terça-feira, 10 de outubro de 2017

Castelo: residência por excelência do nobre,
símbolo e orgulho da comunidade feudal

Hoje se tenta reviver a vida do castelo em eventos medievalizantes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O castelo é a residência por excelência do nobre.

A classe nobre bem entendida tem algo de intermediário.

Por um lado, ela participa da glória e do poder real, se bem que em proporções muito diversas, inferiores e subordinadas ao poder régio.

Por outro lado, ela participa e, a bem dizer, está imersa na vida do povo.

O castelo vivia encravado na vida agrícola
O castelo nos primeiros tempos agitados da Idade Média foi a fortaleza e o refúgio de toda uma região durante guerras e invasões.

Em certo sentido, era a casa de todos. Todos tinham colaborado para construí-lo. Era o orgulho da região.

No castelo, por certo, morava o nobre e sua família além dos servidores feudais, mais ou menos numerosos segundo a importância da família nobre e o tamanho do castelo.

Mas, ele era o centro da vida feudal.

Ficaríamos espantados se pudéssemos passar um dia num desses castelos feudais.

Antes de tudo, é preciso afastar a idéia que comunicam as casas de certos ricaços modernos, casas de muros altos que afastam os desconhecidos, seguranças, controles eletrônicos e a impressão de que inexoráveis barreiras bloqueiam o acesso ao proprietário.

No castelo todos circulavam e entravam até nas salas mais reservadas do castelão.

Brissac: leito de um nobre casal
Este tinha intenso trabalho: lá iam os camponeses que queriam saber o que era melhor plantar, disputava-se sobre a futura ponte, estrada ou melhora a fazer na presença do nobre para ouvir seu parecer final.

E isto acontecia no pátio interno no verão, e junto à enorme lareira do grande salão no inverno.

O nobre administrava justiça ‒ tarefa árdua e absorvente que depois delegou para a classe dos juízes.

Lá iam diante dele os camponeses em querela, os burgueses que disputavam preços ou direitos, e o dia todo.

Chaumont: o castelo moradia dos nobres
Lá se tinham as reuniões em que se decidiam as questões de interesse para o feudo todo.

O nobre a todos devia ouvir e pedir conselho: era uma exigência dos mais caros deveres de fidelidade feudal.

Lá se decidia o quê fazer em tempos de perigo e calamidade, de guerras e epidemias.

Lá aconteciam as grandes festas que o próprio nobre promovia.

Aliás, as festas da família do nobre eram as festas do povo.

O casamento do filho ou da filha do castelão podia facilmente dar azo a uma semana de músicas, bailes, comemorações, com comida e bebida farta para todos pela conta do nobre.

Nos tempos de paz, o castelão tinha sob sua responsabilidade o bem comum de ordem privada.

O Estado com seus agentes como hoje estamos habituados a ver em cada esquina nem existia.

Hunedoara: hoje se tenta reviver as festas medievais
O nobre devia, em tempos de paz, velar pela conservação e o incremento da agricultura e da pecuária, das quais viviam tanto os senhores feudais quanto os plebeus.

Também estava a cargo dele o bem comum de ordem pública – decorrente da representação do rei na zona – missão mais elevada, de natureza mais universal, e por isso intrinsecamente nobre.

Quer dizer, o policiamento contra bandidos, criminosos, e toda espécie de malfeitores que poderiam ameaçar a paz e a boa ordem do feudo.

Os nobres de categoria mais elevada podiam ser convocados, e o foram em mais de um caso, a serem conselheiros dos reis.

Era a glória e o triunfo do feudo todo. Podiam chegar a ser o equivalente dos atuais ministros de Estado, embaixadores ou generais.

A figura do proprietário-senhor nobre nasceu assim da espontânea realidade dos fatos.

Trakai; reviver a vida de castelo: um sonho que cresce
O nobre era o pai da região.

Quando ele olhava para aquela borbulhante população que acorria a seu castelo ele lembrava das gerações de fiéis que haviam servido a seus antepassados desde tempos remotos.

E os servidores, em virtude do contrato feudal, viam no castelão o filho e continuador de uma linhagem benfeitora e amada que tinha feito a grandeza e a prosperidade do feudo.

Chenonceaux: capela, relicário do castelo
O castelo era um pedaço da alma daquele grupo humano que constituía o feudo.

E o castelão que morava no símbolo e orgulho da região era a expressão mais genuína, natural, espontânea, provada em séculos de lutas, misérias, adversidades, trabalhos, sucessos e alegrias, desse grupo feudal.

No coração do castelo, estava a capela.

Muitas vezes com o Santíssimo Sacramente presente e onde o feudo costumava assistir a Missa.

Era a presença sobrenatural de Jesus Cristo abençoando aquele pedacinho da grande e admirável Cristandade.


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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Castelos ante-salas da vida eterna

Vaux-le-Vicomte, mesa dos nobres
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A influência apaziguadora da Igreja foi moderando os primitivos impulsos bélicos dos povos bárbaros batizados.

O Direito Romano cristianizado e posteriormente desenvolvido na Idade Média foi instalando o império da Lei pela Europa medieval.

Uma das conseqüências desse progresso foi a diminuição das guerras tribais primeiro, feudais depois.

Nas fronteiras os inimigos tinham sido cristianizados: os Normandos no Norte, os Saxões e outras tribos germânicas e eslavas no Leste, os muçulmanos estavam sendo postos laboriosamente fora da península ibérica.

A finalidade dos castelos foi então se modificando. Sua razão de ser principal ‒ a puramente militar ‒ foi sendo substituída por outra que, de início não era tão evidente.

Vaux-le-Vicomte, quarto de dormir
A nobreza que foi se destilando na era medieval penetrada do espírito do Evangelho desempenhou um papel essencial para a ordem cristã.

O Papa Bento XV de feliz memória não hesitou em qualificar essa missão de “sacerdócio da nobreza”.

Plenamente inserida na ordem temporal e vivendo à testa dela, o nobre estabelece uma espécie de ponte cultural entre a ordem social em que ele vive e o Céu.

Esta vida é transitória, nós estamos nela como os alunos na escola que se preparam para desempenhar uma tarefa na vida. Neste vale de lágrimas nós nos preparamos para a vida eterna.

Como? Antes de tudo cumprindo todos os nossos deveres religiosos como a Igreja ensina.

Depois, vivendo como bons cristãos. Mas, o que significa isso em trocos miúdos?

Vaux-le-Vicomte, escritório
Por exemplo, na hora de escolher a mobília para minha casa, meu quarto, ou aprontar um jantar, dá na mesma escolher um móvel de fábrica que também pode ser comprado e usado diariamente por um protestante, um ateu ou até um satanista?

Evidentemente, há móveis e móveis e uns estão mais de acordo com o espírito cristão e outros não.

Mas, quem vai definir isto? Não é tarefa do sacerdote, cuja missão é estritamente religiosa e sobrenatural.

Também não é matéria de lei nem de regulamentos. Seria preciso uma massa esmagadora de lei, o que acabaria sendo pior.

Acresce que um bom católico, por exemplo um espanhol, pode legitimamente achar mais de acordo com o espírito católico um certo móvel, mas um inglês acha que é um outro de um outro estilo, e o alemão outro, e o francês outro, e assim indefinidamente.

Está ali o papel do nobre: penetrado do espírito da Igreja e profundamente inserido na realidade temporal do local destilar um ambiente, um estilo de vida que está mais de acordo com o espírito católico e com a peculiaridade do povo de seu feudo, de sua região.

Vaux-le-Vicomte, mesa dos criados.
Ele não impõe esse estilo de vida, nem pode fazê-lo. Ele simplesmente dá o bom exemplo de uma vida cultural eximia e extremamente atraente na fidelidade à Igreja.

Ele cria ordem, beleza, ensina o desejo da perfeição até nas pequenas coisas. Propõe um modo de vida virtuoso e extremamente agradável, penetrado do amor à Cruz e ao mesmo tempo aconchegante.

Organiza suave e belamente a vida de seus súbditos, segundo seus modos de ser locais e pessoais.

Ele vai pouco a pouco criando nesta terra de exílio um ambiente que convida a aspirar a felicidade do Céu.

Os castelos foram assim virando um ante-sala da vida eterna.


Vídeo: Castelos ante-salas da vida eterna









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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Pierrefonds: o triunfo do verdadeiro progresso sobre a esclerose arqueológica

Pierrefonds uma restauração que foi um progresso na linha medieval
Uma restauração que foi um progresso na linha medieval
Luis Dufaur
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O Castelo de Pierrefonds é um imponente palácio fortificado, situado no bordo sudeste da Floresta de Compiègne, a norte de Paris, no departamento de Oise.

Ele apresenta a maior parte das características defensivas da Idade Média.

No século XII, já se elevava um castelo no lugar dito de "le Rocher" de Pierrefonds (O Rochedo de Pierrefonds).

Em 1392, o Rei Carlos VI dá-lo a seu irmão Luís de Valois, Duque de Orléans.

Este último oferece o castelo original às Irmãs do Santo Suplício e, de 1393 à sua morte em 1407, faz construir um novo edifício pelo arquiteto da Corte, Jean le Noir, na localização atual.

No reinado de Luis XIII, o castelo ficou na propriedade de François-Annibal d'Estrées que se engajou numa rebelião do "Partido dos Descontentes".

O palácio acabou sendo invadido pelas tropas do Cardeal Richelieu, Secretário de Estado da Guerra.

Pierrefonds sala dos Heróis
Pierrefonds: a sala dos Heróis
A ordem foi desmantela-lo, mas era tão grande que a tarefa não foi completada.

As fortificações exteriores foram arrasadas, as caras destruídas e foram praticadas sangrias nas torres e nas muralhas.

O palácio ficou em ruínas durante dois séculos.

Ao longo do século XIX, houve uma redescoberta da arquitetura da Idade Média.

Napoleão III mandou em 1857 o arquiteto Eugène Viollet-le-Duc empreender o seu restauro.

O restauro devia limitar-se a uma simples recuperação das partes habitáveis conservando as ruínas "pitorescas" como decoração.

Porém, o desejo social e cultural de recuperar essa joia medieval, levou o passageiro imperador a mandar fazer uma residência imperial.

Os trabalhos de reconstrução foram empreendidos com ardor por Viollet-le-Duc até sua morte.

Viollet-le-Duc foi além da mera recuperação histórica. Embora imensamente erudito, ele fez mais um palácio de fábula imaginando como terá sido sem se basear estritamente na história do edifício.

Reconhece-se na arquitetura exterior recuperada, os excelentes conhecimentos que tinha da arte do século XIV.

O genial restaurador cuidou do parque como e das fortificações, dando livre curso à sua inspiração muito pessoal, e sendo muito criticado pelos rigoristas amantes de velhos papéis.

Pierrefonds vista aérea
Pierrefonds: vista aérea
Viollet-le-Duc fez de Pierrefonds uma de suas mais amadas e triunfantes realizações. Após sua morte antes do fim das obras, seu estilo foi preservado até terminar a construção.

O castelo nunca voltou a ser habitado.

Os detratores reprovaram a reinvenção de uma arquitetura neo-medieval, mas ficaram vencidos pelo feliz resultado.

Viollet-le-Duc fez mostra nesta reconstrução de um extraordinário sentido de elevação e de volumetria e de uma incontestável sensibilidade do local, de um conhecimento do espírito medieval em sua glória.

Ele venceu um espírito meramente arqueológico e, como os medievais outrora, aproveitou a reconstrução para dar uma passo para frente no sentido da tradição, do requinte e da perfeição.




Vídeo: Pierrefonds, um castelo e seu sonho








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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Roquetaillade: 700 anos na posse de uma mesma família

Entre guerras e reformas o castelo ficou sempre com uma mesma continuidade familiar
Entre guerras e reformas o castelo ficou sempre com uma mesma continuidade familiar
Luis Dufaur
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O castelo de Roquetaillade fica em Mazères, na região da Gironda França. É constituído por duas fortificações, uma do século XI e outra do século XIV, uma perto da outra num mesmo recinto.

O palácio foi salvo no século XIX pela restauração de Viollet-le-Duc, que empreendeu igualmente importantes trabalhos de decoração e criação de mobiliário.

Roquetaillade encontra-se há 700 anos na posse de uma mesma família e foi aberto ao público em 1956.

O lugar foi habitado desde a pré-história. Grutas naturais e um pico rochoso eram favoráveis a uma instalação humana. Os numerosos “S” talhados, encontrados no lugar, testemunham essa presença.

No entanto, a menção a uma fortificação em Roquetaillade só surge pela primeira vez em 778.

Nessa data, Carlos Magno, a caminho dos Pirenéus com o seu sobrinho Rolando (o qual inspiraria a célebre La chanson de Roland, poema épico do século XI), reagrupou o seu exército em Roquetaillade.

E ali construiu com madeira uma fortificação que fazia lembrar os castros romanos. Foi o primeiro castelo de Roquetaillade. Uma construção por certo primária e transitória que deu a partida a reconstruções que chegaram até nossos dias.

Essa construção evoluiu ao longo dos tempos, tendo a técnica da pedra substituído a da madeira.

Roquetaillade cresceu incluindo novas torres, muralhas e outras construções defensivas.

Roquetaillade, Grade Salão do castelo, aquarela de 1848.
Roquetaillade, Grade Salão do castelo, aquarela de 1848.
A última construção foi a torre-porta, em 1305, única passagem entre o coração do castelo e a aldeia, chamada Castelnau, que se estabeleceu sob sua sombra protetora.

Não há dados dos senhores de Roquetaillade anteriores ao século XI, no qual aparece nos arquivos o nome La Mota (ou La Mothe).

A única certeza é que o castelo permanece propriedade da mesma família, do século XI até os nossos dias.

Em 1306, o Cardeal de la Mothe, sobrinho do Papa Clemente V, construiu uma segunda fortaleza em Roquetaillade. É o chamado: o “Château Neuf” (Castelo Novo).

Sua planta é quadrada, tem cinco torres, além de uma torre de menagem [estrutura central de um castelo medieval]. Esta construção aliava a arte militar e a necessidade de defesa, ao conforto.

Assim, Roquetaillade, como outros palácios do fim da Idade Média, foi dos primeiros exemplos de palácio/castelo-forte em França.

A Guerra dos Cem Anos poupou totalmente o castelo. Aliás, nessa época os senhores de Roquetaillade eram principalmente eclesiásticos, não envolvidos nesse conflito.

Tampouco as guerras de religião promovidas pelos protestantes calvinistas fizeram muito dano à região da Gironda. Somente a pequena comuna de Villandraut foi atacada pelos protestantes, que viam nela um símbolo papal.

Foi bem diferente com a Revolução Francesa. Movidos pelo ódio igualitário contrário à nobreza, bandos revolucionários democráticos de Bordeaux se dirigiram a Roquetaillade para demoli-lo.

O Marquês de Lansac mostrou então como a nobreza sabia interpretar a psicologia de todos, inclusive desses bandidos ideológicos. Acolheu-os no lugar, dobrou o soldo deles, e convidou-os a descer à cave do palácio para provar o seu vinho.

Os revolucionários acharam-no de tal forma bondoso, que abandonaram seu objetivo demolidor.

Quarto de dormir.
Quarto de dormir.
Roquetaillade sobreviveu às revoluções da história. Mas no século XIX viria a mais insidiosa dela: a Revolução da modernidade.

O castelo não era “moderno”, não afinava com as chaminés soltando fumaça da Revolução Industrial, era incompatível com a locomotiva, com o carro, com as linhas férreas e os viadutos.

Ficou abandonado e já no início do século XIX se encontrava em mau estado.

Mas com o renascer do interesse da população pelo “sonho medieval”, Roquetaillade tornou-se um dos primeiros edifícios medievais do Sudoeste a beneficiar-se da proteção do governo.

Por volta de 1850, a família Mauvezin, que o possuía, recorreu ao mais célebre arquiteto francês, Viollet-le-Duc, responsável pelo governo da restauração dos grandes prédios medievais.

Ajudado por Duthoit, um de seus alunos, ele passou cerca de 20 anos cuidando do restauro do palácio.

Ele se aplicou sobretudo na decoração do interior e do mobiliário.

A decoração de Roquetaillade, que se pode ver atualmente, é única na França e está classificada como monumento histórico.

O parque do castelo compreende os vestígios do recinto medieval com a barbacã, o riacho de Pesquey e as suas ribas, além de um chalé novecentista e o pombal do Crampet.


Vídeo: Roquetaillade : 700 anos de história de uma família










(Fonte: Wikipedia, Castelo de Roquetaillade)



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