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quarta-feira, 26 de junho de 2024

Peregrinações aos castelos dos Templários

Capela octogonal do Convento de Cristo, Tomar, Portugal.
Capela octogonal do Convento de Cristo, Tomar, Portugal.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Os cavaleiros templários, da gloriosa ordem medieval para defender Jerusalém e os cristãos do furor muçulmano, foram denegridos durante quase mil anos pelos inimigos da Igreja Católica.

Sacrificando suas vidas, eles protegeram os peregrinos que iam a Jerusalém sendo frequentemente assaltados e mortos pelos fanáticos, seita muçulmana fundamentalista dos seljúcidas, além de bandos criminosos do deserto.

Nessa tarefa, a Ordem do Templo, criada por Hugo de Payens e nove cavaleiros guerreiros e monges franceses, forjou uma epopeia que hoje atrai com um vigor até pouco inimaginável.

Os cavaleiros templários receberam muitos presentes e doações em agradecimento pelas suas façanhas protetoras. Com elas construíram um poder imenso voltado para o bem da Igreja especialmente em Terra Santa.

Porém seus membros praticavam exemplarmente a pobreza evangélica.

Desse conjunto, cobiçado e saqueado até por maus reis e Papas cúmplices, restaram castelos, mosteiros, catedrais e capelas, em muitos recantos estratégicos da Europa, muitos deles em ruínas.

Porém hoje passaram a ser visitados como locais de peregrinação impregnados de uma santidade que faz regressar à Idade Média, registrou reportagem de “La Nación”.

No século XXI se multiplicam as viagens para saber como viveram esses admirados heróis, dissolvidos injustamente em 1312 pelo Papa Clemente V e uma conspiração de reis liderados por Felipe o Belo da França.

A Cruz dos Templarios, heerdada pela Ordem de Cristo estava nas velas das naus que descobriram o Brasil
A Cruz dos Templários, herdada pela Ordem de Cristo
estava nas velas das naus que descobriram o Brasil
Posteriormente, o Papado se retratou da condenação, mas os bens da Ordem já tinham sido rapinados e os cavaleiros tinham sido dispersados ou mortos.

Os monges guerreiros com uma enorme cruz vermelha em seus mantos e bandeiras brancas, montaram uma rede de 870 castelos nos quais administravam uma enorme riqueza destinada a financiar as Cruzadas e a luta contra o Islã invasor.

A cobiça perversa de suas posses extinguiu a Ordem que mantinha o mesmo espírito dos fundadores, malgrado houvesse entre eles alguns decadentes que participaram no crime histórico de sua dissolução.

Um dos roteiros mais percorridos pelos modernos admiradores começa pelos castelos dos Templários no centro de Portugal, não longe do santuário de Fátima.

Ali o principal monumento histórico e cultural Templários é o Convento de Cristo, em Tomar.

Os cavaleiros interditados no resto da Europa foram acolhidos pelo rei de Portugal, ajudaram na recuperação de Lisboa e de outras cidades da Península Ibérica aos muçulmanos, e receberam o nome de Ordem de Cristo.

O rei Afonso I de Portugal concedeu-lhes as terras entre Coimbra e Santarém. Ali construíram em 1160 uma gigantesca fortaleza com parede dupla e torres de planta quadrada e semicircular, rodeando uma suave colina.

Da fortaleza, ou Convento de Cristo, magnífica obra de arquitetura de estilo gótico, conserva-se a capela octogonal dos Templários, semelhante ao Santo Sepulcro – e os alojamentos dos frades e servos.

Fato destacado é que as naus em que Pedro Alves Cabral descobriu o Brasil levavam inscritas em suas velas a Cruz de Cristo que não era outra senão à da Ordem do Templo.

Admiráveis construções militares estão impregnadas dos imponderáveis heroicos e fantásticos da Rota dos Templários de Portugal.

Castelo de Almourol, estrategicamente localizado numa pequena ilha do rio Tejo
Castelo de Almourol, numa pequena ilha do rio Tejo
Destacam-se o Castelo de Almourol, estrategicamente localizado numa pequena ilha do rio Tejo – que marcava a fronteira entre cristãos e muçulmanos – e as fortificações de Pombal, Monsanto e Soure.

Em gratidão pelas sua gesta heróica contra os muçulmanos, os reis de Leão, Espanha, em 1178 lhes doaram uma antiga fortificação celta e um século depois, em 1282, o Castelo de Ponferrada ou Castelo dos Templários, em Leão.

Esse castelo foi num enclave privilegiado às margens do rio Sil para proteger os peregrinos que perfaziam o Caminho de Santiago.

Construção típica da Idade Média, precisamente o que admiram os homens agastados com o século XXI, tem paredes feitas de pedras talhadas à mão e coroadas por bandeiras, cinco torres e um fosso profundo protegido por grades.

Outros castelos Templários muito visitados na Espanha ficam em Peñíscola (Castellón), Jerez de los Caballeros (Badajoz), Monzón (Huesca), Caravaca de la Cruz (Murcia), de la Zuda (Tortosa, Tarragona) e San Servando (Toledo).

O único castelo templário que resta na França, o Castelo de La Couvertoirade, foi construído pelos Templários no final do século XII, em Aveyron, uma cidade de conto de fadas no sul do país perto de Montpellier.

La Couvertoirade é uma das aldeias francesas mais bonitas segundo a associação Les Plus Beax Villages de France. É o cenário ideal de um conto de batalhas fantásticas, com seus barquinhos e casas construídas nas pedras do planalto de Larzac.

O castelo foi herdado pelos cavaleiros Hospitalares, ou Ordem de Malta. Eles construíram a igreja, e as muralhas que protegiam a cidade em crescimento.

Os gloriosos Cavaleiros Templários e sua injusta condenação legaram para a historia uma aura de santidade peculiar e de mistério que empolgou um grande público. A quantidade de pessoas que viaja todos os dias para visitar seus antigos castelos é prova isso.

E não só as pessoas vão procurar apenas páginas perfumadas do passado.

Elas vão indagar se ali não se fareja um futuro que parece cada vez mais próximo feito de heroísmo e santidade até com o sacrifício das próprias vidas.

Eles fizeram esse sacrifício pela libertação do Santo Sepulcro de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas hoje paradoxalmente parece jazer também em como que um Sepulcro a Santa Igreja Católica em crise.



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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Tomar: reduto dos templários em desgraça (II)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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continuação do post anterior: Tomar: reduto dos templários em desgraça (I)

 

 Quando a injustiça se abateu sobre os templários, eles estavam também em Portugal desde os tempos de D. Afonso Henriques, e ali nenhuma suspeita pôde ser contra eles levantada.

Nem por isso estavam isentos de sofrer a mesma punição que tinha caído sobre eles na Europa.

Foi hábil a decisão do Rei D. Dinis de Portugal, de executar a ordem pontifícia de fechar a Ordem, mas não para apossar-se de seu patrimônio, e sim para doá-lo à Ordem Militar da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou simplesmente Ordem de Cristo, que criou em 1318.

O Papa João XXII nomeou D. Gil Martins seu primeiro grão-mestre, que antes o fora dos cavaleiros de Aviz.

Quis El-Rei que a nova Ordem tivesse seu quartel-general em Castro Marim, para defender o Algarve das incursões dos mouros dos reinos do Marrocos e de Granada.

Em 1356, transferiu-se para Tomar, no Ribatejo. Ali existiam, desde 1160, o castelo e o convento dos templários, doados à Ordem de Cristo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Tomar: reduto dos templários em desgraça (I)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Cavalaria, que um autor francês chamou de “a mais bela aventura da História”, é fruto do amor de Deus numa época em que sociedades inteiras moviam-se em conformidade com os 10 Mandamentos e as leis da Igreja.

São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, é o patrono da Cavalaria.

Enquanto instituição, ela nasceu das relações feudais, pelas quais os homens se apoiavam mutuamente para defender-se ante as freqüentes invasões bárbaras.

Essa confiança mútua baseava-se na noção de honra lastrada na caridade cristã.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

ALMOUROL: história épica, mistério e lenda

Almourol: castelo de heroísmos e mistérios
Almourol: castelo de heroísmos e mistérios
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O castelo de Almourol, no distrito de Santarém, em Portugal, foi erguido numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no curso médio do rio Tejo, à época da Reconquista.

Moedas romanas do século I a.C. e medalhas do período medieval desenterradas no local falam de sua história.

A partir do século III, o local foi ocupado por Alanos, Visigodos e pelos muçulmanos a partir do século VIII que o nomearam Al-morolan (pedra alta).

À época da Reconquista cristã Almourol foi tomado pela força em 1129 por D. Afonso Henriques (1112-1185).

O soberano entregou-o aos cavaleiros da Ordem dos Templários, então encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa de Coimbra, então capital de Portugal.

Nesta fase, o castelo foi reedificado, tendo adquirido as suas atuais feições, características da arquitetura templária.

Planta quadrangular, muralhas elevadas, reforçadas por torres adossadas, dominadas por uma torre de menagem.

Uma placa epigráfica, colocada sobre o portão principal, dá conta de que as suas obras foram concluídas em 1171, dois anos após a conclusão do Castelo de Tomar, edificado por determinação de Gualdim Pais.

Almourol integrava a Linha do Tejo dos Templários e constitui um dos exemplos mais representativos da arquitetura militar da época.

Sobre a porta principal do castelo, uma inscrição datada de 1209 (1171), menciona Gualdim Pais e sua ação militar contra os muçulmanos no Egito e na Síria, bem como sua ascensão à chefia da Ordem do Templo em Portugal e a subsequente construção dos castelos de Pombal, Tomar, Zêzere, Cardiga e Almourol.

Almourol está intimamente ligado à história de Portugal,  dos Templários e do Brasil.
Almourol está intimamente ligado à história de Portugal,
dos Templários e também do Brasil.
O Almourol foi ponto nevrálgico da zona do Tejo, controlando o comércio entre a região e Lisboa.

E está intimamente ligado aos primórdios do reino de Portugal e a história dos Templários.

Isso nos leva a refletir sobre um aspecto presente em todos os castelos, porém muito palpável em Almourol: o mistério e a lenda.

A Ordem dos Templários foi extinta pelo papa Clemente V em 1311. O episódio gerou uma polêmica que ainda perdura.

O rei francês Felipe o Belo teria pesado inescrupulosamente nessa interdição e confiscado iniquamente seus bens.

Como a ordem do Papa não foi efetivada em Portugal, muitos cavaleiros templários refluíram para o reino luso, onde possuíam grandes castelos como o de Tomar. E também Almourol.

Por fim, o rei D. Dinis (1279-1325) transformou a Ordem do Templo em Ordem de Cristo, que herdou posses e privilégios dos templários.

Almourol passou então a integrar o patrimônio da Ordem de Cristo. Essa Ordem teve parte muito grande na expansão do império português, a ponto de as naus que descobriram o Brasil lhe pertencerem, ostentando a respectiva Cruz em suas velas e o novo país ser batizado Terra de Santa Cruz.

O terremoto de 1755 danificou a estrutura do castelo, que foi recuperada com modificações no século XIX. Nessa fase, a tendência era de valorizar as obras do passado à luz de uma visão ideal. E ali entra a questão do mistério e da lenda de Almourol.

Hoje o castelo se ergue numa ilha isolada, outrora de difícil acesso, destacando-se pela sua austeridade. Tudo nele parece pensado para suportar o assalto de atrevidas hordas maometanas.

Almourol: austeridade e combatividade
Almourol: austeridade e combatividade
Nada fala em acomodações nem em facilidade de vida. É o castelo ideal para guerreiros combatentes que transitam entre uma batalha e outra, numa vida de luta em favor da Cruz de Cristo.

Essa fortaleza rude e áspera está envolta no mistério. Falou-se, sem nunca se provar, que ali estaria escondido o “tesouro dos templários”.

A suposição tem muito de mítico, mas encarna a impressão geral de que a história dos templários não está concluída.

De alguma maneira, ela não terminou com a proibição real e papal.

Com efeito, como vimos, a Ordem de Cristo ainda descobriu o Brasil e, em certo sentido, ganhou mais territórios para a Igreja – incluído o maior país católico do mundo hoje em dia – do que transitoriamente os templários ganharam na Terra Santa.

Alguns falam de um “revide” templário que ainda viria.

Cabe neste caso deixar de lado as fantasias quixotescas ou as iniciativas ocas, não raras vezes intoxicadas pela literatura de botequim, ocultismo e maçonismo de baixo nível.

O enigma dos templários toma corpo a partir do momento em que um alto plano de Deus foi interrompido pelos homens, mas que ainda vai se realizar por vias que escapam ao raciocínio ou à intuição humana.

Almourol, nesse sentido, não fala apenas do passado, mas de um futuro que encerra muitos acontecimentos vindouros.

Como, aliás, também, não longe de Almourol, a Fátima das aparições.


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