terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Torre dos Ratos: sorriso do triunfo da Igreja sobre a barbárie

A Torre dos Ratos, posto defensivo avançado do castelo de Ehrenfels, em ruínas no alto
A Torre dos Ratos (embaixo) era atalaia do castelo de Ehrenfels (no alto)

O castelo de Mäuseturm, (literalmente Torre dos Ratos) é uma torre fortificada sobre uma ilha do Reno, perto da cidade de Bingen.

O nome desta cidade ficou famoso, entre outras coisas, porque nela viveu e está enterrada num convento muito próximo Santa Hildegarda de Bingen.

A torre foi construída no século XIII para servir de posto avançado de defesa do castelo assaz mais importante de Ehrenfels, no lado direito do Reno.

A palavra mausen significa pegar ratos, e sobre tudo espreitar.

As palavras Maut e Mautturm significam respectivamente pedágio e a Torre do Pedágio.

O nome final de Mäuseturm deve ser interpretado como a Torre do Pedágio de Ehrenfels.

A torre teria sido construída por Dom Hatto II, arcebispo de Mogúncia no século X.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Azay-le-Rideau: suprema harmonia de leveza, solidez, sonho e raciocínio

Azay-le-Rideau refletido na água ganha em beleza
Azay-le-Rideau refletido na água ganha em beleza
As águas plácidas do laguinho tão marcado pelo azul do céu e pelas árvores frondosas, refletindo o castelo de Azay-le-Rideau transmitem uma sensação paradisíaca.

Aquilo que é espelhado pela água toma um caráter de beleza celeste, de sonho, de irreal, de mundo das maravilhas, para dizer tudo numa palavra só, de paraíso perdido.

Tudo quanto se reflete ganha em beleza.

Azay-le-Rideau dá uma imagem de si mesmo sobre a água que vai muito além de sua beleza real, aliás, nada pequena.

Porém, sua maior beleza está na ideia originalíssima de construí-lo numa minúscula ilha sobre o rio Indre.

Azay-le-Rideau flutua todo leve sobre a água: ele é uma fantasia, uma coisa irreal, é um sonho.

O palácio merece ser considerado numa noite bonita de luar com as janelas, as mansardas, tudo aceso.

Podemos imaginar saindo de dentro os ecos de uma festa: os risos, a música, os perfumes, as luzes que tremem sobre o espelho d’água.

Tem-se a sensação de uma nau em que se leva uma vida de elevação, de requinte, de distinção, de nobreza, de grande classe.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Origem do nome da grande fortaleza de Carcassonne

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A lenda narra uma história assaz pitoresca, e um pouco hilária, sobre a origem do nome da cidade de Carcassonne.

A fortaleza da época, assaz pequena, foi assediada durante longos anos e estava quase reduzida à fome.

Utilizando suas últimas reservas de farinha, a Dama Carcas teve a ideia de engordar um porco que ela lançou do alto das muralhas no campo dos assaltantes.

Estes, persuadidos de que a Cidade possuía ainda numerosas reservas de víveres, resolveram levantar o cerco.

Empunhando então uma trompa, em sinal de vitória, a Dama Carcas tocou (fez soar) a retirada do inimigo. [Daí “carcas-soa” = Carcas toca a trompeta]

As origens remotas de Carcassonne vêm dos tempos dos Celtas, Galo-romanos e Visigodos.

Na Idade Média foi construído o imponente conjunto de fortificações, com dupla linha de muralhas, que representa o ápice da engenharia militar do século XIII.

O traçado irregular das ruas estreitas contrasta com a magnificência das muralhas.

O atual castelo foi completado com um segundo cerco de muralhas por ordem de São Luís IX e é guarnecido por 59 torres e barbacãs, além de poternas e portas fortificadas.

O conjunto foi restaurado no século XIX por Violet-le-Duc. Em verdade, a restauração só atingiu o 30% da fortaleza, mas ainda assim é a maior da Europa.



Uma fortaleza cobiçada por muçulmanos e heresias ferozes

Carcassone na ‘Língua de Oc’, do Languedoque, ou Carcassonne em francês e também em português fica na região de Aude, na Occitânia no sul oeste da França.

A 90 quilômetros a sudeste de Toulouse, 60 km a oeste de Narbona e cerca de 70 km a oeste da costa mediterrânica.


Os francos tomaram a cidade aos sarracenos no século VIII e chamaram à cidade Karkashuna.

Pepino, o Breve, pai de Carlos Magno, reconquistou o Languedoque dos morros em meados do século VIII.

O local foi habitado no Neolítico, como é atestado por objetos que se encontram no Museu de Toulouse.

Esse sítio proto-histórico junto ao rio Aude, Plínio, o Velho (século I d.C.) designa com o nome de Cascasso dos Volcas Tectósagos (em latim: Carcaso Volcarum Tectosage).

No fim do século II a.C. foi ocupado pelos romanos que o fortificaram em 118 a.C.

Os sarracenos invadiram no século VIII até sofrerem a formidável derrota de Poitiers por Carlos Martel, mas chegaram a permanecer durante cerca de 30 anos como também na vizinha Lourdes.

Após a dissolução do Império Carolíngio no final do século IX, Carcassone foi governada pela dinastia da família Trencavel entre os séculos XI e XIII, prosperando e se tornando um local estratégico de primeira importância no Languedoque.

A heresia cátara com suas perversões teve muitos adeptos em Carcassone, protegidos pelo visconde Raimundo Rogério Trencavel (1185–1209)-

O Papa declarou a cidade terra de heresia pelo papa e foi um dos alvos da Cruzada Albigense, liderada primeiro pelo legado papal Arnaldo Amalrico e depois por um dos maiores heróis medievais Simão de Montfort.

Em agosto de 1209, o exército de cruzados sitiou tomou dois burgos rapidamente e as muralhas e fortificações ainda resistiram até que Trencavel capitulou após duas semanas de cerco, foi preso e morreu pouco depois.

As terras dos heréticos foram dadas ao célebre Simão de Monfort.

O filho dele, Amalrico VI, doou depois as terras ao rei de França, que as integrou no domínio real em 1224.

Em 1234 foi instalado na cidade um tribunal da Inquisição e quando em 1240, Raimundo II Trencavel, liderou uma tentativa de revolta, o rei São Luís a esmagou.

A a população herética se estabeleceu na outra margem do Aude, alimentando uma rivalidade feroz social e econômica.

Mas a cidade de São Luis prosperou a ponto de ultrapassar os revoltosos que perderam todo o poder e influência política.

Em 1248 a cidade foi dotada de um governo municipal autônomo, como era o costume medieval.

No caso, a cidade passou a ser governada por seis cônsules com a ajuda dos notáveis locais. No século XIV, a cidade era o principal centro de produção têxtil de França, que usava como matéria prima a lã proveniente dos rebanhos da Montanha Negra e do Maciço das Corbières.

Em 1348 a peste assolou Carcassone e a Guerra dos Cem Anos provoca numerosos danos. O Príncipe Negro devastou a cidade baixa mas desistiu de cercar a fortaleza que foi fortificada em 1359.

O rei Luís XI (1461–1483), este confirmou os privilégios da cidade.

Em 1531 o protestantismo veio se alimentar com ressaibos da heresia cátara – como aliás faria o nazismo no século XX – mas os calvinistas foram perseguidos e a cidade tornou-se uma base para os católicos.

Esse, usaram Carcasonne para lançar ataques contra as aldeias protestantes nas guerras de religião. Por volta de 1560, os protestantes de Carcassone haviam sido massacrados.

O comércio de tecidos e a riqueza que fornecia prevaleceu sobre a natureza militar da cidadela e embelezou a cidade. O absolutismo real favoreceu as manufaturas para abaixar os nobres.

Carcassone, onde concentraram num só local todas as operações necessárias ao fabrico que tecidos, o que proporcionou uma grande prosperidade à família, cuja terceira geração abandonou a indústria para se dedicar à política.

Apareceram palácios urbanos particulares burgueses sumptuosos, o abastecimento de água foi melhorado, as ruas foram pavimentadas e iluminadas, tornando a cidade mais moderna.

As velhas muralhas da cidade foram demolidas no século XVIII.

A tecelagem mecanizada da indústria têxtil britânica provocaram a injusta miséria dos últimos tecelões de qualidade da cidade.

A mecanização supostamente portadora de progresso e riqueza abaixou os salários do tecelões da cidade provocando miséria, fome e descontentamento popular na cidade.

Entre 1795 e 1800 a cidadela deixa de existir como entidade político-administrativa, sendo absorvida por Carcassone (a cidade baixa).

A cidade se reergueu pela revalorização do passado medieval.

A cidadela, completamente arruinada, Eruditos cantaram as glórias do passado e as obras de restauração foram dirigidas com sucesso pelo famoso arquiteto Viollet-le-Duc.

Em 1944, o castelo condal de Carcassona foi usado por tropas alemãs como armazém de munições e explosivos e expulsaram os habitantes.

Também por mistérios ocultistas, as SS e organizações secretas que agiam por dentro do nazismo se engajaram à procura de não se sabe que mistérios, sem nenhum resultado conhecido.

Com três milhões de visitantes anualmente, é um dos locais mais visitados da Europa.







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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Torre de um mosteiro-fortaleza evocando heroísmo


Do castelo do Mosteiro de Rodilla (construído no século X, na região de Burgos, na Espanha) restou apenas uma torre sobre uma elevação.

É inegável que o fotógrafo focalizou um ângulo que causa uma impressão de heroísmo verdadeiramente sublime.

Por que provoca tal impressão? Um mosteiro não foi construído para se rezar?

Como então ele tem uma torre combativa como essa?

Que sentido tem um mosteiro-torre? Um mosteiro-fortaleza não é algo irreal?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Castelo dos cruzados atrai crescente interesse

São João de Acre: fortaleza dos monges-cavaleiros hospitalários

Escavações recentes em São João de Acre, cidade da Galiléia de 50 mil habitantes, desvendaram uma cidade da era dos cruzados.

A prefeitura vai abrir ao público um bairro inteiro da Idade Média, quando Acre era a porta de entrada dos cruzados que iam libertar ou proteger Jerusalém.

A cidade foi conquistada pelos cruzados em 1104 e se tornou um centro de soldados e peregrinos católicos, que defendiam Jerusalém dos infiéis muçulmanos que ocuparam a região por volta do ano 632.

O bairro cruzado ficou tal como era em 1291, quando Acre foi conquistada subitamente por muçulmanos egípcios.