terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Utilidade militar da torre de menagem

Torre de menagem do castelo real de Vincennes, Paris, França.  A mais alta da Europa: 50 metros. No fundo: a capela
Torre de menagem do castelo real de Vincennes, Paris, França.
A mais alta da Europa: 50 metros. No fundo: a capela
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Na Idade Média os castelos tinham uma torre no seu ponto mais alto e mais estratégico.

Essa torre era chamada pelos franceses de donjon, e em português se diz a torre de menagem.

Era a torre mais alta, mais sólida e inacessível.

E, no caso de o castelo ser invadido, a retaguarda que foi derrotada na defesa das muralhas se recolhia nessa torre.

Donjon do castelo de Septmonts, Aisne, França
Donjon do castelo de Septmonts, Aisne, França
À medida que as muralhas do castelo fossem assaltadas pelos invasores e que a ponte levadiça fosse abaixada, os invasores apertavam o cerco em torno de partes mais internas do castelo.

O último cerco era à torre de menagem, que continha todos aqueles que tinham resistido, mas que foram sendo dizimados e se refugiavam na última resistência.

Na torre de menagem havia andares cuja escada não era fixa como nas nossas construções, mas havia uma abertura, um alçapão, e a escada ficava no andar de cima.

Quando eles queriam, baixavam a escada para descer e depois suspendiam.

De maneira que se um invasor, por exemplo os muçulmanos, entrasse na torre de menagem, não tinha jeito de passar do andar de baixo para o andar de cima sem levar toda uma saraivada de flechas dos que estavam em cima na última resistência.

Torre de menagem do castelo de Vez, Picardie, França
Torre de menagem do castelo de Vez,
Picardie, França

Além de subir até ao alto da torre de menagem, de lá eles podiam soltar pombos-correio para todos os castelos aliados, avisando que estavam sendo assaltados e pedindo auxílio para os castelões aliados virem derrotar os sitiantes.

Além disso havia uma outra saída. Havia, embutida na parede da torre de menagem ou de outra qualquer forma, uma ligação invisível com um subterrâneo.

Esses subterrâneos eram longos e conduziam para lugares inteiramente diversos que os sitiantes não podiam imaginar.

Atuais portas do donjon de Vincennes pesam 700 kg
Atuais portas do donjon de Vincennes
pesam 700 kg
Ponte que liga o castelo ao donjon podia ser retirada, isolando a torre. Vincennes, Paris
Ponte que liga o castelo ao donjon
podia ser retirada, isolando a torre.
Vincennes, Paris
De maneira que, quando eles às vezes conseguissem conquistar a torre de menagem, os sitiantes chegavam em cima e encontravam o quê?

Vazio, porque à última hora os soldados e os cavaleiros que guarneciam a torre de menagem fugiam para longe.

Havia coisas terríveis, porque havia subterrâneos desses que calculadamente davam para areias movediças de praia, ou poços profundos.

Os perseguidores iam correndo atrás deles para pegá-los logo. E quando davam conta de si, eles já estavam com os joelhos na areia movediça.

Eram uns mortos-vivos, porque iam ser enterrados irremediavelmente pela areia. Ou caíam em algum poço escuro.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 30/11/94, sem revisão do autor)


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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A nobreza do campo leva o esplendor aos castelos
e ao mundo agrícola

A nobreza do campo encarnava a identidade da região, Carnasciale, Itália
A nobreza do campo encarnava a identidade da região,
Carnasciale, Itália


Vencidos os tempos caóticos típicos do início da Idade Média, os nobres que viviam nos castelos-fortalezas foram reformando seus castelos e lhes dando o ar elegante e maravilhoso que hoje contemplamos.

A nobreza continuou assim vivendo no meio do campo numa residência muito boa.

Os castelos na Idade Média, de início rústicos, maciços e austeros por causa de sua finalidade militar, foram sendo ajeitados.

E das inacessíveis fortalezas feudais se passou às residências magníficas que deslumbram os séculos.

Nelas viviam os nobres do campo.

Eles não os derrubaram, mas fizeram algo mais interessante e inteligente: procuraram conservar, tanto quanto possível, o tom medieval original.

E fizeram disso um ponto de honra: afinal de contas foi naquelas torres e muralhas que seus antepassados viveram e morreram para salvar a civilização e a região onde estão instalados.