quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Arundel: castelo dos duques
que recusaram o protestantismo inglês

Arundel: casa de referência da família dos duques de Norfolk, Inglaterra.
Arundel: casa de referência da família dos duques de Norfolk, Inglaterra.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No dia de Natal de 1067, há perto de um milênio, o nobre Roger de Montgomery erigiu um castelo em Arundel, West Sussex, Inglaterra.

Roger foi feito conde de Arundel pelo novo rei inglês Guilherme o Conquistador.

Propriedade familiar a partir do século XI, o castelo é a sede principal da família dos Duques de Norfolk há mais de 400 anos .

E isto está relacionado com a história do catolicismo perseguido na Inglaterra pelo protestantismo.

Arundel: vista aérea do castelo-fortaleza e palácio.
Arundel: vista aérea do castelo-fortaleza e palácio.
A fortificação inicial de Arundel vigiava a entrada do rio Arun que lhe empresta o nome.

Era uma posição defensiva diante de uma possível invasão proveniente da França.

A estrutura original tinha a rudeza das construções militares e provavelmente foi de madeira.

Após pertencer a Roger de Montgomery, o castelo passou de família em família, até que em 1138 William d’Aubigny II começou a erguer o castelo de pedra.

Em 1139, a imperatriz Matilde se alojou no castelo e os apartamentos construídos para ela em pedra perduram até hoje.

A última herdeira do castelo, Mary FitzAlan, irmã do 19º duque de Arundel, casou com Thomas Howard, 4º Duque de Norfolk.

Desde então, os problemas com a coroa inglesa foram contínuos.

Isso porque os duques de Norfolk se recusaram até hoje a aderir ao protestantismo, sendo por isso um dos mais eminentes representantes do Recusacionismo.

Em 1572 a Coroa executou o duque de Norfolk e confiscou Arundel, pelo ‘crime’ de conspiração em favor da Rainha da Escócia e legítima herdeira da Coroa inglesa, Mary Stuart, que era católica.

A acusação foi maldosa e Arundel voltou para a família dos duques de Norfolk.

Arundel: capela dos condes da dinastia da família FitzAlan.
Arundel: capela dos condes da dinastia da família FitzAlan.
Em 1846, a famosa rainha Vitória e seu marido, o príncipe consorte Alberto, visitaram Arundel.

Para essa ocasião, Henry Charles Howard, 13º Duque de Norfolk, remodelou o castelo.

A rainha Vitória chegou no dia 1º de dezembro de 1846, tendo ficado admirada pelo requinte dos apartamentos e a beleza dos jardins.

Quase todos os locais do castelo que a rainha conheceu foram cuidadosamente restaurados e conservados.

Os quartos usados pela soberana hoje fazem parte dos apartamentos da família dos duques de Norfolk.

Os elogios da rainha Vitória animaram o 14º Duque, que reiniciou a reforma do castelo, a qual foi completada pelo 15º Duque de Norfolk no ano 1900.

Arundel: grande galeria do castelo.
Arundel: grande galeria do castelo.
Os Duques de Norfolk, representados atualmente pelo 18º Duque, Edward Fitzalan-Howard, ostentam o título de “Earl Marshal of England”, ou Marechal Hereditário da Inglaterra.

O Ducado de Norfolk é um dos últimos títulos britânicos que conserva o direito hereditário de fazer parte da Câmara dos Lordes, e o seu detentor é designado como “Primeiro dos Duques Pares da Inglaterra”.

Por isso, podemos vê-lo recebendo e acompanhando a rainha sempre que ela vai à Câmara dos Lordes, como também quando ela pronuncia em grande pompa o discurso anual de abertura das sessões.

Enquanto conde de Arundel, o Duque de Norfolk é o “Primeiro Conde” do reino, pois chefia uma das primeiras famílias aristocráticas da Inglaterra.

Além do mais, todos os antigos e atuais duques descendem do rei Santo Eduardo I ( 1004-1066) o Confessor, da Inglaterra.

Lord Henry Howard, oitavo duque de Norfolk
Lord Henry Howard, oitavo duque de Norfolk
A família é tradicionalmente católica e foi o principal representante do Recusacionismo inglês.

Isto é, dos católicos, e especialmente dos nobres, que recusaram a Revolução Protestante, padecendo até a morte por causa disso.

Toda esta história modelou o castelo, conferindo-lhe um acúmulo de força, elegância e distinção, com um ar quase principesco.

Em primeiro lugar, destacam-se as torres medievais, sem janelas, com apenas algumas seteiras – aberturas no muro para se poder lançar flechas – coroadas de ameias.

Essas torres delimitam o perímetro do castelo e são completadas por muros também fechados que circundam todas as instalações.

A preocupação militar é dominante.

Bem protegidas pelas torres, encontramos as partes construídas ou reformadas nos séculos posteriores.

A preocupação dominante dos pavilhões foi de abrir grandes janelas góticas para dar entrada à luz nas partes habitadas.

Arundel: re-encenações da vida medieval.
Arundel: re-encenações da vida medieval.
O pátio interior, bem ajardinado, reflete a mistura de elementos que dominam no exterior.

A capela do castelo é aristocrática e medieval, está impregnada de imponderáveis sobrenaturais.

Nela estão enterrados os antepassados dos nobres proprietários.

As estalas para monges ou cônegos ocupam boa parte dela.

Escudos e bandeiras com as armas dos duques de Norfolk estão afixadas nas paredes.

O passado histórico do castelo inspira reencenações de momentos da vida medieval inglesa, como justas e batalhas.

Arundel é como um relicário em ponto pequeno que dá uma certa ideia de como teria sido a Inglaterra se não tivesse ficado protestante.



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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A Luz de Cristo nos castelos da Cristandade

Chaumont
Castelo de Chaumont, vale do Loire, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No Sábado Santo havia uma cerimônia muito bonita na madrugada, para festejar a Ressurreição.

Do lado de fora da igreja tirava-se fogo do atrito da pedra e acendia-se o círio pascal.

Porque assim como Nosso Senhor Jesus Cristo deu vida a seu próprio cadáver, assim da fricção de matérias inertes como as pedras nasce uma chama viva para acender o Círio Pascal.

Então, na noite, nas trevas, é acesa uma luz: é Nosso Senhor Jesus Cristo que ressuscita!

Acende-se o círio pascal e o padre entra com uma vela acesa na igreja e canta 3 vezes “Lumen Christi” (Luz de Cristo).

capela do castelo de Amboise
Capela do castelo de Amboise, vale do Loire, França
Com o fogo do círio pascal iam se acendendo as velas dos presentes e daí a pouco a igreja estava toda iluminada pela Luz de Cristo.

O Lumen Christi é a luz da natureza divina de Nosso Senhor Jesus Cristo que transparece através de sua natureza humana.

Tudo quanto Ele disse e fez, por ter sido dito e feito por Ele, brilha de modo esplendoroso.

É por causa dessa Lumen Christi que não se lê sem emoção o Evangelho.

A Igreja, instituição sobrenatural composta por homens ordenados na Hierarquia e na plebe fiel tem um reluzimento em seu ensino, governo, modo de ser, liturgia, etc., que também pode ser chamado Lumen Christi, porque vem de Nosso Senhor Jesus Cristo,

E assim como há um Lumen Christi na Igreja, a Cristandade também tem o seu lumen próprio.

Este lumen, enquanto refletindo na ordem temporal a Igreja e o espírito religioso e ortodoxo dos católicos que constituem a Cristandade, pode ser chamado, com a devida analogia, de Lumen Christi.

Castelo de Luynes
Castelo de Luynes, França
Europa é a parte mais culturalizada e mais carregada de tradições do mundo.

É a parte onde existiu, como em nenhum outro lugar da Terra, numa como que plenitude, durante algum tempo, a Civilização Cristã.

Por assim dizer, aquele solo ficou ensopado das bênçãos do precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor).


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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Sully-sur-Loire: jóia medieval venceu os embates da Revolução

Luis Dufaur
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O castelo de Sully-sur-Loire que surge na margem esquerda do Loire, é uma das sedutoras joias dos castelos desse esplêndido rio.

A história dos castelos é a história das famílias que neles viveram e os foram construindo ao longo dos séculos.

Tudo começou quando se estabeleceram ali os Senhores de Sully e sua família, no século IX.

Nos tempos galo-romanos no local houve existiu uma torre simples que protegia a vizinha ponte de pedra com 400 metros de comprimento atravessava o rio Loire.

Sobre as fundações da referida torre, um Senhor de Sully construiu em 1102 o chamado castrum soliacense.

No início do século XIII, Henri I de Sully, passou para a história disputando com seu senhor feudal, o bispo de Orleães, Manassé de Seignelai.

O Senhor extorquia um imposto aos comerciantes que passassem por seu senhorio ameaçando-os com a morte.

O bispo não era como os de hoje e confiscou os domínios de Henri e colocou-os sob proteção do rei da Franca Filipe II.

Em 1218, o monarca ergueu uma poderosa torre redonda na atual Basse-Cour (Pátio Baixo) para afirmar seu poder.

A base do atual castelo foi uma casa nobre em estilo gótico feita entre 1218 e o final do século XIV, por sucessivas gerações de Senhores de Sully até que Guy VI de La Trémoille casou com a única herdeira da posse. Essa família foi aprofundando a fantasia e força da fortificação, sobre tudo a partir de 1395.


Guy VI de la Trémoille contratou a Raymond du Temple, o arquiteto da fortaleza do Louvre dita de São Luís da qual só ficam os fundamentos e do castelo de Vincennes.

Pediu-lhe planos para um donjon (torre de menagem) flanqueado por quatro torres, que seria realizado entre 1395 e 1406.

Guy VI de La Trémoille morreu regressando da sétima cruzada em 1398, mas sua viúva, Marie de Sully, continuou o projeto.

Os trabalhos foram interrompidos pela Guerra dos Cem Anos.

Em 1403, o filho de Guy, Georges de La Trémoille, arranjou o primeiro jardim do castelo e construiu a Torre do (rio) Sange de cinco andares.

Durante as guerras de religião, o castelo foi danificado tendo sido tomado pelos protestantes huguenotes e reconquistado pelas tropas católicas.

Os protestantes destruíram a igreja de Saint-Ythier, situada na Basse-Cour, e as missas passaram a ser celebradas na Igreja de Notre-Dame-de-Pitié.

A derrota dos protestantes marcou o fim do domínio local da família de La Trémoille.

Em 1602, Claude de La Trémoïlle vendeu o edifício danificado pela guerra a Maximilien de Béthune (1560-1641), que o reconstruiu com grande aparato.

Maximilien, ministro de Henrique IV, foi feito duque de Sully em 1606 e escreveu umas famosas memórias na torre de Béthune.

Ele ficou conhecido como o “Grande Sully” e conferiu um estilo renascentista ao castelo que passou a ser de fortificado a palácio de aparato.

Todo ele foi cercado por fossos, alimentados pelo Sange, um pequeno afluente do Loire especialmente desviado para esse efeito.

Para que estas obras pudessem ser concluídas, foram demolidos os restos da igreja arruinada e do edifício conventual.

A demolição foi todo um símbolo da mudança de era: da Idade Média sacral e religiosa passou-se a uma explosão de naturalismo artístico, não sem valor estético.

Maximilien também quis que a torre de menagem servisse apenas para funções de representação, lhe tirando seu espírito militar. As reformas fugiam do dever e procuravam o prazer.

Em 1717, foi removida a histórica torre real de Filipe Augusto no Basse-Cour, para ter uma melhor vista dos jardins. Mais um vestígio medieval que desapareceu.

Os elementos medievais iam sendo modificados visando o deleite estético e esquecendo sua finalidade histórica.

Entretanto, o espírito medieval foi tão forte que ainda predomina.

A Revolução Francesa, guiada sempre pelo ódio igualitário, antiaristocrático, danificou tudo o que pode apelando a pérfidas decisões administrativas.

O governo revolucionário obrigou o proprietário Maximilien Gabriel Louis de Béthune, a cortar as torres de defesa em nome do princípio de igualdade. Poderíamos dizer que foram guilhotinadas como a família real.

As paredes externas do lado norte foram rebaixadas ao nível do térreo. Três torres de canto do donjon foram devastadas. Os dois canhões do castelo foram roubados e levados para Orleães e a própria coleção de armas do castelo foi confiscada.

Os donos foram jogados numa vala comum e seus restos só viriam a ser recuperados no século XX para serem enterrados no túmulo familiar.

A rainha Ana da Áustria e seu astuto favorito, o cardeal Mazzarino se refugiaram-se no palácio em 1652 em plena revolução da Fronde.

Até o século XX os duques de Sully receberam muitos convidados ilustres, como o marquês de La Fayette retornado de sua famosa participação na guerra da Independência dos EUA.

Também o malfadado revolucionário Voltaire se exilou em Sully-sur-Loire entre 1716 e 1729 após ser banido de Paris.


O castelo manteve-se por mais de 350 anos na posse da família de Béthune.

Além dos danos da Revolução Francesa, nunca sanados, o edifício sofreu mais danos pelas bombas na Segunda Guerra Mundial.

Para pior, nessa guerra se instalou no castelo um quartel do Estado-maior alemão que vendeu grande parte do mobiliário.

A última proprietária, Marie Jeanne de Béthune, ficou arruinada pela II Guerra e em 1962 vendeu o palácio ao Departamento de Loiret, que detenta a pose.




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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Vincennes: maravilha medieval ornada pelos eventos históricos posteriores

O criminoso fuzilamento do duque d'Enghien
O criminoso fuzilamento do duque d'Enghien
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Vincennes, castelo de um rei santo, cheio de ensinamentos históricos



Correm as páginas da história, e um crime famoso se comete no castelo de Vincennes e deixa mais uma vez a sua marca no castelo.

A execução do duque d’Enghien por Napoleão.

O príncipe era um dos cavaleiros mais brilhantes do seu tempo e último da raça de Condé, de sangue real.

Napoleão percebia que o império dele não podia durar muito. E que a dinastia dele toda feita de usurpações e ilegitimidades, também não poderia durar muito.

E que mais cedo ou mais tarde, pela lei pendular da história, o pêndulo da História deveria oscilar e chegar de volta à monarquia temperada legítima.

Acontecia que a dinastia legítima tinha poucos descendentes. Luís XVIII era viúvo, não tinha filhos e já era velho. O irmão dele Carlos X só tinha m filho, e desse filho e mais nada, também já era viúvo e sexagenário, não era provável que tivesse outro filho.

O donjon (torre de menagem) atinge 52 metros
O donjon (torre de menagem) atinge 52 metros
De maneira que extinta a casa dos Bourbons, o trono tinha que cair para o duque de Orleáns, filho do regicida Felipe égalité, um liberal dos quatro costados.

Ficava ainda um ramo colateral, o duque d’Enghien, era o que era o último príncipe de sangue real da família Bourbon. Este homem brilhante lutava contra a Revolução na chamada Armée des Princes.

Então, Napoleão mandou prender uma noite, foi levado para o castelo de Vincennes, e executado barbaramente, depois de um simulacro de julgamento, no fosso junto à muralha do castelo.

Este crime impressionou enormemente todos europeus, foi uma coisa tremenda. No lugar onde o duque foi executado há uma coluna comemorativa do crime precisamente onde ele se deu.

É também deste tempo uma outra figura que marca a história do castelo de Vincennes.

É um tal general Daumesnil, oficial de Napoleão, que na famosa batalha de Wagram, levou um tiro e perdeu a perna. Usava uma perna de pau. Chamavam-no Daumesnil jambe de boisDaumesnil, perna de pau.

Arcos góticos dos salões no interior do donjon
Arcos góticos dos salões no interior do donjon
E para dar a este homem um emprego, Napoleão fez dele o governador do castelo de Vincennes.

Quando os inimigos de Napoleão invadiram a França intimaram o Daumesnil a entregar-se. Ele respondeu: eu lhes entregarei o castelo no dia em que os senhores me restituírem a minha perna.

Equivalia dizer: vou resistir até o sangue. O pessoal não investiu e retirou-se.

Afinal, quando o rei Luís XVIII voltou ao trono. Daumesnil levou seis meses para entregar a torre ao rei, dizendo que sendo para entregar a franceses, ele entregava e saía.

É mais uma figura de muito colorido que passa pela história do castelo de Vincennes.

Um duque de Beaufort parente ilegítimo da casa real francesa lutava contra o rei, e o rei mandou prender. O duque resolveu fugir. Todos os dias, a uma hora certa, um funcionário do castelo abria a sala em que estava preso tudo e passeava com ele pelo alto da muralha.

Um dia o duque que era um homem corpulento, pagou umas cordas ocultas e fugiu. O funcionário nunca ia ser perdoado pelo rei, mas iria morar no exterior com a bolsa cheia de dinheiro.

Vincennes sob a neve
Vincennes sob a neve
O episódio célebre é que quando chegou a vez do duque de Beaufort ele notou que a corda não era tão comprida quanto necessária.

Então se deixou cair com a tentativa de pegar uns cavalos e sair correndo.

Mas com tanto infortúnio que caiu no fosso do castelo e desacordou. Conseguiram re-amarrar o homem com cordas, e levá-lo desacordado embora. Mais tarde ele se recompôs e tocou a vida dele.

Esta evasão ficou uma das mais famosas da história.

Naturalmente, à medida que vai chegando a nossa época, a coisa vai ficando mais sem graça.

Agora, o silêncio e a paz da história pousam sobre os restos do castelo envolvidos por uma vegetação esplêndida.

Aqui está o lado poético da história e o contraste entre a inércia da pedra velha e a beleza da vegetação nova.

Há uma ponte, uma bonita alameda de árvores e a torre de entrada com porta levadiça.

Na entrada dos fundos a ponte levadiça foi substituída com uma grade, onde se percebe a força e a grandeza da obra.

A folhagem forma um cortinado magnifico que o mais caprichoso dos desenhistas, ou dos paisagistas, não conseguiria imaginar.

A natureza produz coisas que os homens devem deixaram fazer porque porque Deus ordenou estas criaturas de tal maneira que pela vontade d’Ele e pelo jogo das causas segundas elas produzem coisas lindas destas.

Nem tudo deve ser dirigido, nem planejado. Boa parte das coisas se deve ir deixando vicejar por si mesmas, que elas ficam mais belas do que se fossem ordenadas.

Vincennes: harmonia entre a natureza e o espírito medieval
Vincennes: harmonia entre a natureza e o espírito medieval
É bem precisamente o contrário do estado totalitário.

O donjon (torre de menagem) é estupendo, monumental, medieval, gótico.

Tem enfeites de significado heráldico; ameias que formam uma unidade com estas torres mais ornamentais do que reais.

Dosséis indicam figuras de santos de um lado e de outro desta torre. De santos, de reis ou de profetas.

Podemos imaginar a beleza, a gente sentada aqui, a água ali, baixar a ponte levadiça e o olhar do viajante descobrir esse sol todo, essa beleza por detrás dessa pedra antiga e severa. É a Idade Média.

A altaneiria, a força e um certo garbo do donjon parece dizer que ele se sente feliz de ter chegado tão alto e de respirar os ares puros da altura.

Ele preside e ordena tudo. Ele incute uma ideia de ordem, de tranquilidade, de bom senso, de lógica e de coragem que é uma verdadeira maravilha. É o famoso donjon de Vincennes.

O donjon lembra vagamente a Torre de Belém. É o mais alto elogio de uma torre. Porque o donjon de Vincennes é muito bonito, mas perto da Torre de Belém é um anão.

Ele nos dá uma bonita lição a respeito do que há de nobilitante na desigualdade.

É a nobre beleza do convívio entre desiguais. Igualitário moderno é, por exemplo, o chão de uma rua asfaltada.




Vídeo: Vincennes: maravilha medieval ornada pelos eventos históricos posteriores



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 16.2.79, sem revisão do autor)



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