quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Sully-sur-Loire: jóia medieval venceu os embates da Revolução

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O castelo de Sully-sur-Loire que surge na margem esquerda do Loire, é uma das sedutoras joias dos castelos desse esplêndido rio.

A história dos castelos é a história das famílias que neles viveram e os foram construindo ao longo dos séculos.

Tudo começou quando se estabeleceram ali os Senhores de Sully e sua família, no século IX.

Nos tempos galo-romanos no local houve existiu uma torre simples que protegia a vizinha ponte de pedra com 400 metros de comprimento atravessava o rio Loire.

Sobre as fundações da referida torre, um Senhor de Sully construiu em 1102 o chamado castrum soliacense.

No início do século XIII, Henri I de Sully, passou para a história disputando com seu senhor feudal, o bispo de Orleães, Manassé de Seignelai.

O Senhor extorquia um imposto aos comerciantes que passassem por seu senhorio ameaçando-os com a morte.

O bispo não era como os de hoje e confiscou os domínios de Henri e colocou-os sob proteção do rei da Franca Filipe II.

Em 1218, o monarca ergueu uma poderosa torre redonda na atual Basse-Cour (Pátio Baixo) para afirmar seu poder.

A base do atual castelo foi uma casa nobre em estilo gótico feita entre 1218 e o final do século XIV, por sucessivas gerações de Senhores de Sully até que Guy VI de La Trémoille casou com a única herdeira da posse. Essa família foi aprofundando a fantasia e força da fortificação, sobre tudo a partir de 1395.


Guy VI de la Trémoille contratou a Raymond du Temple, o arquiteto da fortaleza do Louvre dita de São Luís da qual só ficam os fundamentos e do castelo de Vincennes.

Pediu-lhe planos para um donjon (torre de menagem) flanqueado por quatro torres, que seria realizado entre 1395 e 1406.

Guy VI de La Trémoille morreu regressando da sétima cruzada em 1398, mas sua viúva, Marie de Sully, continuou o projeto.

Os trabalhos foram interrompidos pela Guerra dos Cem Anos.

Em 1403, o filho de Guy, Georges de La Trémoille, arranjou o primeiro jardim do castelo e construiu a Torre do (rio) Sange de cinco andares.

Durante as guerras de religião, o castelo foi danificado tendo sido tomado pelos protestantes huguenotes e reconquistado pelas tropas católicas.

Os protestantes destruíram a igreja de Saint-Ythier, situada na Basse-Cour, e as missas passaram a ser celebradas na Igreja de Notre-Dame-de-Pitié.

A derrota dos protestantes marcou o fim do domínio local da família de La Trémoille.

Em 1602, Claude de La Trémoïlle vendeu o edifício danificado pela guerra a Maximilien de Béthune (1560-1641), que o reconstruiu com grande aparato.

Maximilien, ministro de Henrique IV, foi feito duque de Sully em 1606 e escreveu umas famosas memórias na torre de Béthune.

Ele ficou conhecido como o “Grande Sully” e conferiu um estilo renascentista ao castelo que passou a ser de fortificado a palácio de aparato.

Todo ele foi cercado por fossos, alimentados pelo Sange, um pequeno afluente do Loire especialmente desviado para esse efeito.

Para que estas obras pudessem ser concluídas, foram demolidos os restos da igreja arruinada e do edifício conventual.

A demolição foi todo um símbolo da mudança de era: da Idade Média sacral e religiosa passou-se a uma explosão de naturalismo artístico, não sem valor estético.

Maximilien também quis que a torre de menagem servisse apenas para funções de representação, lhe tirando seu espírito militar. As reformas fugiam do dever e procuravam o prazer.

Em 1717, foi removida a histórica torre real de Filipe Augusto no Basse-Cour, para ter uma melhor vista dos jardins. Mais um vestígio medieval que desapareceu.

Os elementos medievais iam sendo modificados visando o deleite estético e esquecendo sua finalidade histórica.

Entretanto, o espírito medieval foi tão forte que ainda predomina.

A Revolução Francesa, guiada sempre pelo ódio igualitário, antiaristocrático, danificou tudo o que pode apelando a pérfidas decisões administrativas.

O governo revolucionário obrigou o proprietário Maximilien Gabriel Louis de Béthune, a cortar as torres de defesa em nome do princípio de igualdade. Poderíamos dizer que foram guilhotinadas como a família real.

As paredes externas do lado norte foram rebaixadas ao nível do térreo. Três torres de canto do donjon foram devastadas. Os dois canhões do castelo foram roubados e levados para Orleães e a própria coleção de armas do castelo foi confiscada.

Os donos foram jogados numa vala comum e seus restos só viriam a ser recuperados no século XX para serem enterrados no túmulo familiar.

A rainha Ana da Áustria e seu astuto favorito, o cardeal Mazzarino se refugiaram-se no palácio em 1652 em plena revolução da Fronde.

Até o século XX os duques de Sully receberam muitos convidados ilustres, como o marquês de La Fayette retornado de sua famosa participação na guerra da Independência dos EUA.

Também o malfadado revolucionário Voltaire se exilou em Sully-sur-Loire entre 1716 e 1729 após ser banido de Paris.


O castelo manteve-se por mais de 350 anos na posse da família de Béthune.

Além dos danos da Revolução Francesa, nunca sanados, o edifício sofreu mais danos pelas bombas na Segunda Guerra Mundial.

Para pior, nessa guerra se instalou no castelo um quartel do Estado-maior alemão que vendeu grande parte do mobiliário.

A última proprietária, Marie Jeanne de Béthune, ficou arruinada pela II Guerra e em 1962 vendeu o palácio ao Departamento de Loiret, que detenta a pose.




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Um comentário:

  1. Muito bonito! Soe apaixonado por Castelos,Fico muito feliz em receber essas postagem contendo a história dos povos,
















    obrigado!

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