terça-feira, 23 de abril de 2013

Alcácer de Segovia: castelo do heroísmo altaneiro

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O Alcácer de Segovia poderia chamar-se heroísmo altaneiro! Porque suas torres desafiam o adversário de sobejo, de peito aberto!

Ele avança em direção ao abismo como quem desafia e já pisa o adversário para todo sempre.

O Alcázar de Segovia é um palácio fortificado em pedra, na cidade velha de Segovia, Espanha. É um dos mais distintos castelos-palácios da Espanha e tem forma de proa de um navio.

As origens do castelo remontam a uma fortificação construída durante a dominação romana nos primeiros séculos de nossa era.

Veja vídeo
Castelo de Segovia
Também foram identificados restos que falam de uma presença islâmica durante a época da invasão muçulmana iniciada no ano 711, século VIII.

Porém, o primeiro documento escrito que fala do castelo é do ano 1120, quer dizer de 32 anos depois de a cidade de Segóvia ser recuperada pelos cristãos.

Naquela época se tratava de um forte de madeira construído sobre velhas fundações do quartel romano.

O rei Afonso VIII de Castela (1155-1214) ergueu a primeira fortificação de pedra.

Ao longo da Idade Média foi uma das residências favoritas dos monarcas de Castela e foi a fortaleza chave na defesa do reino.

A maior contribuição individual para o alcázar foi do rei João II de Castela (1405-1454). Esse rei construiu a “Torre Nova”.

Em 1474, foi coroada neste castelo Isabel como Rainha de Castela e Leão. Também nele, a rainha Isabel casou com Fernando II de Aragão.

Em virtude do casamento se reuniram os dois maiores reinos da Espanha.

O Papa deu ao casal real formado por Fernando e Isabel o merecido título de “Reis Católicos” que ainda usam os reis da Espanha. Eles financiaram a descoberta de América por Colombo.

O poderoso Filipe II de Espanha (1527-1598) adicionou afiados pináculos de lousa para o assemelhar aos castelos da Europa Central.

Segovia: tronos de Fernando e Isabel, primeiros "Reis Católicos"
Segovia: tronos de Fernando e Isabel, primeiros "Reis Católicos"
Quando a Corte Real mudou-se para Madrid, o alcácer teve vários destinos até ser danificado severamente por um incêndio.

Em 1882 começou a ser restaurado. Em 1896, o rei Afonso XIII cedeu-o para colégio militar.

A música que acompanha o vídeo provém do “Cancionero de Palacio” (Madrid, Biblioteca Real, séculos XV e XVI).

Trata-se de um manuscrito que contém música espanhola do período histórico que coincide aproximadamente com o reinado dos Reis Católicos muito ligados eles próprios ao Alcácer.

Até nós só chegaram 469 peças nele incluídas. As obras são essencialmente de músicos espanhóis e as letras, além do castelhano, incluem algumas em francês, português e outras línguas.



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terça-feira, 16 de abril de 2013

Delicadeza e força no lago de Bled: imagem da feliz união da Igreja com o Estado católico

Bled: feliz concórdia entre a Igreja e o Estado católico
Bled: feliz concórdia entre a Igreja e o Estado católico
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O lago alpino de Bled, no noroeste da Eslovênia, encerra tesouros da natureza, da civilização e do catolicismo.

O mistério religioso bom e o requinte cultural racional se associam num panorama natural extremamente sugestivo.

De acordo com os escritos mais antigos conhecidos, o primeiro aldeamento humano já existia em 1004. O nome do local é anterior às próprias origens eslavas da Eslovênia.

Bled pertenceu à “marca” de Carniola, concedida naquele ano pelo imperador Santo Henrique II ao bispo Albuíno de Brixen.

A “marca” era um feudo militar criado habitualmente numa área fronteiriça ameaçada ou vulnerável.

Naquela época, a ameaça procedia sempre dos povos bárbaros ou dos muçulmanos.

Origem do castelo

O “marquês” — chefe da “marca” – tinha a incumbência principal de defender o feudo de espada em punho. Foi nesses tempos e circunstancias que nasceu o imponente e aparentemente inexpugnável castelo de Bled.

Situado nos bordes de um precipício sobre o lago, ele impressiona pela sua inacessibilidade e austeridade. Mas, estas eram virtudes para os fundadores e os residentes dos primitivos castelos.

Bled: precipício é garantia de defesa
Bled: precipício é garantia de defesa
A população vizinha contribuía para que os castelos fossem construídos assim, pois lhe serviriam de refúgio caso os inimigos da civilização e do cristianismo invadissem a região.

Ela se defenderia nele, sob a liderança de belicosos senhores.

No caso, o nobre senhor do castelo de Bled era um bispo.

Não era estranho naquela época que os prelados pegassem em armas contra os inimigos do povo de Deus.

Ainda não havia aparecido o ecumenismo fajuto que não visa a converter os não batizados, mas tão-só a lhes abrir as portas, pondo em grave risco a cultura e a própria Igreja.

Após o bispo Albuíno, o imperador Santo Henrique II doou a “marca” ou marquesado para o seu sucessor na diocese, o bispo Adalberão de Brixen.

Porém, na tarefa de pacificação da Idade Média, a Santa Sé, tirou prudentemente os eclesiásticos da guerra.

E o castelo passou para nobres leigos.

O marquesado de Carniola com seu castelo de Bled passou assim ao duque Rodolfo de Habsburgo como prêmio de sua vitória sobre o rei Ottokar II da Boêmia, na batalha de Marchfel em 1278.

De 1364 a 1919, ou seja, até o fim do Império Austro-Húngaro, Bled fez parte do ducado de Carniola, salvo num breve período entre 1809 e 1816, quando a Europa sofreu os rearranjos geográficos espúrios e caprichosos de Napoleão Bonaparte.

O Santuário na ilha

O castelo ergue sua figura militar sobre um belíssimo lago muito procurado pelos visitantes de bom gosto.
A ilha santuário tendo ao fundo, no alto, o castelo
A ilha santuário tendo ao fundo, no alto, o castelo

Nesse lago há uma ilhota onde sobressai a esbelta e delicada torre da Igreja da Assunção de Maria, local de peregrinação.

O som de seus sinos, segundo os moradores, traz sempre um bom prenúncio.

Antes da ereção dessa igreja, os pagãos cultuavam no local uma deusa lasciva e torpe.

À ilha só se chega hoje de lancha, que ancora aos pés de uma grande escadaria de 99 degraus através da qual se ascender ao santuário em honra da gloriosa Assunção ao Céu de Nossa Senhora, a Virgem Imaculada.

Feliz concórdia entre a Igreja e o Estado

Bled: pátio interior do castelo
Bled: pátio interior do castelo
Enquanto o castelo representa a força, o perigo e a determinação de resistir qualquer ataque, o santuário encarna a delicadeza, a segurança e o aconchego, o movimento suave e maravilhoso para o Céu.

O santuário de Nossa Senhora não poderia existir com essa segurança e despreocupação se o castelo não estivesse aí para defender toda a região.

E o castelo ficaria um pouco tosco e pesado se não tivesse a seu lado a jóia da ilha com a sua igreja da Assunção.

Assim é a boa união que num ambiente católico deve haver entre a Igreja e o Estado.

Bled: no inverno, o mistério envolve o lago
Bled: no inverno, o mistério envolve o lago
O Estado católico protege a Igreja e esta abençoa e faz descer dos céus as graças que com um charme discreto amenizam as formas materiais do Estado.

No inverno, uma densa bruma envolve o lago de Bled, quase tirando a vista do formidável castelo e da delicada ilha-santuário.

O mistério toma conta do ambiente. Mas trata-se de um mistério bom, o qual convida a considerar os grandes mistérios da religião católica.

O lago passa então a constituir um ambiente quase de conto de fadas.

Se não existisse esse feliz consórcio entre o Estado e a Igreja representado pela fortaleza e pelo santuário de Bled, a realidade seria outra.

Por certo, pesada, ameaçadora e malfazeja.



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