quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Maintenon: mero sonho ou quintessência da realidade bem vivida?

Maintenon foi sendo construído entre os séculos XII e XVII
Maintenon foi sendo construído entre os séculos XII e XVII
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O castelo de Maintenon, não longe de Paris, mais parece tirado de um sonho, ou de um conto de histórias fabulosas.

Porém é uma dessas realidades que passam a quintessência viva da realidade.

Bem entendido, quando a realidade não é deformada pelas monstruosidades modernas.

A construção do Castelo de Maintenon ocorreu entre os séculos XII e XVII.

A torre de menagem retangular e imponente é a parte medieval que se mantém em pé fidalga e desafiante até hoje.

Ela data do século XIII.

Maintenon: castelo de incomparável refinamento.
Ainda hoje o acesso ao corpo principal do castelo se faz por uma ponte, outrora levadiça, flanqueada por duas torres defensivas.


A partir de 1509, as reformas deram ao castelo seu estilo Renascença e seu incomparável refinamento.

O castelo parece ter abandonado a esfera do terreno para entrar numa outra esfera, que alguns podem chamar de sonho.

Porém, é bem uma trans-esfera que fica pouco aquém da fronteira do sobrenatural.

Maintenon: sucessivas famílias nobres o embeleçaram
Maintenon: sucessivas famílias nobres o embeleçaram
Um exemplo disso é dado pela ruínas de um aqueduto que deveria atravessar o jarddim.

O rei Luís XIV ordenou a construção do aqueduto com a finalidade de levar água até Versailles.

Porém, as guerras impediram a conclusão e o aqueduto ficou pela metade e derruiu em parte.

Entretanto, as ruínas contribuem poderosamente para lhe dar um imponderável extra-temporal, de um local de sonho.

Veja vídeo
Maintenon: sonho ou
realidade cristã
bem vivida?

A França foi um país que quintaessenciou tanto, tanto, tanto, que palácios, castelos, modas, músicas, tecidos, maneiras, tipo humano, tudo o que ela produziu parece sonhado.

Os jardins foram desenhados pelo famoso André Le Nôtre, jardineiro de Versailles.

Sucessivas gerações de famílias nobres, entre as quais, a família de Noailles, engrandeceram e embelezaram o castelo que se transformou numa residência quase real.

Luís XIV vinha a encontrar sua esposa, “secreta” mas legitima, Madame de Maintenon.

Maintenon: galeria com as figuras históricas da família de Noailles
Maintenon: galeria com as figuras históricas da família de Noailles
A família de Madame de Maintenon legou, posteriormente, por via de casamento o castelo à família de Noailles.

Tudo na França católica de antes da Revolução Francesa é um triunfo da fantasia ordenada pela lógica e pelo espírito de requinte.

De fato, quando os homens resolveram sonhar, a França surgiu com toda sua fisionomia.

Maintenon é uma das tantas provas palpáveis nesse sentido que pode ser visitada à vontade perto de Paris.





GLÓRIA CRUZADAS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre?

Castelo de Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre
Castelo de Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A Europa medieval foi um mito que se realizou.

A Religião Católica transformou um continente povoado de bárbaros e romanos decadentes em um seminário do Céu.

Os valores que os castelos encarnam são, no fundo, valores religiosos.

Porque eles são símbolos.

O lado simbólico é muito mais importante que o lado prático e que o lado estético.

É por isso que nos agradam tanto.

Símbolos do quê?

Do Paraíso Celeste, por exemplo.

Como assim?

O Paraíso Celeste é um lugar material. Nele viveram Adão e Eva antes do pecado original e nele viverão os bem-aventurados durante a eternidade.

É um lugar onde Deus instalou coisas magníficas, castas e santas, para o homem viver imerso nelas.

É um mundo feito de matéria, mas de uma matéria que fala de Deus.

O castelo de Fontaine-Henry, em Calvados, na região da Basse-Normandia, França, é um exemplo disso.

Castelo de Fontaine-Henry: reencenação histórica
Fontaine-Henry: reencenação histórica
O castelo pertence à mesma família há perto de dez séculos.

Jamais foi vendido, embora os nomes familiares tenham sido trocados em razão de casamentos.

As famílias de Tilly, d’Harcourt, de Morais, Boutier de Château d'Assy, de Montécler, de Marguerie, de Carbonnel, de Cornulier et d’Oilliamson foram passando de mão em mão a propriedade através de mil anos.

Sabe-se da existência no local de uma fortaleza no início do século XI.

Fontaine-Henry: decoração familiar nobre
A família de Tilly fez um novo castelo entre os anos 1200 e 1220, do qual ainda subsistem algumas salas.

Castelo de Fontaine-Henry: reencenação histórica
Fontaine-Henry: reencenação histórica
O castelo ficou arruinado na Guerra dos Cem Anos, a qual foi felizmente concluída com a intervenção providencial de Santa Joana d’Arc.

A família d’Harcourt assumiu a reconstrução, que durou até 1560.

O castelo de Fontaine-Henry reflete diversos estilos – desde o gótico inicial, passando pelo gótico flamboyant, até chegar à Renascença.

Destaca-se o telhado de 15 metros de altura, o mais alto dos castelos da França.

Algumas reformas foram feitas nos séculos XVIII e XIX.

Habitado atualmente pela nobre família proprietária, o castelo está inteiramente mobiliado e abriga uma notável coleção de quadros de grandes pintores.

A milenar continuidade da propriedade é uma imagem terrena e transitória da imutável estabilidade da eternidade.

Ali toda insegurança estará banida.

A alegria da posse definitiva da bem-aventurança inundará as almas dos justos.

Em Fontaine-Henry o teto altíssimo aponta para o Céu como que dizendo:

“Vocês acham que eu só belo?

“Minha beleza não é nada, olhem para o alto!

“Ali está o segredo de meu encanto”.




GLÓRIA CRUZADAS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O castelo de Guimarães: nobre, de proporções distintas, sem nada de agressivo

Castelo de Guimarães

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Guimarães, em Portugal, localizado no distrito de Braga, tem uma certa nota da suavidade lusa.

É preciso ter estado em Portugal ou ter nas veias sangue português — e, por extensão, brasileiro — para poder saboreá-lo bem.

Esse castelo, todo de pedra, é um encanto.

Seu aspecto exterior é muito nobre, com desenhos bastante harmoniosos.

As proporções são muito agradáveis, sem apresentar nada de agressivo e sabendo guardar bem as distâncias e as hierarquias.

Para fazer uma comparação à maneira do turista moderno, sua dimensão equivaleria à área de uns três ou quatro campos de futebol.

Os reinos eram tão pouco povoados, naquele tempo, que batalhas aguerridas e nobres se efetuavam numa área com essa extensão, e o futuro de uma nação decidia-se assim.

Durante a Reconquista católica da península ibérica invadida pelos mouros, estabeleceu-se nos domínios de Vimaranes, em fins do século IX, um cavaleiro tal vez castelhano, de nome Diogo Fernandes.

Uma de suas filhas, de nome de nome Mumadona Dias, fundou um mosteiro que enriqueceu com terras, gado, rendas, objetos de culto e livros religiosos (26 de Janeiro de 959).

A povoação de Vimaranes, entretanto, era vulnerável às incursões dos muçulmanos e às incursões de normandos que assolavam as costas e o os rios.

Da. Mumadona principiou um castelo para recolher as gentes em caso de agressão. O castelo original foi posto sob a proteção de São Mamede. Era bastante simples, como os castelos do século X, composto apenas por uma torre e tal vez uma cerca.

Dom Henrique de Borgonha (1095-1112) que formou o Condado Portucalense, núcleo original do atual Portugal, escolheu o castelo como residência. Porém mandou construir um novo castelo do qual fica a imponente Torre de Menagem.

O perímetro defensivo foi ampliado e reforçado segundo as necessidades da guerra. Nele foi aberta a porta principal a Oeste, e a chamada Porta da Traição, a Leste.

Diante desses muros, Dom Afonso Henriques (1112-1185), fundador de Portugal, no vizinho campo de São Mamede, (24 de Junho de 1128) obteve a vitória que deu origem à nacionalidade portuguesa.

Diversas obras engrandeceram e aperfeiçoaram a fortaleza entre o final do século XII e o século XIV.

A modernidade e o esquecimento das glórias do passado deformaram horrivelmente essa relíquia de Portugal.

O castelo passou a abrigar a Cadeia Municipal, e, no século XVII, um palheiro do rei, virando uma ruína!

Em 1836, chegou-se a postular sua demolição para aproveitar a pedra no calçamento das ruas de Guimarães.

O crime não foi completado, mas a Torre de São Bento foi demolida.

No século XIX houve um movimento de entusiasmo pelo passado medieval e de restauração de suas ruínas.

E em 1881, o que restava do castelo foi reconhecido como Monumento Histórico e salvo da barbárie.

No século XX um grande trabalho de recuperação permitiu que fosse reinaugurado em 4 de Junho de 1940, por ocasião do VIII centenário da fundação do país.

Sucessivas restaurações permitiram ao castelo ingressar no século XXI bem conservado e aberto à visitação pública.



GLÓRIA CRUZADAS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Montrésor: castelo resurgido das cinzas

Montrésor: um sonho feudal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Montrésor é um castelo medieval que possui uma mansão renascentista dentro dos jardins.

Ele está localizado na cidade francesa do mesmo nome no departamento de Indre-et-Loire, na região melhor conhecida como Touraine.

Por volta de 1005, Foulques Nerra, conde de Anjou, deu um esporão que domina o vale do Indre para o capitão Roger le Petit Diable (“pequeno diabo”) ali construir uma poderosa fortaleza.

Sobre Foulques Nerra o grande construtor de castelos "cujos remorsos estavam à altura de sus crimes" CLIQUE AQUI

Montrésor teve um dos primeiros conjuntos construídos inteiramente em pedra, semelhante ao de Loches, e duas muralhas circulares.

Delas, só ficou a muralha oeste.

No século XII, quando Montrésor passou para as mãos do rei Henrique II da Inglaterra, foram construídas duas imponentes torres na entrada e uma parte da muralha norte.

Henrique II da Inglaterra fez duas imponentes torres na entrada
Em 1188, o rei Filipe Augusto da França retomou Montrésor do inglês.

André de Chauvigny, que voltou da Terceira Cruzada de Ricardo Coração de Leão, se tornou o novo senhor de Montrésor.

Posteriormente, durante quase dois séculos, o castelo passou a ser apanágio da família Palluau.

O castelo foi demolido em 1203 e reconstruído em 1393 por Jean IV de Bueil, que fechou as muralhas, erigiu a porta de entrada e os prédios externos ainda existentes.

Desde o início do século XV, quando a Corte passava mais e mais tempo na Touraine, Montrésor foi habitado por funcionários reais.

Em 1493, Imbert de Batarnay comprou Montrésor e construiu uma elegante residência no recinto feudal.

Hoje só subsiste a ala principal.

Montrésor: testemunho de séculos de história
Imbert foi um conselheiro influente de quatro reis da França: Luís XI, Carlos VIII, Luís XI e Francisco I.

Ele exerceu longamente essa função, fato raro nessa época.

Foi hábil e astuto e participou em todas as negociações de seu tempo.

Ele foi particularmente responsável pela combinação do casamento de Ana da Bretanha com o rei que selou a união do Ducado da Bretanha ao reino francês.

Imbert também foi encarregado de preparar a guerra com a Itália, além de ser preceptor na educação dos filhos de Luís XII e Francisco I.

Durante os séculos XVII e XVIII nobres famílias ‒ como as de Bourdeilles e Beauvilliers ‒ moraram no castelo.

Porém, a desgraça acabaria se abatendo sobre ele.

A Revolução Francesa marcou o início de seu declínio.

Por volta de 1845, o conde Jouffroy de Gonsan demoliu a ala oeste da residência renascentista bem como a capela do castelo.

Passados os ventos de falsa modernidade, em 1849, o conde polonês Xavier Branicki deu nova vida a Montrésor, restaurando-o completamente.

O conde decorou o castelo com rico mobiliário.

Então, o castelo renascido das cinzas foi cenário de festas suntuosas.

A nobre família Branicki ainda conserva a propriedade da fidalga fortaleza e mansão.


(Fonte: Wikipedia)


GLÓRIA CRUZADAS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS