quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Importância do castelo ou palácio real
para a vida de um povo

Castelo do rei São Luís IX em Paris, conhecido como Conciergerie
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Um castelo ou palácio real tem como finalidade abrigar o soberano ‒ ele tem que morar em algum lugar ‒ com o esplendor que corresponda à sua alta categoria.

Ali recebe visitas e embaixadores com suas credenciais, oferece banquetes, dá recepções, tem seus apartamentos privados onde leva a sua vida particular.

Tudo adequado ao supremo degrau dele, em correlação à etimologia da palavra majestade ‒ stat majus ‒, o estado que é maior, máximo, mais que todos os outros. Nisso consiste a majestade.

Mas esse é o aspecto interior do palácio.

O verdadeiro é perguntar que importância tem para a vida de um povo seu exterior.

O povo fica vendo que ali mora o homem que é o rei, o número um da nação.

Então, pergunta-se como é a habitação número um?

Castelo real de Amboise, França
Qual é o esplendor número um?

Qual é a segurança número um?

Qual é a beleza número um?

Qual é o charme número um do país onde mora o homem número um?

De maneira que o castelo ou palácio real é uma espécie de padrão do que há de melhor em habitação.

Há filósofos da arte que pretendem que a arte número um é a arquitetura, na qual todas as coisas se inserem.

Sala dos Estados, castelo de Amboise, França
Pelo fato de reunir todos os elementos de beleza, ela é uma espécie de suprema escultura ou de suprema pintura, um quadro máximo, uma realização máxima de um ideal de beleza máximo e de um estado de espírito número um.

Nesse sentido, um palácio é um compêndio de moral, porque deve ensinar o mais alto grau de virtude que compete ao mais alto magistrado de um país.

Então, como é a força do rei, como é sua sabedoria, como é sua paciência e sua impaciência, como é seu charme, como é a gravidade e seriedade do rei, como é a cólera do rei.

Todo o espírito humano nas suas mais altas dimensões é atribuída ao monarca e se exprime na fisionomia do seu palácio.



Plinio Corrêa de Oliveira. Sem revisão do autor.


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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

HAUT-KŒNIGSBOURG: o “alto-castelo do rei”

Haut-Kœnigsbourg: imponente fortaleza protege vales e estradas
Haut-Kœnigsbourg: imponente fortaleza protege vales e estradas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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O castelo de Haut-Kœnigsbourg é uma fortaleza medieval muito ligada à história alemã, mas que hoje faz parte da região francesa da Alsácia.

Seu nome significa “alto-castelo do rei”. O termo “alto” não se refere à elevação em que foi construído, mas à sua elevada categoria.

E, de fato, seu imponente perfil rodeado de bosques domina as planícies e irradia força, ordem e majestade.

No ano 774, Carlos Magno legou o morro de Staufenberg – sobre o qual foi construído Haut-Kœnigsbourg – e as terras vizinhas ao priorado beneditino de Lièpvre, que por sua vez era vassalo da abadia de Saint-Denis, sede dos túmulos da família real francesa na proximidade de Paris.

Após 1079, Frederico II, Duque de Suábia, o Caolho, criou uma linha defensiva composta de muitos castelos, inclusive em terras que não lhe pertenciam.

Foi assim que a primeira construção do castelo de Haut-Kœnigsbourg surgiu em plena ilegalidade sobre as terras dos monges da abadia de Lièpvre.

Em 1147, Eudes de Deuil, monge de Saint-Denis, apelou à intercessão do rei francês Luis VII junto ao rei Conrado III de Hohenstaufen para reparar a injustiça.

Haut-Kœnigsbourg: os imperadores romperam com o Papa e entraram em declínio
É a primeira menção feita ao castelo num documento escrito.

Naquela época a fortaleza contava com duas torres que permitiam vigiar a estrada que atravessava a Alsácia de norte a sul.

A região era estratégica, sobretudo para a poderosa família Hohenstaufen, à qual pertenceu Frederico Barbarossa, imperador do Sacro Império Romano Alemão.

A dinastia Hohenstaufen engajou-se numa guerra contra o Papado, da qual saiu extremamente debilitada e perdeu o Império.

Nesse contexto, os duques da Lorena assumiram a posse do castelo e o confiaram aos sires – pequenos senhores – de Rathsamhausen e, depois, aos Hohenstein, que ali instalaram o centro de governo de seu feudo.

Haut-Kœnigsbourg: aspecto do pátio interior.
Haut-Kœnigsbourg: aspecto do pátio interior.
Na decadência da Idade Média, os senhores feudais abandonavam com frequência os austeros castelos, procurando uma vida mais cômoda e voltada para os prazeres das cidades.

Desta maneira o castelo abandonado virou um covil de salteadores.

Para pôr fim à triste situação, a fortaleza foi conquistada e incendiada em 1462 por uma coalizão militar das cidades livres de Colmar, Strasbourg e Bâle (Suíça).

Os restos de Haut-Kœnigsbourg foram confiados em 1479à família Thierstein, que o reconstruiu, acrescentando torres e muros espessos.

Após a morte do último dos Thierstein, o imperador Maximiliano I comprou o castelo.

Em 1633, durante a guerra religiosa dos Trinta Anos, o exército protestante sueco tomou o castelo após bombardeá-lo durante cinquenta dias.

Em ruínas, o castelo foi relegado ao abandono.

Em 1871, a região da Alsácia voltou a ser alemã. Então o Kaiser Guilherme II de Hohenzollern quis criar um monumento à glória germânica.

Haut-Kœnigsbourg: sala de armas
Haut-Kœnigsbourg: sala de armas
Para isso encomendou não só uma restauração, mas uma criação nova de várias partes do castelo, reforma que durou de 1901 a 1908.

Não havendo planos nem documentos precisos sobre o antigo castelo, a imaginação teve sua parte, respeitando de maneira admirável tudo o que se podia considerar como de época.

Porém, a inspiração neogótica do século XIX prevaleceu, produzindo uma obra que, embora não inteiramente histórica, glorificou a imagem da Idade Média.

A mobília interior foi refeita nesse mesmo estilo.

O castelo tem algo de um navio de guerra que se lança por cima das ondas dos morros com segurança completa.

Ele olha para os vales onde passam caminhos estratégicos.

Sua silhueta avisa que irá interceptar qualquer grupo de bandidos ou inimigos que tentem perturbar a paz da região.

Com razão ele pode ser chamado “alto-castelo do rei”, uma vez que dispõe numa posição majestática (=que está no nível mais alto de todos).

Nada em sua arquitetura convida à moleza.

Também sua mobília fala de uma vida esplendorosa, mas austera e sacrificada.

Porém, se ele sacrifica tudo em aras da nobre função militar e real, Haut-Kœnigsbourg fala ao espírito valores e esplendores de uma nobreza imersa de cheio nas lutas da terra, mas com a alma olhando e apontando para o Céu.

Haut-Kœnigsbourg: vista aérea
Haut-Kœnigsbourg: vista aérea
Sua alta torre – a torre de menagem – é a parte mais central e nobre. Ela afirma o poder do senhor do castelo e imita a figura de um arcanjo descido de uma outra esfera.

Essa torre como que afirma: “Os valores que eu encarno estão aqui, encravados para sempre, porque eles nunca morrem. E sua razão de ser mais alta está em Deus, de quem o grande rei que me possui é apenas uma imagem temporal”.



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quarta-feira, 26 de julho de 2023

CHAMBORD: o Céu dominando a Terra

O mais surpreendente de Chambord está na floresta de torres do telhado.
O mais surpreendente de Chambord está na floresta de torres do telhado.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O aspecto mais maravilhoso de Chambord está no telhado.

Ele é coroado por uma floresta de torres e chaminés que sobem para cima como que num concurso.

Elas dão a impressão de um prédio que começa a voar e que várias partes de seu teto começam a subir para o céu, levadas por uma força oposta à força da gravidade.

Ai está um bonito contraste do castelo. Tudo na parte inferior fala da solidez na terra. A floresta de torres e chaminés fala de leveza que vai para o céu.

É um contraste harmonioso cheio de beleza.

Mas a vitoria do castelo está na torre central que domina todo o resto do castelo. Ela é o elemento monárquico.

Da torre central pende toda a nobreza e dignidade do castelo
É do alto da torre central que pende toda a nobreza e dignidade do castelo.

Tem algo de delicado, que quase se confunde com o céu e está bem no centro de todas as simetrias, das leves como das pesadas.

Em função dela e em torno dela o castelo se ordena.

A parte inferior de Chambord, sólida e atarracada, participa do reino do comum e do trivial. A parte superior é uma feeria.

Em ultima análise, Chambord representa o Céu dominando a Terra, a Fé dominando a vida terrena, o espírito dominando a matéria e tudo se resolvendo numa ordem única, que aponta para o Céu.

É propriamente o maravilhoso expresso no castelo de Chambord.

Chambord foi um castelo real. Mas, quando a vida política francesa se centralizou em Paris, os reis vieram cada vez menos a esse castelo e ele praticamente ficou sem historia.

De vez em quando morava alguma pessoa, a quem o rei cedia o castelo durante algum tempo: um general vitorioso, algum príncipe da casa real meio aposentado. Mas passou a ser um castelo sem historia.

Ele transpôs a Revolução Francesa e durante o reinado de Carlos X, foi comprado por uma empresa de demolidores que vendia material de construção. Esses demolidores chamavam-se “La bande noire”, a banda negra.

Chambord representa o Céu dominando a Terra, a Fé dominando a vida terrena, o espírito dominando a matéria
Chambord representa o Céu dominando a Terra, a Fé dominando a vida terrena,
o espírito dominando a matéria
Então, para salvar o castelo abriu-se uma subscrição em toda a França, e os franceses compraram o castelo para salvá-lo.

E o ofertaram ao herdeiro do trono, que era uma criança que usava o titulo de Duque de Bordeaux, e que passou, a partir desse tempo, a chamar-se Conde de Chambord.

Quer dizer, o concurso de dinheiro de um povo inteiro, no século XIX, salvou Chambord.

Houve assim uma espécie de plebiscito de amor do povo francês a favor desse castelo, depois de decorrida a Revolução Francesa.

Essa vitória foi consequência do amor do maravilhoso, sentido não só pelos literatos, artistas ou pessoas de alta educação, mas sentido pela massa inteira de um povo.

O triunfo do senso do maravilhoso sobre a sovinice fez a gloria dos franceses daquele tempo.




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quarta-feira, 12 de julho de 2023

Como pensa um nobre proprietário de um castelo francês?

Pierre-Louis de La Rochefoucauld, duque de Estissac,
e sua esposa a duquesa Sabine
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Pierre-Louis de La Rochefoucauld, duque de Estissac, declarou ao jornal irlandês “The Irish Times”, que ele não comemora o aniversário da queda Bastilha, fato revolucionário que marcou o inicio da derrocada da monarquia na França.

O duque afirma que são muitos os nobres franceses que assumiram essa posição, e que o socialismo ovante do presidente François Hollande os vem reforçando nessa recusa.

“Na Revolução Francesa nós tínhamos que fugir, nos esconder ou sermos mortos”, explica. No dia da Bastilha, há 224 anos, seu antepassado François Alexandre Frédéric de La Rochefoucauld foi interrogado pelo decadente rei Luis XVI se havia uma revolta em Paris.

E ele respondeu com uma frase célebre: “Não, majestade. Não é uma revolta, é uma revolução”.

Desde então se sucederam nove gerações de La Rochefoucauld, família cuja linhagem está solidamente estabelecida pelo há menos mil anos, desde Foucaud I em 1019.

Cerca de 15 membros dessa família foram guilhotinados durante as criminosas jornadas revolucionárias.

Beato Pierre-Louis de La Rochefoucauld-Bayers (1744-1792),
bispo de Saintes, mártir da Revolução Francesa
O mais renomado é o Beato D. Pierre-Louis de La Rochefoucauld, Bispo de Saintes, assassinado no cruzamento das ruas de Assas e Vaugirard em Paris, após ser encarcerado com 150 outros clérigos na capela dos Carmelitas, durante as sanguinárias “jornadas de setembro” de 1792.

“Ordenaram a eles reconhecer a nova Constituição da Igreja sob a Revolução. E todos disseram ‘Não’. Eles foram levados um por um ao jardim, onde dúzias de ‘patriotas’ caíram acima deles matando-os com martelos e facas”.

D. Pierre-Louis de La Rochefoucauld foi beatificado em 1920 e seria canonizado não fosse o fato, segundo o duque, de o Episcopado temer o governo republicano.

“Na França, todo governo empossado julga que a Revolução Francesa foi uma coisa maravilhosa”, diz ele com tristeza.

Mas, “se o senhor for a um igreja, encontrará pessoas como eu. A cavalaria é a base da velha nobreza, e a fé católica é a base da cavalaria. Em toda Europa há famílias como a nossa”, acrescenta.

Manifestação contra o 'casamento' homossexual, Paris
O duque não é de ir a manifestações de rua, mas saiu duas vezes no inverno passado para protestar contra a legalização do “casamento” homossexual. 

Os manifestantes estavam “felizes e simpáticos, mas eu fiquei horrorizado com a conduta da polícia”, observou ele.

Se dúvida pudesse haver, o ministro da Educação socialista, Vincent Peillon, afastou-as de uma vez.

No seu livro A Revolução Francesa não terminou, ele incita a acabar com a religião católica e os conservadores religiosos em geral, acusando-os de se oporem à ideologia de gênero e ao “casamento” homossexual.

Para o duque, o atual governo socialista é a continuidade hodierna do regime do Terror jacobino.

Na França, seis mil nobres lutam para frear tanto a erosão de suas propriedades – simbolizadas pelos seus castelos – quanto as suas tradições, inscritas em quase todos os cantos do país.

O duque gosta de caçar na floresta de Orleans, prática secular intimamente ligada aos primórdios da nobreza na Idade Media que a legislação socialo-ecologista quer proibir esta.

Castelo de Bonnétable: restaurado e mantido pela família La Rochefoucauld.
A nobreza mantém de iniciativa própria grande parte
do patrimônio histórico familiar da França
O duque vive de sua terra e tem em horror à expressão anglo-saxã “fazer dinheiro”.

“Eu acho que é horrível, horrível. E eu não estou sozinho nisso”.

Ele objeta as fortunas baseadas nas finanças, pois provêm e produzem coisas que têm uma realidade fictícia, passageira, enganadora.

Aparentemente, essa atitude dos nobres seria partilhável pelo presidente socialista Hollande, que se diz contrário ao capitalismo, bem como por muitos outros arautos que gostam de se exibir como defensores dos pobres.

Mas pode-se “tirar o cavalo da chuva”, pois esses “generosos” e “humildes” populistas odeiam as posições da nobreza, porque estas se inspiram verdadeira e sinceramente no exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo.



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