quarta-feira, 20 de maio de 2020

Ussé: sonho numa natureza requintada por nobres famílias

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O Castelo de Ussé (em francês, “Château d'Ussé”) é um palácio da famosa região do rio Loire situado na comuna de Rigny-Ussé, departamento de Indre-et-Loire, a sudoeste de Paris.

A primeira edificação no local remonta ao século XI, quando o senhor normando de Ussé, Gueldin de Saumur, fez construir uma fortificação.

Ele a rodeou com uma paliçada num terreno elevado na margem da floresta de Chinon com vista para o vale do Indre.

Ussé nasceu assim, como muitos outros castelos, como um refúgio fechado feito de troncos de árvore, com finalidade bélica, um pouco inspirado nos antigos castros das legiões romanas.

O lugar passou para a posse do Conde de Blois, que fez o primeiro edifício militar em pedra do local.



No século XV, esse castelo estava arruinado e foi adquirido por Jean V de Bueil, um capitão-geral de Carlos VII de França que se tornou seu senhor.

Em 1456 ele começou a reconstrução. Seu filho, Antoine de Bueil, casou, em 1462, com Jeanne de Valois, a filha natural de Agnès Sorele, amante de Carlos VII que levou uma dote de 40.000 escudos de ouro.

Em 1477, Antoine reiniciou a restauração do rústico prédio lhe dando a forma de um belo palácio mais em harmonia com a época.

Em 1485 Antoine estava fortemente endividado e vendeu o castelo a Jacques d’Espinay, filho dum camareiro do Duque da Bretanha, ele próprio antigo camareiro dos reis Carlos VII e Luís XI.

Depois da morte de Jacques, o domínio passou para seu filho Charles e para a esposa deste, que ficaram, no entanto, obrigados pelo testamento do pai a construir uma grande capela nos terrenos do domínio.

Charles e Lucrèce aceitaram essa determinação, concluindo em 1538 a capela que misturava o estilo gótico flamejante com motivos renascentistas.

Charles deu, também, início ao processo de reconstrução do edifício que resultou no aspecto quinhentista-seiscentista que se pode ver atualmente, deixando a sua marca com as letras “C” e “L” em vários pontos do palácio.

A historia do castelo é a história das famílias que nele viveram e amaram a Deus

Em 1656, o palácio foi adquirido pelo Marquês Bernin de Valentinay. Nesse mesmo século, Louis I de Valentinay, contador da casa Real, demoliu a enfiada norte de edifícios com o objetivo de abrir o pátio interior à espetacular vista sobre o terraço parterre, segundo desenhos atribuídos a André Le Nôtre.

O genro de Valentinay era o engenheiro militar Vauban, famoso pelas fortificações que fez para o rei na época da artilharia, o qual visitou Ussé em numerosas ocasiões.

Tinham passado as épocas das invasões bárbaras e das guerras de religião. Mas os sonhos acalentados de geração em geração começaram a tomar forma.

A tradição mantém ainda que o Château d'Ussé era o castelo que Charles Perrault (1628-1703) tinha em mente quando escreveu o conto A Bela Adormecida.

Mais tarde, o palácio passou para os Rohan. Em 1807, o domínio foi comprado pelo Duque de Duras.

François-René de Chateaubriand trabalhou neste inspirador castelo nas suas Mémoires d'Outre-Tombe enquanto convidado da duquesa.

Posteriormente o palácio foi adquirido pela condessa de la Rochejacquelin, a qual manteve o domínio na sua posse entre 1829 e 1883.

Devem-se a esta aristocrata os últimos grandes acrescentos ao conjunto.

Posteriormente o Château d'Ussé seria herdado pelo seu sobrinho, o Conde de Blacas, e pertence atualmente a seus descendentes tendo conservado sempre a impronta familiar.

O castelo apresenta dois estilos arquitetônicos, um de inspiração medieval e gótica e outro renascentista. O pátio interior recolhe exemplos destes dois estilos.

Esta dobre herança de estilos reflete os vários períodos construtivos na história do edifício, sendo os elementos mais antigos do século XV, enquanto que o palácio adquiriria seu aspecto final entre os séculos XVI e XVII.

O castelo contém uma notável coleção de móveis comprados pelas famílias proprietárias e que sobreviveram às depredações da Revolução Francesa.

Em algumas das salas estão igualmente presentes peças autênticas de vestuário que ilustram a vida antiga em Ussé.

Tal como acontecia em outros palácios, Ussé possui um quarto reservado para o rei.

Os aristocráticos proprietários mantinham esses quartos, uma vez que o rei poderia chegar a qualquer momento necessitando de usufruir da sua hospitalidade. Era um tributo de fidelidade e um sinal da categoria da família hospedeira.

Esta sala, aliás nunca usada, têm belas peças do século XVIII e as paredes ainda estão cobertas com o forro de seda original.

Outras áreas específicas são a sala de espera, com uma grande coleção de armas, e a galeria, com tapeçarias antigas.

O palácio está situado numa colina dividida por terraços, os quais suportam a parte formal do belo parque, decorada com pequenos relvados, fontes e canteiros floridos.

Entre 1520 e 1538 no interior do parque foi construída a capela com um sumptuoso interior.

Logo atrás do palácio começa a floresta de Chinon.

O castelo é assim um hífen de harmonia entre o requinte da civilização e as maravilhas da natureza ordenada por gerações de esforçados lenhadores, camponeses e jardineiros.


Vídeos: Ussé e seu sonho







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Um comentário:

  1. Edileide Severina22 de maio de 2020 11:50

    Ao Sr. DUFAUR
    Bom dia !.
    Obrigada por nos dar uma visita ao interior do Castelo para conhecermos um pouco sobre a vida de seus nobres moradores.
    Grata,

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