quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Castelos que tocam em Deus

Aunqueospese, província de Ávila, região de Castela, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Na foto de Aunqueospese, o céu como que fala do Cid Campeador sozinho, traçando os rumos da História, e o Céu que o protege e o acompanha...

O castelo um pouco indica o caminho para as nuvens, e um pouco as nuvens indicam o caminho para ele.

As nuvens falam da epopéia do castelo.

Alcácer de Segovia, região de Castela, Espanha
O castelo de Segovia poderia chamar-se heroísmo altaneiro! Porque suas torres desafiam o adversário de sobejo, de peito aberto!

Ele avança em direção ao abismo como quem desafia e já pisa o adversário para todo sempre.

Esses castelos permitem compreender certos aspectos da História. Pois em certo momento, na alma de um povo ‒ o espanhol ‒ existiu o estado de espírito que exprimem esses castelos.

Mas, não existiram apenas no passado.

Esses estados de espírito pairam sobre a psicologia, a arte, a cultura, o modo de ser do país, e assim ficarão até o fim do mundo.

Torija, Guadalajara, região de Castela-La Mancha, Espanha.
Eles corporificam valores que vivem nos tesouros e nos esplendores do Padre Eterno.

A torre do castelo de Torija (ao lado) não tem outra preocupação a não ser militar.

Não há uma janela de adorno, nem nada. Nem tem ameias bonitas, nem nada. Mas, a torre de olhos fechados desafia! E sem boca fulmina!

Inspirado nessa torre poder-se ia imaginar mil guerreiros, mil heróis, mil batalhas e mil cruzadas de sonho.

Não de um sonho veleitário, mas feitos de homens, lutas e cruzadas arquetípicas.

Puertomingalbo, província de Teruel, região de Aragão, Espanha.
As cores do céu sobre Puertomingalbo não poderiam se combinar melhor, não é ouro sobre azul, mas azul sobre ouro.

Vários tons de azul, que pela delicadeza compensam a brutalidade do castelo. E fazem da foto uma obra prima.

É meio um castelo de contos de fadas acentuado pelo primorosíssimo jogo das nuvens e do céu!

A tragédia paira sobre o castelo de Sax de um modo terrível, monstruoso.

Sax, província de Alicante, região de Valencia, Espanha
Mas aqui também uma alma inocente se encanta.

A luz que bate magnificamente nos muros de Calatañazor acentua o fundo de nuvens do panorama.

E dá idéia exatamente de não ser um fundo de iniqüidade, mas uma imagem da reflexão concentrada à serviço da inocência.

A inocência inspira tudo isso; inspira a reflexão e toca para frente!

Calatañazor, na província de Soria, região de Castela-Leão, Espanha.

Então a força do espírito humano pode ser tal, o homem pode produzir heróis tais, pode produzir cenas tais, histórias tais?

Que beleza viver! E como eu quero fazer coisas grandes quando eu for homem!

É a inocência. Esses impulsos são os impulsos da inocência!



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 10/03/84. Adaptação sem revisão do autor)

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Castelo dos cruzados atrai crescente interesse

São João de Acre: fortaleza dos monges-cavaleiros hospitalários
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Escavações recentes em São João de Acre, cidade da Galiléia de 50 mil habitantes, desvendaram uma cidade da era dos cruzados.

A prefeitura vai abrir ao público um bairro inteiro da Idade Média, quando Acre era a porta de entrada dos cruzados que iam libertar ou proteger Jerusalém.

A cidade foi conquistada pelos cruzados em 1104 e se tornou um centro de soldados e peregrinos católicos, que defendiam Jerusalém dos infiéis muçulmanos que ocuparam a região por volta do ano 632.

O bairro cruzado ficou tal como era em 1291, quando Acre foi conquistada subitamente por muçulmanos egípcios.

— É como uma Pompéia dos tempos romanos. É uma cidade inteira — maravilha-se o arqueólogo Eliezer Stern, da Autoridade de Arqueologia de Israel.

São João de Acre: muros e porto

Muitos turistas são atraídos pelos prédios medievais já conhecidos, como a fortaleza dos cavaleiros hospitalários, que inclui salões e pilares suntuosos, calabouços e um túnel que comunica com a cidadela dos templários. Há prédios inteiros, ruas originais e utensílios usados pelos cristãos medievais.

Sob poder dos cruzados, a cidade se tornou um centro de monges e soldados.  

Entretanto, a decadência moral pesou para que Acre caísse nas mãos dos muçulmanos em 1291.

Outras escavações desvendaram ruínas da que foi uma das primeiras igrejas da Terra Santa e talvez a residência do bispo Aeneas, de Acre, que participou em 325 do Primeiro Concílio de Nicéia.

Esse concílio delineou os rumos da Igreja Católica logo depois que o imperador romano Constantino I adotou a fé em Jesus Cristo e encerrou a era das perseguições.

No inicio do cristianismo, São João de Acre foi um grande centro de cultura católica. 

Nos arquivos do Vaticano se encontram escritos de um peregrino anônimo de Piacenza, Itália, que visitou a cidade em 570 e descreveu a beleza de suas igrejas.




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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Torre de Belém: beleza artística e utilidade militar

Luis Dufaur
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A Torre de Belém, em Lisboa, de tal maneira causa a impressão de ser um castelo, e não uma simples Torre, que até se poderia perguntar como uma Torre pode ser tão bela!

Ela ostenta a pompa e a imponência de um castelo de conto de fadas, com sua pedra branca que brilha ao sol.

As paredes da Torre são lisas, mas a monotonia delas é remediada pelas pequenas janelas geminadas, divididas por um arco gracioso, e o terraço. Também ajudam a quebrar a monotonia as guaritas, bem nos ângulos da Torre.

Temos então reunidos, numa superfície pequena, uma sobrecarga de ornatos que lembra uma caixa de joias, um escrínio. Assim, ficamos com a sensação de uma harmonia perfeita.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Em volta do castelo , nobres protetores e plebeus obedientes formaram uma família social

Castelo de Auzers, Cantal, França.
Castelo de Auzers, Cantal, França.
Luis Dufaur
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Com o correr do tempo a família do “sire” que reina sobre o primeiro esboço do futuro castelinho chamado de “motte” se multiplica em novos ramos.

Estes continuam unidos ao tronco pelo espírito de solidariedade que os anima, pelo desejo de ver crescer a sua “pátria”.

Pois “pátria” significa a “terra onde estão enterrados os pais” (do latim pater=pai).

Os artesãos e lavradores também permanecem, de geração em geração, ligados à estirpe do seu senhor.

Todos continuam a reconhecer a chefia do filho mais velho do senhor, i. é, o primogênito.

Todos vêem nele o pai comum, sucessor daquele que foi “pai” e protetor de seus pais. Dão-lhe o nome de barão, título que na origem é bastante largo.

Castelo de Pesteil, Cantal, França.
Esta família maior, oriunda da família básica e conservando os caracteres desta, é a “mesnada”.

Algumas “mesnadas” se destacam por sua prosperidade, seu vigor, sua capacidade de resistir a ataques inimigos.

Atraídos por sua fama, muitos que não se sentem em segurança em sua própria terra ingressam em seu seio, com suas famílias, encontrando ali a proteção de que necessitam e contribuindo para o seu fortalecimento e crescimento.

Com a “mesnada”, a “motte” evolui para o castelo ainda rudimentar.

Duas linhas de defesa o protegem: a primeira formada por um fosso e por uma paliçada de madeira assente sobre uma escarpa de terra, tendo na entrada um pequeno fortim avançado, a barbaça.

A segunda — separada da primeira por um fosso chamado liça, no qual havia às vezes hortas e jardins — é uma robusta muralha de pedra, entremeada de torres e circundada por um caminho de ronda, por sua vez protegido por um parapeito com ameias.

Castelo de Almansa, Albacete, Espanha
Atravessa-se essa muralha por uma porta ladeada por duas torres, dotada de ponte levadiça e de uma grade de ferro que se move no sentido vertical.

Dentro do castelo há duas áreas.

Na primeira estão as habitações dos artesãos e os abrigos dos camponeses — que já não moram dentro, mas ao redor das fortificações — onde se refugiam em caso de ataque, com suas famílias, seus bens e seus animais.

Na segunda ficam as acomodações dos companheiros e parentes mais remotos, a pequena capela (em geral sede da paróquia, centro da vida espiritual e alma dessa comunidade) e a torre de menagem, residência do barão e de sua família mais próxima, que continua sendo o centro da resistência, o último reduto da defesa.

Sobre ela, dominando tudo, a torre de vigia. Enquanto o casario é de madeira, dando ainda a impressão de acampamento, a muralha, as torres e o imponente “donjon” já são de pedra, robustos e duradouros.

(Fonte: “Catolicismo”, nº 57, setembro de 1955)

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

CHIMAY: harmonia e caridade no castelo da princesa

Castelo de Chimay hoje
Luis Dufaur
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Talleyrand nos conta nas memórias dele, o que acontecia no castelo da avó dele, a Princesa de Chimay.

Chimay é um grande título da Bélgica.

Ser Princesa de Chimay era quase como que ser Grã-Duquesa de Luxemburgo, quer dizer, uma soberana independente, de um pequeno feudo.

Quando chegava aos domingos, ela primeiro ia à Missa na capela do castelo. As pessoas pobres da zona que quisessem assistir à Missa iam para o castelo e também assistiam.

Depois da Missa, a princesa ia, acompanhada da pequena nobreza local – portanto, nobreza autêntica mas muito inferior à dos príncipes de Chimay –, para a sala onde ela, a bem dizer, reinava como rainha.

O castelo de Chimay numa iluminura
Ela tinha uma espécie de trono sobre um estrado. Ela subia lá, podia haver uma pequena música militar que a banda tocava enquanto ela passava da capela do castelo para a essa sala.

Os pequenos nobres iam levando as coisas necessárias para a princesa exercer suas atividades curativas.

Um levava panos para passar ungüentos, outros levava uma maleta com remédios, outro levava uma caixa com tesouras e outras coisas que facilitavam alguma pequena intervenção como que cirúrgica.

E a princesa sentada no trono e olhando com bondade para aquele povo que estava lá.

O povo olhava como estava vestida a princesa, como é que ela fazia, como estavam vestidos os parentes dela.

Eles sabiam que a moda mudou vendo os fidalgos pequenos e grandes mudarem de vestidos e de roupas. Viam como se conversava elegantemente, acompanhavam os gestos e a gesticulação da conversa, etc.

Depois começava o desfile das misérias.

Os doentes e os pobres iam passando, ela ia perguntando por que é que não veio tal parente do pobre, se ele melhorou, se não melhorou, mandava lembranças, mandava um pequeno presente, ou então mandava um conselho para fazer tal ou tal coisa para melhorar, etc.

A atual princesa de Chimay recebe simpaticamente os visitantes no castelo
Os populares que podiam, traziam também pequenos presentes.

Às vezes eram petiscos, pães saborosos, leite, ovos, galinhas, porquinhos, frutas, legumes.

E a Princesa de Chimay aproveitava a ocasião para dar esses presentes aos que estavam mais necessitados ou mais fracos.

Isso levava tempo. Quando terminava, os nobres iam todos para a sala de jantar da nobreza.

E na copa e cozinha, e ainda em outras dependências, era a grande festa dos pobres que quisessem ficar para tomar sua refeição pela generosidade da princesa.

Depois isto tudo se dissolvia e o castelo voltava ao seu silêncio majestoso, na paz e no contentamento de alma de todos.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 8/4/94, sem revisão do autor)


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