quarta-feira, 31 de julho de 2019

Vincennes, castelo de um rei santo, cheio de ensinamentos históricos

O donjon de Vincennes altaneiro e majestoso perpetua até hoje a lembrança de São Luis rei
O donjon de Vincennes altaneiro e majestoso
perpetua até hoje a lembrança de São Luis rei
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Vincennes é qualificado de Versalhes da Idade Média. Desse Versalhes medieval infelizmente uma grande parte não resta.

Hoje só fica um donjon (torre de menagem) altaneiro e severo.

O castelo começou a ser construído no século XI. São Luís o adornou com uma Sainte-Chapelle e várias vezes morou lá.

O santo rei gostava tanto dos animais que não só gostava de caçar, mas também de os ter vivos e fez em Vincennes o que talvez tenha sido o primeiro parque florestal da Europa.

Mandou cercar uma larga parte do bosque onde era proibido caçar.

Ele queria ter a alegria de passear no meio das belezas do bosque e encontrar os animais sem susto, divertir-se e brincar com eles.

O parque de Vincennes se poderia chamar o Parque da Mansidão do Cruzado. Porque, ele cruzado ali tinha as suas mansidões.

No bosque se repetia um episódio famoso na história. Nele havia muitos carvalhos, mas um era particularmente frondoso e do agrado do rei.

Quando chegavam estações belas do ano, o rei estar mandava transportar uma poltrona para junto do tronco do carvalho e ali atendia quem quisesse falar com ele.

Era uma manifestação benignidade do rei para com todos, especialmente para com aqueles que tinham mais difícil acesso a ele.



São Luis recebia as queixas dos populares e ditava Justiça embaixo de um carvalho no bosque de Vincennes
São Luis recebia as queixas dos populares e ditava Justiça
embaixo de um carvalho no bosque de Vincennes
Naturalmente as pessoas mais apagadas e modestas tinham que passar por uma porção de cortesãos que iam descartando os casos menos importantes.

Em Vincennes, não. Ele estava para ser visto e para ser abordado para qualquer coisa, desse e viesse. Qualquer súdito que quisesse vê-lo e expor-lhe suas mágoas, ali o encontrava.

O carvalho de Vincennes ficou sendo um símbolo da mansidão deste rei tão majestoso e tão cheia de glória.

O castelo terminou de ser construído no século XIV, bem depois de São Luís. Todo ele em estilo medieval.

Mas os reis já tinham sido seduzidos pela cidade de Paris e estavam começando a morar exclusivamente nela, onde sempre moraram durante a Idade Média.

Em Paris, tinham o velho e magnífico Louvre de São Luís, do qual temos uma iluminura nas Très Riches Heures do Duc de Berry.

No século XVI, Ana d ‘Áustria, regente da França, deu o cargo de governador do Vincennes ao cúpido cardeal Mazzarino, primeiro-ministro dela, homem extraordinariamente capaz e que desenvolveu muito o absolutismo real, em detrimento do feudalismo.

Ele introduziu no conjunto medieval duas construções no tempo dele. Estas construções eram o pavilhão do rei e o pavilhão da rainha.

Luís XIV moço foi passar os primeiros tempos da vida de casado com Maria Teresa da Áustria, no pavilhão real em Vincennes.

De maneira que ao longo dos séculos, uma chuva de ouro de recordações extraordinárias foram se acumulando lá.

Vincennes:, visão panorâmica do cerne medieval
Vincennes:, visão panorâmica do cerne medieval
Imaginem Luís XIV precedido e seguido de mosqueteiros, chegando a Vincennes numa carruagem magnífica, trazendo consigo a jovem rainha.

A carruagem para, ele desce, estende a mão à rainha que se apoia na mão dele levemente para descer, os cortesãos estão ali para receber, as tropas prestam armas, algum sino toca, é o jovem monarca que começa a sua vida de casado naquele castelo.

Luís XIV ainda na sua ascensão era um monarca de vida muito pura. Mais tarde, ele se perdeu.

Depois de Luís XIV os reis deixaram de morar lá, e o donjon de Vincennes, de estatura impressionante acabou transformado em prisão de Estado.

Entre outros, aquele príncipe de Condé que na batalha de Rocroy, jogou seu bastão de marechal no meio das tropas espanholas e disse: agora vamos pegar. E determinou o curso vitorioso da batalha ainda indecisa.

Na vida na Europa, quantas coisas vão acumulando seu passado nas paredes veneráveis dos prédios que duraram séculos!

Este donjon de Vincennes tem 52 m de altura.

O castelo de Vincennes conheceu um outro episódio famoso, mas de uma natureza completamente diferente.

Dois operários da fábrica de porcelana de Chantilly que era o feudo dos príncipes de Condé, foram presos num destes andares do castelo.

A Sainte-Chapelle de Vincennes que São Luis encomendou mas não chegou a ver realizada
A Sainte-Chapelle de Vincennes que São Luis encomendou
mas não chegou a ver realizada
E disseram: nós aprendemos em Chantilly a fabricar porcelana que naquele tempo era um segredo caríssimo, que os missionários jesuítas tinham trazido da China.

A porcelana chinesa é mundialmente famosa e os europeus compravam e mandavam vir peças de porcelana enchendo navios. Mas eles não sabiam fabricar.

Até que um jesuíta, particularmente dotado do dom sagacidade de que Santo Inácio foi o padrão e o modelo perfeito, conseguiu saber de um chinês como se fazia a porcelana.

Então descreveu a fórmula e mandou para a Europa. E em Chantilly começaram a fabricar as porcelanas. Mas era segredo.

Esses operários então disseram: vocês querem entrar numa combinação conosco? Mandem vir tal terra, nós fabricamos aqui as porcelanas, e ensinamos o segredo para o rei.

Então o rei concordou, e eles começaram a fazer porcelanas no salão imenso de Vincennes onde eles estavam presos.

O fato é que eles saindo da torre fundaram uma das duas fábricas de porcelana mais famosas da França e, portanto, das mais célebres do mundo: a porcelana de Sèvres.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 16.2.79, sem revisão do autor)


Continua no próximo post



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