sábado, 24 de dezembro de 2022

Feliz Natal e abençoado Ano Novo !


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

"Será chamado Príncipe da Paz, e seu Reinado não terá fim..."

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Não existe ser humano mais fraco que uma criança recém-nascida. 

Não há lugar mais pobre do que uma gruta.

Não há berço mais rudimentar do que uma manjedoura.

Porém, esta Criança, naquela gruta, naquela manjedoura, iria transformar o curso da História.

E que transformação!

Veja vídeo
A Igreja Católica é
alma do natal

A mais difícil de todas, porque se tratava de guiar os homens pelo caminho mais contrário às suas más inclinações: o caminho da austeridade, do sacrifício, da Cruz.

Tratava-se de convidar a Fé a um mundo decomposto por superstições, sincretismo religioso e ceticismo total.

Tratava-se de convidar a justiça a uma humanidade inclinada a todas as iniquidades. 

Tratava-se de convidar o desapego a um mundo que adorava o prazer em todas as suas formas.

Tratava-se de atrair para a pureza um mundo em que todas as depravações fossem conhecidas, praticadas, aprovadas.

Tarefa evidentemente inviável, mas que o Divino Menino começou a realizar desde o primeiro momento nesta terra, e que nem mesmo a força do ódio, nem a força do poder, nem a força das paixões humanas poderiam conter.

Dois mil anos depois do nascimento de Cristo, parece que voltamos ao ponto de partida.

A adoração do dinheiro, a divinização das massas, a exasperação do gosto pelos mais vãos prazeres, a dominação despótica da força bruta, as superstições, o sincretismo religioso, o ceticismo, enfim, o neo-paganismo em todas as suas vertentes invadiram a terra novamente.

E da grande luz sobrenatural que começou a brilhar em Belém, pouquíssimos raios ainda brilham nas leis, nos costumes, nas instituições e na cultura.

Enquanto isso, cresce surpreendentemente o número daqueles que se recusam obstinadamente a ouvir a palavra de Deus; daqueles que, pelas ideias que professam, pelos costumes que praticam, estão precisamente no polo oposto da Igreja.

É surpreendente que muitos perguntem qual é a causa da crise titânica em que o mundo se debate. 

Basta imaginar que a humanidade cumprisse a lei de Deus, que ipso facto a crise deixaria de existir.

O problema, então, está em nós. Está em nosso livre arbítrio. Está na nossa inteligência que se fecha à verdade, na nossa vontade que, solicitada pelas paixões, se recusa a fazer o bem.

A reforma essencial e indispensável é a reforma do homem. Com ela, tudo será feito. Sem ela tudo o que se faz não será nada E não vamos concluir sem descobrir mais um ensinamento, macio como um favo de mel.

Sim, pecamos.

Sim, imensas são as dificuldades que temos pela frente para voltarmos, para subirmos.

Sim, nossos crimes e nossas infidelidades merecidamente atraíram sobre nós a ira de Deus.

Mas, ao lado da manjedoura, está a Clemente Medianeira, que não é Juiz, mas Advogada, que tem para conosco toda a compaixão, toda a ternura, toda a indulgência da mais perfeita das mães.

Fixando os olhos em Maria, unidos a ela, por ela, peçamos neste Natal a única graça que realmente importa: o Reino de Deus em nós e ao nosso redor.


(Plinio Corrêa de Oliveira. Excerto de Et vocabitur Princeps Pacis, cujus regni non erit finis, “Catolicismo” N° 24, dezembro de 1952).







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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Impregnação das alegrias de Natal

Presépio na igreja do Gesù, Roma
Presépio na igreja do Gesù, Roma
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A festa do Santo Natal tem o privilégio de interromper o tempo.

Pode uma pessoa estar na situação aflitiva que estiver, chegando o Natal, abre-se como que um paredão e as desgraças ficam do outro lado.

Bimbalham os sinos, o Natal começou! Cristo nasceu: alegria para todos os homens!

A alegria própria ao Natal é toda feita de luz - é o Lumen Christi, a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou na Terra na noite de Natal.

Uma alegria que não é a alegria vulgar do homem que fez um bom negócio, que venceu uma jogada política ou ganhou na loteria.

Não.

É uma alegria muito mais interna, muito mais leve, toda feita de luz.

Enquanto as outras alegrias são feitas de coisas palpáveis e de segunda ordem, a alegria própria ao Natal é toda feita de luz — é o Lumen Christi, a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou na Terra na noite de Natal.

Luz que nunca mais, de ano em ano, deixou de brilhar, trazendo uma verdadeira alegria, uma verdadeira paz de alma até para as pessoas mais atormentadas.

Veja vídeo
Natal num castelo
da França
No meu tempo de menino, a noite de Natal era um hiato luminoso, cheio de algo que não se consegue descrever.

Mas que todos sentiam: era aquela suavidade, aquela paz, aquela doçura que dava a impressão de que todo o céu estrelado da noite estava como que impregnando a Terra de perfumes.

Os sinos tocavam, o som se espalhava e o júbilo impregnava até os jardins.

Era uma alegria enorme que circundava todos os homens, porque Cristo nasceu, nasceu em Belém!

(Autor: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 21.12.1984. Sem revisão do autor. “Catolicismo”)



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quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Existe um super-castelo onde vemos melhor a Deus?

Castelo de Vitré, Bretanha, França
Castelo de Vitré, Bretanha, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Olhando por exemplo para um castelo, as impressões nos encaminham para algo que é ainda mais do que o castelo que estamos vendo.

Subconscientemente pensamos em um super-castelo que não existe, mas que, em rigor, poderia existir. E então gostamos de pensar nesse super-castelo ideal.

Como ele seria?

Para exemplo, usamos fotos do catelo de Vitré, na Bretanha, França.

O primeiro castelo em pedra foi construído pelo Barão Robert I de Vitré no final do século XI substituindo um castelo em madeira de cerca do ano 1000. No século XIII, o Barão André III deu-lhe a sua forma atual.

Nos séculos XV e XVI prevaleceu a procura do conforto e reformas em estilo renascentista. O Parlamento da Bretanha refugiou-se no edifício em três ocasiões (1564, 1582 e 1583) por ocasião de epidemias de peste.

 Entre 1547 e 1605, Vitré tornou-se bastião huguenote. Em 1605, o castelo passou para a família católica de La Trémoille. Ficou abandonado no século XVII.

Após a barbárie da Revolução Francesa, a residência senhorial virou prisão e, depois, quartel. Em 1875 iniciou-se a restauração. Atualmente, a câmara municipal de Vitré funciona no recinto e a praça do castelo tornou-se republicano estacionamento. 

Esse super-castelo, esse trans-castelo, só existe na nossa mente. Só na nossa mente? Não! Existe na mente de muitos outros, mas de um modo até muito diferente.

Castelo de Vitré, Bretanha, França
Castelo de Vitré, Bretanha, França
Então, esse trans-castelo tem uma certa existência. Ele existe numa esfera que não é a terrena. Poderíamos chamá-la de trans-esfera.

E essa trans-esfera pode ser objeto de uma análise do ponto de vista filosófico e teológico.

O que é esta trans-esfera dos castelos ideais que não existem materialmente? Não é uma esfera nova da realidade, mas algo que o espírito humano concebe como um produto do espírito. Ela existe na inteligência do homem.

Seria, segundo a terminologia da filosofia escolástica, um ens rationis, isto é, um ser ou ente que é concebível, porém não realizável fora do espírito (cfr. Regis Jolivet, Vocabulaire de la Philosophie, Emmanuel Vitte Éditeur, LyonParis, 1946, 2a ed., verbete être).

É uma imagem que o espírito humano cria para si, de uma ordem hipotética, não existente.

A partir de aspectos fugazes, de lampejos das coisas, nós construimos um modo habitual de ver todos os seres.

O homem sabe que essa trans-esfera, como ele a vê, de fato não existe.

Mas sabe que, quando os homens todos caminham muito rumo a Deus, todas as coisas da realidade são susceptíveis de serem sublimadas e constituírem uma visão transcendente. E assim formamos uma super-realidade, i. é, uma trans-esfera.

Neste sentido, a trans-esfera está composta de coisas possíveis existentes apenas na mente divina, que nos compete desenvolver e explicitar. Nos seres ideais dessa super-realidade nós vemos muito mais marcantemente os reflexos de Deus.

Castelo de Vitré, Bretanha, França
Castelo de Vitré, Bretanha, França
De maneira que a trans-esfera é um possível em Deus do qual nós temos certa noção a partir de seres criados ou de obras feitas pelos homens. Por exemplo, super-castelos que Deus poderia fazer e que nós imaginamos a partir dos castelos que já existem.

Desta maneira, de algum modo, esses castelos possíveis vivem em nós. E ele nos fornecem modelos ideais para o qual devemos tender e que inspiram os construtores de castelos materiais.

Quando esses possíveis reluzem em nós, nos dão a idéia do palácio interior que cada um deve construir dentro de si próprio.

A graça divina nos convida a realizar isso. Há algo da vida do próprio Deus, que é a graça que nos solicita a ver todas as coisas assim. A ver no castelo, para acima dele, o super-castelo.

Portanto, a trans-esfera onde existem esses trans-castelos irreais nos projeta na ordem sobrenatural. E ali nos nós tornamos de algum modo cidadãos do palácio ou da cidade que ainda não construímos.

Essa cidade ideal que ainda não construímos, de algum modo já vive e existe em nós.

Fonte: “A inocência primeva e a contemplação sacral do universo no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira”, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, São Paulo, 2008.



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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Castelo de Cardiff: onde os séculos cantam o espírito maravilhoso medieval

Luis Dufaur
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O castelo de Cardiff (Castell Caerdydd em galês, língua local derivada do celta) é um castelo medieval largamente reformado em estilo neogótico no século XIX.

Hoje ele fica no bairro Castle Quarter de Cardiff, capital de Gales, Grã Bretanha.

Nas longínquas origens encontramos um castro – ou quartel – romano do século III de forma retangular que garantia o domínio do Império Romano e combatia os piratas.

Em 1081, ou 1091, século XI, Guilherme o Conquistador, duque da Normandia (França), desembarcou nas ilhas britânicas para tomar posse do trono herdado de Santo Eduardo o Confessor, por instâncias do Papa São Gregório VII.

Guilherme tornou-se rei e mandou construir a primeira fortaleza medieval sobre as ruínas romanas.

O castelo passou a ser o centro da marca, ou marquesado, de Glamorgan.

Esse castelo, como acostumava ser no início da Idade Média, era de madeira. No século XII foi reconstruído todo em pedra, provavelmente por Roberto de Gloucester. Foi ainda ampliado nos séculos seguintes.

Cardiff era uma peça estratégica nas lutas pelo domínio de Gales. De onde seu caráter decididamente militar.

Com a pacificação geral dos espíritos promovida pela Igreja, no fim da Idade Média as guerras foram diminuindo.

Os descendentes dos belicosos senhores, herdeiros de costumes pagãos e amantes das guerras sem fim, foram reformando as antigas fortalezas pondo o acento na cultura e no requinte que o catolicismo inspira.

Tinham ficado para trás as lutas contra os ferozes vikings pagãos e as disputas dos gauleses contra os ingleses. Porém, vieram outras, infelizmente muito piores.

As seitas protestantes, de tendências republicanas, desencadearam a Guerra Civil Inglesa contra a Coroa e especialmente contra os católicos.

O castelo de Cardiff foi disputado por exércitos a serviço do Parlamento dominado pelos protestantes fanáticos e retomado pelos monarquistas, divididos em anglicanos e católicos.

Após várias perdas e recuperações de lado a lado e tendo predominado os monarquistas, a vitória do protestantismo ‘parlamentar’ significou grave perigo para o castelo.

De fato, ele poderia ser destruído em vingança pelos vencedores. Porém, foi salvo pela sua estratégica posição militar, pois era ponto defensivo contra invasões externas.

O feudo de Cardiff possuía grandes privilégios e era quase independente em relação à Coroa inglesa. A nobre família gaulesa Tudor acabou reinando na Inglaterra com Henrique VII, em 1485.

Seu filho, Henrique VIII, que levou Inglaterra à heresia, simplesmente anexou Gales com leis passadas entre 1535 e 1542 destruindo a independência gaulesa e muitos privilégios veneráveis.

Esse crime histórico foi perpetrado pelo ministro Thomas Cromwell, a quem São Tomás Moro acusou de ter vendido a alma por Gales. No fim, já herético, Henrique VIII mandou degolá-lo.

O castelo pertenceu às famílias Clare e Despenser durante vários séculos.

Por volta de 1550, a família Herbert herdou a propriedade e introduziu grandes melhoramentos.

Na metade do século XVIII, John Stuart, primeiro marquês de Bute, iniciou uma profunda reforma, continuada pelos seus descendentes.

Os sofridos restos medievais foram recuperados seguindo o impulso de restauração do gótico medieval.

E, de fato, segundo o historiador Megan Aldrich, a restauração de Cardiff foi “a mais magnífica recuperação do gótico jamais efetivada”.

Os marqueses de Bute, geração após geração, continuaram a obras. Porém, na II Guerra Mundial, bombardeios aéreos atingiram os muros e as instalações capazes de acolher 1.800 soldados.

Quando faleceu o último marquês proprietário, em 1947, o castelo foi doado à cidade de Cardiff.

Os medievais não se preocuparam em promover sua imagem. Aliás, suas maiores preocupações estavam aplicadas em civilizar os agitados, e por vezes sanguinários, povos pagãos e favorecer a expansão do Evangelho pregado pelos sacerdotes e monges católicos.

Paradoxalmente, o século XIX foi o que melhor interpretou e idealizou a maravilhosa gesta medieval. O castelo de Cardiff é um precioso exemplo disso.

Em Cardiff encontramos a rudes ruínas propriamente medievais dos tempos das guerras.

Mas também encontramos, cantada pela restauração do século XIX, a procura do maravilhoso que embebeu a vida medieval.

Na lareira, por exemplo, contemplamos uma escultura de um nobre partindo para o combate.

Tudo nele representa o heroísmo da partida e dos lances que aspira fazer.

Numa ameia, a dama – no gosto sentimental do século XIX – estende seu pano cheio de lágrimas ao esposo que talvez não verá mais.

O cavaleiro, entretanto, sem desconhecer o significado do gesto, continua virilmente rumo ao dever que poderá lhe custar a vida.

Nas torres e demais ameias trombeteiros fazem soar seus instrumentos para ressaltar a importância do momento.

O maravilhoso desta cena temporal medieval é ainda mais acentuado pelas numerosas esculturas de anjos que povoam os salões.

Pois o medieval tinha um fundo de alma continuamente impostado em função das mais altas realidades sobrenaturais e os artistas posteriores perceberam essa característica.

Para o medieval, nada de mais normal do que conviver com naturalidade com as potências angélicas e que estas se fizessem sentir na sua vida quotidiana.

Com maior razão eles achavam normal que os espíritos angélicos protegessem e até povoassem o castelo, símbolo do triunfo temporal da Civilização Cristã inspirada por Jesus Cristo.

Nesse sentido, os castelos mantidos por famílias nobres, fiéis à Igreja, eram também redutos angélicos.

Numa das torres refeitas encontramos uma aparente similitude com o Big Ben de Londres, pelo triunfo da policromia no topo.

Também na torre há um relógio – bem ao estilo do século XIX –, mas menor que o Big Ben.

Nela há uma como que coroa com os brasões dos nobres antepassados e figuras alegóricas representando o céu astronômico.

Para o medieval, a família era uma realidade que transpunha os séculos.

E o castelo era o escrínio onde se conservava a lembrança do passado e de todos os que antecederam os vivos na sua caminhada neste vale de lágrimas rumo à eternidade abençoada do Céu.




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