quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

No castelo medieval: troca de bons ofícios

Porto de Mos, Portugal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Pelo mesmo processo através do qual a família — crescendo, multiplicando-se, agregando novos membros — veio a formar a mesnada, esta deu origem ao feudo.

O feudo é pois o estágio mais evoluído da organização social de base familiar.

Compreende o barão e sua família próxima, os ramos cadetes de sua estirpe e vassalos nobres que lhe prestam auxílio, recebendo em recompensa cargos, terras ou outros bens e formando a sua parentela.

Esse todo constituía a nobreza, cuja missão era governar o feudo e combater para a sua defesa.

Capela do castelo de Warwick, Inglaterra.
Capela do castelo de Warwick, Inglaterra.
Outra classe constitutiva do feudo era o clero — capelães, monges e párocos — cuja existência era consagrada à oração, ao ensino e à assistência aos desvalidos.

Por fim o povo, formado pela burguesia (comerciantes e artesãos) e pela plebe (agricultores e servos), cuja missão era produzir o necessário para o sustento de todos.

Semelhantes a essa era a organização dos feudos eclesiásticos, ou seja, daqueles cujo senhor era o bispo ou o abade, e, no caso das Ordens femininas, a abadessa.

O castelo feudal evoluiu.

Dentro da primeira muralha protetora, entremeada de torres e circundada pelo fosso, estão a capela e as habitações de soldados, não mais construídas em madeira, mas em pedra e tijolo.

A segunda área, separada da primeira por uma nova muralha com fosso e pontes levadiças, forma uma segunda linha de defesa, abrigando as residências do senhor e sua família e dos nobres que lhe prestam serviço.

Castelo de Daroca. Castela, Espanha.
Castelo de Daroca. Castela, Espanha.
A segurança do castelo permite que o barão more num belo e amplo palácio, e não mais na torre de menagem.

Esta permanece, atrás de uma terceira muralha, como último reduto da defesa e posto de vigia.

Geralmente o castelo fica no alto de uma elevação, e a torre de menagem é colocada do lado da encosta mais escarpada, o que torna mais difícil atacá-la.

O feudo se funda, como a família e a mesnada, no amor mútuo que une seus membros.

O barão deve a seus súditos proteção, assistência e defesa.

Restos do castelo de Torrelodones, Espanha.
Restos do castelo de Torrelodones, Espanha.
Ele vela por todos nas dificuldades e exerce a justiça quando surgem conflitos.

Sua autoridade porém não é absoluta. Os costumes têm no feudo força de lei, e o barão não pode, ainda que o queira, derrogar as praxes e modificar os direitos que a tradição consagrou.

Ao seu lado, sua esposa é mãe para todos os súditos, aos quais auxilia ou aconselha nas suas necessidades, dedicando-se especialmente a ensinar e educar as jovens, até o casamento.

Os súditos devem servir com amor e fidelidade ao senhor, seguir seu conselho nas questões importantes e pedir seu consentimento para se casarem, tal como o próprio senhor feudal deverá pedi-lo ao nobre ou ao rei, do qual é ele mesmo vassalo direto.

Os súditos de mais destaque colaboram com o barão na administração da justiça e nos conselhos reunidos para as grandes deliberações.

Os deveres recíprocos estão traçados minuciosamente em juramentos religiosos, cujos textos até hoje se conservam.

Os vassalos viam a fidelidade como um dever, mas também como um benefício: “Gente sem senhor está em muito má situação” — diz um provérbio da época.

O conde Gaston Febus com caçadores. Livro da Caça, Biblioteca Nacional da França.
O conde Gaston Febus com caçadores. Livro da Caça, Biblioteca Nacional da França.
De fato, quem não tem senhor deve enfrentar sozinho as lutas e agruras da vida, nesses tempos ainda tão ásperos.

Há no feudo uma hierarquia muito variada e intrincada, e não apenas a autoridade total de um só senhor sobre uma multidão de súditos iguais.

Os nobres se dispõem em graus interdependentes, os trabalhadores podem ser súditos tanto diretamente do senhor como de algum de seus nobres, ou até de burgueses, e estes podem estar colocados na dependência deste ou daquele suserano.

Até entre os servos há uma hierarquia, com várias subordinações, havendo mesmo servos que o são de outros servos.

Os servos da gleba, dos quais tanto se tem falado, eram trabalhadores braçais fixados a uma terra que não podiam abandonar, mas da qual, em compensação, não podiam ser expulsos.

Tinham direito a proteção e auxílio e podiam exigir do senhor que os sustentasse nas épocas de crise, ao passo que em iguais circunstâncias os que eram livres chegavam a morrer de fome.

Sua condição, dura a princípio, mas aos poucos suavizada por influência da Igreja, não era uma escravidão, pois suas obrigações eram bem delimitadas e o senhor não tinha autoridade absoluta sobre eles.

Era mais ou menos como um contrato de enfiteuse vitalício e irretratável por ambas as partes.

Os servos constituíam um grau, embora ínfimo, da estrutura familiar que formou a civilização feudal.

Por isso repetiam-se entre eles e seus senhores os mesmos sentimentos de união, de devotamento e de amor que eram a base da vida social.

Nas crônicas do senhor Amis lê-se que, tendo ficado leproso, foi expulso do castelo por sua esposa, repelido pelos camponeses e posto para fora até do hospital de caridade.

Dois servos da gleba, porém, deixaram tudo para o seguir, cuidando dele como de um pai, chegando a mendigar para sustentá-lo.

Na Idade Média houve muitas vezes o espetáculo admirável de servos levantando-se em massa para irem libertar seu senhor, caído prisioneiro.


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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

MARÇAY: força, simplicidade e encanto

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






À beira da estrada, um “castelinho” cheio de beleza e dignidade transmite um sorriso encantador.

Seu nome é Marçay, o mesmo da localidade, no vale do Loire, na França.

De onde vem seu encanto?

É porque ele é ao mesmo tempo forte e tem algo de brinquedinho.

O teto é em “V”, com ângulo muito fechado e a pedra é forte.

Ele é de uma época em que já não eram construídos os castelos militares medievais mas conservavam-se os que existiam.

À parte medieval se acrescentavam modificações mais recentes.

O teto ainda é muito pontudo “en poivrière” ‒ poivre é pimenta, a poivrière se usava antigamente na mesa para conter a pimenta e tinha essa forma.

As torres redondas eram feitas para suportar arremetidos de toda ordem.

Posteriormente, com o desaparecimento gradual das guerras feudais, foram abertos nelas alguns orifícios.

A parte superior da torre tem um diâmetro maior e uma porção de arcozinhos ajudam a suportar essa parte. Qual é a razão disso?

É que a defesa militar da torre está na naquela parte do alto. Ali ficavam os soldados que defendiam a torre.

Eles se defendiam atirando setas sobre os que sitiavam o castelo através de seteiras estreitas, janelas pequenas através das quais eles jogavam coisas sobre os assaltantes.

De outro lado, nesses arcozinhos o chão era furado, e através dos rasgos postos no chão, eles também jogavam coisas contra os soldados que procuravam aproximar-se da torre.

Essas torres devem em ter tido em volta um fosso com água. Então, se compreende a dificuldade de conseguir vencer essa torre.

Há uma torre quadrada, mais ou menos com a mesma estrutura das redondas.

Depois há uma torrezinha que dá acesso a uma pequena porta que antigamente devia ter um pontezinha levadiça. As torres defendiam essa entrada.

Deve ter havido no castelo partes antigas que se incendiaram, ou foram demolidas, ou arrasadas e foi construída uma edificação mais recente em que a preocupação da guerra transparece pouco ou nada.

A parte nova tem chaminés e janelas já bem altas e largas, e algumas quase ao alcance do chão.

Aparece uma preocupação exclusivamente ornamental.

Não há ameias nem passeio de ronda, nada disso, ela é feita para acomodações agradáveis, confortáveis.

O castelo, porque é muito mais alto do que achatarrado, tem qualquer coisa de leve e até de brinquedinho.

O telhado é todo revestido de ardósias, que é um material muito bonito e tem a vantagem de ser incombustível.

Em caso de guerra se jogam setas incendiadas, batem na ardósia e cai no chão. Ardósia é pedra, não pega fogo.

A preocupação de ser delicado, tão característica da arquitetura post medieval ali começa a aparecer, a sorrir.

O castelo tem em torno de si um bosque bonito e uma pradaria grande.

A desproporção entre a altura e a parte do castelo que pousa no chão é que dá a leveza e a graça do castelo.

O parque é muito agradável e bonito.

Há cadeiras de parque brancas colocadas em vários lugares.

O dia era lindo, a vegetação quase não se movia, não ventava, havia uma espécie de louçania, de doçura que estava esparsa pela ar, mas que parecia brotar até da terra.

A vontade que eu tive era de propor aos meus companheiros de viagem de ficarmos umas duas ou três horas conversando assuntos diversos, numa agradável prosa sem eira e nem beira, e estritamente impedido de introduzir qualquer assunto administrativo.

Mas nós tínhamos um calendário marcado e não era possível.

Foi, portanto, com certo pesar que eu me despedi do castelo de Marçay.


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quarta-feira, 15 de novembro de 2023

COCHEM: castelo das “mil e uma torres”

O castelo de Cochem domina o rio Mosela com fascinante atrativo
O castelo de Cochem domina o rio Mosela com fascinante atrativo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O castelo de Cochem coroa uma elevação que domina o rio Mosela com fascinante atrativo.

Essa colossal joia arquitetônica faz parte do segundo menor distrito rural do Lander Renânia-Palatinado, grande região da Alemanha.

Com pouco menos de 5.000 habitantes, Cochem só é menos populosa que o distrito rural de Kusel.

Como é possível que de algo tão pequeno na ordem material tenha surgido algo tão grande na ordem do espírito, da arte e da arquitetura?

O castelo de Cochem sintetiza o que a Idade Média fez de melhor e aquilo que o século XIX – século em que o castelo foi restaurado a fundo – sonhou a respeito da ordem medieval.

O século XIX restaurou joias arquitetônicas da Idade Média. Cochem
A Idade Média sonhou com Deus e com a ordem maravilhosa que Ele pôs o universo.

E assim acabou nascendo a Cristandade.

O século XIX sonhou com a Idade Média e a ordem da Cristandade e restaurou joias arquitetônicas com uma riqueza de recursos e técnicas que não havia na era medieval.

É uma espécie de regra de três: o século XIX está para a Idade Média como a Idade Média está para Deus.

Porém, os medievais não sonhavam com Deus do mesmo modo que o século XIX sonhou a ordem medieval.

No ponto de partida e ao longo de toda a realização das obras, para o medieval está a fé.

E a certeza de que esta terra é um vale de lágrimas onde o homem se prepara pelas boas obras para ver a Deus durante a eternidade.

Por essa razão o medieval acabava pondo em tudo que fazia, inclusive nas realizações mais pragmáticas, uma certa semelhança do Céu a que ele aspirava.

E essa nota por assim dizer “paradisíaca” impregnou tudo o que os medievais fizeram.

O castelo de Cochem foi construído perto do ano 1000 pelo conde palatino Ezzo, filho do conde palatino Hermann Pusilius.

Cochem aparece pela primeira vez num documento escrito em 1051, quando Richeza, irmã mais velha de Ezzo e ex-rainha da Polônia, legou o castelo ao conde palatino Enrique I.

Salão do castelo de Cochem
Salão do castelo de Cochem
Em 1151, o rei da Alemanha Conrado III tomou conta da fortaleza, a qual passou a fazer parte de um dos feudos imperiais.

Em 1294, o rei Adolfo de Nassau cedeu ao arcebispo de Trier, D. Boemundo I, a cidade de Cochem, seu castelo e cerca de 50 cidades.

Desde então, os arcebispos de Trier, que também elegiam os imperadores, passaram a governar Cochem.

O arcebispo D. Balduino de Luxemburgo (1307-1354) engrandeceu-o e fortificou-o.

Em 1688, durante as famosas guerras de sucessão do Palatinado, as tropas do rei francês Luis XIV invadiram a região do Reno e da Mosela, se apoderaram do castelo e o incendiaram.

Cochem ficou reduzido a ruínas até 1868 – portanto, no século XIX, ao qual acima nos referimos – até que um rico homem de negócios de Berlim decidiu reconstruí-lo inteiramente a partir das ruínas, mas inspirando-se no estilo neogótico, muito popular no Romantismo alemão.

As brumas envolvendo o castelo de Cochem
As brumas envolvendo o castelo de Cochem
A mobília atual remonta aos tempos da Renascença e do Barroco.

O castelo se encontra a mais de cem metros acima do rio Mosela.

Sob o sol resplandecente do verão, ele supera em beleza, proporção e autenticidade os próprios castelos de Hollywood, tão fantasiosos quanto artificiais.

No inverno as brumas o envolvem, ressaltando aspectos de sua feérica figura, que ora aparecem, ora desaparecem entre as nuvens.

As muralhas externas, primeira linha defensiva em caso de guerra, se adaptam à topografia natural.

Árvores e vinhedos crescem até o próprio pé desses imponentes muros, numa harmoniosa integração da natureza e da civilização.

O arvoredo é como que prolongado por uma minifloresta de torres e pontas que combinam com a vegetação e a geografia, acrescentando o requinte da cultura católica.

Sobre uma torre mais larga, à direita da foto, surge a capela com uma torre de sino bem estreita e original, entre aquele ‘bosque’ de belos pináculos.

Veja vídeo
Cochem:
no vale do Mosela
No centro apreciamos o grande pátio interior, sobre o qual dão os diversos corpos de edifícios.

Eles formam um conjunto que se diria caótico de acordo com os critérios dos prédios quadrados e sem graça modernos.

Mas eles se harmonizam com insuperável poesia e beleza. Todos eles estão coroados com as mais diversas torrezinhas e janelas em ponta.

No centro surge a cidadela ou torre de menagem, a peça central do sistema defensivo, reinando com impressionante força e majestade.

Poder-se-ia achar que uma torre tão possante e muitas vezes mais imponente que as outras esmaga as torrezinhas.

Mas nada disso.

Tem-se a impressão de que as pequeninas se sentem protegidas e muito bem aconchegadas ao pé dessa formidável torre monárquica.

Duas torrezinhas de Cochem
Duas torrezinhas de Cochem
Essa torre de menagem é a rainha da ‘floresta’ de torrezinhas e o conjunto reina sobre o proeminente morro.

Embaixo o rio Mosela corre sereno e como que amparado à sombra da fortaleza.

As plantações de uva para vinho crescem abundantemente sobre as acentuadas encostas que ladeiam o rio.

Assim era o relacionamento social do povo com a nobreza, inclusive a mais elevada. E do medieval com o próprio Deus.

O pequeno se sentia bem protegido pelo grande, a quem servia com enlevo e veneração. Então todos os frutos da harmonia social podiam se desenvolver à vontade num ambiente de cooperação e apoio mútuo, pacífico e aconchegante.

O castelo vigia pela boa ordem do vale, como Deus vigia pela Ordem da Criação
A força e o aconchego estão por toda parte em Cochem, impregnados por uma fantasia ordenada pela lógica e pela fé.

Se por absurdo um anjo precisasse um dia repousar na Terra, por certo encontraria no castelo de Cochem uma residência ideal.

Então ele poderia, a partir de suas torres, entoar os melhores cânticos de glória a Deus num contexto cultural e natural condigno.


Vídeo: Cochem: castelo nas beiras do Mosela





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quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Se os homens tivessem continuado construindo castelos...

Clerans, Castelos medievais
Castelo de Clerans, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Idade Média gerou grandes castelos de fábula, por exemplo o de Chenonceaux ou o de São Luís.

Mas também produziu centenas e centenas de castelos de graus menores de beleza e magnificência.

E eles são muito bonitos e admiráveis também como o de Clerans na foto ao lado.

E, não só de castelos, mas casas senhoriais, burguesas e populares nas quais se espelhava qualquer coisa do brilho do grande castelo.

O universo dos castelos medievais não se compreende verdadeiramente, sem considerar esta dimensão social.

No período medieval o teor geral da vida possibilitou ao homem realizar na Terra não propriamente um mundo de gostosuras, mas sim um mundo de maravilhas e de realizações arquitetônicas, ultra-sapienciais e ultra-capazes de nos falar do Céu.

E por causa disso mesmo ultra-agradáveis para o homem peregrino nesta terra.

A beleza de Chenonceaux e dos castelos medievais não se exprime bem dizendo “que gostoso é morar aqui!”

Porque há um critério profundo que explica esses castelos mesmo os menos conhecidos como o fotografado ao lado, perto de Rocamadour, na região de Midi-Pyrenées.

Perto de Rocamadour, castelos medievais
Castelo em Rocamadour, Midi-Pyrénées, França
É a elevação de alma, a nobreza, a dignidade que engrandece o homem.

Não apenas ao senhor do castelo, mas até o jardineiro do castelo, como podemos ver na simpática casinha do encarregado do jardim (foto embaixo).

Nela, aliás, mora o atual proprietário de Chenonceaux, sendo o castelo continuamente visitado por turistas, viajantes e admiradores.

Os castelos cumpriam, e num grau enorme, a tão decantada "função social da propriedade privada".

Mas, não ficava nisso.

O castelo medieval irradiava em torno de si uma vida de feeria que elevava a vida do conjunto social a patamares que, no nosso massificado mundo hodierno, custa-nos imaginar.

Se esse movimento ascensional de conjunto não tivesse sido interrompido, até onde a civilização católica teria chegado?

Chenonceaux, casa do jardineiro. Castelos medievais
Casinha do jardineiro de Chenonceaux,
usada como moradia pelo atual proprietário do castelo.
Por certo, teria produzido uma imagem empolgante dos esplendores do Céu.

Essa imagem teria ajudado imensamente à prática das virtudes.

E, portanto, até contribuiria possantemente para a salvação das almas.

A cultura da morte, por exemplo, nem teria podido aparecer.

E se a Europa tivesse chegado a um patamar insonhado, até onde poderia ter chegado nosso Brasil sob a benéfica influencia da Civilização Cristã européia, da qual ele provém?


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