quarta-feira, 10 de abril de 2019

As muralhas de Ávila:
Hieraticidade, firmeza e vigor


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






As muralhas de Ávila, na Espanha, ostentam uma sinuosidade serpentiforme.

Delas não podemos dizer que apresentam um movimento sutil e com certo charme.

As coisas que se esgueiram, normalmente têm charme.

Essas muralhas, entretanto, não manifestam charme, exibem sobretudo solidez.

Hieráticas, firmes, vigorosas como se fossem muralhas e torres no alto de um abismo.

Qual a razão disto?

É claro que as numerosas pontas das ameias concorrem para causar essa impressão, bem como as várias torres salientes e firmes existentes na muralha.

Mas não é apenas isso.

Há um imponderável, indefinível, que é o mesmo imponderável da segurança que revela o guerreiro, o qual é hierático mesmo quando assume atitudes que não são hieráticas.

Tão seguro da sua hieraticidade, que qualquer movimento seu exprime uma atitude inteiramente segura da própria dignidade.

É digno de nota não haver janelas nessas muralhas.

O que manifesta indiferença em relação ao lado de fora — uma característica nos monumentos espanhóis —, como quem diz:

"Eu sou e me proclamei para a eternidade. Vocês outros sabem o que sou, e o reconheçam; caso contrário, serão condenados.

"Se eu puder, coloco-os no cárcere; se não puder, Deus o fará, mas as nossas contas estão feitas para toda eternidade!"

Eis o que essas soberbas muralhas deixam subentendido.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 7.2.1974. Sem revisão do autor.


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