quarta-feira, 15 de abril de 2026

Em volta do castelo , nobres protetores e plebeus obedientes formaram uma família social

Castelo de Auzers, Cantal, França.
Castelo de Auzers, Cantal, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Com o correr do tempo a família do “sire” que reina sobre o primeiro esboço do futuro castelinho chamado de “motte” se multiplica em novos ramos.

Estes continuam unidos ao tronco pelo espírito de solidariedade que os anima, pelo desejo de ver crescer a sua “pátria”.

Pois “pátria” significa a “terra onde estão enterrados os pais” (do latim pater=pai).

Os artesãos e lavradores também permanecem, de geração em geração, ligados à estirpe do seu senhor.

Todos continuam a reconhecer a chefia do filho mais velho do senhor, i. é, o primogênito.

Todos vêem nele o pai comum, sucessor daquele que foi “pai” e protetor de seus pais. Dão-lhe o nome de barão, título que na origem é bastante largo.

Castelo de Pesteil, Cantal, França.
Esta família maior, oriunda da família básica e conservando os caracteres desta, é a “mesnada”.

Algumas “mesnadas” se destacam por sua prosperidade, seu vigor, sua capacidade de resistir a ataques inimigos.

Atraídos por sua fama, muitos que não se sentem em segurança em sua própria terra ingressam em seu seio, com suas famílias, encontrando ali a proteção de que necessitam e contribuindo para o seu fortalecimento e crescimento.

Com a “mesnada”, a “motte” evolui para o castelo ainda rudimentar.

Duas linhas de defesa o protegem: a primeira formada por um fosso e por uma paliçada de madeira assente sobre uma escarpa de terra, tendo na entrada um pequeno fortim avançado, a barbaça.

A segunda — separada da primeira por um fosso chamado liça, no qual havia às vezes hortas e jardins — é uma robusta muralha de pedra, entremeada de torres e circundada por um caminho de ronda, por sua vez protegido por um parapeito com ameias.

Castelo de Almansa, Albacete, Espanha
Atravessa-se essa muralha por uma porta ladeada por duas torres, dotada de ponte levadiça e de uma grade de ferro que se move no sentido vertical.

Dentro do castelo há duas áreas.

Na primeira estão as habitações dos artesãos e os abrigos dos camponeses — que já não moram dentro, mas ao redor das fortificações — onde se refugiam em caso de ataque, com suas famílias, seus bens e seus animais.

Na segunda ficam as acomodações dos companheiros e parentes mais remotos, a pequena capela (em geral sede da paróquia, centro da vida espiritual e alma dessa comunidade) e a torre de menagem, residência do barão e de sua família mais próxima, que continua sendo o centro da resistência, o último reduto da defesa.

Sobre ela, dominando tudo, a torre de vigia. Enquanto o casario é de madeira, dando ainda a impressão de acampamento, a muralha, as torres e o imponente “donjon” já são de pedra, robustos e duradouros.

(Fonte: “Catolicismo”, nº 57, setembro de 1955)

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

CHIMAY: harmonia e caridade no castelo da princesa

Castelo de Chimay hoje
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Talleyrand nos conta nas memórias dele, o que acontecia no castelo da avó dele, a Princesa de Chimay.

Chimay é um grande título da Bélgica.

Ser Princesa de Chimay era quase como que ser Grã-Duquesa de Luxemburgo, quer dizer, uma soberana independente, de um pequeno feudo.

Quando chegava aos domingos, ela primeiro ia à Missa na capela do castelo. As pessoas pobres da zona que quisessem assistir à Missa iam para o castelo e também assistiam.

Depois da Missa, a princesa ia, acompanhada da pequena nobreza local – portanto, nobreza autêntica mas muito inferior à dos príncipes de Chimay –, para a sala onde ela, a bem dizer, reinava como rainha.

O castelo de Chimay numa iluminura
Ela tinha uma espécie de trono sobre um estrado. Ela subia lá, podia haver uma pequena música militar que a banda tocava enquanto ela passava da capela do castelo para a essa sala.

Os pequenos nobres iam levando as coisas necessárias para a princesa exercer suas atividades curativas.

Um levava panos para passar ungüentos, outros levava uma maleta com remédios, outro levava uma caixa com tesouras e outras coisas que facilitavam alguma pequena intervenção como que cirúrgica.

E a princesa sentada no trono e olhando com bondade para aquele povo que estava lá.

O povo olhava como estava vestida a princesa, como é que ela fazia, como estavam vestidos os parentes dela.

Eles sabiam que a moda mudou vendo os fidalgos pequenos e grandes mudarem de vestidos e de roupas. Viam como se conversava elegantemente, acompanhavam os gestos e a gesticulação da conversa, etc.

Depois começava o desfile das misérias.

Os doentes e os pobres iam passando, ela ia perguntando por que é que não veio tal parente do pobre, se ele melhorou, se não melhorou, mandava lembranças, mandava um pequeno presente, ou então mandava um conselho para fazer tal ou tal coisa para melhorar, etc.

A atual princesa de Chimay recebe simpaticamente os visitantes no castelo
Os populares que podiam, traziam também pequenos presentes.

Às vezes eram petiscos, pães saborosos, leite, ovos, galinhas, porquinhos, frutas, legumes.

E a Princesa de Chimay aproveitava a ocasião para dar esses presentes aos que estavam mais necessitados ou mais fracos.

Isso levava tempo. Quando terminava, os nobres iam todos para a sala de jantar da nobreza.

E na copa e cozinha, e ainda em outras dependências, era a grande festa dos pobres que quisessem ficar para tomar sua refeição pela generosidade da princesa.

Depois isto tudo se dissolvia e o castelo voltava ao seu silêncio majestoso, na paz e no contentamento de alma de todos.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 8/4/94, sem revisão do autor)


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