quarta-feira, 20 de junho de 2018

Aspectos das famílias que deram vida aos castelos

Azay-le-Rideau refletido na água
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Excertos das memórias do acadêmico francês Jean d'Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas



“Meu avô era um velho distinto, vivendo de suas recordações. Ele permanecia apaixonadamente ligado à monarquia legítima.

“Flutuava entre nós, certamente um pouco acima de nós, um personagem silencioso e ausente : era o rei.

Nós não dávamos importância aos homens de teorias. Gostávamos dos pintores, dos arquitetos, dos homens de guerra e de Deus.

O castelo da família representava nossa própria mitologia. O castelo tinha um papel imenso em nossa vida de todos os dias.

“Talvez se pudesse dizer que ele era a encarnação do nome : ambos eram envolvidos na mesma atmosfera do sagrado. (...)

Maintenon: galeria dos antepassados
“E como tínhamos razão de desconfiar da técnica !

Nós a detestávamos, como detestávamos o progresso. As máquinas e os motores começavam a crepitar seus estalos e a percorrer nossas estradas…

“O telefone começava a tilintar, não em nossa casa, mas na casa de nossos primos. Um verdadeiro frenesi de mudanças tomou conta dos homens.

“E pouco a pouco tudo nos escapava das mãos… e todos repetiam em torno de mim que, sem Deus e sem o rei, sem esperança e sem fé, os homens tinham escolhido sua perdição.”


(Autor: Jean d'Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas.)



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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Nas brumas da Escócia, castelos povoados por heróis de tempos idos

Castelo de Kilchurn numa ilha do lago Loch Awe
Castelo de Kilchurn numa ilha do lago Loch Awe
Luis Dufaur
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Rodeados por belas pradarias e civilizadas florestas, os castelos franceses parecem feitos para serem contemplados sob um céu ensolarado.

Mas os castelos da Escócia ficam bem em meio das brumas.

Parecem ainda povoados por heróis de outros tempos.

E sentem-se à vontade junto a lagos dos quais se fala – mas nunca se prova – que estão habitados por monstros que aparecem periodicamente.

Castelo de Dunrobin, interior
Castelo de Dunrobin, interior
É o caso, por exemplo, do castelo de Kilchurn, hoje reduzido a ruínas.

Mas que expressividade de ruínas!

Castelo de Stalker, isolado, heroico, misterioso
Castelo de Stalker, isolado, heroico, misterioso
Ele é o lar ancestral de um ramo do clã Campbell: os Campbells de Glenn Orchy, que depois foram condes de Breadalbane.

O castelo foi construído por volta de 1450 por Sir Colin Campbell de Glenorchy numa ilha do lago Loch Awe.

Reformas feitas em séculos posteriores alteraram o nível das águas.

Agora por vezes permitem o aparecimento de uma faixa de terra à qual se liga o castelo.

Kilchurn: ruína das mais sugestivas da Escócia
Kilchurn: ruína das mais sugestivas da Escócia
A fortaleza foi testemunha – e vítima – de ferozes disputas entre os Campbell e os membros do clã MacGregor de Glentrae.

Kilchurn virou quartel para soldados, até que, atingido por um raio em 1760, foi abandonado.

Restou apenas um amontoado melancólico e trágico de pedras refletido nas águas, emergindo das brumas num solilóquio misterioso.

Esta ruína é considerada uma das mais sugestivas e fascinantes da Escócia, sendo muito visitada por turistas.




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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Origem e morte do castelo depende da moral e da religião da família nobre

Montreuil-Bellay
Luis Dufaur
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O castelo está intrinsecamente ligado a uma família. A família é a alma do castelo.

Tudo nele, grande o pequeno, carrancudo ou charmoso, é a manifestação do espírito de uma linhagem.

Como tantos deles ficaram abandonados e até viraram ruínas?

Quanto mais se procura, encontra-se quase infalívelmente o mesmo fato:a família que o criou e/ou habitou, previamente decaiu. As causas alegadas da decadência podem ser diversas: guerras, desastres naturais...

Porém, sempre se encontra uma grande e decisiva causa: a crise moral e religiosa da família nobre que foi a alma do castelo.

O acadêmico Jean d'Ormesson, de nobre origem, escreveu sobre a escalada dos prazeres, a infidelidade conjugal e a morte da vida em muitos castelos:

As concubinas tiveram na história de minha família e de seu enfraquecimento um papel comparável ao de Robespierre, de Darwin, de Karl Marx, das quintas-feiras negras de Wall Street, de Freud, de Rimbaud e de Picasso: elas abalaram um pouco mais algumas das colunas de nosso velho templo apodrecido.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Os castelos moderaram as guerras

Chaumont-sur-Loire, França
Chaumont-sur-Loire, França
Luis Dufaur
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A cavalaria foi o grande entusiasmo da Idade Média.

O sentido da palavra cavalheiresco, que ela nos legou, traduz muito fielmente o conjunto de qualidades que suscitavam a sua admiração.

Basta percorrer a sua literatura, contemplar as obras de arte que dela nos restam, para ver por todo lado — nos romances, nos poemas, nos quadros, nas esculturas, nos manuscritos com iluminuras — surgir esse cavaleiro do qual a bela estátua da catedral de Bamberg representa um perfeito espécime.

Por outro lado, é suficiente ler os nossos cronistas para constatar que esse tipo de homem não existiu apenas nos romances, e que a encarnação do perfeito cavaleiro, realizada no trono de França na pessoa de um São Luís, teve nessa época uma multidão de êmulos.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Imponderáveis da “vida de castelo”

Relógio em Vaux-le-Vicomte
Luis Dufaur
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Prosseguimos com a narração de Jean d'Ormesson, filho do marquês, então criança, no castelo de Saint-Fargeau, Borgonha:

A vinda de M. Machavoine [o relojoeiro da cidadinha vizinha] me lançava em delícias inefáveis. Ele falava pouco.

Pequeno, curvado, fazia pouco barulho, executando sua função com gestos precisos e seguros, próprios a antiquários ou cirurgiões.

Ele se esgueirava de sala em sala, sempre vestido de negro, cumprimentava rapidamente, concentrava-se em um dos relógios como se fosse um ser vivo, acariciava-o rapidamente, desempoeirando-o com um pequeno espanador, ousava às vezes dar retoques no verniz ou colava alguma figura afrouxada, abria o paciente para lançar um olhar de águia em suas recônditas entranhas e se punha a dar corda com uma firmeza e um tacto excepcionais.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A “vida de castelo” no dia-a-dia

Cheverny
Luis Dufaur
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A finalidade dos castelos mudou com o tempo.

O objetivo primeiro foi essencialmente militar: defender a população local da invasão de povos estrangeiros, bárbaros ou muçulmanos.

O triunfo do cristianismo trouxe a paz para a Europa, perturbada é verdade pela ofensiva protestante e, mais tarde, pelo ódio anti-aristocrático da Revolução Francesa

Mas, nos últimos séculos, o castelo passou a ser uma condensação do passado de uma família nobre.

Dentro de seus austeros mas já decorados muros, essas famílias conceberam um sonho.

Alguém poderia chamar esse sonho de ‘conto de fadas’. E, de fato, não há ‘conto de fadas’ sem castelo.

terça-feira, 10 de abril de 2018

O castelo eleva a vida quotidiana do povo

Quarto da rainha Luisa de Lorena
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É próprio de a nobreza cultivar um estilo de vida que procura a distinção, o bom gosto e a sublimidade.

Este estilo é comunicado como que por osmose às populações que vivem em volta do nobre.

Nada a ver com a proliferação de peças artísticas num morto museu hodierno.

Lá vivia-se e, em alguns casos, vive-se numa ante-sala do Céu convidando a todos a aspirar às grandezas de nossa última e definitiva moradia.

O castelo de Chenonceaux é um exemplo destacado desta missão da nobreza e de seu estilo de vida.

Nas confusas origens das guerras feudais encontra-se um registro do século XI que nos fala da existência de um castelo originário, um simples manoir.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (2)


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continuação do post anterior: Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (1)

O jardim do castelo de Valençay é especialmente belo.

Ele é constituído por grandes canteiros com grama e arbustos, estabelecendo uma certa distinção reverencial entre quem está olhando para o castelo e o próprio castelo.

O parque mantém a distância.

Tudo quanto é respeitável, ao mesmo tempo atrai, mantém a distância.

É o próprio da respeitabilidade.

O modelo infinito e perfeito disso é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Olhando as verdadeiras imagens do Divino Redentor, nossa alma sente uma tendência para voar até o coração dEle e... ajoelhar-se.

Porque tudo quanto é respeitável e elevado, atrai, mas mantém a hierarquia.

O castelo de Valençay atrai. Mas, é ou não é verdade que ele incute respeito?


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (1)


Luis Dufaur
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A primeira impressão, ao se observar esse castelo, situado no vale do Loire, na França, é de deslumbramento.

Uma coisa maravilhosa!

Um conjunto de torres que se elevam garbosas para o ar, indicando senhorio, poder, grandeza e esplendor.

São torres de um castelo-fortaleza.

O intuito da fortificação está muito expresso na carência de janelas nas torres.

Percebe-se que de um lado foram abertas janelas, mas não existem janelas por toda parte. Deve haver falta de ar e de luz em algumas partes desse edifício.

Mas isto era necessário para a construção não poder ser arrombada, violada por pessoas que quisessem penetrar nela. São torres de fortaleza.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Castelo de Suscinio: afirmatividade, personalidade e combatividade

Castelo de Suscinio: fortaleza "de verão"
Castelo de Suscinio: fortaleza "de verão"
Luis Dufaur
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Próximo de uma praia na localidade de Sarzeau (Morbihan, França), o castelo de Suscinio projeta sua imponente figura.

Ele foi construído na segunda metade do século XIV para servir de residência de verão aos Duques da Bretanha.

Seu nome deriva da palavra bretã Ziskennoù, que significa “local de repouso para os viajantes”, ou “local onde se desce”.

A Bretanha está rodeada de mares, recifes e falésias perigosíssimas.

O perpetuo rumor do mar é sua música de fundo. Os seus múltiplos portos são um refúgio necessário.

Iniciado pelo duque de Bretanha, Pierre de Dreux, em 1218, Suscinio serviu de início como residência para os períodos de caça.

Seus descendentes, João I o Vermelho, João IV e João V aumentaram muito o castelo, construindo no século XV até casamatas para peças de artilharia.

A Bretanha era um ducado virtualmente independente ligado ao Reino da França por laços bastante genéricos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Vaux-le-Vicomte e sua inesquecível festa

Vaux-le-Vicomte
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Nicolas Fouquet (Paris, 27 de janeiro de 1615 Pignerol, 03 de abril de 1683) foi visconde de Melun, Visconde de Vaux, marquês de Belle-Île, e todo-poderoso Superintendente de Finanças do rei Luis XIV.

Também foi protetor e padroeiro dos escritores e artistas.

Em 1653, ordenou a construção de um magnífico castelo em Vaux-le-Vicomte.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Um castelo medieval na Califórnia, no século XXI?


Luis Dufaur
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Século XXI: um vinicultor apaixonado pela Idade Média construiu um castelo seguindo estritamente modelos históricos da Itália e Áustria.

O Castello di Amorosa fica em Napa Valley, Califórnia, é não é uma mera fantasia. Ele é bem funcional.

Nele, Dario Sattui, o proprietário, produz vinhos, algo muito frequente nos castelos na Idade Média.

Aliás, parece estar atraindo muitos admiradores dos tempos medievais, e ele não esconde ser por isso mesmo um bom negócio.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Chenonceaux: esplendor régio e conforto popular

Luis Dufaur
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Realidade ou conto de fadas?

Ter-se-ia o direito de hesitar, considerando a harmonia, a leveza, a suprema distinção deste castelo, construído sobre águas de uma serenidade e de uma profundidade dignas de lhe servirem de espelho.

Dir-se-ia até que esta inimaginável fachada foi feita para ser vista principalmente em seu reflexo nas águas límpidas sobre que paira.

Trata-se de uma realidade, sim, mas de uma realidade feérica, nascida do gênio francês.

É o castelo de Chenonceaux, construído no século XVI.

Distingue-o uma harmoniosa interpenetração de força e de graça, de simetria e fantasia, bem típica da alma francesa.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Castelo: residência por excelência do nobre,
símbolo e orgulho da comunidade feudal

Hoje se tenta reviver a vida do castelo em eventos medievalizantes
Luis Dufaur
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O castelo é a residência por excelência do nobre.

A classe nobre bem entendida tem algo de intermediário.

Por um lado, ela participa da glória e do poder real, se bem que em proporções muito diversas, inferiores e subordinadas ao poder régio.

Por outro lado, ela participa e, a bem dizer, está imersa na vida do povo.