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quarta-feira, 6 de março de 2024

CONCIERGERIE: palácio de um rei santo em Paris

Fachada sobre o rio Sena. À esquerda a Torre do Relógio
Fachada sobre o rio Sena. À esquerda a Torre do Relógio
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Conciergerie (literalmente = portaria) é parte do antigo palácio de São Luis em Paris.

Sua fachada é quase toda ela medieval.

O atual Palais de Justice junto com a Sainte Chapelle faziam parte do mesmo conjunto.

O Palácio da Cidade como é seu nome, foi a residência dos Condes de Paris, senhores da cidade e depois reis da França. Este palácio foi habitado pelo rei Eudes I de França.

A família real francesa recebeu o nome de Capeto em alusão a uma relíquia da Capa de São Martinho de Tours que ganhou do santuário de Tours.

Hugo Capeto estabeleceu no palácio a “Curia Regis” (o Conselho Real) e diversos serviços de sua administração.


O rei São Luís IX de França fez construir a Santa Capela entre 1242 et 1248 para albergar a Coroa de Espinhos.

O Palácio era circundado por muralhas, e ao norte, o Palácio de São Luís alcançava o Rio Sena através de uma edificação chamada “Sala sobre a Água” e flanqueada pela Torre Bombec (ou Bon-bec = Bom bico) onde os suspeitos eram interrogados.

Desta prisão Maria Antonieta foi levada ao patíbulo
No pátio, havia a magnífica escadaria conhecida como “Grand Degré” que São Luís fez construir para subir de seus apartamentos até a Capela Alta da Santa Capela.

O Palácio de São Luís foi residência dos Reis de França até 1358 quando mudaram para o palácio do Louvre.

Após a mudança o Palácio foi sede do Judiciário. Nele funcionava o Parlamento e também uma prisão.

Durante a sinistra Revolução Francesa, a prisão da Conciergerie foi a antessala da morte. Poucos dela saíam livres na ditadura da "Liberdade-Igualdade-Fraternidade".

A Rainha Maria Antonieta foi aprisionada na Conciergerie em 1793, saindo daí para morrer na guilhotina.

                                                                          *     *    *

Para se ter uma idéia do que era a Cristandade na Idade Média, é preciso imaginar uma noite em Paris sem iluminação pública.

Fachada medieval sobre o rio Sena
Fachada medieval sobre o rio Sena
No escuro da noite, a cidade inteira dorme.

Nos conventos e numa ou noutra casa particular onde há pessoas especialmente piedosas, alguém reza.

Os transeuntes são raríssimos. Mas às vezes são forçados a ir de uma casa para outra para falar com um doente, com alguém que está morrendo.

Um tabelião que vai fazer um testamento, por exemplo.

Para protegerem esses raros transeuntes, patrulhas andam a cavalo para todos os lados e cantam canções para fazerem entender longe é só levantar um brado que eles acorrerão na direção daquele brado.

Estes são ruídos que apenas cortam de vez em quando a noite.

A Sainte-Chapelle (à esquerda) e o Palais de Justice (direita) fazem parte do conjunto
A Sainte-Chapelle (à esquerda) e o Palais de Justice (direita) fazem parte do conjunto
A cidade dorme.

Na Sainte Chapelle, em Notre Dame, o Santíssimo está no sacrário.

No palácio de São Luís, dorme um Rei que é um santo, e que ordena com santidade todas as coisas do seu reino.

E assim, a história da França flui gloriosamente, tranqüilamente, como flui o Sena ao pés do palácio.



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quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Importância do castelo ou palácio real
para a vida de um povo

Castelo do rei São Luís IX em Paris, conhecido como Conciergerie
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs




Um castelo ou palácio real tem como finalidade abrigar o soberano ‒ ele tem que morar em algum lugar ‒ com o esplendor que corresponda à sua alta categoria.

Ali recebe visitas e embaixadores com suas credenciais, oferece banquetes, dá recepções, tem seus apartamentos privados onde leva a sua vida particular.

Tudo adequado ao supremo degrau dele, em correlação à etimologia da palavra majestade ‒ stat majus ‒, o estado que é maior, máximo, mais que todos os outros. Nisso consiste a majestade.

Mas esse é o aspecto interior do palácio.

O verdadeiro é perguntar que importância tem para a vida de um povo seu exterior.

O povo fica vendo que ali mora o homem que é o rei, o número um da nação.

Então, pergunta-se como é a habitação número um?

Castelo real de Amboise, França
Qual é o esplendor número um?

Qual é a segurança número um?

Qual é a beleza número um?

Qual é o charme número um do país onde mora o homem número um?

De maneira que o castelo ou palácio real é uma espécie de padrão do que há de melhor em habitação.

Há filósofos da arte que pretendem que a arte número um é a arquitetura, na qual todas as coisas se inserem.

Sala dos Estados, castelo de Amboise, França
Pelo fato de reunir todos os elementos de beleza, ela é uma espécie de suprema escultura ou de suprema pintura, um quadro máximo, uma realização máxima de um ideal de beleza máximo e de um estado de espírito número um.

Nesse sentido, um palácio é um compêndio de moral, porque deve ensinar o mais alto grau de virtude que compete ao mais alto magistrado de um país.

Então, como é a força do rei, como é sua sabedoria, como é sua paciência e sua impaciência, como é seu charme, como é a gravidade e seriedade do rei, como é a cólera do rei.

Todo o espírito humano nas suas mais altas dimensões é atribuída ao monarca e se exprime na fisionomia do seu palácio.



Plinio Corrêa de Oliveira. Sem revisão do autor.


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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Utilidade militar da torre de menagem

Torre de menagem do castelo real de Vincennes, Paris, França.  A mais alta da Europa: 50 metros. No fundo: a capela
Torre de menagem do castelo real de Vincennes, Paris, França.
A mais alta da Europa: 50 metros. No fundo: a capela
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Na Idade Média os castelos tinham uma torre no seu ponto mais alto e mais estratégico.

Essa torre era chamada pelos franceses de donjon, e em português se diz a torre de menagem.

Era a torre mais alta, mais sólida e inacessível.

E, no caso de o castelo ser invadido, a retaguarda que foi derrotada na defesa das muralhas se recolhia nessa torre.

Donjon do castelo de Septmonts, Aisne, França
Donjon do castelo de Septmonts, Aisne, França
À medida que as muralhas do castelo fossem assaltadas pelos invasores e que a ponte levadiça fosse abaixada, os invasores apertavam o cerco em torno de partes mais internas do castelo.

O último cerco era à torre de menagem, que continha todos aqueles que tinham resistido, mas que foram sendo dizimados e se refugiavam na última resistência.

Na torre de menagem havia andares cuja escada não era fixa como nas nossas construções, mas havia uma abertura, um alçapão, e a escada ficava no andar de cima.

Quando eles queriam, baixavam a escada para descer e depois suspendiam.

De maneira que se um invasor, por exemplo os muçulmanos, entrasse na torre de menagem, não tinha jeito de passar do andar de baixo para o andar de cima sem levar toda uma saraivada de flechas dos que estavam em cima na última resistência.

Torre de menagem do castelo de Vez, Picardie, França
Torre de menagem do castelo de Vez,
Picardie, França

Além de subir até ao alto da torre de menagem, de lá eles podiam soltar pombos-correio para todos os castelos aliados, avisando que estavam sendo assaltados e pedindo auxílio para os castelões aliados virem derrotar os sitiantes.

Além disso havia uma outra saída. Havia, embutida na parede da torre de menagem ou de outra qualquer forma, uma ligação invisível com um subterrâneo.

Esses subterrâneos eram longos e conduziam para lugares inteiramente diversos que os sitiantes não podiam imaginar.

Atuais portas do donjon de Vincennes pesam 700 kg
Atuais portas do donjon de Vincennes
pesam 700 kg
Ponte que liga o castelo ao donjon podia ser retirada, isolando a torre. Vincennes, Paris
Ponte que liga o castelo ao donjon
podia ser retirada, isolando a torre.
Vincennes, Paris

De maneira que, quando eles às vezes conseguissem conquistar a torre de menagem, os sitiantes chegavam em cima e encontravam o quê?

Vazio, porque à última hora os soldados e os cavaleiros que guarneciam a torre de menagem fugiam para longe.

Havia coisas terríveis, porque havia subterrâneos desses que calculadamente davam para areias movediças de praia, ou poços profundos.

Os perseguidores iam correndo atrás deles para pegá-los logo. E quando davam conta de si, eles já estavam com os joelhos na areia movediça.

Eram uns mortos-vivos, porque iam ser enterrados irremediavelmente pela areia. Ou caíam em algum poço escuro.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 30/11/94, sem revisão do autor)


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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Vincennes: maravilha medieval ornada pelos eventos históricos posteriores

O criminoso fuzilamento do duque d'Enghien
O criminoso fuzilamento do duque d'Enghien
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Vincennes, castelo de um rei santo, cheio de ensinamentos históricos



Correm as páginas da história, e um crime famoso se comete no castelo de Vincennes e deixa mais uma vez a sua marca no castelo.

A execução do duque d’Enghien por Napoleão.

O príncipe era um dos cavaleiros mais brilhantes do seu tempo e último da raça de Condé, de sangue real.

Napoleão percebia que o império dele não podia durar muito. E que a dinastia dele toda feita de usurpações e ilegitimidades, também não poderia durar muito.

E que mais cedo ou mais tarde, pela lei pendular da história, o pêndulo da História deveria oscilar e chegar de volta à monarquia temperada legítima.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Vincennes, castelo de um rei santo, cheio de ensinamentos históricos

O donjon de Vincennes altaneiro e majestoso perpetua até hoje a lembrança de São Luis rei
O donjon de Vincennes altaneiro e majestoso
perpetua até hoje a lembrança de São Luis rei
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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O castelo de Vincennes é qualificado de Versalhes da Idade Média. Desse Versalhes medieval infelizmente uma grande parte não resta.

Hoje só fica um donjon (torre de menagem) altaneiro e severo.

O castelo começou a ser construído no século XI. São Luís o adornou com uma Sainte-Chapelle e várias vezes morou lá.

O santo rei gostava tanto dos animais que não só gostava de caçar, mas também de os ter vivos e fez em Vincennes o que talvez tenha sido o primeiro parque florestal da Europa.

Mandou cercar uma larga parte do bosque onde era proibido caçar.

Ele queria ter a alegria de passear no meio das belezas do bosque e encontrar os animais sem susto, divertir-se e brincar com eles.

O parque de Vincennes se poderia chamar o Parque da Mansidão do Cruzado. Porque, ele cruzado ali tinha as suas mansidões.

No bosque se repetia um episódio famoso na história. Nele havia muitos carvalhos, mas um era particularmente frondoso e do agrado do rei.

Quando chegavam estações belas do ano, o rei estar mandava transportar uma poltrona para junto do tronco do carvalho e ali atendia quem quisesse falar com ele.

Era uma manifestação benignidade do rei para com todos, especialmente para com aqueles que tinham mais difícil acesso a ele.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A “sala dos gendarmes” no palácio-castelo da Conciergerie de Paris: uma obra providencial

Sala dos gendarmes castelo palácio de São Luiz
A "Salle des Gens d'Armes" é uma sala do palácio de São Luis em Paris feita para os gendarmes do rei.

Eles ficavam aqui, caminhando, conversando. Era o "living" dos gendarmes e, ao mesmo tempo uma antecâmara do Céu

É uma sala onde a sublimidade do gótico se faz ver totalmente.

Não há fotografia dessa sala ogival que possa dar idéia do que ela é.

domingo, 22 de junho de 2008

O Pont Neuf de Paris: Seriedade grave, firme e forte da Idade Média

Estas fotos retratam o Pont Neuf, a famosa ponte construída de 1578 a 1606, na capital francesa.



Examinem o material com que ela é construída: granito — um material bom, mas não é caro. Portanto, é uma ponte comum, que transpõe o rio Sena. Entretanto, não causa ela a impressão de que poderia dar acesso a um castelo faustoso? Por quê? Por causa de suas elegantes linhas.

Devido a seu caráter artístico o Pont Neuf possui uma grandeza que o torna venerável.

A ponte é sustentada por conjuntos de duas colunas e um arco. Esses arcos simplesmente se repetem uns aos outros, com seriedade e distinção admiráveis.

Mas são colunas grossas e sérias. E, como que para auxiliar a sustentação da ponte, observa-se uma espécie de braços, colocados entre uma coluna e outra.

Cada arco é digno, sério, pesado e muito profundo, porque a ponte é larga. A pessoa que a atravessa de barco, por baixo, tem a impressão de transpor a muralha espessa de um castelo mítico.

Ela assemelha-se à ponte de um castelo.

Não se encontra nela nenhuma pedra preciosa. Dinheiro entrou pouco em sua construção. A arte, contudo, ali está presente. Mas arte em que sentido? Ela tem alma. Qual o significado de sua alma?

Observa-se na ponte salientes vestígios da seriedade grave, firme e forte da Idade Média, embora ela seja um pouco posterior àquela época histórica.

* * *

Por que firmeza e força? Simplesmente porque a ponte como que enfrenta uma porção de obstáculos.

Por outro lado, a ponte carrega um peso muito grande, que é seu tabuleiro, além de tudo quanto transita sobre ela. A ponte suportará tudo com seriedade, e como que indiferença. Seriedade indiferente a obstáculos e enfrentando as dificuldades, arrostando-as, impondo-se a elas: eis a característica saliente da alma católica dotada da virtude da fortaleza.

A regularidade da ponte evoca ainda a virtude da temperança. A temperança é regular em tudo. Assim, essas duas virtudes cardeais se exprimem magnificamente no Pont Neuf. Há, pois, uma beleza moral subjacente nessa edificação. É um símbolo material magnífico de valores espirituais. O que ela simboliza principalmente? A alma humana e o sobrenatural.

* * *

Vista a uma distância maior, tem-se a impresso de que o forte e o pesado da ponte se diluem um tanto. Ela se torna mais graciosa, mas não perde aquela garra e força próprias aos seres que devem ser fortes. A mescla da graça com a garra é um dos traços do talento francês. Constitui um dos fatores do famoso charme. Em que consiste esse charme? É o sorriso da alma católica.

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 13/1/1989. Sem revisão do autor.

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