quarta-feira, 3 de junho de 2020

Os jardins feéricos de Villandry ‒ 1


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Villandry foi o último castelo construído no Vale do Loire.

Em 1536, Jean le Breton, secretário de Estado do rei Francisco I, o construiu sobre uma antiga torre fortificada do século XII.

Villandry ficou conhecido no século XVI pelos seus jardins.

O Cardeal de Aragão, que o visitou em 1570, escreveu ao Papa “que tinha visto alfaces mais bonitos que em Roma”.

Em 1754, a propriedade dos sucessores de Le Breton passou para o Marquês de Castellane.

Mas, no século XIX, o jardim foi substituído por outro de tipo inglês, e o castelo abandonado virou uma ruína.

Em 1906, o médico espanhol Joachim Carvallo (1869-1936), adquiriu o castelo e decidiu restaurá-lo.

Carvallo procurou fontes documentais, como o Tratado de Cerceau Androuet sobre os palácios do século XVI com jardins renascentistas.

Ou o “Monasticon Gallicanum”, conjunto de gravuras de abadias beneditinas.

Villandry, o castelo e seus jardins, continuam hoje nas mãos da família Carvallo. Os atuais proprietários são bisnetos do restaurador.

O jardim consta de três terraços principais:

1 ‒ no mais alto está situado o ‘jardim da água’, um grande lago de onde a água cai por gravidade para todo o resto.

2 ‒ o terraço intermediário está dividido em três seções: o ‘jardim do amor’, o ‘jardim das cruzes’ e o ‘jardim da música’.

3 ‒ o inferior tem os jardins mais famosos e o jardim de plantas medicinais e aromáticas.

O ‘jardim da água’ é de inspiração clássica. Ele gira em torno de um grande lago rodeado por prados, plantas verdes e tílias aparadas.

O ‘jardim do amor’ é composto de quatro praças geométricas que representam o amor tenro, o amor apaixonado, o amor infiel e o amor trágico.

Todas as formas são feitas de buxo aparado, além de flores: branco para a inocência e a ternura; vermelho para a traição e o sangue.




Vídeo: Os jardins feéricos do castelo de Villandry
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quarta-feira, 20 de maio de 2020

Ussé: sonho numa natureza requintada por nobres famílias

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Castelo de Ussé (em francês, “Château d'Ussé”) é um palácio da famosa região do rio Loire situado na comuna de Rigny-Ussé, departamento de Indre-et-Loire, a sudoeste de Paris.

A primeira edificação no local remonta ao século XI, quando o senhor normando de Ussé, Gueldin de Saumur, fez construir uma fortificação.

Ele a rodeou com uma paliçada num terreno elevado na margem da floresta de Chinon com vista para o vale do Indre.

Ussé nasceu assim, como muitos outros castelos, como um refúgio fechado feito de troncos de árvore, com finalidade bélica, um pouco inspirado nos antigos castros das legiões romanas.

O lugar passou para a posse do Conde de Blois, que fez o primeiro edifício militar em pedra do local.

No século XV, esse castelo estava arruinado e foi adquirido por Jean V de Bueil, um capitão-geral de Carlos VII de França que se tornou seu senhor.

Em 1456 ele começou a reconstrução. Seu filho, Antoine de Bueil, casou, em 1462, com Jeanne de Valois, a filha natural de Agnès Sorele, amante de Carlos VII que levou uma dote de 40.000 escudos de ouro.

Em 1477, Antoine reiniciou a restauração do rústico prédio lhe dando a forma de um belo palácio mais em harmonia com a época.

Em 1485 Antoine estava fortemente endividado e vendeu o castelo a Jacques d’Espinay, filho dum camareiro do Duque da Bretanha, ele próprio antigo camareiro dos reis Carlos VII e Luís XI.

Depois da morte de Jacques, o domínio passou para seu filho Charles e para a esposa deste, que ficaram, no entanto, obrigados pelo testamento do pai a construir uma grande capela nos terrenos do domínio.

Charles e Lucrèce aceitaram essa determinação, concluindo em 1538 a capela que misturava o estilo gótico flamejante com motivos renascentistas.

Charles deu, também, início ao processo de reconstrução do edifício que resultou no aspecto quinhentista-seiscentista que se pode ver atualmente, deixando a sua marca com as letras “C” e “L” em vários pontos do palácio.

A historia do castelo é a história das famílias que nele viveram e amaram a Deus

Em 1656, o palácio foi adquirido pelo Marquês Bernin de Valentinay. Nesse mesmo século, Louis I de Valentinay, contador da casa Real, demoliu a enfiada norte de edifícios com o objetivo de abrir o pátio interior à espetacular vista sobre o terraço parterre, segundo desenhos atribuídos a André Le Nôtre.

O genro de Valentinay era o engenheiro militar Vauban, famoso pelas fortificações que fez para o rei na época da artilharia, o qual visitou Ussé em numerosas ocasiões.

Tinham passado as épocas das invasões bárbaras e das guerras de religião. Mas os sonhos acalentados de geração em geração começaram a tomar forma.

A tradição mantém ainda que o Château d'Ussé era o castelo que Charles Perrault (1628-1703) tinha em mente quando escreveu o conto A Bela Adormecida.

Mais tarde, o palácio passou para os Rohan. Em 1807, o domínio foi comprado pelo Duque de Duras.

François-René de Chateaubriand trabalhou neste inspirador castelo nas suas Mémoires d'Outre-Tombe enquanto convidado da duquesa.

Posteriormente o palácio foi adquirido pela condessa de la Rochejacquelin, a qual manteve o domínio na sua posse entre 1829 e 1883.

Devem-se a esta aristocrata os últimos grandes acrescentos ao conjunto.

Posteriormente o Château d'Ussé seria herdado pelo seu sobrinho, o Conde de Blacas, e pertence atualmente a seus descendentes tendo conservado sempre a impronta familiar.

O castelo apresenta dois estilos arquitetônicos, um de inspiração medieval e gótica e outro renascentista. O pátio interior recolhe exemplos destes dois estilos.

Esta dobre herança de estilos reflete os vários períodos construtivos na história do edifício, sendo os elementos mais antigos do século XV, enquanto que o palácio adquiriria seu aspecto final entre os séculos XVI e XVII.

O castelo contém uma notável coleção de móveis comprados pelas famílias proprietárias e que sobreviveram às depredações da Revolução Francesa.

Em algumas das salas estão igualmente presentes peças autênticas de vestuário que ilustram a vida antiga em Ussé.

Tal como acontecia em outros palácios, Ussé possui um quarto reservado para o rei.

Os aristocráticos proprietários mantinham esses quartos, uma vez que o rei poderia chegar a qualquer momento necessitando de usufruir da sua hospitalidade. Era um tributo de fidelidade e um sinal da categoria da família hospedeira.

Esta sala, aliás nunca usada, têm belas peças do século XVIII e as paredes ainda estão cobertas com o forro de seda original.

Outras áreas específicas são a sala de espera, com uma grande coleção de armas, e a galeria, com tapeçarias antigas.

O palácio está situado numa colina dividida por terraços, os quais suportam a parte formal do belo parque, decorada com pequenos relvados, fontes e canteiros floridos.

Entre 1520 e 1538 no interior do parque foi construída a capela com um sumptuoso interior.

Logo atrás do palácio começa a floresta de Chinon.

O castelo é assim um hífen de harmonia entre o requinte da civilização e as maravilhas da natureza ordenada por gerações de esforçados lenhadores, camponeses e jardineiros.


Vídeos: Ussé e seu sonho







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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Castelos e catedrais: unidade inefável da Igreja e da Cristandade

Mont Saint-Michel
Abadia fortificada de Saint-Michel
Luis Dufaur
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Deus criou todo o universo e não teve a intenção de fazer algo inútil para a Igreja.

Ele criou todo o universo para servir de pedestal para a Igreja.

Ele destinou a sociedade humana para ser uma parede bonita sobre a qual a tocha da Igreja lançasse as suas luzes.

E quando Ele criou a sociedade humana evidentemente Ele não quis que os homens dissessem: “é tão bela que não preciso da Igreja”.

O homem é natural. Além do mais, nele penetra, por um dom de Deus, a graça divina.

O homem, então tem sua vida natural e tem algo participado da vida divina.

Alb, catedral fortaleza
Catedral fortificada de Albi
Por causa disso, o homem tem necessidade de considerar as coisas sobrenaturais se manifestando e se espelhando nas coisas naturais.

E quer que as coisas naturais espelhem as coisas sobrenaturais.

Ele tem a necessidade dessas duas dimensões formando um todo só.

A Igreja só pode ser vista em toda sua beleza dentro da Cristandade.

Numa família de nações católicas apostólicas romanas em que tudo seja católico, desde a forma da chave das portas da cidade até o desenho do galo que está no alto de uma flecha da torre de um castelo, em tudo o homem se apraz contemplando a marca católica.

A Igreja está no meio da Cristandade como a dona de casa no meio de sua família e de seus objetos.

A Igreja a rainha cheia de suavidade, de doçura, de majestade que explica todo o resto, quer dizer a Civilização Cristã. Diante da Igreja brilham os olhos dos filhos da Cristandade.

Montfort
Milandes
Por isso também, a Igreja numa nação laica dá um pouco a impressão de uma alma sem corpo.

Pelo contrário, uma nação laica muito bem organizada, dá a impressão de um corpo sem alma.

A Igreja não vive e não pode viver inteiramente à vontade numa sociedade laica que não cogita dos problemas morais.

A Igreja não está no seu ambiente natural em meio a da sociedade laica que a trata como se Ela não tivesse nada que ver com a sociedade.

A disjunção entre a sociedade exclusivamente laica e a Igreja, liquida o espírito católico, o ateiza e o leva à apostasia.

Porque o espírito humano está chamado a viver nessa unidade inefável do natural com o sobrenatural.

Quanto mais essas duas pirâmides que são a Igreja e o Estado estão bem relacionadas, mais se expande o espírito dos homens.

Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.


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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Chantilly: um conto de fadas que deixa sem palavras
e dá vontade de rezar


Luis Dufaur
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Eu acho sustentável que o castelo de Chantilly é mais bonito que o de Versailles.

É de conto de fadas. Isso é palácio de um rei!

A água tem um papel veneziano aí.

A vontade é tomar uma gôndola francesa, toda dourada, e dar um giro.

O estilo é de uma beleza quase angélica.

Não há palavras para defini-lo.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Castelo de Guédelon: uma experiência inédita,
mas muito séria

Guédelon poucos anos atrás
Luis Dufaur
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No fundo de uma floresta do centro da França um inusual experiência arquitetônica já antevê a terminação de um castelo construído com técnicas medievais, sem concessão a instrumentos modernos, noticiou a BBC.

As torres do castelo de Guédelon iniciado em 1998 na Borgonha superaram os 15 metros de altura.

Nos bosques, lenhadores abatem as árvores que serão empregadas.

O cimento é desconhecido e mestres pedreiros lapidam as pedras.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Castelo de La Mota: contraste harmônico
entre a altaneria e a estabilidade


Luis Dufaur
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No castelo de La Mota na cidade de Medina del Campo (Valladolid, Espanha) destacam-se as muralhas e os torreões. A torre principal é a nota dominante das muralhas.

Estas são altas, trabalhadas, belas, dignas, altivas. Mas as muralhas sozinhas não têm nada de extraordinário.

É uma muralha plácida, tranqüila que se estende como um retângulo, sem maiores movimentos. As torres estão intercaladas simetricamente, sem maior fantasia, obedecendo a uma necessidade militar, sem nenhuma preocupação estética particular.

Realçando as muralhas, vem a torre alta, imponente, desafiante. A diferença de altura e de poesia, de fantasia, de imaginação que vai da torre para os muros é enorme.

A muralha fica como um véu, ou manto, que pende da coroa da rainha que é a torre.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Castelo de Coca atravessa os séculos
com coragem e elegância

Luis Dufaur
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A primeira impressão que causa esta foto do castelo de Coca é algo de irreal. Tem-se a inclinação a dizer: “Não, este castelo não existe!”.

O artista soube fotografar a fortaleza numa hora de um contraste muito feliz: o céu sombrio e o castelo bem iluminado.

Céu sombrio, mas luminoso num ponto. Dir-se-ia que um raio acabou de estalar e ilumina magnificamente o castelo.

Uma construção tão grande, com tantas torres, tantos salões, tantas muralhas, que se diria que é um castelo incomensurável.

É um castelo de conto de fadas!

Pode-se imaginar seus salões, uma capela tão grande como uma catedral, salas de trabalho, salas de conversas políticas, dormitórios extraordinários.