terça-feira, 18 de setembro de 2012

Maintenon: castelo de requinte e sonho

Maintenon aparece como um sonho cheio de realidade
Maintenon aparece como um sonho cheio de realidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Há perfumes tirados por sucessivas destilações, preparações e acréscimos a partir de uma substância quintessenciada, tão agradável, fina, e extraordinária, que quase não tem mais nada de comum com a flor.

As vezes dizem “perfume de tal flor”. Mas, a flor foi desintegrada e deu uma coisa muito melhor.

Trata-se de perfumes tão finos, raffinées e excelentes, que perdem contato com a realidade.

Veja vídeo
Maintenon: sonho ou
realidade cristã
bem vivida?
Mais parecem com um sonho de coisas que não existem do que com a quintessência viva da realidade.

Maintenon tomou forma quando a França decidiu sonhar
Maintenon tomou forma quando a França decidiu sonhar
Um país que quintessenciou tanto, tanto, tanto, que palácios, castelos, modas, músicas, tecidos, maneiras, tipo humano parecem sonhados: é a França de antes da Revolução Francesa.

Aquilo tudo é um sonho. Quando os homens resolveram sonhar, a França surgiu com sua fisionomia.

Um dos muitos exemplos disso é o castelo de Maintenon.

Já o nome é de castelo de um outro mundo.

Esse sonho satisfaz de tal maneira um desejo da alma humana, que os turistas vivem abarrotando a França, vindos do mundo inteiro.

Maintenon: ambiente interno do castelo, marcado pela nobre família Noailles
Maintenon: ambiente interno do castelo, marcado pela nobre família Noailles
Maintenon pertenceu à esposa segunda, legítima mas morganática, de Luís XIV, que era Madame de Maintenon. Ele deu para ela esse castelo.

É um castelo em estilo original medieval construído numa ilha.

Em volta onde havia canais e lagoas foram escavados fossos segundo a arte de guerra medieval.

É uma beleza de castelo e muito bom para a família feudal passarem a noite, porque recolhiam tudo dentro da ilha. Se fossem atacar a ilha, os canais ajudavam.

Em Maintenon se deu um fato histórico. O rei legítimo Carlos X fora destronado em 1848 por uma revolução meio republicana e teve que fugir da França. No caminho parou em Maintenon.

Carlos X passou uma noite tranquilíssima no castelo, e no dia seguinte partiu até o porto, para pegar um navio que o levaria para Inglaterra.

Na hora da despedida, o rei em desgraça a tropazinha de fiéis formar em estilo militar, para um último adeus.

No fundo era um adeus à legitimidade, foi uma coisa tremenda.

Carlos X foi passando montado a cavalo para receber a continência da tropa.

Então, um soldado saiu das fileiras, pôs-se diante dele e olhou para ele.

Então o rei disse em tom de reprimenda militar:

‒ O que é que você faz aí?

‒ “Eu quero vos admirar por uma última vez, majestade!”

Carlos X não disse nada.

Aquele homem admirou o rei o quanto quis e daí a um instantinho as vias das vidas dos dois se separaram. O soldado voltou para casa, para a vidinha dele, e Carlos X foi para as amarguras do exílio.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, datas diversas. Sem revisão do autor.)



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