terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Blois: castelo povoado de personagens e eventos históricos — 2

Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França
Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França

continuação do post anterior

A Sala dos Estados é a mais antiga sala gótica da França, destinada a uma finalidade temporal.

Foi Sala de Justiça dos condes de Blois, e depois albergou os Estados Gerais – espécie de Assembleia nacional extraordinária – em 1576 e 1588.

Era costume dos senhores feudais administrar justiça.

São Luis fazia-o embaixo de uma árvore famosa do bosque de Vincennes, então na periferia de Paris.

E se pudéssemos assistir em espírito a essa cena?


Capela do castelo de Blois
Capela do castelo de Blois
Posteriormente a nobreza foi transferindo o poder de julgar a uma categoria especial: a dos juízes.

E assim forma se especificando os poderes fundamentais da sociedade na Idade Média.

A torre circular de Foix é um dos vestígios da fortaleza medieval. Ela defendia o sul oeste do castelo.

No século XIII o castelo passou para a família de Châtillon, originária da Borgonha, que depois o passou para a família de Orléans.

Em 1429, antes de partir para liberar Orléans, Santa Joana de Arco se fez abençoar na capela do castelo pelo arcebispo de Reims, D. Renault de Chartres.

Quem lembrar desse fato ao visitar a capela tirará um suco especial da visita.

Vista aérea do castelo de Blois
Vista aérea do castelo de Blois
Em 1462, nasceu o futuro rei Luis XII e em 1498 o castelo medieval se tornou residência real. Luis XII o escolheu como sua residência principal. E assim ficou sendo durante o reinado da dinastia de Valois.

Louis XII reconstruiu-o em estilo gótico tardio, acrescentando a capela de Saint-Calais. Blois testemunhou grandes fatos nesse período: o casamento de César Borgia em 1499 e de Guilherme IX, marquês de Montferrat em 1508. Por ele passou também o famoso mais cínico Nicolau Machiavelo.

Sob Francisco I o castelo atingiu um auge de enriquecimento. Francisco I, porém foi um rei pomposo mais volúvel como o espírito da Renascença que abandonava o espírito medieval.

Porém, a decadência de costumes do Renascimento produziu funestos frutos.

Em 18 de outubro 1534, no castelo foram distribuídos panfletos protestantes contra a Missa católica, inclusive na porta do quarto do rei.

O fato marca o início das violências que culminariam nas guerras de religião.

Assassinato do duque de Guisa. Paul Delaroche (1797-1856), Musée Condé, Chantilly
Um quarto fala especialmente desse sombrio período histórico. É o próprio quarto do rei.

Nele, Enrique II – rei tudo penetrado das molezas e vilanias do espírito renascentista – fez assassinar ao duque de Guisa chefe do partido católico. No dia seguinte fez matar ao cardeal de Lorena, irmão do duque.

Conta-se que Enrique II cinicamente, contemplando o cadáver do duque de Guise que era muito alto, teria dito:

«Mon Dieu, qu'il est grand ! Il paraît même plus grand mort que vivant !» “Meu Deus, como ele é grande! Ele parece até mais grande morto do que vivo!”.

O castelo ficou como tocado pelo crime. Após as guerras de religião, Luis XIV se desinteressou por ele e Luis XVI pensou em destruí-lo logo antes da Revolução Francesa.

Mas, a destruição não chegou a se consumar e o castelo ficou quartel do Royal Comtois, um regimento de cavalaria, e após a Revolucao foi decaindo.





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Um comentário:

  1. Joana Benedita de Lima Moraes18 de fevereiro de 2014 13:58

    Adorei o o castelo e sua história.
    Muito legal!!! Obrigada!

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