terça-feira, 5 de novembro de 2013

GUIMARÃES: afabilidade, bondade, hospitalidade e combatividade

Castelo medieval de Guimarães
Castelo medieval de Guimarães
O castelo de Guimarães é um castelo da Idade Média com reformas de tempos posteriores.

Sério, sóbrio, distinto, ele transmite uma nota que é muito própria aos palácios portugueses.

É uma nota que também faz pensar no Brasil e no estilo de ser brasileiro, e que é a seguinte.

Os castelos europeus são todos muito bonitos, mas estabelecem uma espécie de solução de continuidade entre o castelo e o castelão e quem passa perto.

Eles transmitem a idéia de que o castelo é meio inacessível e onde é meio difícil de entrar.


Essa ideia não é intrinsicamente ruim; pelo contrário, ela cabe bem cabe no papel de quem é superior.

Em linhas gerais eu não critico essa concepção geral das coisas, eu até a louvo.

Pois eu gosto muito das coisas imponentes, majestosas e que sabem estabelecer distâncias.

Paço dos Duques de Bragança, na mesma municipalidade do castelo medieval
Paço dos Duques de Bragança, na mesma municipalidade do castelo medieval
Mas há alguma coisa na índole portuguesa que faz do afeto uma nota característica do espírito nacional, como também no espírito brasileiro.

E o velho castelo português, ou o velho solar português, não diz a quem passa: “Não entre porque eu sou um castelo.”

Mas diz o contrário: “Olha, eu sou um castelo. Não quer entrar?”

E o popular português olha para esse convite com um sorriso largo de quem se sente em seu Portugal, e bem interpretado pelo senhor feudal dono do castelo.

É também o caso de muitos outros solares um pouco apalaciados, como o Solar de Mateus que aparece em garrafas de um conhecido vinho rosé.

O castelo de Guimarães é muito imponente, muito distinto. E é digno de nele morar um príncipe.

Mas ele sugere que qualquer um que nele entrar encontrará ali a sua própria casa. Que será recebido com afabilidade, com bondade, que é uma nota nova que Portugal e Brasil inauguram nas harmonias do mundo. São povos chamados a isso.

Ao lado de autêntico castelo, Guimarães tem qualquer coisa de casa de família.

E quem não conhece o castelão, pode supor que ele é homem de sair e ficar conversando com gente que está em volta.

E que ele é respeitadíssimo. Mais como patriarca do que como governador!

Paço dos Duques de Bragança, na mesma municipalidade do castelo medieval
Paço dos Duques de Bragança, na mesma municipalidade do castelo medieval
O castelo encarna uma certa vocação para a patriarcalidade nas relações superior-inferior que é muito típica do Portugal, e também do Brasil.

Nas casas modernas não se sente mais a intimidade desses castelos, solares e fazendas.

É uma virtude que começou a perfumar o mundo partindo de dentro de Portugal. O modo brasileiro deve ser é esse.

Por exemplo, comparemos Guimarães com o esplêndido castelo mouro de Granada. Esse tem uma beleza monumental que enregela um pouco.

Tome a minha querida torre de Belém, o mosteiro da Batalha, o Jerônimos: não enregelam. A pessoa desabrocha lá dentro.

Há uma qualquer coisa que é própria ao gênio luso que desabrocha no castelo de Guimarães.

Esse gênio assim não leva para a moleza. Basta estudar, ou ler um pouquinho a vida do Beato Nuno Álvares, cavaleiro por excelência, ou de qualquer digno morador de um castelo português para constatá-lo.

O local foi campo de uma batalha decisiva para a formação de Portugal
O local foi campo de uma batalha decisiva para a formação de Portugal
No castelo de Guimarães isso também se percebe.

Em frente dele há o terreno onde se travou uma batalha feroz, dentro das batalhas decisivas da história de Portugal.

Cristãos e mouros ali se agarraram, se mataram, rolaram ums com os outros, no meio das exclamações, das pancadas, das punhaladas e das espadadas, ferozmente.

Porque todas as medalhas têm seu reverso.

Foi a Batalha de São Mamede, travada na periferia da cidade em 24 de Junho de 1128, que teve importância decisiva para a formação do reino de Portugal.

É assim que o castelo de Guimarães, ainda que só olhado por fora, deixa uma recordação imperecível.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 3.8.83. Sem revisão do autor)



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3 comentários:

  1. Maria das Graças Dourado Pimenta6 de novembro de 2013 10:44

    O estilo descritivo de Doutor Plínio é inconfundível, originalíssimo! Percebe-se logo que se começa a ler, e os castelos portugueses também tem características próprias de Portugal, simples, mas muito convidativos.

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  2. Muito interessante estas historias! Lindas, nem parece ser verdade. Sabendo se que o povo de antigamente
    era bem menos desenvolvido. Não tinha as tecnologias que possuímos hoje. Impressionante como
    criavam obras maravilhosas como estas que sobreviveram ao tempo. Sem palavras....lindosss...

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  3. Muito Majestoso! Belo e Magnifico! sem palavras!

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