quarta-feira, 7 de abril de 2021

Manzanares El Real: castelo categórico num panorama montanhoso e heroico

Manzanares El Real com sua orgulhosa torre parece desafiar as montanhas
Manzanares El Real parece desafiar as montanhas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Castelo de Manzanares El Real foi construído não longe de Madri, a capital da Espanha.

Suas torres cheias de ufania parecem desafiar as montanhas circunvizinhas, cuja grandeza supera qualquer outra que procure confrontá-la.

Magnífico castelo, altaneiro, nobre, forte disposto a enfrentar mil mouros, até há poucas décadas era uma carcaça, uma ruína, que só no século XX foi reconstruída.

Manzanares el Real ficou muitos séculos esquecido e abandonado.

Manzanares El Real vale por um exame de consciência
Manzanares El Real vale por um exame de consciência
Mas hoje ressuscita por causa de um renovado interesse pelos velhos ideais que jamais morrem.

Sua construção começou em 1475 – portanto, na época dos reis católicos, Isabel e Fernando o Católico – e agora se encontra inteiramente restaurado.

É propriedade do Duque do Infantado, don Íñigo de Arteaga y Martín, herdeiro de uma das mais ilustres Casas nobres espanholas.

Manzanares el Real enfrentou um preconceito anticastelo que é ligado ao preconceito antifeudal.

Porque ele é um castelo categórico, radical, estupendo.

Ele atrai um número pequeno de almas e em outras desperta estranheza porque sentem a consciência despertada.

O castelo de Manzanares El Real vale por um exame de consciência inaciano.

O castelo fica na montanha esperando os mouros
O castelo fica na montanha esperando os mouros
O fundo de montanhas – a Sierra de Guadarrama – causa a impressão de desabamentos pré-históricos que arrancaram pedaços de montanhas em alguma tragédia geológica.

O castelo fica instalado sobre esse fundo esperando os mouros.

A torre é bem século XV e está enfeitada com uma lindíssima renda de pedra.

As bolas ao lado dão ao castelo uma beleza extraordinária.

Manzanares El Real tem quatro torres grandiosas flanqueando a massa firme do castelo.

Veja vídeo
Manzanares el Real:
num panorama
montanhoso e heroico

A beleza das torres contrasta com o panorama montanhoso e heroico da região.

As quatro altaneiras torres parecem sólidas e, ao mesmo tempo, são tão leves que se diria que podem dançar de castanholas.
Bênçãos pairam em Manzanares El Real
Bênçãos pairam em Manzanares El Real

Porém, são firmes como um herói na hora da estocada. A massa do castelo é como um peito aberto que aguenta qualquer ataque.

Mas um peito não maçudo: um peito vivo que respira, no qual palpita um coração. Uma coisa magnífica.

Na Europa houve grandes feitos, houve homens que pensaram grandes coisas.

Há bênçãos que pairam na Europa e que não há aqui, e que são restos das tradições de heróis que houve por lá.

É o caso do castelo de Manzanares el Real.





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quarta-feira, 24 de março de 2021

Altaneiro, solitário, heroico: o castelo escocês

Castelo de Druart, Escócia
Castelo de Duart, Escócia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs








Os castelos escoceses criam ambiente propício às novelas, as quais gostam de figurar fantasmas que aparecem na noite, no frio e na solidão de uma pétrea fortaleza semi-destruída.

Alguns castelos sugerem que outrora neles se deram fatos reprováveis, cujos maus efeitos ainda projetam eflúvios ruins e misteriosos no presente.

De fato, eventos ruins aconteceram na história do Reino da Escócia.

Outrora integramente católica, num triste momento a Escócia caiu sob a pata do protestantismo mais deprimente e radical: o presbiterianismo. 

Castelo de Drumlanrig

O resultado da queda foi uma guerra civil religiosa entre os sectários presbiterianos e os católicos.

Esgotado pelo conflito religioso, o país foi dominado finalmente pelos ingleses. 

Esses, entretanto, se encontravam tomados por uma forma de protestantismo menos radical: o anglicanismo.

Desde então os escoceses protestam muitíssimo indignados. 

Mas não encontram jeito de se libertar para voltarem a ser aquilo que a Escócia prometia no início de sua história.

Heróis não faltaram na Escócia e o país os venera. 

Seus regimentos com roupas exclusivas dos clãs ficaram famosos no mundo inteiro.

Castelo de Eilean Donan: cenário ideal para dramas históricos
Castelo de Eilean Donan: cenário ideal para dramas históricos
O castelo escocês reflete uma concepção dramática da existência que o torna cenário ideal para um drama de Shakespeare, por exemplo.

Dali vêm também as lendas de fantasmas e monstros no estilo do século XIX.

O castelo de Eilean Donan é outro dos que gozam de maior fama neste singular sentido.

Ele também foi construído sobre uma pequena ilha, no braço de mar de Loch Duich, nas Terras Altas escocesas (Highlands).

Apenas uma ponte o liga à terra firme.

Ele foi construído no início do século XIII, como defesa contra os vikings, que invadiam e depredavam territórios cristãos.

O castelo deve seu nome a São Donan de Eigg, mártir celta da Alta Idade Média.

Ainda no século XIII tornou-se uma fortaleza do clã Mackenzie de Kintail (posteriormente condes de Seaforth).

Castelo de Eilean Donan: recusa da banalidade
Castelo de Eilean Donan: recusa da banalidade

Em 1511 o clã Macrae herdou o castelo, considerando-o seu lar e ocupando-o até hoje. 

A ilha tem uma população de apenas uma pessoa!

Em 1719 o castelo foi ocupado por tropas espanholas que apoiavam uma revolta de escoceses saudosistas dos reis católicos Stuart.

Três fragatas da real marinha inglesa o recapturaram e demoliram pouco depois.

Mas ele foi restaurado entre 1919 e 1932 por membros do Clã Macrae.

Altaneiro, solitário, ostentando galhardamente sua alteridade e seu passado, ele despreza o banal figurino do “politicamente correto” comumente aceito.



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quarta-feira, 10 de março de 2021

Fontainebleau: um anseio de alma em busca do Céu

Luis Dufaur
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A primeira impressão que a sala produz é de aturdimento, tal a pluralidade de cores e coisas belas.

O teto é de rara beleza, porque lembra a abóbada celeste. Não exibe nada de lambido dos edifícios modernos.

Chama a atenção como as pinturas da sala realçam as traves, tornando-as um elemento de decoração a mais.

Cores muito bem escolhidas: azul esverdeado claro, ouro velho, em arabescos muito elegantes que exploram o pontudo e o ovalado.

Os lustres são de conto de fadas. É um escachoar de cristais diversos que multiplicam a luz das velas, produzindo efeito de refração do espelho, o qual aumenta a luz das velas. Ademais, altamente funcional.
Veja vídeo
Fontainebleau: anseio
à procura do Céu

Nas paredes não foram colocados quadros, mas tapeçarias com desenhos magníficos. Tudo isso detém o espírito do observador, de maneira a atrair sua admiração.

O mobiliário, muito elegante e leve, está habilmente disperso pela sala, o que provoca ao mesmo tempo impressão de muita mobília, mas com vazios importantes.


Um dos segredos de uma sala bonita é apresentar vazios importantes, o que nem sempre o brasileiro compreende.

Nesse sentido, tenho visto salas empetecadas de móveis, onde não se pode dar um passo sem esbarrar num deles.

A beleza cromática da sala está no seguinte: as janelas têm vidros transparentes, portanto a luz que penetra é inteiramente a diurna, mas compensada por um mundo de cores presente no conjunto da sala.

Quase se poderia dizer que todas as cores possíveis estão representadas.

Entretanto, para que o ambiente não ficasse por demais sobrecarregado, todas elas estão em grau muito pálido, quase que se fundindo umas nas outras.

E a variedade cromática diverte e descansa os olhos maravilhosamente.

Um elemento decorativo a mais dentro desse conjunto é a porta.

Constituída por uma série de painéis, todos muito delicados, muito leves, que contrastam com o sobrecarregado de outras partes do ambiente.

Para concluir, desejo esclarecer que não estou querendo demonstrar ser o castelo simplesmente bonito.

Mas que houve manifestamente a intenção de se construir um ambiente que superasse a natureza criada e compensasse um pouco o que esta vida tem de “Terra de exílio”.

E, portanto, a ideia de que o homem é feito para coisas maiores que as dessa Terra.

Há nesse ambiente um apelo para algo mais alto, que é um anseio de alma em busca do Céu. Esse é o significado religioso da Sala do Conselho Real do Castelo de Fontainebleau.

O castelo de Fontainebleau (depois de Versalhes, o mais importante dos castelos franceses) foi construído no século XVI pelos reis da dinastia de Valois.

Quando essa dinastia extinguiu-se, ele passou para a dinastia de Bourbon. E foi, ininterruptamente, residência real até a Revolução Francesa. Napoleão I e Napoleão III também residiram nesse castelo.



(Fonte: CATOLICISMO, Maio de 2012)




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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Castelo de Xavier: onde se formou o heroico apóstolo do Oriente

O conquistador espiritual do Oriente se formou em austera e senhorial fortaleza
O conquistador espiritual do Oriente se formou em austera e senhorial fortaleza
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Em Navarra, Espanha, cerca de 52 quilômetros a leste de Pamplona ergue-se o castelo de Xavier em uma elevação dominante sobre a vila.

São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma
São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma

Nele nasceu e viveu São Francisco Xavier, filho dos senhores Javier. 

Por isso é o destino de uma concorrida peregrinação anual, chamada “Javierada”, em homenagem do santo jesuíta padroeiro de Navarra.

Ele recebeu o título de padroeiro universal das missões junto com Santa Teresinha e faleceu numa ilha olhando para a China, país que desejava ardentemente converter.

Passou à eternidade no 3 de dezembro de 1552, numa humilde esteira de vimes, abraçado ao crucifixo que o velho amigo Santo Inácio de Loyola, um dia lhe tinha oferecido.

Uma basílica foi construída para honrar o mais glorioso filho da casa
Uma basílica foi construída para honrar o mais glorioso filho da casa
A Igreja Católica considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo, merecendo o epíteto de “Apóstolo do Oriente”.

Seu corpo incorrupto hoje se conserva numa urna de cristal na Basílica do Bom Jesus de Goa, santuário da Índia que atrai incessantemente numerosas romarias.

O castelo remonta a uma fortificação muçulmana do século X. 

Após a Reconquista cristã da região, em 1236 o castelo foi entregue por Teobaldo I de Navarra a D. Adán de Sada. Cfr. Castelo de Xavier.

O conjunto arquitetônico consta de três corpos escalonados em ordem de antiguidade.

Destacam-se a “Torre do Santo Cristo”, o bastião e a capela nesta última destacando-se um original crucifixo tardogótico e uma série de pinturas murais representando a dança da morte.

A torre de menagem está dedicada a São Miguel e constitui a parte mais antiga do castelo onde está o museu dedicado à vida do santo.

O Santo Cristo da Torre que leva seu nome
O Santo Cristo da Torre que leva seu nome
Em seus alicerces existem fundações e socos muçulmanos do século X.

No século XI construiu-se o primeiro recinto de muralhas que envolvia as primeiras habitações.

No século XIII, foram acrescentados mais corpos de planta poligonal e duas torres.

Xavier provém da língua basca etxebarri (“casa nova”) de onde derivou “xabier” e posteriormente, “javier” em castelhano.

Após sucessivas heranças, o castelo passou ao domínio da Casa de Villahermosa.

Ao final do século XIX, o castelo estava praticamente em ruínas e seus proprietários iniciaram a restauração.

Dada a envergadura das obras, toda a família participou com fundos próprios para restaurá-lo, edificar uma Basílica e moradias para sacerdotes e casas de exercícios.

Já em princípios do século XX, a duquesa de Villahermosa doou o imóvel e a Basílica à Companhia de Jesus com a condição de que os mantivesse tal como os entregou.

Na cripta da Basílica descansam os membros da Casa de Villahermosa que contribuíram para as obras de reconstrução do castelo e de construção da Basílica.

A fortaleza virou um santuário legendário
A fortaleza virou um santuário legendário


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