terça-feira, 25 de junho de 2013

Os castelos de piratas do Reno

Pfalzgrafenstein
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Alguns dos castelos do Reno que depois viram nascerem estirpes feudais foram outrora ninhos de piratas.

Em geral os rios antes de aparecerem a grandes rodovias eram usados como as rodovias hoje.

O Reno servia para exportar mercadoria da Suíça, onde nascia, e da Alemanha até o Mar do Norte. Era só ir rio abaixo.

Isso tornava o rio uma rodovia aquática muito cômoda.

Esses piratas ficavam com castelos bem à beira do rio, ou em ilhas dentro do Reno.

Quando eles viam se aproximar flotilhas de naviozinhos cheios de mercadoria, eles iam com homens de armas, pegavam as mercadorias todas, roubavam e matavam e ficavam ricos.

Pfalzgrafenstein conserva o perfil de um navio de interceptação
Depois, sob a influência da Igreja Católica veio o apaziguamento, e os costumes se tornaram mais civis e menos belicosos.

Ao longo do tempo, nasceu naquelas fortalezas uma “vie de château” (“vida de castelo”) cristã.

Os piratas foram mobiliando e adornando seus castelos, tomaram ares nobres, se civilizaram.

Depois conseguiram comprar de verdadeiros nobres terras que conferiam um título de nobreza.

Afinal, o neto ou bisneto do bandido acabou virando um pequeno barão civilizado que já não roubava mais os navios.

Um exemplo: o castelo de Pfalzgrafenstein (em alemão: Burg Pfalzgrafenstein) sobre o recife da ilha Falkenau no Reno.

Ele ficou conhecido simplesmente como “o Pfalz” e é um dos mais famosos e pitorescos.

A planta da torre central é pentagonal e aponta contra a correnteza.

Foi erigido entre 1326 e 1327 pelo rei Luis da Baviera.

Castelo de Gutenfels no alto, e cidade de Kaub embaixo
Entre 1338 e 1340 foi acrescido de um muro hexagonal.

E entre 1607 e 1755 ganhou as torrezinhas nos ângulos enquanto a torre principal foi coroada com uma típica ponta barroca, testemunhando a amenização dos costumes.

O castelo devia colher impostos para o rei.

Impostos não por todos julgados justos ou procedentes. Mas, ai de quem não pagasse.

Uma corrente de ferro atravessava o rio e obrigava barcos e barcaças a pararem.

Mais alto estava o castelo de Gutenfels e ao lado a cidade de Kaub de onde viriam homens para arrazoar o renitente pagador do imposto.

Os comerciantes que não abrissem o bolso podiam ir parar numa prisão em Pfalz.

E ali ficavam até o resgate ser coberto.

Por sinal, essa prisão consistia numa gaiola flutuante no rio.

Pfalzgrafenstein pátio interior revela vida austera
Contrariamente à maioria dos castelos do Reno, “o Pfalz” nunca foi conquistado ou destruído não apenas em guerras, mas também não por fenômenos naturais como enchentes.

Seus moradores, não mais de vinte, levavam uma vida autenticamente espartana.

Hoje, ele fica como um sorriso que testemunha o triunfo da Civilização Cristã sobre a barbárie.




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terça-feira, 18 de junho de 2013

Edimburgo: sobre um vulcão apagado: lendas, guerras e saudades de uma rainha de fábula

O castelo de Edimburgo na noite fala de suas lendas e tragédias
O castelo de Edimburgo na noite fala de suas lendas, saudades e tragédias
O castelo de Edimburgo é uma antiga fortaleza que domina a capital da Escócia, desde o topo chamado Castle Rock (Rochedo do Castelo).

O castelo ergue-se no colo de um vulcão extinto. Ao sul, oeste e norte, ele é protegido por íngremes falésias elevadas de uns 80 metros.

A única estrada de acesso vem pelo leste, facilitando a defesa.

A primeira referência ao lugar já imerge na lenda. Em meados do século II, Ptolomeu (83–168 d.C.) refere-se a uma “Alauna”, mencionada pelos romanos.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Palácio da Senhoria de Florença: seriedade e altivez

Durante muito tempo o Palácio senhorial de Florença foi a sede de governo de um pequeno Estado – o Grão-Ducado de Toscana, na Itália – que ocupou na cultura e no pensamento humano um lugar proeminente. Foi uma grande potência do pensamento.

O palácio é típico do estilo florentino. Sua cor é bonita, o amarelado da pedra utilizada na construção apresenta aspecto agradável, nada mais do que isso.

Uma torre quadrada com relógio, janelas, algumas em forma ogival, outras puras perfurações na parede, destituídas de beleza especial.

Estamos habituados, na ótica moderna, à idéia de que a torre deve estar bem no meio do edifício. Ali não. A torre fica um pouco mais para o lado direito da fachada.

E o relógio está colocado na base da torre, quando normalmente localizar-se-ia em sua parte superior das ameias, para ser visto pelo maior número de pessoas.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Em torno do castelo se efetivou a promessa divina: “Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo"

Le Lude, França
Castelo de Le Lude, vale do Loire, França

Desde a “motte” primitiva, não encontraremos no castelo nada que lembre príncipes românticos nem torvos tiranos.

Há apenas, porém no mais alto grau, o ambiente para uma vida austera, temperante e cheia de espírito de sacrifício.

Através dos séculos, enquanto o castelo evolui — de um lado tornando-se mais poético e cheio de encanto, e de outro mais severo e importante — a vida nele continua no mesmo teor.

Porque na Idade Média os homens viviam com os olhos postos no alto, na eternidade, em Deus, e a existência terrena era para eles apenas uma provação transitória, na qual deveriam ajudar-se mutuamente como membros da mesma família — a família de Deus.