quarta-feira, 13 de março de 2019

Torre de Belém: monumento de um guerreiro em prece: sério, forte e impassível


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Ela é uma torre?

Sim, mas é quase um palácio em forma de torre cercada de um grande patamar, onde se notam guaritas nos ângulos para os vigias, que disparam armas de fogo contra inimigos que se aproximem.

A idéia de guerra está altamente presente nela.

Essa torre que se ergue assim sozinha no estuário do rio Tejo, tendo sobre si a abóbada celeste e mais nada, dá a impressão de considerar com uma superioridade natural tudo quanto está a seus pés.

Propriamente, ela é um reflexo simbólico da missão de Portugal do tempo em que foi construída.


***

Portugal, o que era naquele tempo?

Uma pequena nação, é verdade, mas não diminuta em relação à Península Ibérica da época.

Durante toda a Idade Média, Portugal pesou como potência dentro do panorama ibérico.

Assim, essa torre simbolizava uma nação destinada a descobrir, conquistar, povoar, assimilar a seu espírito e à sua civilização povos de uma vastidão imensamente maior do que a sua.

Basta pensar no Brasil, em Angola, em Moçambique, para se compreender o que tudo isso representou enquanto territórios trazidos para a Cristandade.

Mais ainda do que os países atraídos para a Cristandade, constitui-se o Brasil como numa página quase em branco, onde Nossa Senhora ainda venha escrever mais maravilhas no século XXI.

Um misterioso vento histórico pousou sobre a Torre de Belém, do alto da qual os reis e os grandes homens de Estado iam ver partir as esquadras lusas.

Ela simboliza um desígnio de Deus, simboliza uma missão.

Ao pé dela poder-se-ia escrever: estátua de um guerreiro em prece — sério, forte e impassível.

Comparemo-la com um arranha-céu moderno.

Suponhamos que alguém dissesse: "A torre aqui está ocupando inutilmente espaço. Podemos derrubá-la e jogar toda essa pedraria velha no fundo do Tejo e construir ali um prédio, o maior do mundo, com 200 andares!"

Eu nunca mais desejaria ver esse lugar, caso isso ocorresse.

Entretanto, se alguém mergulhasse até o fundo do estuário do rio e trouxesse uma das pedras dessa torre que fora derrubada, eu diria:

"Dá-me uma lasquinha da pedra, para guardá-la e levá-la comigo para minha sepultura".

"Estátua de um guerreiro em prece — sério, forte e impassível"





* A Torre de Belém foi edificada no estuário do rio Tejo, em Lisboa, entre 1515 e 1520, no reinado de D. Manoel I. Ela impressiona pelo seu estilo gótico luso, cognominado manuelino.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 22/02/1986. Sem revisão do autor).


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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Os castelos hoje e a missão da nobreza

Wissekerke, Belgica
Luis Dufaur
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Um outro fator de decadência dos castelos foi a perda de convicções na família nobre com respeito a sua missão histórica, ligada visceralmente à religião católica, a monarquia e a oposição aos fatores de desagregação moral e igualitários do mundo moderno.

Escreveu a propósito o jornalista Jean d’Ormesson, nascido e criado num castelo ele próprio:

A segurança que me envolvia inteiramente estava longe de ser a segurança social, resultante de um acordo entre homens. Eu estava literalmente entre as mãos de Deus.

Ele não estava morto e velava sobre mim e portanto nada podia acontecer-me, a não ser peripécias sem sérias conseqüências. Poderia morrer, naturalmente. E então?

O mérito e o talento não entravam em nosso sistema familiar, mas a morte entrava ‒ e muito bem ‒ pois os mortos exerciam na família um papel mais importante do que os vivos. Alem do mais, éramos cristãos.

Parece-me que naqueles tempos a morte nos causava menos horror do que hoje em dia. Ela não nos inquietava tanto. A morte, para um cristão, não é a finalidade da vida?

É com essa concepção, suponho, que o velho Eléazar partira para o Oriente, com uma cruz no peito; que nós nos tínhamos feito matar pelo rei e pelo papa nos campos de batalha ‒ lançado nossas cabeças, vazias de idéias mas carregadas de fé ‒ do pé dos cadafalsos.

Hargimont, Belgica
E com essa mesma concepção que meus tios reacionários e meus primos monarquistas encontraram a morte na África e na Ásia para maior glória de uma república detestada.

A alegria que tomava conta de mim ao contemplar os jardineiros varrer o pátio de château ou M. Machavoine em seu afã de dar corda nos relógios ou ao ler o jornal matutino ou L'Illustration que Antonin Magne ganhava o Tour de France, era uma alegria mística.

Os grandes acontecimentos despertavam em meu avô um suspiro: “Que época!”, pois ele via que os homens punham areia nas engrenagens de Deus.

Quanto aos pequenos acontecimentos, via-se que Deus prosseguia com seu plano. Deus abandonava a seu destino terrível os Lugares Santos, Jerusalém, Moscou, Constantinopla, Baden-Baden, Dauville, Paris e talvez até mesmo Roma cegada pelo modernismo.

Mas ele ainda cuidava bem de nosso château, dos jardineiros e seus jardins, dos relojoeiros e seus relógios.

Essa felicidade tão calma, essa certeza tão sólida era entretanto um pouco triste.

Castelo Kasteel de Haar, Utrecht, Holanda
Castelo Kasteel de Haar, Utrecht, Holanda
Quando me despertava, ninguém me sussurrava o que o valet de chambre do outro Saint-Simon lhe dizia: “Despertai, Monsieur le comte, pois tendes grandes coisas a fazer”.

Mas de que grandes aventuras poderíamos nós sonhar, visto que nossos antepassados e Deus tinham se encarregado de tudo?

Só tínhamos uma coisa a fazer: perturbar o menos possível o que restava dos tempos antigos. Mal ousávamos ler, falar, respirar, escutar.

Quem sabe se ao mexer não romperíamos mais um pouco o equilíbrio, hoje tão frágil em razão das más idéias que cresciam como urtigas?

Tratava-se de não se mexer, de não tocar em nada, tapar os ouvidos e os olhos, vigiar todos os cantos para salvaguardar a santa imobilidade da verdade, do belo e do bem.

(Fonte: Jean d'Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas.)



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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Conversas à luz de vela no castelo de Saint-Fargeau

Luis Dufaur
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Ao cair da tarde, ao final do século XIX, os empregados em libré percorriam os quartos, os vestíbulos, a sala de bilhares, as salas de jantar, salões e boudoirs acendendo, aos poucos, como numa cena de contos de fadas, as lamparinas do tempo de meu pai.

Um teatro de sombras, que não conheci, animava-se na noite. Lá estava um ancião, mas não era meu avô, era o pai de meu avô.

Juntos ao bispo, o vigário, um general previamente tirado de Prévert, dois coronéis, visitantes hospedados desde cinco ou seis meses, nossos primos da Bretanha ou da Provence.

Não compareciam nem préfets de police, nem banqueiros.

E, cercados de lacaios em uniforme azul à la française conduzindo candelabros, todo esse bonito mundo esvaecido passava, em cortejo, à sala de refeições.

Nem tentemos imaginar o que se conversava à mesa. Nada de genial, imagino.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Nuvem dourada nas ruínas do castelo de Conway

Conway ruinas envolvidas pela luz dourada do passado da Civilização Cristã
Conway ruinas envolvidas pela luz dourada
do passado da Civilização Cristã
Luis Dufaur
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O Castelo de Conwy (em inglês: Conway Castle; Castell Conwy em galês) está localizado, na costa norte do País de Gales, Reino Unido.

Ele é considerado uma das obras primas da humanidade no gênero.

A construção demorou entre 1283 e 1289 com quinhentos operários trabalhando estavelmente.

Foi o castelo mais caro construído pela realeza até aquele momento, embora seu milionário custo em valores atualizados (162 milhões de libras) não chama a atenção se comparado às empreitadas hodiernas.

O fortaleza militar sobre o rio Conwy tinha a finalidade de garantir o domínio da casa real inglesa sobre o Principado de Gales que durante muito tempo foi independente e orgulhoso de sua alteridade étnica, cultural e dinástica.

Os galeses eram celtas e os ingleses anglo-saxões governados por uma casa real normanda vinda da França com Guilherme o Conquistador.

Esse legítima alteridade se preserva ainda hoje em muitas atividades culturais e até esportivas.

Porém sob o bafo harmonizador da Civilização Cristã, os dos reinos acabariam se fundindo de modo feliz sem se despersonalizarem.

A dinastia dos Tudor que reinou longamente na Inglaterra desde o fim da Guerra das Rosas, de 1485 a 1603, teve início no século XII, com Ednyfed Fychan de Tregarnedd (1179-1246), senescal do Príncipe de Gwynedd, Llewelyn ap Iorwerth.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

As famílias dos castelos e o tufão destruidor

No castelo de Maintenon
Luis Dufaur
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Ainda das memórias do acadêmico Jean d'Ormesson:


Meu avô tinha seus padrões, suas fidelidades, seus rancores, suas convicções. Ele tinha o senso da honra junto ao culto do passado.

Ele era a intolerância feita homem. Inflexível, sem nuances, vivia num sistema no qual não faltava nenhuma parte.

Mas pura e simplesmente seu sistema não mordia mais o mundo. Mas ele pouco se importava.

Meu avô era discípulo de Bossuet. Era leitor assíduo de Barrès, o qual escreveu: “O que amo do passado? Sua tristeza, seu silêncio e, sobretudo sua fixidez”.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Aspectos das famílias que deram vida aos castelos

Azay-le-Rideau refletido na água
Luis Dufaur
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Excertos das memórias do acadêmico francês Jean d'Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas



“Meu avô era um velho distinto, vivendo de suas recordações. Ele permanecia apaixonadamente ligado à monarquia legítima.

“Flutuava entre nós, certamente um pouco acima de nós, um personagem silencioso e ausente : era o rei.

Nós não dávamos importância aos homens de teorias. Gostávamos dos pintores, dos arquitetos, dos homens de guerra e de Deus.

O castelo da família representava nossa própria mitologia. O castelo tinha um papel imenso em nossa vida de todos os dias.

“Talvez se pudesse dizer que ele era a encarnação do nome : ambos eram envolvidos na mesma atmosfera do sagrado. (...)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Nas brumas da Escócia, castelos povoados por heróis de tempos idos

Castelo de Kilchurn numa ilha do lago Loch Awe
Castelo de Kilchurn numa ilha do lago Loch Awe
Luis Dufaur
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Rodeados por belas pradarias e civilizadas florestas, os castelos franceses parecem feitos para serem contemplados sob um céu ensolarado.

Mas os castelos da Escócia ficam bem em meio das brumas.

Parecem ainda povoados por heróis de outros tempos.

E sentem-se à vontade junto a lagos dos quais se fala – mas nunca se prova – que estão habitados por monstros que aparecem periodicamente.

Castelo de Dunrobin, interior
Castelo de Dunrobin, interior
É o caso, por exemplo, do castelo de Kilchurn, hoje reduzido a ruínas.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Origem e morte do castelo depende da moral e da religião da família nobre

Montreuil-Bellay
Luis Dufaur
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O castelo está intrinsecamente ligado a uma família. A família é a alma do castelo.

Tudo nele, grande o pequeno, carrancudo ou charmoso, é a manifestação do espírito de uma linhagem.

Como tantos deles ficaram abandonados e até viraram ruínas?

Quanto mais se procura, encontra-se quase infalívelmente o mesmo fato:a família que o criou e/ou habitou, previamente decaiu. As causas alegadas da decadência podem ser diversas: guerras, desastres naturais...

Porém, sempre se encontra uma grande e decisiva causa: a crise moral e religiosa da família nobre que foi a alma do castelo.

O acadêmico Jean d'Ormesson, de nobre origem, escreveu sobre a escalada dos prazeres, a infidelidade conjugal e a morte da vida em muitos castelos:

As concubinas tiveram na história de minha família e de seu enfraquecimento um papel comparável ao de Robespierre, de Darwin, de Karl Marx, das quintas-feiras negras de Wall Street, de Freud, de Rimbaud e de Picasso: elas abalaram um pouco mais algumas das colunas de nosso velho templo apodrecido.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Os castelos moderaram as guerras

Chaumont-sur-Loire, França
Chaumont-sur-Loire, França
Luis Dufaur
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A cavalaria foi o grande entusiasmo da Idade Média.

O sentido da palavra cavalheiresco, que ela nos legou, traduz muito fielmente o conjunto de qualidades que suscitavam a sua admiração.

Basta percorrer a sua literatura, contemplar as obras de arte que dela nos restam, para ver por todo lado — nos romances, nos poemas, nos quadros, nas esculturas, nos manuscritos com iluminuras — surgir esse cavaleiro do qual a bela estátua da catedral de Bamberg representa um perfeito espécime.

Por outro lado, é suficiente ler os nossos cronistas para constatar que esse tipo de homem não existiu apenas nos romances, e que a encarnação do perfeito cavaleiro, realizada no trono de França na pessoa de um São Luís, teve nessa época uma multidão de êmulos.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Imponderáveis da “vida de castelo”

Relógio em Vaux-le-Vicomte
Luis Dufaur
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Prosseguimos com a narração de Jean d'Ormesson, filho do marquês, então criança, no castelo de Saint-Fargeau, Borgonha:

A vinda de M. Machavoine [o relojoeiro da cidadinha vizinha] me lançava em delícias inefáveis. Ele falava pouco.

Pequeno, curvado, fazia pouco barulho, executando sua função com gestos precisos e seguros, próprios a antiquários ou cirurgiões.

Ele se esgueirava de sala em sala, sempre vestido de negro, cumprimentava rapidamente, concentrava-se em um dos relógios como se fosse um ser vivo, acariciava-o rapidamente, desempoeirando-o com um pequeno espanador, ousava às vezes dar retoques no verniz ou colava alguma figura afrouxada, abria o paciente para lançar um olhar de águia em suas recônditas entranhas e se punha a dar corda com uma firmeza e um tacto excepcionais.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A “vida de castelo” no dia-a-dia

Cheverny
Luis Dufaur
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A finalidade dos castelos mudou com o tempo.

O objetivo primeiro foi essencialmente militar: defender a população local da invasão de povos estrangeiros, bárbaros ou muçulmanos.

O triunfo do cristianismo trouxe a paz para a Europa, perturbada é verdade pela ofensiva protestante e, mais tarde, pelo ódio anti-aristocrático da Revolução Francesa

Mas, nos últimos séculos, o castelo passou a ser uma condensação do passado de uma família nobre.

Dentro de seus austeros mas já decorados muros, essas famílias conceberam um sonho.

Alguém poderia chamar esse sonho de ‘conto de fadas’. E, de fato, não há ‘conto de fadas’ sem castelo.

terça-feira, 10 de abril de 2018

O castelo eleva a vida quotidiana do povo

Quarto da rainha Luisa de Lorena
Luis Dufaur
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É próprio de a nobreza cultivar um estilo de vida que procura a distinção, o bom gosto e a sublimidade.

Este estilo é comunicado como que por osmose às populações que vivem em volta do nobre.

Nada a ver com a proliferação de peças artísticas num morto museu hodierno.

Lá vivia-se e, em alguns casos, vive-se numa ante-sala do Céu convidando a todos a aspirar às grandezas de nossa última e definitiva moradia.

O castelo de Chenonceaux é um exemplo destacado desta missão da nobreza e de seu estilo de vida.

Nas confusas origens das guerras feudais encontra-se um registro do século XI que nos fala da existência de um castelo originário, um simples manoir.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (2)


Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Castelo de Valençay: senhorio, poder, grandeza e esplendor (1)

O jardim do castelo de Valençay é especialmente belo.

Ele é constituído por grandes canteiros com grama e arbustos, estabelecendo uma certa distinção reverencial entre quem está olhando para o castelo e o próprio castelo.

O parque mantém a distância.

Tudo quanto é respeitável, ao mesmo tempo atrai, mantém a distância.

É o próprio da respeitabilidade.

O modelo infinito e perfeito disso é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Olhando as verdadeiras imagens do Divino Redentor, nossa alma sente uma tendência para voar até o coração dEle e... ajoelhar-se.

Porque tudo quanto é respeitável e elevado, atrai, mas mantém a hierarquia.

O castelo de Valençay atrai. Mas, é ou não é verdade que ele incute respeito?