobre a Mole foi edificada posteriormente, para diversas finalidades.

Quem olha de fora o palácio do Vaticano percebe que, em determinada altura, parte um corredor construído sobre arcadas, que atinge o castelo, nomeado 'Passetto di Borgo'.

Qual a finalidade desse corredor? Quando havia perigo iminente de o Papa ser aprisionado, ele utilizava-o para fugir até o castelo. Era a suprema defesa do Pontífice.

Não era simpático um Papa morar numa fortaleza, mas era muito cômodo ele ter uma à disposição para escapar de seus inimigos.

* * *

Veja também: O castelo de Sant'Angelo: origem do nome atual e o milagre do Regina Coeli.



No início da Idade Média disseminou-se uma epidemia muito grave em Roma.

O Papa São Gregório Magno (590 – 604) ordenou procissões na cidade em louvor a São Miguel Arcanjo, para afugentar a peste.

Pouco depois, o Arcanjo São Miguel apareceu em 590 a esse Papa anunciando o fim da epidemia.

E viu-se também o Arcanjo em cima da Mole Adriana, transformando portanto em escabelo para seus pés a glória de um imperador pagão.

É por isso que foi colocada no alto do edifício a imagem de São Miguel, donde a denominação de castelo de Sant'Angelo.

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(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 11.11.1988. Sem revisão do autor).


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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Castelo de Krasiczyn: residência principesca ainda sofre efeitos do comunismo

Palácio construído sobre antiga fortaleza medieval
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Castelo de Krasiczyn, na Polônia, nasceu sobre um antigo complexo de madeira, chamado Sliwnica, provavelmente construído no século XIV.

O castelo atual foi refeito em estilo renascentista. Sua reconstrução começou em 1580 por iniciativa de um nobre local: Estanislau Siecienski Siecin.

Veja vídeo
Castelo de Krasiczyn

As obras duraram até 1633, quando foram completadas por Marcin Krasicki, filho de Estanislau.

O castelo está situado numa várzea, na margem direita do rio San , a 10 quilômetros a sudoeste da cidade de Przemysl.

Nas origens, o castelo era uma fortaleza que protegia a fronteira sul do Reino Unido Polaco-Lituano. Marcin Krasicki transformou a fortaleza em palácio sofisticado sob a supervisão do arquiteto italiano Galleazzo Appiani.

Os nomes das torres (Divina, Papal, Real e Nobre) refletem a ordem eterna
Mais tarde, a aldeia de Krasiczyn cresceu perto do castelo.

Apesar de numerosos incêndios e guerras ao longo dos séculos, o castelo manteve-se essencialmente inalterado desde o início do século XVII.

Ele foi criado como um quadrado, com paredes que representam os quatro pontos cardeais do globo. Nos cantos, há quatro torres em forma oval.

Cada uma tem um nome: Divina, Papal, Real e Nobre.

Esses nomes refletiam a ordem eterna do mundo, com quatro graus de autoridade.

No meio da parede ocidental, está a torre retangular com um relógio que serve de portão principal, incluindo com uma ponte sobre o fosso.

Através dos séculos, o castelo foi visitado por personalidades das mais famosas da história da Polônia. Entre os visitantes, figuram reis como Segismundo III Vasa, Ladislau IV Vasa, D. João II Casimiro Vasa, e Augusto II, o Forte .

Um dos elementos mais preciosos do complexo é a capela localizada na Torre do Divino, comparável à Capela de Segismundo na Catedral de Cracóvia encravada no cidadela do Wawel.

A capela é a joia do castelo
A família Krasicki extinguiu-se no século XVII e o palácio trocou de mãos diversas vezes.

Ele pertenceu a grandes e nobres famílias até que foi comprado no século XIX pelo príncipe Leão Sapieha.

A família Sapieha remodelou o castelo, criou em volta uma fábrica de cerveja e promoveu o desenvolvimento econômico de toda a área.

Esta augusta família permaneceu proprietária de Krasiczyn até 1944 quando o governo comunista da Polônia nacionalizou-o.

As pinturas representado imperadores romanos, reis poloneses, membros da família Krasicki, cenas de caça, e santos da Igreja Católica foram destruídas pelo ódio comunista dos soldados do Exército Vermelho.

Os comunistas russos invadiram a Polônia aliados ao nazismo de Adolf Hitler e ocuparam Krasiczyn desde outubro de 1939 até junho 1941.

No fim de 1941, após a invasão alemã da União Soviética , André Sapieha voltou ao castelo, que havia sido usado como quartel pelos soldados do Exército Vermelho.

Krasiczyn passou inteiro por todas as guerras
Esta é a sua descrição:

“No chão há lixo, roupas velhas, livros destruídos. Paredes cheias de cartazes de propaganda soviética, sem móveis, em vez disso, camas de madeira em toda parte. A capela está completamente em ruínas, todas as esculturas nas paredes destruídas até a altura que os selvagens podiam alcançar. Altares e bancos destruídos. Todos os três túmulos desapareceram. A igreja ficou num estado terrível, uma vez que foi usada como estábulo e açougue. Caixões de metal foram utilizados pelos bolcheviques como banheiras”.

Após a Segunda Guerra Mundial , o governo comunista nacionalizou a principesca residência . Na década de 1970, instalou nela uma montadora de carros.

Após o colapso do sistema comunista, Krasiczyn não foi devolvido a seus legítimos donos e é utilizado pela Agência de Desenvolvimento Industrial de Varsóvia.

(Fonte: Krasiczyn Palace, Wikipedia)





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terça-feira, 5 de julho de 2016

Cheverny: o maravilhoso do equilíbrio

Luis Dufaur
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Considero o panorama que se observa na fotografia ao lado de alta categoria.

Trata-se do Castelo de Cheverny, de estilo renascentista e clássico, situado no vale do Loire, na França.

Onde está a beleza dele? É preciso analisar elemento por elemento.

No meio da grama, a coisa mais comum do mundo: uma estrada inteiramente reta. No fundo, um castelo.

O que tem esse castelo propriamente de maravilhoso?

Cheverny: o maravilhoso do equilíbrio
A grama é de um verde esmeralda, que em nossos trópicos não germina.

Não se vê uma estátua, não se observa quase ornato, nem é ele uma construção cara.

É o maravilhoso do equilíbrio, maravilhoso do edifício bem pensado, estudado e construído com categoria.

É o equilíbrio que se encontra nas coisas francesas, que contêm toda espécie de sabores.

* * *


Analisemos o prédio. Ele é composto de uma espécie de torreão central, que é o ponto monárquico da construção.

Essa parte central é toda leve, toda esguia, mas de tal maneira é bem pensada, que não se apresenta como raquítica, de nenhum modo, em relação aos dois extremos atarracadões e bojudos, existentes num e noutro lado do ponto central.

A parte reta da fachada está bem no centro: é a graça dominando a força; Jacó dominando Esaú. Os elementos pesados coordenados em torno do leve.

É a afirmação da superioridade do espírito. O triunfo da graça sobre a força, da inteligência sobre as coisas da matéria.

* * *

Entretanto, o contraste entre a parte central e os dois extremos é equilibrado. Todo contraste, para ser equilibrado, tem que apresentar termos intermediários harmônicos.

Neste caso por dois corpos de edifícios iguais, que não são tão esguios quanto o corpo central, nem tão bojudos quanto os extremos, mas que se situam entre um e outro desses elementos, preparando a transição.

A altivez do castelo está no que ele tem de mais gracioso.

É como quem diz: “Forte eu sou, mas sobretudo eu me prezo de ser inteligente. 

Em última análise, sou completo. Sou dotado de inteligência e de força. Sou equilibrado”.


O castelo, sendo talvez um pouco discreto demais, foi realçado pela perspectiva.

Fica num grande parque, envolto por um simples, mas esplêndido tapete de esmeraldas para lhe servir de apresentação.

Ao longe, arvoredos formando a moldura.

Dir-se-ia que ele sai de dentro de um mundo de delícias e de mistérios.

A clareza e a lógica cercadas pelos imponderáveis: outra forma de equilíbrio.

Não é verdade que um dos prazeres da vida, que tornam a existência humana digna de ser cristãmente vivida, é analisar as coisas dessa forma?

 Mas analisar com os olhos postos no Céu.

Porque esses são valores de espírito, e são assim porque a civilização que gerou tais valores foi cristã.

São assim, porque foi derramado o precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tais valores são um reflexo da Igreja Católica.

Se não fossem as virtudes cristãs, isto não teria sido assim.

Então, não é um puro gáudio para os olhos que se tira dessa análise, nem um puro gáudio da inteligência.

Mas por cima dos gáudios visual e da inteligência há uma alegria superior do espírito, que considera uma ordem transcendente de coisas.

Ordem na qual existe um Deus pessoal e sobrenatural, no Qual todas as formas de equilíbrio realizam-se de modo tão insondável, que é impossível de ser imaginado por qualquer criatura.

Assim é a Terra como a bênção de Deus a fez e como a Civilização Cristã

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de maio de 196l. Sem revisão do autor.


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