terça-feira, 30 de outubro de 2012

Coca e o castelo ideal que está nos possíveis de Deus

Castelo de Coca: é como se acima dele pairasse um super-castelo.
Castelo de Coca: é como se acima dele pairasse um super-castelo.

O castelo de Coca, situado na província de Segóvia, Espanha, foi construído no século XV e é propriedade da Casa de Alba, uma das mais augustas famílias nobres da Espanha, que o emprestou ao Governo espanhol até o ano 2054.

Castelo de Coca: antiga ponte levadiça e grade defensiva
Castelo de Coca: antiga ponte defensiva e grade de ferro
Ele repousa num meandro do rio Voltoya, rodeado por um largo e profundo fosso.

Foi feito em tijolo por razoes decorativas, mas a pedra aparece em muitas partes.

O sistema defensivo prevalece sobre outras considerações e consta de três partes: o fosso e dois recintos amuralhados com torreões.

Uma ponte defensiva que passa sobre o fosso e leva ao primeiro recinto amuralhado.

Mas a defesa não para ai: quem entra encontra ainda um obstáculo importante: uma porta em forma de grade de ferro que fecha a passagem rumo ao pátio de armas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre?

Castelo de Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre
Castelo de Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A Europa medieval foi um mito que se realizou.

A Religião Católica transformou um continente povoado de bárbaros e romanos decadentes em um seminário do Céu.

Os valores que os castelos encarnam são, no fundo, valores religiosos.

Porque eles são símbolos.

O lado simbólico é muito mais importante que o lado prático e que o lado estético.

É por isso que nos agradam tanto.

Símbolos do quê?

Do Paraíso Celeste, por exemplo.

Como assim?

O Paraíso Celeste é um lugar material. Nele viveram Adão e Eva antes do pecado original e nele viverão os bem-aventurados durante a eternidade.

É um lugar onde Deus instalou coisas magníficas, castas e santas, para o homem viver imerso nelas.

É um mundo feito de matéria, mas de uma matéria que fala de Deus.

O castelo de Fontaine-Henry, em Calvados, na região da Basse-Normandia, França, é um exemplo disso.

Castelo de Fontaine-Henry: reencenação histórica
Fontaine-Henry: reencenação histórica
O castelo pertence à mesma família há perto de dez séculos.

Jamais foi vendido, embora os nomes familiares tenham sido trocados em razão de casamentos.

As famílias de Tilly, d’Harcourt, de Morais, Boutier de Château d'Assy, de Montécler, de Marguerie, de Carbonnel, de Cornulier et d’Oilliamson foram passando de mão em mão a propriedade através de mil anos.

Sabe-se da existência no local de uma fortaleza no início do século XI.

Fontaine-Henry: decoração familiar nobre
A família de Tilly fez um novo castelo entre os anos 1200 e 1220, do qual ainda subsistem algumas salas.

Castelo de Fontaine-Henry: reencenação histórica
Fontaine-Henry: reencenação histórica
O castelo ficou arruinado na Guerra dos Cem Anos, a qual foi felizmente concluída com a intervenção providencial de Santa Joana d’Arc.

A família d’Harcourt assumiu a reconstrução, que durou até 1560.

O castelo de Fontaine-Henry reflete diversos estilos – desde o gótico inicial, passando pelo gótico flamboyant, até chegar à Renascença.

Destaca-se o telhado de 15 metros de altura, o mais alto dos castelos da França.

Algumas reformas foram feitas nos séculos XVIII e XIX.

Habitado atualmente pela nobre família proprietária, o castelo está inteiramente mobiliado e abriga uma notável coleção de quadros de grandes pintores.

A milenar continuidade da propriedade é uma imagem terrena e transitória da imutável estabilidade da eternidade.

Ali toda insegurança estará banida.

A alegria da posse definitiva da bem-aventurança inundará as almas dos justos.

Em Fontaine-Henry o teto altíssimo aponta para o Céu como que dizendo:

“Vocês acham que eu só belo?

“Minha beleza não é nada, olhem para o alto!

“Ali está o segredo de meu encanto”.




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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vitré: super-castelo sublimado, reflexo de Deus

Para além da realidade, Vitré sugere um trans-castelo que existe numa trans-esfera
Vitré sugere um trans-castelo que existe numa trans-esfera além da realidade
Vitré é um castelo-palácio fortificado na Bretanha, França.

O primeiro castelo, em pedra, foi construído no século XI pelo Barão Robert I de Vitré sobre um promontório rochoso que domina o vale do Vilaine.

Por volta do ano 1000 foi substituído por um castelo de madeira, até que no século XIII o Barão André III lhe deu a sua forma atual.

O domínio passou em razão de casamentos para a família dos Condes de Laval, que aperfeiçoaram as defesas da fortaleza.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O castelo de Guimarães: nobre, de proporções distintas, sem nada de agressivo

Castelo de Guimarães

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O castelo de Guimarães, em Portugal, localizado no distrito de Braga, tem uma certa nota da suavidade lusa.

É preciso ter estado em Portugal ou ter nas veias sangue português — e, por extensão, brasileiro — para poder saboreá-lo bem.

Esse castelo, todo de pedra, é um encanto.

Seu aspecto exterior é muito nobre, com desenhos bastante harmoniosos.

As proporções são muito agradáveis, sem apresentar nada de agressivo e sabendo guardar bem as distâncias e as hierarquias.

Para fazer uma comparação à maneira do turista moderno, sua dimensão equivaleria à área de uns três ou quatro campos de futebol.

Os reinos eram tão pouco povoados, naquele tempo, que batalhas aguerridas e nobres se efetuavam numa área com essa extensão, e o futuro de uma nação decidia-se assim.

Durante a Reconquista católica da península ibérica invadida pelos mouros, estabeleceu-se nos domínios de Vimaranes, em fins do século IX, um cavaleiro tal vez castelhano, de nome Diogo Fernandes.

Uma de suas filhas, de nome de nome Mumadona Dias, fundou um mosteiro que enriqueceu com terras, gado, rendas, objetos de culto e livros religiosos (26 de Janeiro de 959).

A povoação de Vimaranes, entretanto, era vulnerável às incursões dos muçulmanos e às incursões de normandos que assolavam as costas e o os rios.

Da. Mumadona principiou um castelo para recolher as gentes em caso de agressão. O castelo original foi posto sob a proteção de São Mamede. Era bastante simples, como os castelos do século X, composto apenas por uma torre e tal vez uma cerca.

Dom Henrique de Borgonha (1095-1112) que formou o Condado Portucalense, núcleo original do atual Portugal, escolheu o castelo como residência. Porém mandou construir um novo castelo do qual fica a imponente Torre de Menagem.

O perímetro defensivo foi ampliado e reforçado segundo as necessidades da guerra. Nele foi aberta a porta principal a Oeste, e a chamada Porta da Traição, a Leste.

Diante desses muros, Dom Afonso Henriques (1112-1185), fundador de Portugal, no vizinho campo de São Mamede, (24 de Junho de 1128) obteve a vitória que deu origem à nacionalidade portuguesa.

Diversas obras engrandeceram e aperfeiçoaram a fortaleza entre o final do século XII e o século XIV.

A modernidade e o esquecimento das glórias do passado deformaram horrivelmente essa relíquia de Portugal.

O castelo passou a abrigar a Cadeia Municipal, e, no século XVII, um palheiro do rei, virando uma ruína!

Em 1836, chegou-se a postular sua demolição para aproveitar a pedra no calçamento das ruas de Guimarães.

O crime não foi completado, mas a Torre de São Bento foi demolida.

No século XIX houve um movimento de entusiasmo pelo passado medieval e de restauração de suas ruínas.

E em 1881, o que restava do castelo foi reconhecido como Monumento Histórico e salvo da barbárie.

No século XX um grande trabalho de recuperação permitiu que fosse reinaugurado em 4 de Junho de 1940, por ocasião do VIII centenário da fundação do país.

Sucessivas restaurações permitiram ao castelo ingressar no século XXI bem conservado e aberto à visitação pública.



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