terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fontainebleau: triunfo da harmonia e da medida francesa





Fontainebleau foi construído por reis da Casa de Valois e foi habitado pelos Bourbons. Depois foi conspurcado pelos Bonapartes.

A fachada lateral de Fontainebleau dá uma certa ideia do castelo. Ela é luminosa.

O teto não é inteiramente horizontal, mas de vez em quando é interrompido por altos corpos de edifícios.

A fachada tem uma sucessão de janelas, e há uns painéis que interrompem a sucessão.


Na fachada principal de Fontainebleau vê-se o gosto pela harmonia e pela medida francês.

Há uma harmonia extraordinária entre o primeiro e o segundo andar.

As mansardas do segundo andar fazem arco para o andar térreo. O inefável, a proporção está em tudo.

Há uma variedade que ainda lembra o variado gótico: os senhores têm os vários pavilhões.

O fer-à-cheval é a escadaria mais famosa do mundo. Ela é chamada de ferradura, porque a parte central corresponde vagamente ao esquema de uma ferradura.

O fer-à-cheval é a escadaria mais famosa do mundo
Há um movimento extraordinário da escadaria.

Ela se desenvolve, fecha-se, abre-se numa reta, volta atrás um pouco, abre-se mais de novo, e depois repentinamente muda de direção.

Enquanto isso, o corrimão de um lado faz movimentos que não são análogos, mas que são de uma agradável proporção com o movimento do outro lado.

Há uma elegância de vai-e-vem.

Uma pessoa muito elegante que se movesse descendo a escada faria vagamente esses movimentos.

Isso tem qualquer coisa de humano, nobre, que é inexprimível.

Embaixo há uma porta de entrada que não é a porta nobre.

O andar térreo não era nunca o andar nobre.

O andar nobre era sempre o primeiro. Ali está a porta nobre e o busto de um personagem que se quis glorificar.

O princípio monárquico e o aristocrático estão fortemente representados com a maior distinção.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 15/2/1972. Sem revisão do autor)


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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Cheverny: castelo da harmonia, da simetria e da proporção





Cheverny é o castelo de um nobre e, portanto, é incomparavelmente menor que um castelo real.

Ele tem os mesmos elementos ornamentais, embora mais modestamente.

O castelo se divide em uma parte central, que representa o princípio monárquico e, depois, duas partes colaterais compostas elas mesmas de duas partes.

Ele tem harmonias misteriosas. Se o teto de cada parte fosse igual ao das outras partes do castelo estava liquidado.

Ele tem uma série de rampas. Por que essas rampas? Que razão têm?

Com esse equilíbrio do arredondado com o fortemente anguloso dos dois lados, estabelece-se uma simetria. Duas partes bem fortes e bojudas tendo ao centro uma parte muito delicada. Esta termina com uma ponta esguia acentuada por duas chaminés ainda, que está em contraste com as partes fortes.

Está tudo tão bem pensado que não parece pensado.

O sumo bom gosto da arte francesa é de fazer coisas super-pensadas com a naturalidade de um sujeito inteligentíssimo.

Ninguém perdeu a cabeça para fazer isso. É um homem de alto gosto, que passeando por debaixo dessas árvores que são verdadeiras epopeias vegetais, vestido de damascos e de rendas, de sapato de verniz com salto vermelho e brincando com a mão na copa da espada, imaginando coisas agradáveis e se lembrando de uma melodia qualquer tocada ao cravo, desenhou com a ponta da espada, sobre um canteiro, um projeto de castelo. E depois mandou executar.

É o transbordamento de uma harmonia que havia dentro dele. Não é o raciocínio apertado de uma École Politechnique: é uma coisa leve.

Não houve erudição, mas uma coisa muito melhor: talento. Melhor ainda: tem nobreza. Melhor ainda do que nobreza, tradição católica.

O elemento monárquico se afirma de um modo paradoxal, não na parte mais forte, mas na mais débil. O mais delicado do castelo está na parte central.

Sem ser mais alta, ela é mais esguia e dá a ilusão de mais alta. Ela é mais delicada, lembrando que muitas vezes a majestade não se afirma na força, mas no requinte. Daí uma outra forma de apresentar o princípio monárquico: é no quintessenciado, no delicado.

Os canteiros do jardim são muito lisos, mas um liso que não tem nada de indecente ou desagradável.

É um liso que talvez descanse do que esse teto tem de muito movimento. Depois começa a floresta magnífica.

O gramado dá a impressão de uma coisa clara, tranquila. A relva se prolonga para dentro do arvoredo, até encontrar uma floresta próxima, que a gente mais adivinha do que vê.

Se não houvesse esses dois poteaux fariam falta. São dois pingos, duas gotas que dizem: “pare e veja”.

O castelo ficaria desamparado diante da vegetação se não tivesse esses pontos. É o senso da medida do francês.

Se se pusesse duas colunas grandes escangalhava-se tudo.

Cada um dos elementos tem a altura e a largura necessária para ficar perfeito.

É notável a beleza da proporção entre a alameda e o castelo. Ela tão larga, que com um pouquinho mais ela ficaria mal.

Eis o Castelo de Cheverny: aristocrático, distinto, senhorial, modelo não para um rei, mas para um senhor, acolhedor para o povo, oposto firmemente a qualquer forma de vulgaridade.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 15/2/1972. Sem revisão do autor)


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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A trans-beleza dos castelos espanhóis

Turégano, província de Segovia, região de Castela e Leão, Espanha
Turégano, província de Segovia, região de Castela e Leão, Espanha




Os castelos espanhóis não têm o enfeite dos franceses.

A beleza e a transcendência deles baseia-se em outros fatores. Mas, eles têm uma grandeza fenomenal.

Um quadro a óleo dificilmente poderia pegar tão bem a trans-beleza do castelo espanhol quanto certas fotos tal vez trabalhadas pelo autor.

A foto transmite o sabor da realidade.

Se os castelos deste post fossem tirados de óleos poder-se-ia dizer que são fantasia.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Glamis: mistérios, combatividade, alteridade, heroísmo

Castelo de Glamis




O espírito escocês gosta da luta, da vida com dramas brumosos. Ele não se sente feito para a plácida vida de todos os dias.

E isso se reflete no castelo de Glamis.

O castelo escocês parece dizer que a batalha é um dos temperos da vida, que lhe dá sabor e a torna digna de ser vivida.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Castel Sforzesco de Milão:
senhorial edifício da nobre família Sforza





Viajando pela Europa, conheci inúmeros castelos.

Um deles, muito belo e senhorial, é o Sforzesco, localizado atualmente dentro da própria cidade de Milão, na Itália.

Não tive tempo de ler nada sobre ele, apenas entrei, admirei e saí. Infelizmente, todos os móveis haviam sido retirados do edifício.

Pertence à nobre família Sforza, que reinou na região da Lombardia. Sforzesco quer dizer propriedade dos Sforza.

É um castelo com grandes torres, edificado com pedras lavradas de modo muito bonito.

As pedras ficam em seus quatros lados, não pontudas propriamente; mas vão se elevando até formar uma crista redonda no centro.

E o tempo tornou a pedra meio dourada.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Se queres a paz, prepara-te para a guerra:
lição dos castelos cristãos medievais

Castelo de Coca, Castela, Espanha




Quando vemos aqueles altaneiros castelos da Idade Média –– erguidos nas fronteira do Império de Carlos Magno, às margens do Reno ou do Danúbio, ou mesmo nas rotas que as tropas do Grande Imperador erguiam dentro da própria Espanha, para impedir o avanço dos mouros –– temos a impressão de que esses castelos ainda palpitam da batalha!

Suas pedras parecem pulsar como corações!

Mas... os homens não se lembram da lição de previdência que eles contêm. Qual essa lição? Ninguém ergue castelos no momento em que o adversário ataca. Constroem-se fortificações nos intervalos da guerra.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Força, rudeza, ascensão para o sublime:
o charme dos castelos




A rudeza original dos castelos está ligada aos primórdios caóticos da Idade Média.

A imensa organização do Império romano tinha se desfeito em cacos.

Havia ruído por causa de enxurradas de povos pagãos invasores que entravam desordenadamente pelas fronteiras cada vez mais desguarnecidas do império dos Césares decadentes.

O castelo era o refúgio dos habitantes da região quando as hordas bárbaras vinham devastar, pilhar ou consumir tudo o que havia.

A defesa dos grupos humanos era organizada pelo senhor feudal, líder natural na tentativa de salvação pública.

Muitas vezes esses nobres conseguiam submeter os estrangeiros e assimilá-los à parca ordem que se estava constituindo.

Mas, sobre tudo, a obra pacificadora da Igreja e a pregação constante dos missionários foi convertendo e civilizando os recém chegados.

E quando esses não queriam ouvir o Evangelho, os nobres os punham para fora recorrendo às armas se necessário.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Por que o sonho se tornou realidade nos castelos?

Castelo dos condes de Foix, nos Pirineus franceses
Castelo dos condes de Foix, nos Pirineus franceses




O castelo medieval típico dá antes de tudo a impressão de grandeza e até de majestade.

Mas, ao mesmo tempo tem tanta graça e leveza que a gente pensa estar diante de um castelo de conto de fadas!

Na vida real não eram prédios de fantasia. De início, foram fortalezas militares para a defesa da região e de seus habitantes.

Posteriormente com a cristianização dos costumes e a diminuição das guerras os nobres proprietários passaram a enfeitá-los fazendo reluzir todo o seu bom gosto e sua liderança natural.

E muitos desses castelos atingiram  uma forma de beleza tão oposta a nossa época que a gente fica levado a se perguntar se de fato existiram.

Se pode achar que esses castelos foram fruto da imaginação e que, como os prédios de Disneylândia, nunca tiveram conexão com a realidade.

E a gente quer saber se não se trata de um sonho transposto numa foto ou num vídeo, de tal maneira eles são admiráveis!