quarta-feira, 21 de abril de 2021

Josselin: charme, requinte e amor à milenar história bretã

Castelo de Josselin renaceu várias vezes
Castelo de Josselin renaceu várias vezes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Na maioria dos casos, a história de um castelo está ligada intimamente à história de uma família, com seus altos e seus baixos.

É o caso também do castelo de Josselin e a família dos príncipes de Rohan, que o possuem até o dia de hoje.

O castelo de Josselin (Morbihan, Bretanha, França) foi fundado por Guéthénoc, visconde de Porhoët, de Rohan e Guéméné, da família dos condes de Rennes, por volta de 1008.

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Josselin:
charme e requinte da
milenar história bretã

O local tinha grande importância militar e comercial, pois dominava o rio Oust.

A região é muito visitada pela romaria que se realiza desde o século IX à Basílica de Nossa Senhora de Roncier. É a maior romaria da região, depois da de Sainte-Anne-d'Auray.

O castelo passou por várias guerras. Chegou a ser demolido e suas ruínas cobertas de sal.

Porém, em 1370, Olivier V de Clisson reconstruiu uma imponente cidadela de oito torres, além de uma torre de menagem com 90 metros de altura.

Após guerras, conquistas e reconquistas, a duquesa Ana de Bretanha, que foi também Rainha da França, doou-o a Jean II de Rohan, descendente de Olivier de Clisson.

Jean II de Rohan fez vir artistas e operários italianos, requintando a fortaleza.

Porém, os Rohan tiveram a infelicidade de aderir ao protestantismo, e durante as guerras de religião perderam o castelo para o duque de Mercœur, que o transformou numa base da Liga católica.

Em 1620, o primeiro ministro, cardeal de Richelieu, desmantelou a torre de menagem e mais quatro torres, visando limitar as ambições dos protestantes e reforçar o absolutismo real.

Castelo de Josselin e os príncipes de Rohan: matrimônio indissolúvel
Josselin e os príncipes de Rohan: matrimônio indissolúvel
Porém, nada foi mais destruidor que a Revolução Francesa.

Ela transformou a fortaleza-palácio em prisão e depósito.

No período da restauração monárquica, a duquesa de Berry, da família real, convenceu ao duque de Rohan de restaurá-lo.

Atualmente o castelo é habitado pelo décimo quarto duque de Rohan, Josselin de Rohan.

Os príncipes de Rohan descendem de um filho ilegítimo de um Duque de Bretanha, senhores quase independentes desta região.

Os antigos Duques da Bretanha tinham inteira possibilidade de se casarem em nível de igualdade com a casa real.

Quando eles se fundiram com a Casa Real francesa passaram a integrar a Corte da França, subindo muito, porquanto obtiveram muitas posses e privilégios.

Os Rohan pertenciam à flor do creme da nobreza francesa e tinham a condição de príncipe estrangeiro, distinta da condição de duque e Par – a mais alta categoria dos nobres franceses –, que também possuíam.

Josselin era um castelo régio e os Duques de Rohan tinham no brasão os dizeres: “Roi ne puis, duc ne daigne, Rohan suis”. 

Quer dizer, “Rei não posso ser, príncipe não sou digno, eu sou Rohan”.

Castelo de Josselin: capela e castelo
Josselin: capela e castelo
Entretanto, o absolutismo real os foi promovendo e, paradoxalmente, abaixando.

Um príncipe com a história que tem essa família, vivendo no castelo de Josselin, projeta uma influência dominante em toda a região do Morbihan, como se fosse um rei local.

Infelizmente, os Rohan, abandonaram o convívio diário com os pequenos nobres locais – os quais eram a sua corte – para irem morar nas dependências do castelo de Versalhes, descolados de seu povo, de sua região e de sua história viva, definhando.

Passaram a viver em meio de outros nobres, iguais ou maiores do que eles, nas instalações esplêndidas do castelo do rei da França, como uma flor que foi cortada da planta e posta num vaso.

Esse processo concentrador, ou absolutista, pesou muito para a perda da personalidade, influência pessoal e prestígio das famílias nobres locais, facilitando o definhamento da nobreza que fez os castelos.





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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Manzanares El Real: castelo categórico
num panorama montanhoso e heroico

Manzanares El Real com sua orgulhosa torre parece desafiar as montanhas
Manzanares El Real parece desafiar as montanhas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Castelo de Manzanares El Real foi construído não longe de Madri, a capital da Espanha.

Suas torres cheias de ufania parecem desafiar as montanhas circunvizinhas, cuja grandeza supera qualquer outra que procure confrontá-la.

Magnífico castelo, altaneiro, nobre, forte disposto a enfrentar mil mouros, até há poucas décadas era uma carcaça, uma ruína, que só no século XX foi reconstruída.

Manzanares el Real ficou muitos séculos esquecido e abandonado.

Manzanares El Real vale por um exame de consciência
Manzanares El Real vale por um exame de consciência
Mas hoje ressuscita por causa de um renovado interesse pelos velhos ideais que jamais morrem.

Sua construção começou em 1475 – portanto, na época dos reis católicos, Isabel e Fernando o Católico – e agora se encontra inteiramente restaurado.

É propriedade do Duque do Infantado, don Íñigo de Arteaga y Martín, herdeiro de uma das mais ilustres Casas nobres espanholas.

Manzanares el Real enfrentou um preconceito anticastelo que é ligado ao preconceito antifeudal.

Porque ele é um castelo categórico, radical, estupendo.

Ele atrai um número pequeno de almas e em outras desperta estranheza porque sentem a consciência despertada.

O castelo de Manzanares El Real vale por um exame de consciência inaciano.

O castelo fica na montanha esperando os mouros
O castelo fica na montanha esperando os mouros
O fundo de montanhas – a Sierra de Guadarrama – causa a impressão de desabamentos pré-históricos que arrancaram pedaços de montanhas em alguma tragédia geológica.

O castelo fica instalado sobre esse fundo esperando os mouros.

A torre é bem século XV e está enfeitada com uma lindíssima renda de pedra.

As bolas ao lado dão ao castelo uma beleza extraordinária.

Manzanares El Real tem quatro torres grandiosas flanqueando a massa firme do castelo.

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Manzanares el Real:
num panorama
montanhoso e heroico

A beleza das torres contrasta com o panorama montanhoso e heroico da região.

As quatro altaneiras torres parecem sólidas e, ao mesmo tempo, são tão leves que se diria que podem dançar de castanholas.
Bênçãos pairam em Manzanares El Real
Bênçãos pairam em Manzanares El Real

Porém, são firmes como um herói na hora da estocada. A massa do castelo é como um peito aberto que aguenta qualquer ataque.

Mas um peito não maçudo: um peito vivo que respira, no qual palpita um coração. Uma coisa magnífica.

Na Europa houve grandes feitos, houve homens que pensaram grandes coisas.

Há bênçãos que pairam na Europa e que não há aqui, e que são restos das tradições de heróis que houve por lá.

É o caso do castelo de Manzanares el Real.





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