terça-feira, 15 de agosto de 2017

Admirar Saumur é entrar na alma de São Luís

Agulha de Saumur (épis de faîtage em francês)
foi criada com base na iluminura
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Da terra ao Céu: do Saumur da pedra ao Saumur do sonho



O castelo de Saumur não é um sonho de toxicômanos. O castelo tem uma harmonia e um equilíbrio que, ao mesmo tempo em que parece flutuar no ar, não dá a impressão de que vai cair.

Por causa disso ele se divide em duas partes bem nítidas: a parte superior ligeira, leve, graciosa; e a parte inferior, fortíssima.

O castelo tem como que garras postas no chão; são subterrâneos, masmorras, cofres, arquivos, salas de armas na parte fortíssima. Esta segura o castelo e o equilibra no que ele poderia ter de demais aéreo.

Se o castelo fosse todo como a parte de baixo, seria um pesadelo.

Se fosse tudo como é em cima, seria uma brincadeira.

Mas ele não é nem um pesadelo, nem uma brincadeira. É uma obra-prima de equilíbrio de espírito, em que cada coisa tem seu papel.

O que toca na terra é sólido, sério, vigoroso, guerreiro. São muralhas de uma fortaleza. De quando em quando há uma seteira. Não há janela.

Há uma rampa de acesso com uma ponte levadiça e mais muralhas, de maneira que se alguém quiser entrar burlando esse esquema, encontra muralhas dentadas de onde podem ser jogadas setas, água em ebulição, óleo, pedras.

A conjunção na elevação do nobre e do popular
A ponte levadiça passa por cima de um abismo que é preciso atravessar para quem quiser tentar um assalto.

Assim o castelo é prudentíssimo nas realidades terrenas, mas é santamente idealista nas coisas superiores.

O burrico que vai descendo mostra o gosto medieval pela vida quotidiana na sua plenitude. Inclui seus aspectos mais elevados e os mais prosaicos também.

Porém, o pragmático se ordena em função do elevado, e o sombrio e o prosaico se regeneram; ficam delicados e a gente sorri, vendo o burrico descer.

Se há um animal que não tem graça é um burrico. Mas aqui ele fica engraçadinho como num presépio de Natal.

Uma camponesa leva um peso qualquer na cabeça. A cor do vestido dela é clara, seu passo é leve. Ela se sente bem. É o equilíbrio que formam os opostos não contraditórios juntando-se uns aos outros.

Exemplo de castelos que poderiam ter existido
Exemplo de castelos que poderiam ter existido
De um lado o castelo termina abruptamente. Do outro se prolonga. Há outras construções: um forno de padaria com uma chaminé, um silo para guardar trigo, tudo abrigado por muralhas.

Todas as realidades da vida estão consideradas com espírito católico. O que domina tudo é o desejo do Céu, dos bens do espírito, e as partes materiais existem para atender aos bens do corpo.

É a magnífica e harmônica visão global do universo que a Igreja Católica nos dá.

Há um convívio da aristocracia com a plebe, do gênero humano com o reino animal e o vegetal.

Tudo tão bem posto que lembra o Gênesis, onde diz que após criar o mundo Deus repousou, considerando que cada coisa era boa e o conjunto era melhor ainda.

Na iluminura pode-se dizer que cada parte é boa, mas o melhor é o conjunto todo, inclusive o burrinho.

Se não foi construído pelo rei São Luís IX, é histórico que foi usado por ele.

São Luís era o tipo de rei capaz de inspirar um arquiteto e mandá-lo construir esse castelo. A santa alma de São Luís está inteira dentro da iluminura.

São Luís ofereceu um histórico banquete em Saumur
São Luís ofereceu um histórico banquete em Saumur
Nenhuma reprodução dá adequadamente o olhar de São Luís. E sem olhar, nenhuma face é face.

O centro psicológico da face são os olhos.

Em Saumur, parece que nós sentimos o olhar de São Luís.

Essa iluminura descreve mais sobre São Luís do que muitas pinturas que tentam representar sua face.

No século XIX, o rei Luís II, da Baviera teve o desejo de realizar algo assim nos castelos que ele construiu, como o famoso Neuschwanstein.

Mas não conseguiu, seus arquitetos fizeram coisas, mas quão inferiores!

Saumur é único. É o castelo medieval por excelência, a imagem plena da Idade Média!

Assim como a Suma Teológica dá inteiramente a ideia da teologia medieval, Saumur dá ideia do espírito medieval, ou seja, do melhor brilho do espírito católico.

Comparemos mentalmente esse castelo com algum prédio moderno. Que graça tem o arranha-céu de Manhattan em comparação com Saumur?


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 27.11.1970 não revistos pelo autor).





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