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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Arundel: castelo dos duques
que recusaram o protestantismo inglês

Arundel: casa de referência da família dos duques de Norfolk, Inglaterra.
Arundel: casa de referência da família dos duques de Norfolk, Inglaterra.

No dia de Natal de 1067, há perto de um milênio, o nobre Roger de Montgomery erigiu um castelo em Arundel, West Sussex, Inglaterra.

Roger foi feito conde de Arundel pelo novo rei inglês Guilherme o Conquistador.

Propriedade familiar a partir do século XI, o castelo é a sede principal da família dos Duques de Norfolk há mais de 400 anos .

E isto está relacionado com a história do catolicismo perseguido na Inglaterra pelo protestantismo

Arundel: vista aérea do castelo-fortaleza e palácio.
Arundel: vista aérea do castelo-fortaleza e palácio.
A fortificação inicial de Arundel vigiava a entrada do rio Arun que lhe empresta o nome.

Era uma posição defensiva diante de uma possível invasão proveniente da França.

A estrutura original tinha a rudeza das construções militares e provavelmente foi de madeira.

Após pertencer a Roger de Montgomery, o castelo passou de família em família, até que em 1138 William d’Aubigny II começou a erguer o castelo de pedra.

Em 1139, a imperatriz Matilde se alojou no castelo e os apartamentos construídos para ela em pedra perduram até hoje.

A última herdeira do castelo, Mary FitzAlan, irmã do 19º duque de Arundel, casou com Thomas Howard, 4º Duque de Norfolk.

Desde então, os problemas com a coroa inglesa foram contínuos.

Isso porque os duques de Norfolk se recusaram até hoje a aderir ao protestantismo, sendo por isso um dos mais eminentes representantes do Recusacionismo.

Em 1572 a Coroa executou o duque de Norfolk e confiscou Arundel, pelo ‘crime’ de conspiração em favor da Rainha da Escócia e legítima herdeira da Coroa inglesa, Mary Stuart, que era católica.

A acusação foi maldosa e Arundel voltou para a família dos duques de Norfolk.

Arundel: capela dos condes da dinastia da família FitzAlan.
Arundel: capela dos condes da dinastia da família FitzAlan.
Em 1846, a famosa rainha Vitória e seu marido, o príncipe consorte Alberto, visitaram Arundel.

Para essa ocasião, Henry Charles Howard, 13º Duque de Norfolk, remodelou o castelo.

A rainha Vitória chegou no dia 1º de dezembro de 1846, tendo ficado admirada pelo requinte dos apartamentos e a beleza dos jardins.

Quase todos os locais do castelo que a rainha conheceu foram cuidadosamente restaurados e conservados.

Os quartos usados pela soberana hoje fazem parte dos apartamentos da família dos duques de Norfolk.

Os elogios da rainha Vitória animaram o 14º Duque, que reiniciou a reforma do castelo, a qual foi completada pelo 15º Duque de Norfolk no ano 1900.

Arundel: grande galeria do castelo.
Arundel: grande galeria do castelo.
Os Duques de Norfolk, representados atualmente pelo 18º Duque, Edward Fitzalan-Howard, ostentam o título de “Earl Marshal of England”, ou Marechal Hereditário da Inglaterra.

O Ducado de Norfolk é um dos últimos títulos britânicos que conserva o direito hereditário de fazer parte da Câmara dos Lordes, e o seu detentor é designado como “Primeiro dos Duques Pares da Inglaterra”.

Por isso, podemos vê-lo recebendo e acompanhando a rainha sempre que ela vai à Câmara dos Lordes, como também quando ela pronuncia em grande pompa o discurso anual de abertura das sessões.

Enquanto conde de Arundel, o Duque de Norfolk é o “Primeiro Conde” do reino, pois chefia uma das primeiras famílias aristocráticas da Inglaterra.

Além do mais, todos os antigos e atuais duques descendem do rei Santo Eduardo I ( 1004-1066) o Confessor, da Inglaterra.

Lord Henry Howard, oitavo duque de Norfolk
Lord Henry Howard, oitavo duque de Norfolk
A família é tradicionalmente católica e foi o principal representante do Recusacionismo inglês, isto é, dos católicos, e especialmente dos nobres, que recusaram a Revolução Protestante, padecendo até a morte por causa disso.

Toda esta história modelou o castelo, conferindo-lhe um acúmulo de força, elegância e distinção, com um ar quase principesco.

Em primeiro lugar, destacam-se as torres medievais, sem janelas, com apenas algumas seteiras – aberturas no muro para se poder lançar flechas – coroadas de ameias.

Essas torres delimitam o perímetro do castelo e são completadas por muros também fechados que circundam todas as instalações. A preocupação militar é dominante.

Bem protegidas pelas torres, encontramos as partes construídas ou reformadas nos séculos posteriores.

A preocupação dominante dos pavilhões foi de abrir grandes janelas góticas para dar entrada à luz nas partes habitadas.

Arundel: re-encenações da vida medieval.
Arundel: re-encenações da vida medieval.
O pátio interior, bem ajardinado, reflete a mistura de elementos que dominam no exterior.

A capela do castelo é aristocrática e medieval, está impregnada de imponderáveis sobrenaturais.

Nela estão enterrados os antepassados dos nobres proprietários.

As estalas para monges ou cônegos ocupam boa parte dela.

Escudos e bandeiras com as armas dos duques de Norfolk estão afixadas nas paredes.

O passado histórico do castelo inspira reencenações de momentos da vida medieval inglesa, como justas e batalhas.

Arundel é como um relicário em ponto pequeno que dá uma certa ideia de como teria sido a Inglaterra se não tivesse ficado protestante.



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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Castelo de Trujillo:
magnífico símbolo de heroísmo


Este é o castelo de Trujillo, localizado na província espanhola de Cáceres. É digna de nota a tática empregada na sua construção: muralhas extensas e torres enormes.

Se construíram muralhas tão grandes, por que edificar torres tão salientes? Não seria melhor concentrar tudo na muralha? Qual é o papel militar da torre?

A finalidade da torre era a seguinte: os inimigos quando atacavam eram enfrentados dos dois lados. Tática que oferecia aos defensores um embasamento melhor.

Os atacantes levavam altas escadas e catapultas — aparelhos que lançavam pedras pesadíssimas sobre os que guarneciam a muralha —, também dardos incendiários e barricas com material incendiário projetados para dentro do castelo.

Assim, as torres e muralhas constituíam o sistema de defesa, mas não eram inexpugnáveis. Era árduo tomar um castelo, mas uma glória tê-lo conquistado.

Entretanto, nos séculos em que as armas de fogo começaram a serem utilizadas, esses castelos perderam o significado militar para as grandes guerras, nas quais se passou a utilizar canhões e o castelo não mais conseguia resistir.

Desse modo, muitas fortificações foram arruinadas. Símbolos magníficos de heroísmo que foram assim arrasados.

Para se evitar essas ruínas, a solução teria sido haver nobres que habitassem os castelos, mas isentos de espírito de revolta contra os reis; e reis que não desejassem liquidar os nobres, nem as autonomias regionais.

A raiz do mal: os soberanos, os senhores e os povos estavam decaindo religiosamente. Era a decadência produzida pelas três Revoluções — a protestante, a francesa e a comunista, como explanadas em minha obra Revolução e Contra-Revolução.

Como consequência, nada mais funcionava bem. E, assim, chegou-se ao caos da época atual.

Afastando-se Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e a Santa Igreja do centro dos acontecimentos, envereda-se para a via do caos.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, Excertos da conferência proferida em 5 de maio de 1984. Sem revisão do autor, apud CATOLICISMO, outubro 2014)

O castelo de Trujillo, na região de Extremadura, na Espanha, foi construído entre os séculos IX e XII sobre o morro conhecido como Cabeza del Zorro (Cabeça da Raposa).

Os fundamentos mais antigos que ficaram em pé são duas cisternas árabes. Muros e torres foram feitas com blocos de granito.

A porta de entrada com seu arco em forma de fechadura evoca reminiscências árabes.

Mas é presidida por uma imagem de Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Trujillo, que fala de lances épicos e proteções sobrenaturais.

Originariamente possuía 7 portas, mas atualmente só ficam quatro: as de Santo André, Santiago, de Coria e do Triunfo, reformadas nos séculos XV e XVI.

As torres em pé são 17, todas de forma retangular.

A área protegida pelo recinto amuralhado é conhecida como o Bairro Velho da cidade.




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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Origem dos castelos da Idade Média: as invasões bárbaras deixaram as cidades em ruínas

Castelo de Jonzac, Poitou-Charentes, França.
Castelo de Jonzac, Poitou-Charentes, França.

A França do século IX era um país em plena formação.

Seus habitantes descendiam das tribos bárbaras convertidas no século IV por São Remígio, e que com o suceder das gerações tinham ido se civilizando sob a influência benéfica da Igreja.

O gênio poderoso de Carlos Magno havia unificado o país e lhe dera uma organização definida que, apoiando-se sobre os valores locais, ia formando uma sociedade orgânica, com um crescimento espontâneo, forte, vital.

Sobre esta civilização incipiente abate-se um cataclismo.

São invasões maciças de sarracenos pelo sul, de húngaros ferocíssimos pelo leste, e, piores que todos, de normandos vindos do norte em navios, com os quais não só pilhavam as costas como entravam pelos rios adentro.

Estas hordas saqueiam cidades e vilas, queimam as igrejas, devastam os campos, levam atrás de si multidões de cativos.

Por toda parte vêem-se cidades arrasadas, e nas ruínas só habitam animais selvagens.

Os soldados, incapazes de resistir, aliam-se aos invasores e pilham com eles.

Castelo de Fenis, Val d'Aosta, Itália.
Castelo de Fenis, Val d'Aosta, Itália.
A autoridade soberana perece, as lutas privadas entre indivíduos, famílias e grupos são infinitas.

Então, os mais fortes se entregam a violências; não há mais comércio, indústria, agricultura; todos os costumes, leis e instituições desmoronam; não há mais laços que unam os habitantes do país.

O Estado desaparece nessa imensa catástrofe.

Fugindo ao terror e à desordem, os homens buscam abrigo no fundo das florestas, no alto das montanhas, no meio dos pantanais — em lugares inacessíveis, onde a cupidez e a crueldade dos invasores não os atinja.

Cidades, vilas e aldeias se dispersam, e cada qual foge para onde pode.

Cada qual, ou melhor, cada família. Pois a família é, neste caos, a única célula social que permanece intacta.

Castelo de Karlstejn. República Checa.
Castelo de Karlstejn. República Checa.
Tendo seu fundamento não nas leis, mas na ordem natural e no coração humano, enrijecida pela força sobrenatural da graça que a Igreja lhe comunica, ela é o único baluarte que resiste ao ímpeto da barbárie.

Dela partirá o trabalho de reconstrução social.

No seu refúgio a família resiste, se fortalece, torna-se mais coesa.

Animada pelo espírito católico que a vivifica, ela não se deixa esmagar pela adversidade, mas reage.

Obrigada a bastar-se a si mesma, cria os meios para se sustentar e se defender.

(Fonte: “Catolicismo”, nº 57, setembro de 1955)


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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Malbork (Marienburg), capital do Estado cruzado e religioso da Ordem Teutônica


Em 1280, os cruzados da Ordem Teutônica começaram a construir o maior castelo do mundo numa colina sobre o rio Nogat.

A região que fica no norte da Polônia atual.

Trata-se do castelo de Malbork.

Seu nome original em alemão é muito bonito: Marienburg, quer dizer a Cidade de Nossa Senhora.

Ele se tornou o centro de um Estado poderoso bastante singular.

Porque era um Estado monástico-cruzado que expandiu o Evangelho naquelas terras vencendo a agressividade bélica dos pagãos.

Além de converter os perigosos pagãos, os cruzados teutônicos tiraram vastas florestas medievais do caos e as transformaram em terras agricultáveis capazes de acolher e alimentar uma crescente população e desenvolver uma civilização original.

As tribos prussianas do sudeste do mar Báltico eram uma ameaça para o cristianismo e um empecilho para o desenvolvimento da civilização.

A Ordem Teutônica fez uma série de cruzadas para garantir a liberdade dos fiéis.

O Estado Monástico dos Cavaleiros Teutônicos foi formado em 1224 em território que hoje pertence à Alemanha e à Polônia.

Como resultado, por volta do século XIV, o Estado teutônico contava com uma população de mais de 220.000 almas.

Nesse número estavam incluídos os novos colonos que se instalaram nas cidades fortificadas e castelos dos cavaleiros.

Alex Brown e Aleks Pluskowski da Universidade de Reading, no Reino Unido, relataram no Journal of Archeological Science a formidável obra civilizatória empreendida por esses cavaleiros desde a capital de seu Estado: Malbork.

Brown e Pluskowski analisaram os grãos de pólen presos nas camadas de lama da região.

Estudando as mudanças no pólen, puderam formar uma idéia de como foi o clima no passado.

O pólen foi retirado do muro exterior do castelo de Malbork e de depósitos de turfa no sul do castelo.

A análise mostra que a partir de meados do século XI o pólen das árvores diminui acentuadamente sendo substituído pelo pólen de plantas herbáceas e cereais.

“Desde os séculos XII e XIII até XV houve uma mudança fundamental na vegetação e no uso da terra de Malbork”, escrevem eles.

“De uma floresta com mínima influência humana se passou a uma paisagem aberta com cultivo intensivo de cereais, especialmente o centeio, pastagens e campos agrícolas”.

Ainda outra pesquisa apontou que os Cavaleiros Teutônicos tiveram o cuidado de preservar as florestas das redondezas preservando os animais de caça e “gerindo-as como um recurso importante”.





Fonte: Brown, A., Pluskowski, A. (2011). “Detecting the environmental impact of the Baltic Crusades on a late-medieval (13th–15th century) frontier landscape: Palynological analysis from Malbork Castle and hinterland, Northern Poland”. Journal of Archaeological Science



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