quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O castelo de Guimarães: nobre, de proporções distintas, sem nada de agressivo

Castelo de Guimarães

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Guimarães, em Portugal, localizado no distrito de Braga, tem uma certa nota da suavidade lusa.

É preciso ter estado em Portugal ou ter nas veias sangue português — e, por extensão, brasileiro — para poder saboreá-lo bem.

Esse castelo, todo de pedra, é um encanto.

Seu aspecto exterior é muito nobre, com desenhos bastante harmoniosos.

As proporções são muito agradáveis, sem apresentar nada de agressivo e sabendo guardar bem as distâncias e as hierarquias.

Para fazer uma comparação à maneira do turista moderno, sua dimensão equivaleria à área de uns três ou quatro campos de futebol.

Os reinos eram tão pouco povoados, naquele tempo, que batalhas aguerridas e nobres se efetuavam numa área com essa extensão, e o futuro de uma nação decidia-se assim.

Durante a Reconquista católica da península ibérica invadida pelos mouros, estabeleceu-se nos domínios de Vimaranes, em fins do século IX, um cavaleiro tal vez castelhano, de nome Diogo Fernandes.

Uma de suas filhas, de nome de nome Mumadona Dias, fundou um mosteiro que enriqueceu com terras, gado, rendas, objetos de culto e livros religiosos (26 de Janeiro de 959).

A povoação de Vimaranes, entretanto, era vulnerável às incursões dos muçulmanos e às incursões de normandos que assolavam as costas e o os rios.

Da. Mumadona principiou um castelo para recolher as gentes em caso de agressão. O castelo original foi posto sob a proteção de São Mamede. Era bastante simples, como os castelos do século X, composto apenas por uma torre e tal vez uma cerca.

Dom Henrique de Borgonha (1095-1112) que formou o Condado Portucalense, núcleo original do atual Portugal, escolheu o castelo como residência. Porém mandou construir um novo castelo do qual fica a imponente Torre de Menagem.

O perímetro defensivo foi ampliado e reforçado segundo as necessidades da guerra. Nele foi aberta a porta principal a Oeste, e a chamada Porta da Traição, a Leste.

Diante desses muros, Dom Afonso Henriques (1112-1185), fundador de Portugal, no vizinho campo de São Mamede, (24 de Junho de 1128) obteve a vitória que deu origem à nacionalidade portuguesa.

Diversas obras engrandeceram e aperfeiçoaram a fortaleza entre o final do século XII e o século XIV.

A modernidade e o esquecimento das glórias do passado deformaram horrivelmente essa relíquia de Portugal.

O castelo passou a abrigar a Cadeia Municipal, e, no século XVII, um palheiro do rei, virando uma ruína!

Em 1836, chegou-se a postular sua demolição para aproveitar a pedra no calçamento das ruas de Guimarães.

O crime não foi completado, mas a Torre de São Bento foi demolida.

No século XIX houve um movimento de entusiasmo pelo passado medieval e de restauração de suas ruínas.

E em 1881, o que restava do castelo foi reconhecido como Monumento Histórico e salvo da barbárie.

No século XX um grande trabalho de recuperação permitiu que fosse reinaugurado em 4 de Junho de 1940, por ocasião do VIII centenário da fundação do país.

Sucessivas restaurações permitiram ao castelo ingressar no século XXI bem conservado e aberto à visitação pública.



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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Montrésor: castelo resurgido das cinzas

Montrésor: um sonho feudal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Montrésor é um castelo medieval que possui uma mansão renascentista dentro dos jardins.

Ele está localizado na cidade francesa do mesmo nome no departamento de Indre-et-Loire, na região melhor conhecida como Touraine.

Por volta de 1005, Foulques Nerra, conde de Anjou, deu um esporão que domina o vale do Indre para o capitão Roger le Petit Diable (“pequeno diabo”) ali construir uma poderosa fortaleza.

Sobre Foulques Nerra o grande construtor de castelos "cujos remorsos estavam à altura de sus crimes" CLIQUE AQUI

Montrésor teve um dos primeiros conjuntos construídos inteiramente em pedra, semelhante ao de Loches, e duas muralhas circulares.

Delas, só ficou a muralha oeste.

No século XII, quando Montrésor passou para as mãos do rei Henrique II da Inglaterra, foram construídas duas imponentes torres na entrada e uma parte da muralha norte.

Henrique II da Inglaterra fez duas imponentes torres na entrada
Em 1188, o rei Filipe Augusto da França retomou Montrésor do inglês.

André de Chauvigny, que voltou da Terceira Cruzada de Ricardo Coração de Leão, se tornou o novo senhor de Montrésor.

Posteriormente, durante quase dois séculos, o castelo passou a ser apanágio da família Palluau.

O castelo foi demolido em 1203 e reconstruído em 1393 por Jean IV de Bueil, que fechou as muralhas, erigiu a porta de entrada e os prédios externos ainda existentes.

Desde o início do século XV, quando a Corte passava mais e mais tempo na Touraine, Montrésor foi habitado por funcionários reais.

Em 1493, Imbert de Batarnay comprou Montrésor e construiu uma elegante residência no recinto feudal.

Hoje só subsiste a ala principal.

Montrésor: testemunho de séculos de história
Imbert foi um conselheiro influente de quatro reis da França: Luís XI, Carlos VIII, Luís XI e Francisco I.

Ele exerceu longamente essa função, fato raro nessa época.

Foi hábil e astuto e participou em todas as negociações de seu tempo.

Ele foi particularmente responsável pela combinação do casamento de Ana da Bretanha com o rei que selou a união do Ducado da Bretanha ao reino francês.

Imbert também foi encarregado de preparar a guerra com a Itália, além de ser preceptor na educação dos filhos de Luís XII e Francisco I.

Durante os séculos XVII e XVIII nobres famílias ‒ como as de Bourdeilles e Beauvilliers ‒ moraram no castelo.

Porém, a desgraça acabaria se abatendo sobre ele.

A Revolução Francesa marcou o início de seu declínio.

Por volta de 1845, o conde Jouffroy de Gonsan demoliu a ala oeste da residência renascentista bem como a capela do castelo.

Passados os ventos de falsa modernidade, em 1849, o conde polonês Xavier Branicki deu nova vida a Montrésor, restaurando-o completamente.

O conde decorou o castelo com rico mobiliário.

Então, o castelo renascido das cinzas foi cenário de festas suntuosas.

A nobre família Branicki ainda conserva a propriedade da fidalga fortaleza e mansão.


(Fonte: Wikipedia)


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