quarta-feira, 20 de julho de 2016

Castelo de Krasiczyn: residência principesca ainda sofre efeitos do comunismo

Palácio construído sobre antiga fortaleza medieval
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O Castelo de Krasiczyn, na Polônia, nasceu sobre um antigo complexo de madeira, chamado Sliwnica, provavelmente construído no século XIV.

O castelo atual foi refeito em estilo renascentista. Sua reconstrução começou em 1580 por iniciativa de um nobre local: Estanislau Siecienski Siecin.

Veja vídeo
Castelo de Krasiczyn

As obras duraram até 1633, quando foram completadas por Marcin Krasicki, filho de Estanislau.

O castelo está situado numa várzea, na margem direita do rio San , a 10 quilômetros a sudoeste da cidade de Przemysl.

Nas origens, o castelo era uma fortaleza que protegia a fronteira sul do Reino Unido Polaco-Lituano. Marcin Krasicki transformou a fortaleza em palácio sofisticado sob a supervisão do arquiteto italiano Galleazzo Appiani.

Os nomes das torres (Divina, Papal, Real e Nobre) refletem a ordem eterna
Mais tarde, a aldeia de Krasiczyn cresceu perto do castelo.

Apesar de numerosos incêndios e guerras ao longo dos séculos, o castelo manteve-se essencialmente inalterado desde o início do século XVII.

Ele foi criado como um quadrado, com paredes que representam os quatro pontos cardeais do globo. Nos cantos, há quatro torres em forma oval.

Cada uma tem um nome: Divina, Papal, Real e Nobre.

Esses nomes refletiam a ordem eterna do mundo, com quatro graus de autoridade.

No meio da parede ocidental, está a torre retangular com um relógio que serve de portão principal, incluindo com uma ponte sobre o fosso.

Através dos séculos, o castelo foi visitado por personalidades das mais famosas da história da Polônia. Entre os visitantes, figuram reis como Segismundo III Vasa, Ladislau IV Vasa, D. João II Casimiro Vasa, e Augusto II, o Forte .

Um dos elementos mais preciosos do complexo é a capela localizada na Torre do Divino, comparável à Capela de Segismundo na Catedral de Cracóvia encravada no cidadela do Wawel.

A capela é a joia do castelo
A família Krasicki extinguiu-se no século XVII e o palácio trocou de mãos diversas vezes.

Ele pertenceu a grandes e nobres famílias até que foi comprado no século XIX pelo príncipe Leão Sapieha.

A família Sapieha remodelou o castelo, criou em volta uma fábrica de cerveja e promoveu o desenvolvimento econômico de toda a área.

Esta augusta família permaneceu proprietária de Krasiczyn até 1944 quando o governo comunista da Polônia nacionalizou-o.

As pinturas representado imperadores romanos, reis poloneses, membros da família Krasicki, cenas de caça, e santos da Igreja Católica foram destruídas pelo ódio comunista dos soldados do Exército Vermelho.

Os comunistas russos invadiram a Polônia aliados ao nazismo de Adolf Hitler e ocuparam Krasiczyn desde outubro de 1939 até junho 1941.

No fim de 1941, após a invasão alemã da União Soviética , André Sapieha voltou ao castelo, que havia sido usado como quartel pelos soldados do Exército Vermelho.

Krasiczyn passou inteiro por todas as guerras
Esta é a sua descrição:

“No chão há lixo, roupas velhas, livros destruídos. Paredes cheias de cartazes de propaganda soviética, sem móveis, em vez disso, camas de madeira em toda parte. A capela está completamente em ruínas, todas as esculturas nas paredes destruídas até a altura que os selvagens podiam alcançar. Altares e bancos destruídos. Todos os três túmulos desapareceram. A igreja ficou num estado terrível, uma vez que foi usada como estábulo e açougue. Caixões de metal foram utilizados pelos bolcheviques como banheiras”.

Após a Segunda Guerra Mundial , o governo comunista nacionalizou a principesca residência . Na década de 1970, instalou nela uma montadora de carros.

Após o colapso do sistema comunista, Krasiczyn não foi devolvido a seus legítimos donos e é utilizado pela Agência de Desenvolvimento Industrial de Varsóvia.

(Fonte: Krasiczyn Palace, Wikipedia)





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terça-feira, 5 de julho de 2016

Cheverny: o maravilhoso do equilíbrio

Luis Dufaur
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Considero o panorama que se observa na fotografia ao lado de alta categoria.

Trata-se do Castelo de Cheverny, de estilo renascentista e clássico, situado no vale do Loire, na França.

Onde está a beleza dele? É preciso analisar elemento por elemento.

No meio da grama, a coisa mais comum do mundo: uma estrada inteiramente reta. No fundo, um castelo.

O que tem esse castelo propriamente de maravilhoso?

Cheverny: o maravilhoso do equilíbrio
A grama é de um verde esmeralda, que em nossos trópicos não germina.

Não se vê uma estátua, não se observa quase ornato, nem é ele uma construção cara.

É o maravilhoso do equilíbrio, maravilhoso do edifício bem pensado, estudado e construído com categoria.

É o equilíbrio que se encontra nas coisas francesas, que contêm toda espécie de sabores.

* * *


Analisemos o prédio. Ele é composto de uma espécie de torreão central, que é o ponto monárquico da construção.

Essa parte central é toda leve, toda esguia, mas de tal maneira é bem pensada, que não se apresenta como raquítica, de nenhum modo, em relação aos dois extremos atarracadões e bojudos, existentes num e noutro lado do ponto central.

A parte reta da fachada está bem no centro: é a graça dominando a força; Jacó dominando Esaú. Os elementos pesados coordenados em torno do leve.

É a afirmação da superioridade do espírito. O triunfo da graça sobre a força, da inteligência sobre as coisas da matéria.

* * *

Entretanto, o contraste entre a parte central e os dois extremos é equilibrado. Todo contraste, para ser equilibrado, tem que apresentar termos intermediários harmônicos.

Neste caso por dois corpos de edifícios iguais, que não são tão esguios quanto o corpo central, nem tão bojudos quanto os extremos, mas que se situam entre um e outro desses elementos, preparando a transição.

A altivez do castelo está no que ele tem de mais gracioso.

É como quem diz: “Forte eu sou, mas sobretudo eu me prezo de ser inteligente. 

Em última análise, sou completo. Sou dotado de inteligência e de força. Sou equilibrado”.


O castelo, sendo talvez um pouco discreto demais, foi realçado pela perspectiva.

Fica num grande parque, envolto por um simples, mas esplêndido tapete de esmeraldas para lhe servir de apresentação.

Ao longe, arvoredos formando a moldura.

Dir-se-ia que ele sai de dentro de um mundo de delícias e de mistérios.

A clareza e a lógica cercadas pelos imponderáveis: outra forma de equilíbrio.

Não é verdade que um dos prazeres da vida, que tornam a existência humana digna de ser cristãmente vivida, é analisar as coisas dessa forma?

 Mas analisar com os olhos postos no Céu.

Porque esses são valores de espírito, e são assim porque a civilização que gerou tais valores foi cristã.

São assim, porque foi derramado o precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tais valores são um reflexo da Igreja Católica.

Se não fossem as virtudes cristãs, isto não teria sido assim.

Então, não é um puro gáudio para os olhos que se tira dessa análise, nem um puro gáudio da inteligência.

Mas por cima dos gáudios visual e da inteligência há uma alegria superior do espírito, que considera uma ordem transcendente de coisas.

Ordem na qual existe um Deus pessoal e sobrenatural, no Qual todas as formas de equilíbrio realizam-se de modo tão insondável, que é impossível de ser imaginado por qualquer criatura.

Assim é a Terra como a bênção de Deus a fez e como a Civilização Cristã

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de maio de 196l. Sem revisão do autor.


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terça-feira, 21 de junho de 2016

Fortaleza de Montalegre:
coragem altaneira e coerência


Luis Dufaur
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O castelo de Montalegre, em Portugal, evoca séculos de luta e de reconquista na época medieval.

Testemunhou brilhantes manifestações de coragem e heroísmo.

Que impressão causa este castelo? Coragem altaneira e coerência. A alma do homem coerente é como uma dessas torres — não há fendas nem concessões.

A torre que sobressai, despida de qualquer ornato, reflete uma seriedade extraordinária.

Como era a vida quotidiana dentro dessa fortaleza?

Nela havia residência confortável para o senhor feudal, moradias e áreas de serviços para os servidores e para a população das cercanias, além de capela.

Quando os inimigos se aproximavam, toda a população das proximidades refugiava-se nela com todos os seus bens. Era uma espécie de amparo seguro para toda a população, e não apenas para o senhor feudal.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O castelo de Chambord: harmonia misteriosa de força e delicadeza

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Na floresta de Chambord, vale do Loire, França, ergue-se um fascinante castelo real.

Ele foi construído a partir de 1519, por ordem do rei Francisco I para ser pavilhão de caça.

O castelo tem duas partes principais.

A inferior é retangular, massiva, composta por uma fortaleza central e quatro imensas torres baluartes nos cantos.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Fontainebleau: castelo real com diversos estilos que falam de sua história

Fontainebleau  dormitório em que podem se apreciar ainda elementos do estilo Renascença
Fontainebleau  dormitório em que podem se apreciar elementos do estilo Renascença

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O gênero de beleza evoluiu no tempos em que Fontainebleau acolheu gerações de reis legítimos, e até um imperador oco, envolvendo a todos numa feeria de beleza única.

Fontainebleau, a poucos quilômetros de Paris foi uma das residências favoritas dos reis medievais Filipe II e de São Luis IX.

Porém, o criador do castelo atual foi Francisco I, que varreu o prédio medieval e quis um outro inteiramente novo segundo as estilos da Renascença. Confira nossos posts sobre o castelo.

A nota de raffiné introduzida nos estilos de vida por Luís XIV girava em volta da imponência que atingiu seu ápice no castelo real de Versailles.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Castelo de Amboise:
fruto da Cristandade que espelha a Luz de Cristo

Luis Dufaur
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A Luz de Cristo só brilha na sua autenticidade e plenitude na Igreja Católica.

E a Igreja comunica essa luz às obras de seus filhos.

Isto é especialmente verdadeiro para a Cristandade.

Este reflexo divino, enquanto se fazendo brilhar na ordem temporal a Igreja e o espírito religioso e ortodoxo dos católicos que constituem a Cristandade, pode ser chamado, com a devida analogia, também de Lumen Christi - Luz de Cristo.

O castelo de Amboise é um dos inúmeros exemplos concretos de essa irradiação da Luz do Redentor no campo temporal.

Ele foi construído num promontório com vista para o Loire. Na Idade Média foi substituído por uma ponte.

Ainda em tempos medievais, no século XI, Fulques III o Negro, Conde de Anjou, reconstruiu a fortaleza.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Castelos interpretam anseios profundos dos alemães

Burg Zwingenberg, no estado de Baden-Württemberg.
A primeira menção histórica é de 1326. Hoje pertence ao príncipe Ludwig von Baden.
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A Alemanha há 90 anos não é monarquia, porém os antigos castelos da nobreza suscitam um sagrado maravilhamento, escreveu o diário “Die Welt”.

Eles são os mais visitados monumentos históricos.

Onde o Estado não restaura, iniciativas populares fomentam a reconstrução, inclusive na ex-Alemanha Oriental.

O que esta por trás dessa “mania” popular pelos castelos que não tem mais utilidade? indaga o jornal.

O desejo de ver coisas belas e nobres, a curiosidade pela riqueza e esplendor, a admiração por obras de arte perfeitas não explicam a obsessão.

O castelo pertence à época feudal, à sociedade de classes, à forma monárquica de Estado. Mas “Die Welt” se espanta pelo fato de lojas e shopings-centers milionários escolherem castelos como símbolo.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Langeais: perguntas que nos faz um castelo de conto de fadas

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O castelo de Langeais foi reconstruído a partir de 1886 por um magnata francês de nome Jacques Sigfried, estudioso dos costumes da época medieval. O prédio estava todo escangalhado.

A seu lado existem as ruínas da mais antiga torre feudal da França, do século X.

Sigfried determinou no seu testamento que ele e sua mulher fossem enterrados lá.

É uma bonita ideia.

A não ser enterrado numa igreja, aos pés de um altar, a coisa mais bonita é ser enterrado aos pés de um edifício histórico desse alcance.

O castelo é puro conto de fadas. Ele foi completamente remobiliado e redecorado com grande rigor histórico.

Possui peças muito bonitas. O interior de Langeais alarga o espírito ver.

terça-feira, 29 de março de 2016

Fontainebleau: galeria de mundo de fadas, de sublimidade real e esplendor da aristocracia

Luis Dufaur
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A foto é de uma galeria do castelo francês de Fontainebleau (séc. XVI).

Uma galeria com perspectivas colossais, nobres e imponentes. De dimensões tão amplas, que nela realizavam-se festas e bailes.

Chamo a atenção para o teto. Os caixilhos formam desenhos lindíssimos.

Os lustres, altos e elegantes, causam a sensação de que estão flutuando.

A preocupação ornamental é toda estabelecida por um jogo de luz refletido no assoalho.

As janelas, muito altas, com um tipo de cristal vagamente leitoso, de maneira que a luz entra meio tamisada, tocando o assoalho esplendidamente encerado.

Uma luz nobre, que revela a categoria de espírito, numa espécie de mundo irreal, superior, diáfano.

terça-feira, 15 de março de 2016

Chambord: o Céu dominando a Terra
e o espírito dominando a matéria

O mais surpreendente de Chambord está na floresta de torres do telhado.
O mais surpreendente de Chambord está na floresta de torres do telhado.
Luis Dufaur
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O aspecto mais maravilhoso de Chambord está no telhado.

Ele é coroado por uma floresta de torres e chaminés que sobem para cima como que num concurso.

Elas dão a impressão de um prédio que começa a voar e que várias partes de seu teto começam a subir para o céu, levadas por uma força oposta à força da gravidade.

Ai está um bonito contraste do castelo. Tudo na parte inferior fala da solidez na terra. A floresta de torres e chaminés fala de leveza que vai para o céu.

terça-feira, 1 de março de 2016

Castelos e famílias construtoras:
o mistério da beleza dos nomes




continuação do post anterior: O castelo de uma família com nome de conto de fadas: Sforza





O Castelo Sforzesco é impressionante até de tão bonito.

Uma senhora bem culta, aparentada comigo e casada com um criador de gado que era bem inculto, me contou o seguinte:

Estavam andando naquele pátio interno do castelo de Milão e por coincidência eles passaram em frente a uma dessas seteiras largas que havia em certos castelos antigos.

Nesse momento viram passar uma carroça puxada por um animal de tração. O marido dela em vez de olhar para o castelo, puxou para ela e disse: “Olhe aqui, olhe aqui um boi raça tal”. Era a raça mais comum do mundo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O castelo de uma família
com nome de conto de fadas: Sforza


Luis Dufaur
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O castelo da família Sforza no centro da cidade de Milão, conhecido como Castello Sforzesco faz jus a seu lindíssimo nome.

Hoje é sede de diversos museus e atividades culturais.

Em Milão eu visitei não sei com quantos encantos o castelo Sforzesco, tal vez mais do que a catedral.