quarta-feira, 24 de março de 2021

Altaneiro, solitário, heroico: o castelo escocês

Castelo de Druart, Escócia
Castelo de Duart, Escócia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Os castelos escoceses criam ambiente propício às novelas, as quais gostam de figurar fantasmas que aparecem na noite, no frio e na solidão de uma pétrea fortaleza semi-destruída.

Alguns castelos sugerem que outrora neles se deram fatos reprováveis, cujos maus efeitos ainda projetam eflúvios ruins e misteriosos no presente.

De fato, eventos ruins aconteceram na história do Reino da Escócia.

Outrora integramente católica, num triste momento a Escócia caiu sob a pata do protestantismo mais deprimente e radical: o presbiterianismo. 

Castelo de Drumlanrig

O resultado da queda foi uma guerra civil religiosa entre os sectários presbiterianos e os católicos.

Esgotado pelo conflito religioso, o país foi dominado finalmente pelos ingleses. 

Esses, entretanto, se encontravam tomados por uma forma de protestantismo menos radical: o anglicanismo.

Desde então os escoceses protestam muitíssimo indignados. 

Mas não encontram jeito de se libertar para voltarem a ser aquilo que a Escócia prometia no início de sua história.

Heróis não faltaram na Escócia e o país os venera. 

Seus regimentos com roupas exclusivas dos clãs ficaram famosos no mundo inteiro.

Castelo de Eilean Donan: cenário ideal para dramas históricos
Castelo de Eilean Donan: cenário ideal para dramas históricos
O castelo escocês reflete uma concepção dramática da existência que o torna cenário ideal para um drama de Shakespeare, por exemplo.

Dali vêm também as lendas de fantasmas e monstros no estilo do século XIX.

O castelo de Eilean Donan é outro dos que gozam de maior fama neste singular sentido.

Ele também foi construído sobre uma pequena ilha, no braço de mar de Loch Duich, nas Terras Altas escocesas (Highlands).

Apenas uma ponte o liga à terra firme.

Ele foi construído no início do século XIII, como defesa contra os vikings, que invadiam e depredavam territórios cristãos.

O castelo deve seu nome a São Donan de Eigg, mártir celta da Alta Idade Média.

Ainda no século XIII tornou-se uma fortaleza do clã Mackenzie de Kintail (posteriormente condes de Seaforth).

Castelo de Eilean Donan: recusa da banalidade
Castelo de Eilean Donan: recusa da banalidade

Em 1511 o clã Macrae herdou o castelo, considerando-o seu lar e ocupando-o até hoje. 

A ilha tem uma população de apenas uma pessoa!

Em 1719 o castelo foi ocupado por tropas espanholas que apoiavam uma revolta de escoceses saudosistas dos reis católicos Stuart.

Três fragatas da real marinha inglesa o recapturaram e demoliram pouco depois.

Mas ele foi restaurado entre 1919 e 1932 por membros do Clã Macrae.

Altaneiro, solitário, ostentando galhardamente sua alteridade e seu passado, ele despreza o banal figurino do “politicamente correto” comumente aceito.



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quarta-feira, 10 de março de 2021

Fontainebleau: um anseio de alma em busca do Céu

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A primeira impressão que a sala produz é de aturdimento, tal a pluralidade de cores e coisas belas.

O teto é de rara beleza, porque lembra a abóbada celeste. Não exibe nada de lambido dos edifícios modernos.

Chama a atenção como as pinturas da sala realçam as traves, tornando-as um elemento de decoração a mais.

Cores muito bem escolhidas: azul esverdeado claro, ouro velho, em arabescos muito elegantes que exploram o pontudo e o ovalado.

Os lustres são de conto de fadas. É um escachoar de cristais diversos que multiplicam a luz das velas, produzindo efeito de refração do espelho, o qual aumenta a luz das velas. Ademais, altamente funcional.
Veja vídeo
Fontainebleau: anseio
à procura do Céu

Nas paredes não foram colocados quadros, mas tapeçarias com desenhos magníficos. Tudo isso detém o espírito do observador, de maneira a atrair sua admiração.

O mobiliário, muito elegante e leve, está habilmente disperso pela sala, o que provoca ao mesmo tempo impressão de muita mobília, mas com vazios importantes.


Um dos segredos de uma sala bonita é apresentar vazios importantes, o que nem sempre o brasileiro compreende.

Nesse sentido, tenho visto salas empetecadas de móveis, onde não se pode dar um passo sem esbarrar num deles.

A beleza cromática da sala está no seguinte: as janelas têm vidros transparentes, portanto a luz que penetra é inteiramente a diurna, mas compensada por um mundo de cores presente no conjunto da sala.

Quase se poderia dizer que todas as cores possíveis estão representadas.

Entretanto, para que o ambiente não ficasse por demais sobrecarregado, todas elas estão em grau muito pálido, quase que se fundindo umas nas outras.

E a variedade cromática diverte e descansa os olhos maravilhosamente.

Um elemento decorativo a mais dentro desse conjunto é a porta.

Constituída por uma série de painéis, todos muito delicados, muito leves, que contrastam com o sobrecarregado de outras partes do ambiente.

Para concluir, desejo esclarecer que não estou querendo demonstrar ser o castelo simplesmente bonito.

Mas que houve manifestamente a intenção de se construir um ambiente que superasse a natureza criada e compensasse um pouco o que esta vida tem de “Terra de exílio”.

E, portanto, a ideia de que o homem é feito para coisas maiores que as dessa Terra.

Há nesse ambiente um apelo para algo mais alto, que é um anseio de alma em busca do Céu. Esse é o significado religioso da Sala do Conselho Real do Castelo de Fontainebleau.

O castelo de Fontainebleau (depois de Versalhes, o mais importante dos castelos franceses) foi construído no século XVI pelos reis da dinastia de Valois.

Quando essa dinastia extinguiu-se, ele passou para a dinastia de Bourbon. E foi, ininterruptamente, residência real até a Revolução Francesa. Napoleão I e Napoleão III também residiram nesse castelo.



(Fonte: CATOLICISMO, Maio de 2012)




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