terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Torre dos Ratos: sorriso do triunfo da Igreja sobre a barbárie

A Torre dos Ratos, posto defensivo avançado do castelo de Ehrenfels, em ruínas no alto
A Torre dos Ratos (embaixo) era atalaia do castelo de Ehrenfels (no alto)

O castelo de Mäuseturm, (literalmente Torre dos Ratos) é uma torre fortificada sobre uma ilha do Reno, perto da cidade de Bingen.

O nome desta cidade ficou famoso, entre outras coisas, porque nela viveu e está enterrada num convento muito próximo Santa Hildegarda de Bingen.

A torre foi construída no século XIII para servir de posto avançado de defesa do castelo assaz mais importante de Ehrenfels, no lado direito do Reno.

A palavra mausen significa pegar ratos, e sobre tudo espreitar.

As palavras Maut e Mautturm significam respectivamente pedágio e a Torre do Pedágio.

O nome final de Mäuseturm deve ser interpretado como a Torre do Pedágio de Ehrenfels.

A torre teria sido construída por Dom Hatto II, arcebispo de Mogúncia no século X.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Maintenon: mero sonho ou quintessência da realidade bem vivida?

Maintenon foi sendo construído entre os séculos XII e XVII
Maintenon foi sendo construído entre os séculos XII e XVII
O castelo de Maintenon, não longe de Paris, mais parece tirado de um sonho, ou de um conto de histórias fabulosas.

Porém é uma dessas realidades que passam a quintessência viva da realidade.

Bem entendido, quando a realidade não é deformada pelas monstruosidades modernas.

A construção do Castelo de Maintenon ocorreu entre os séculos XII e XVII.

A torre de menagem retangular e imponente é a parte medieval que se mantém em pé fidalga e desafiante até hoje.

Ela data do século XIII.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Castelo de Suscinio: afirmatividade, personalidade e combatividade

Castelo de Suscinio: fortaleza "de verão"
Castelo de Suscinio: fortaleza "de verão"

Próximo de uma praia na localidade de Sarzeau (Morbihan, França), o castelo de Suscinio projeta sua imponente figura.

Ele foi construído na segunda metade do século XIV para servir de residência de verão aos Duques da Bretanha.

Seu nome deriva da palavra bretã Ziskennoù, que significa “local de repouso para os viajantes”, ou “local onde se desce”.

A Bretanha está rodeada de mares, recifes e falésias perigosíssimas.

O perpetuo rumor do mar é sua música de fundo. Os seus múltiplos portos são um refúgio necessário.

Iniciado pelo duque de Bretanha, Pierre de Dreux, em 1218, Suscinio serviu de início como residência para os períodos de caça.

Seus descendentes, João I o Vermelho, João IV e João V aumentaram muito o castelo, construindo no século XV até casamatas para peças de artilharia.

A Bretanha era um ducado virtualmente independente ligado ao Reino da França por laços bastante genéricos.

Até que a última herdeira dos Duques, Ana de Bretanha (1477–1514), casou com o Rei da França Luis XII no castelo de Langeais, após inúmeras peripécias políticas, guerras, tentativas de casamento fracassadas, viuvezes e intrigas.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Azay-le-Rideau: suprema harmonia de leveza, solidez, sonho e raciocínio

Azay-le-Rideau refletido na água ganha em beleza
Azay-le-Rideau refletido na água ganha em beleza
As águas plácidas do laguinho tão marcado pelo azul do céu e pelas árvores frondosas, refletindo o castelo de Azay-le-Rideau transmitem uma sensação paradisíaca.

Aquilo que é espelhado pela água toma um caráter de beleza celeste, de sonho, de irreal, de mundo das maravilhas, para dizer tudo numa palavra só, de paraíso perdido.

Tudo quanto se reflete ganha em beleza.

Azay-le-Rideau dá uma imagem de si mesmo sobre a água que vai muito além de sua beleza real, aliás, nada pequena.

Porém, sua maior beleza está na ideia originalíssima de construí-lo numa minúscula ilha sobre o rio Indre.

Azay-le-Rideau flutua todo leve sobre a água: ele é uma fantasia, uma coisa irreal, é um sonho.

O palácio merece ser considerado numa noite bonita de luar com as janelas, as mansardas, tudo aceso.

Podemos imaginar saindo de dentro os ecos de uma festa: os risos, a música, os perfumes, as luzes que tremem sobre o espelho d’água.

Tem-se a sensação de uma nau em que se leva uma vida de elevação, de requinte, de distinção, de nobreza, de grande classe.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Coca e o castelo ideal que está nos possíveis de Deus

Castelo de Coca: é como se acima dele pairasse um super-castelo.
Castelo de Coca: é como se acima dele pairasse um super-castelo.

O castelo de Coca, situado na província de Segóvia, Espanha, foi construído no século XV e é propriedade da Casa de Alba, uma das mais augustas famílias nobres da Espanha, que o emprestou ao Governo espanhol até o ano 2054.

Castelo de Coca: antiga ponte levadiça e grade defensiva
Castelo de Coca: antiga ponte defensiva e grade de ferro
Ele repousa num meandro do rio Voltoya, rodeado por um largo e profundo fosso.

Foi feito em tijolo por razoes decorativas, mas a pedra aparece em muitas partes.

O sistema defensivo prevalece sobre outras considerações e consta de três partes: o fosso e dois recintos amuralhados com torreões.

Uma ponte defensiva que passa sobre o fosso e leva ao primeiro recinto amuralhado.

Mas a defesa não para ai: quem entra encontra ainda um obstáculo importante: uma porta em forma de grade de ferro que fecha a passagem rumo ao pátio de armas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre?

Castelo de Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre
Castelo de Fontaine-Henry: antecâmara do Paraíso terrestre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A Europa medieval foi um mito que se realizou.

A Religião Católica transformou um continente povoado de bárbaros e romanos decadentes em um seminário do Céu.

Os valores que os castelos encarnam são, no fundo, valores religiosos.

Porque eles são símbolos.

O lado simbólico é muito mais importante que o lado prático e que o lado estético.

É por isso que nos agradam tanto.

Símbolos do quê?

Do Paraíso Celeste, por exemplo.

Como assim?

O Paraíso Celeste é um lugar material. Nele viveram Adão e Eva antes do pecado original e nele viverão os bem-aventurados durante a eternidade.

É um lugar onde Deus instalou coisas magníficas, castas e santas, para o homem viver imerso nelas.

É um mundo feito de matéria, mas de uma matéria que fala de Deus.

O castelo de Fontaine-Henry, em Calvados, na região da Basse-Normandia, França, é um exemplo disso.

Castelo de Fontaine-Henry: reencenação histórica
Fontaine-Henry: reencenação histórica
O castelo pertence à mesma família há perto de dez séculos.

Jamais foi vendido, embora os nomes familiares tenham sido trocados em razão de casamentos.

As famílias de Tilly, d’Harcourt, de Morais, Boutier de Château d'Assy, de Montécler, de Marguerie, de Carbonnel, de Cornulier et d’Oilliamson foram passando de mão em mão a propriedade através de mil anos.

Sabe-se da existência no local de uma fortaleza no início do século XI.

Fontaine-Henry: decoração familiar nobre
A família de Tilly fez um novo castelo entre os anos 1200 e 1220, do qual ainda subsistem algumas salas.

Castelo de Fontaine-Henry: reencenação histórica
Fontaine-Henry: reencenação histórica
O castelo ficou arruinado na Guerra dos Cem Anos, a qual foi felizmente concluída com a intervenção providencial de Santa Joana d’Arc.

A família d’Harcourt assumiu a reconstrução, que durou até 1560.

O castelo de Fontaine-Henry reflete diversos estilos – desde o gótico inicial, passando pelo gótico flamboyant, até chegar à Renascença.

Destaca-se o telhado de 15 metros de altura, o mais alto dos castelos da França.

Algumas reformas foram feitas nos séculos XVIII e XIX.

Habitado atualmente pela nobre família proprietária, o castelo está inteiramente mobiliado e abriga uma notável coleção de quadros de grandes pintores.

A milenar continuidade da propriedade é uma imagem terrena e transitória da imutável estabilidade da eternidade.

Ali toda insegurança estará banida.

A alegria da posse definitiva da bem-aventurança inundará as almas dos justos.

Em Fontaine-Henry o teto altíssimo aponta para o Céu como que dizendo:

“Vocês acham que eu só belo?

“Minha beleza não é nada, olhem para o alto!

“Ali está o segredo de meu encanto”.




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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Val: castelo da “Bela adormecida”, ou ápice de realidade bem pega?

Val: castelo que parece feito para a “Bela adormecida”
Val: castelo que parece feito para a “Bela adormecida”

O castelo de Val dominava outrora o vale. Construído no século XIII perto de Lanobre (Cantal, França), hoje está isolado numa ilha criada por uma barragem.

A água toca o pé das muralhas, conferindo-lhe uma inusitada beleza.

O feudo de Val pertenceu às famílias de Tinières e de Pierre de Pierrefort.

Guillaume IV d'Estaing, nascido em 1397, fez levantar o castelo atual.

A família o conservou até Guillaume V d'Estaing, nascido em 1529.

Depois deles, um certo número de famílias nobres foram herdando o castelo, até que em 1946 a família d'Arcy foi expropriada com o argumento do alagamento do vale pela barragem.

Finalmente, o nível das águas não subiu tanto e o castelo não foi engolido. Teria sido um crime.

Ele ficou nas mãos da empresa estatal de energia, que o deixou abandonado, tendo sido saqueado.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vitré: super-castelo sublimado, reflexo de Deus

Para além da realidade, Vitré sugere um trans-castelo que existe numa trans-esfera
Vitré sugere um trans-castelo que existe numa trans-esfera além da realidade
Vitré é um castelo-palácio fortificado na Bretanha, França.

O primeiro castelo, em pedra, foi construído no século XI pelo Barão Robert I de Vitré sobre um promontório rochoso que domina o vale do Vilaine.

Por volta do ano 1000 foi substituído por um castelo de madeira, até que no século XIII o Barão André III lhe deu a sua forma atual.

O domínio passou em razão de casamentos para a família dos Condes de Laval, que aperfeiçoaram as defesas da fortaleza.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O castelo de Guimarães: nobre, de proporções distintas, sem nada de agressivo

Castelo de Guimarães





O castelo de Guimarães, em Portugal, localizado no distrito de Braga, tem uma certa nota da suavidade lusa.

É preciso ter estado em Portugal ou ter nas veias sangue português — e, por extensão, brasileiro — para poder saboreá-lo bem.

Esse castelo, todo de pedra, é um encanto.

Seu aspecto exterior é muito nobre, com desenhos bastante harmoniosos.

As proporções são muito agradáveis, sem apresentar nada de agressivo e sabendo guardar bem as distâncias e as hierarquias.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Josselin: charme, requinte e amor à milenar história bretã

Castelo de Josselin renaceu várias vezes
Castelo de Josselin renaceu várias vezes

Na maioria dos casos, a história de um castelo está ligada intimamente à história de uma família, com seus altos e seus baixos.

É o caso também do castelo de Josselin e a família dos príncipes de Rohan, que o possuem até o dia de hoje.

O castelo de Josselin (Morbihan, Bretanha, França) foi fundado por Guéthénoc, visconde de Porhoët, de Rohan e Guéméné, da família dos condes de Rennes, por volta de 1008.

O local tinha grande importância militar e comercial, pois dominava o rio Oust.

A região é muito visitada pela romaria que se realiza desde o século IX à Basílica de Nossa Senhora de Roncier. É a maior romaria da região, depois da de Sainte-Anne-d'Auray.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Maintenon: castelo de requinte e sonho

Maintenon aparece como um sonho cheio de realidade
Maintenon aparece como um sonho cheio de realidade
Há perfumes tirados por sucessivas destilações, preparações e acréscimos a partir de uma substância quintessenciada, tão agradável, fina, e extraordinária, que quase não tem mais nada de comum com a flor.

As vezes dizem “perfume de tal flor”. Mas, a flor foi desintegrada e deu uma coisa muito melhor.

Trata-se de perfumes tão finos, raffinées e excelentes, que perdem contato com a realidade.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Manzanares El Real: castelo categórico num panorama montanhoso e heroico

Manzanares El Real com sua orgulhosa torre parece desafiar as montanhas
Manzanares El Real parece desafiar as montanhas
O Castelo de Manzanares El Real foi construído não longe de Madri, a capital da Espanha.

Suas torres cheias de ufania parecem desafiar as montanhas circunvizinhas, cuja grandeza supera qualquer outra que procure confrontá-la.

Magnífico castelo, altaneiro, nobre, forte disposto a enfrentar mil mouros, até há poucas décadas era uma carcaça, uma ruína, que só no século XX foi reconstruída.

Manzanares el Real ficou muitos séculos esquecido e abandonado.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Chambord: a harmonia da variedade na unidade

Chambord, aérea, castelos medievais
Veja o que é a arte!

Quem construiu esse castelo não tinha idéia de que ele pudesse ser visto desde o ar.

Maior palácio do vale do rio Loire, foi apenas um pavilhão de caça para Francisco I. Leonardo da Vinci teria sido responsável pelo desenho original.

Entre 1725 e 1733, Stanislas Leszczynski, rei deposto da Polónia e sogro de Luis XV, viveu em Chambord. Em 1745, como reconhecimento pelo seu valor de combate, o rei deu o palácio a Maurice de Saxe, Marechal da França.


Veja vídeo
Chambord:
castelo que convida
a louvar a Deus
Em 1792, o governo revolucionário procedeu a um verdadeiro saque: ordenou a venda das mobílias; os painéis das paredes e mesmo os soalhos foram removidos e vendidos pelo valor da sua madeira, ou queimadas como lenha.

No século XIX o palácio foi comprado por meio de uma subscrição nacional para o infante Conde de Chambord, legítimo herdeiro da coroa francesa no exílio.

Ele foi construído com a preocupação artística comum, para as perspectivas comuns.

Dir-se-ia que ele é mais bonito ainda na perspectiva aérea de onde os construtores não imaginavam que ele pudesse ser observado.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Origem do nome da grande fortaleza de Carcassone

A lenda narra uma história assaz pitoresca, e um pouco hilária, sobre a origem do nome da cidade de Carcassone.

A fortaleza da época, assaz pequena, foi assediada durante longos anos e estava quase reduzida à fome.

Utilizando suas últimas reservas de farinha, a Dama Carcas teve a ideia de engordar um porco que ela lançou do alto das muralhas no campo dos assaltantes.

Estes, persuadidos de que a Cidade possuía ainda numerosas reservas de víveres, resolveram levantar o cerco.

Empunhando então uma trompa, em sinal de vitória, a Dama Carcas tocou (fez soar) a retirada do inimigo. [Daí “carcas-soa” = Carcas toca a trompeta]

As origens remotas de Carcassonne vêm dos tempos dos Celtas, Galo-romanos e Visigodos.

Na Idade Média foi construído o imponente conjunto de fortificações, com dupla linha de muralhas, que representa o ápice da engenharia militar do século XIII.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Fontainebleau: um anseio de alma em busca do Céu


A primeira impressão que a sala produz é de aturdimento, tal a pluralidade de cores e coisas belas.

O teto é de rara beleza, porque lembra a abóbada celeste. Não exibe nada de lambido dos edifícios modernos.

Chama a atenção como as pinturas da sala realçam as traves, tornando-as um elemento de decoração a mais.

Cores muito bem escolhidas: azul esverdeado claro, ouro velho, em arabescos muito elegantes que exploram o pontudo e o ovalado.

Os lustres são de conto de fadas. É um escachoar de cristais diversos que multiplicam a luz das velas, produzindo efeito de refração do espelho, o qual aumenta a luz das velas. Ademais, altamente funcional.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Torre de um mosteiro-fortaleza evocando heroísmo


Do castelo do Mosteiro de Rodilla (construído no século X, na região de Burgos, na Espanha) restou apenas uma torre sobre uma elevação.

É inegável que o fotógrafo focalizou um ângulo que causa uma impressão de heroísmo verdadeiramente sublime.

Por que provoca tal impressão? Um mosteiro não foi construído para se rezar?

Como então ele tem uma torre combativa como essa?

Que sentido tem um mosteiro-torre? Um mosteiro-fortaleza não é algo irreal?

terça-feira, 31 de julho de 2012

Chenonceaux: o castelo cisne

A impressão que o castelo de Chenonceaux causa, à primeira vista, é de entusiasmo!

Qual é a razão pela qual ele produz esse sentimento?

Imaginemos que fosse um castelo construído em terra, e que, em vez de correr um rio debaixo dele, passasse uma estrada poeirenta comum, permitindo o trânsito de carroças, automóveis, etc., etc.

Não é verdade que o castelo perderia pelo menos cinqüenta por cento de seu encanto?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Castelo de La Rochefoucauld: a história de uma família milenar esculpida na pedra

Castelo que leva o nome da ilustre família que o possui há mil anos
Castelo que leva o nome da ilustre família que o possui há mil anos
O castelo de La Rochefoucauld leva o nome da ilustre família que o possui há mil anos, na localidade do mesmo nome, no atual departamento de Charente, França.

Um castelo é um livro aberto em que se pode ler a história da família fundadora, de seus momentos fastos e nefastos, através dos séculos, das eras históricas.

É muito importante conhecer as datas em que foi sendo erguido e os nomes de seus construtores. Mas vale muito mais aprender a ler seu espírito, seus imponderáveis, suas grandezas e misérias gravadas em seus elementos mais destacados ou às vezes em minúsculos detalhes arquitetônicos.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Altaneiro, solitário, heroico, o castelo escocês despreza o figurino do “politicamente correto”

Castelo de Druart, Escócia
Castelo de Duart, Escócia
Os castelos escoceses criam ambiente propício às novelas, as quais gostam de figurar fantasmas que aparecem na noite, no frio e na solidão de uma pétrea fortaleza semi-destruída.

Alguns castelos sugerem que outrora neles se deram fatos reprováveis, cujos maus efeitos ainda projetam eflúvios ruins e misteriosos no presente.

De fato, eventos ruins aconteceram na história do Reino da Escócia.

Outrora integramente católica, num triste momento a Escócia caiu sob a pata do protestantismo mais deprimente e radical: o presbiterianismo.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Chambord: castelo que convida a louvar a Deus

Castelo de Chambord: o maior palácio do vale do rio Loire
Castelo de Chambord: o maior palácio do vale do rio Loire

O castelo de Chambord é o maior palácio do vale do rio Loire.

De início foi apenas um pavilhão de caça para o rei Francisco I. Leonardo da Vinci teria sido responsável pelo desenho do atual castelo.

Entre 1725 e 1733, Stanislas Leszczynski, rei deposto da Polónia e sogro de Luis XV, viveu em Chambord.

Em 1745, Luis XV deu o palácio a Maurice de Saxe, Marechal da França em reconhecimento pelo seu valor no combate.

Em 1792, o governo revolucionário procedeu a um verdadeiro saque: ordenou a venda das mobílias; os painéis das paredes e mesmo os soalhos foram removidos e vendidos pelo peso da madeira, as portas apaineladas foram queimadas como lenha.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Nas brumas da Escócia, castelos povoados por heróis de tempos idos

Castelo de Kilchurn numa ilha do lago Loch Awe
Castelo de Kilchurn numa ilha do lago Loch Awe
Rodeados por belas pradarias e civilizadas florestas, os castelos franceses parecem feitos para serem contemplados sob um céu ensolarado.

Mas os castelos da Escócia ficam bem em meio das brumas.

Parecem ainda povoados por heróis de outros tempos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Jehay: joia esculpida pelo sonho de uma estirpe nobre

Castelo de Jehay, Bélgica, vista aérea
Castelo de Jehay, Bélgica, vista aérea

Quando se fala de castelos pensa-se antes de tudo nos maiores, grandes, belos e famosos. Portanto, nos castelos reais. E com justiça.

Porém, ao lado dessas obras primas dos povos europeus católicos, convive uma miríade de outros castelos erigidos por famílias nobres nos tempos da Cristandade.

Muitos desses castelos menores ainda são mantidos, e com muito esforço, por essas famílias de antiga estirpe.

Nos castelos, além dos dados históricos e artísticos sempre interessantes que se encontram em muitos guias turísticos, merece se destacar um dos lados menos publicitados.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Le Lude: castelo de conto de fadas

Le Lude: castelo de conto de fadas
Le Lude: castelo de conto de fadas
Há castelos que são próprios de um rei. Mas há outros, como o Lude, cuja beleza é como um sonho!

Podemos imaginar uma condessa, uma marquesa, vivendo neles como uma fada maravilhosa, admirável, benfeitora.

E, entretanto, a Civilização Cristã os trouxe para este vale de lágrimas para nos ensinarem a desejar o Céu.

O castelo de Le Lude, no vale do Loire, França, é um exemplo vivo disso.

No século X já existia no local uma fortaleza, assaz primitiva e rude, fundamentalmente militar. Foi o castellum Lusdi que pertencia aos duques de Anjou.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Castelo dos cruzados atrai crescente interesse

São João de Acre: fortaleza dos monges-cavaleiros hospitalários

Escavações recentes em São João de Acre, cidade da Galiléia de 50 mil habitantes, desvendaram uma cidade da era dos cruzados.

A prefeitura vai abrir ao público um bairro inteiro da Idade Média, quando Acre era a porta de entrada dos cruzados que iam libertar ou proteger Jerusalém.

A cidade foi conquistada pelos cruzados em 1104 e se tornou um centro de soldados e peregrinos católicos, que defendiam Jerusalém dos infiéis muçulmanos que ocuparam a região por volta do ano 632.

O bairro cruzado ficou tal como era em 1291, quando Acre foi conquistada subitamente por muçulmanos egípcios.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Tomar: reduto dos templários em desgraça (I)


A Cavalaria, que um autor francês chamou de “a mais bela aventura da História”, é fruto do amor de Deus numa época em que sociedades inteiras moviam-se em conformidade com os 10 Mandamentos e as leis da Igreja.

São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, é o patrono da Cavalaria.

Enquanto instituição, ela nasceu das relações feudais, pelas quais os homens se apoiavam mutuamente para defender-se ante as freqüentes invasões bárbaras.

Essa confiança mútua baseava-se na noção de honra lastrada na caridade cristã.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tomar: reduto dos templários em desgraça (II)

Quando a injustiça se abateu sobre os templários, eles estavam também em Portugal desde os tempos de D. Afonso Henriques, e ali nenhuma suspeita pôde ser contra eles levantada.

Nem por isso estavam isentos de sofrer a mesma punição que tinha caído sobre eles na Europa.

Foi hábil a decisão do Rei D. Dinis de Portugal, de executar a ordem pontifícia de fechar a Ordem, mas não para apossar-se de seu patrimônio, e sim para doá-lo à Ordem Militar da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou simplesmente Ordem de Cristo, que criou em 1318.

O Papa João XXII nomeou D. Gil Martins seu primeiro grão-mestre, que antes o fora dos cavaleiros de Aviz.

Quis El-Rei que a nova Ordem tivesse seu quartel-general em Castro Marim, para defender o Algarve das incursões dos mouros dos reinos do Marrocos e de Granada.

Em 1356, transferiu-se para Tomar, no Ribatejo. Ali existiam, desde 1160, o castelo e o convento dos templários, doados à Ordem de Cristo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Saumur e a Torre do Templo: Civilização Cristã e Luz de Cristo

Très Riches Heures, setembro, Saumur
O que é que é o Lumen Christi, a Luz de Cristo, se refletindo na Cristandade?

Consideremos a iluminura que representa o castelo de Saumur, com aqueles clochetons, aqueles lírios dourados, a multidão de torres, etc.

Ali o Lumen Christi faz-se sentir da mesma maneira do que na catedral de Orvieto? Ou, por exemplo, no interior da Sainte Chapelle?

Não. É uma outra coisa.

Na iluminura de Saumur nos vemos diretamente a ordem natural: esta é o elemento que mais atrai e solicita análise.

A ordem natural no que ela tem de belo, ordenado, reto, fala racionalmente de um Deus ótimo máximo pairando por cima do castelo.

terça-feira, 6 de março de 2012

Os jardins feéricos de Villandry ‒ 2



Continuação do post anterior

O ‘jardim das cruzes’ representa os símbolos da Ordem de Malta, a cruz do Languedoc e a cruz do País Basco.

O ‘jardim da música’ simboliza uma caixa de música.

Os triângulos representam grandes liras, harpas e alaúdes. Entre os buxos cresce a lavanda, que lhes dá uma aparência espetacular.

No terraço inferior, entre o castelo e a cidade, está o ‘jardim dos vegetais’, talvez o mais famoso.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os jardins feéricos de Villandry ‒ 1


Villandry foi o último castelo construído no Vale do Loire.

Em 1536, Jean le Breton, secretário de Estado do rei Francisco I, o construiu sobre uma antiga torre fortificada do século XII.

Villandry ficou conhecido no século XVI pelos seus jardins.

O Cardeal de Aragão, que o visitou em 1570, escreveu ao Papa “que tinha visto alfaces mais bonitos que em Roma”.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CONCIERGERIE: a cela onde Maria Antonieta aguardou a execução

Conciergerie, guarda revolucionario
Guarda revolucionário do castelo-prisão
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Os castelos medievais abrem horizontes de alma. Eles apontam para uma ordem de coisas que vai muito além do que nós vemos na vida diária.

Mas também neles aconteceram tragédias, e até algumas das maiores da História.

Uma delas deu-se na Conciergerie.

A Revolução Francesa transformou o palácio em prisão.

Nela eram jogados os infelizes condenados a morrerem após um odioso juízo “revolucionário”.

A “sala dos gendarmes” virou cela coletiva dos injustiçados, algumas vezes religiosos ou aristocratas, mas muitas e muitas vezes simples populares acusados de amarem a religião e o rei.

Uma das rainhas mais encantadoras da História passou seus últimos dias neste cárcere: Maria Antonieta.

Conciergerie, Maria Antonieta na prisao
Maria Antonieta na sua cela
Ela foi condenada à morte por um tribunal irregular e faccioso, em nome da “liberdade, igualdade, fraternidade”.

Ela foi levada à Conciergerie até ser conduzida em vil carroça para morrer decapitada.

Ainda existe a porta que atravessou para sair rumo à guilhotina.

Castelo de São Luís, ou Conciergerie, visto desde o rio Sena
Castelo de São Luís, ou Conciergerie, visto desde o rio Sena
Conserva-se hoje o “cachot” (cela) onde ela viveu esse últimos dias. Nele sente-se ainda a dureza implacável dessa condenação à morte.

Jogar aquela rainha que era uma flor de civilização, de graça, de tradição católica, nesse cachot, e depois daí arrastá-la para a morte, patenteou a implacabilidade do ódio igualitário.

No cachot não havia nada que amenizasse aquelas horas últimas daquela infeliz rainha viúva e afastada para sempre dos filhos que tanto amava.

Por exemplo, o governo revolucionário não consentiu pôr na cela um crucifixo, uma imagem sorridente de Nossa Senhora, ou um móvel que permitisse ao corpo exausto ao menos descansar um pouco de suas dores e de suas apreensões.

Maria Antonieta rumo à gulhotina, croquis de David
Maria Antonieta rumo a ser guilhotinada, croquis de David
A janelinha não tinha vidro nem fechamento.

Nos primeiros albores do dia ela acordou. Era um dia feio, com nuvens pesadas.

Ela ouviu ao longe os barulhos de tambor. Eram as seções da guarda republicana que acordava o povo para encher a praça hoje chamada abstrusamente Place de la Concorde, para assistirem a decapitação dela.

Ela percebia o ódio que subia, a ameaça que se aproximava, a tempestade que se formava, os raios que se descarregavam.

Ela deve ter pensado no Céu. Ela pediria perdão para os seus algozes? Certamente.

Ela não pediria também justiça para os que eram tão ferozes com ela, que fariam coisas tão horríveis com o filho dela, e que afinal de contas queriam de todas as maneiras destruir a Civilização Cristã na França?

Eu quero crer que sim.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor).

Video: Maria Antonieta na prisão antes de ser executada




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