quarta-feira, 12 de junho de 2024

TRUJILLO: símbolo magnífico do heroísmo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Este é o castelo de Trujillo, localizado na província espanhola de Cáceres. 

É digna de nota a tática empregada na sua construção: muralhas extensas e torres enormes.

Se construíram muralhas tão grandes, por que edificar torres tão salientes? Não seria melhor concentrar tudo na muralha? Qual é o papel militar da torre?

A finalidade da torre era a seguinte: os inimigos quando atacavam eram enfrentados dos dois lados. 

Tática que oferecia aos defensores um embasamento melhor.

Os atacantes levavam altas escadas e catapultas — aparelhos que lançavam pedras pesadíssimas sobre os que guarneciam a muralha —, também dardos incendiários e barricas com material incendiário projetados para dentro do castelo.

Assim, as torres e muralhas constituíam o sistema de defesa, mas não eram inexpugnáveis. 

Era árduo tomar um castelo, mas uma glória tê-lo conquistado.

Entretanto, nos séculos em que as armas de fogo começaram a serem utilizadas, esses castelos perderam o significado militar para as grandes guerras, nas quais se passou a utilizar canhões e o castelo não mais conseguia resistir.

Desse modo, muitas fortificações foram arruinadas. Símbolos magníficos de heroísmo que foram assim arrasados.

Para se evitar essas ruínas, a solução teria sido haver nobres que habitassem os castelos, mas isentos de espírito de revolta contra os reis; e reis que não desejassem liquidar os nobres, nem as autonomias regionais.

A raiz do mal: os soberanos, os senhores e os povos estavam decaindo religiosamente.

Era a decadência produzida pelas três Revoluções — a protestante, a francesa e a comunista, como explanadas em minha obra Revolução e Contra-Revolução.

Como consequência, nada mais funcionava bem. E, assim, chegou-se ao caos da época atual.

Afastando-se Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e a Santa Igreja do centro dos acontecimentos, envereda-se para a via do caos.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, Excertos da conferência proferida em 5 de maio de 1984. Sem revisão do autor, apud CATOLICISMO, outubro 2014)

O castelo de Trujillo, na região de Extremadura, na Espanha, foi construído entre os séculos IX e XII sobre o morro conhecido como Cabeza del Zorro (Cabeça da Raposa).

Os fundamentos mais antigos que ficaram em pé são duas cisternas árabes. Muros e torres foram feitas com blocos de granito.

A porta de entrada com seu arco em forma de fechadura evoca reminiscências árabes.

Mas é presidida por uma imagem de Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Trujillo, que fala de lances épicos e proteções sobrenaturais.

Originariamente possuía 7 portas, mas atualmente só ficam quatro: as de Santo André, Santiago, de Coria e do Triunfo, reformadas nos séculos XV e XVI.

As torres em pé são 17, todas de forma retangular.

A área protegida pelo recinto amuralhado é conhecida como o Bairro Velho da cidade.




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quarta-feira, 29 de maio de 2024

Trans-beleza dos castelos espanhóis

Turégano, província de Segovia, região de Castela e Leão, Espanha
Turégano, província de Segovia, região de Castela e Leão, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Os castelos espanhóis não têm o enfeite dos franceses.

A beleza e a transcendência deles baseia-se em outros fatores. Mas, eles têm uma grandeza fenomenal.

Um quadro a óleo dificilmente poderia pegar tão bem a trans-beleza do castelo espanhol quanto certas fotos tal vez trabalhadas pelo autor.

A foto transmite o sabor da realidade.

Se os castelos deste post fossem tirados de óleos poder-se-ia dizer que são fantasia.

O fotógrafo é um artista; e um grande artista! Os castelos, por sua vez são espanholíssimos!

Essas fotos pediram muita paciência para pegar a hora ideal.

Mosteiro de Rodillas, Burgos, Castela, Espanha
Mosteiro de Rodillas, Burgos, Castela, Espanha
Tudo nessas fotos é extraordinário. A quantidade de chão que o fotógrafo coloca entre o começo da foto e o castelo é a proporção ideal para o castelo ficar bem apresentado.

É tudo estudado na perfeição por uma grande alma.

A foto do Mosteiro de Rodillas (ao lado), de Burgos, apresenta um jogo de nuvens que sugere a existência de uma ordem de coisas fantástica.

O melhor das fotos é uma certa teologia da História que é representada por esses castelos e que foi pega de um modo próprio a impressionar profundamente.

As fotos parecem por em contato com um sonho de contos de fadas, que o fotografo gostaria que existisse, mas que materialmente não existe.
Nas fotos manifesta-se antes de tudo de um desejo de alma de que haja coisas assim, e que o universo seja ordenado em função de realidades fabulosas.

Belvís de Monroy, província de Cáceres, Extremadura, Espanha.
Belvís de Monroy, província de Cáceres, Extremadura, Espanha.
Assim por exemplo, a luz do sol num ocaso bem escolhido dá impressão de que a pedra é de um material meio irreal com que os homens não constroem.

O jogo da luz passa a impressão que as salas desses castelos estão todas, à la contos de fadas, cheias de móveis magníficos e quadros esplendidos, de tecidos raros e uma ornamentação linda.

E que lá dentro se passam coisas fabulosas de uma super-história que aí ainda palpita um pouco.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 10/03/84. Sem revisão do autor)


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quarta-feira, 15 de maio de 2024

BEJA: castelo desafiante, afetuoso e sacral

Luis Dufaur
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Uma arquitetura forte, estável, sólida, desafiando qualquer inimigo que venha. Como uma catadura terrível!

Ele é tão admirável que a gente exclama óhóhóhóhóh!!! a respeito de tudo.

O castelo é a própria imagem da defesa cavalheiresca, da defesa aristocrática do solo de Portugal contra os inimigos maometanos que avançam.

No castelo tudo está feito para a guerra, para a seriedade e para a luta.

Hospedar um senhor feudal, ter ali uma repartição da prefeitura municipal do local, são finalidades próprias a quem cuida da vida temporal.

Mas o prédio tem bastante sacralidade para nele caber com toda dignidade uma coisa religiosa. Por exemplo, uma capela com o Santíssimo Sacramento.

O que que isto significa? Isto significa que o modo de ver as coisas da Igreja, do céu e de Deus de um lado, e as coisas da terra de outro, não são idênticos.


Porém, o espírito do medieval era tão sacral, tão religioso, que um prédio que ele construía servia ao mesmo tempo para uma coisa e para outra.

E os senhores podem imaginar por exemplo, num balcão com uma bonita tapeçaria pendente com o escudo do senhor feudal do lugar.

E o senhor feudal aparecendo ali cercado de sua família para receber as homenagens do povo.

E segundo o estilo da Idade Média, se era aniversário do senhor feudal, haver uma esplêndida festa nos salões onde tudo já está preparado para receber os convidados.

E o senhor feudal joga moedas de ouro, de prata, de cobre a mancheias ao povo que está reunido ali e o povo dá vivas, etc.

Na festa, se o povo ficasse quieto, ouvia a música esplêndida do salão. Mas se os nobres ficassem quietos, ouviriam o borbulhar da alegria popular: cantos, danças e gargalhadas.

No meio, brochas assando leitões, bois, ovelhas, cabritos, o que for, e a alegria geral. Estaria tudo muito bem.

Por quê? Porque dentro da visão medieval, tudo se interpenetrava.

A vida da Igreja era uma vida profundamente distinta da vida da sociedade civil, mas penetrava o espírito da sociedade civil.

A vida militar era distinta da vida civil comum, mas era penetrada também pelo espírito da Igreja.


A vida da nobreza, a vida do povo, a vida do clero, tudo se penetrava do espírito sacral.

O que quer dizer espírito sacral?

É uma mentalidade que é voltada a considerar as coisas pelos píncaros de elevação e sublimidade que nelas possa haver. Procura ver esse píncaro de elevação e sublimidade como a nota dominante da coisa.

E isto dá uma nota de elevação e de dignidade religiosa mesmo às coisas temporais.

E é por causa dessa impregnação do espírito religioso que Deus infinito e perfeito transparece no ápice de tudo, inclusive das coisas temporais.

Essa é a sacralidade séria, digna, nobre, aristocrática, mas amiga do povo afetuosa, quase meiga, que reluz no castelo de Beja.

É uma vida feita de tranquilidade, oração, reflexão, trabalho e guerra, na qual o prazer não está ausente, mas não é a nota dominante.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 23/6/89. Sem revisão do autor.)


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quarta-feira, 1 de maio de 2024

RONNEBURG: austeridade, luta e grandeza

Castelo de Ronneburg: visão de conjunto
Luis Dufaur
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No castelo Ronneburg não longe da fronteira com a Áustria, pude dar-me conta do que é um autêntico castelo medieval.

Diferentemente dos castelos renascentistas — Fontainebleau, Chenonceaux, mesmo Versailles e tantos outros — que à primeira vista nos encantam pela beleza, arte e bom gosto, o impacto produzido na sensibilidade por Ronneburg é de austeridade, luta, grandeza trágica e sublimidade.

Já a acolhida foi impactante. O fato de não haver turistas foi uma circunstância altamente favorável para podermos sentir mais autenticamente a alma do castelo.

Sim, Ronneburg tem alma, porque a alma da Idade Média ainda se faz presente ali.

Castelo de Ronneburg: visão interna do caminho de ronda
Castelo de Ronneburg: visão interna do caminho de ronda
Em Ronneburg percebem-se as características potentes do apogeu medieval (séc. XIII) como que latejando de vitalidade.

Os aspectos estuantes de energia, fortaleza e vida que se vislumbram nesse castelo, a seu modo um símbolo da Cristandade de outrora, produzem um frêmito de alegria e entusiasmo.

Ronneburg é uma portentosa amostra da luta contra os fatores adversos, que a civilização cristã teve que vencer e superar para realizar-se.

O castelo ainda evoca os combates contra as incursões inimigas, pobreza dos meios, dificuldade das construções e da sobrevivência numa natureza árdua; também a sublimidade das almas penetradas por uma fé que move as montanhas, com a inocência de uma criança e a determinação de um guerreiro.

As muralhas do castelo com suas seteiras dão testemunho da vigilância e da prontidão de espírito que era preciso ter para viver naquela época, a um tempo terrível e sublime.

Castelo de Ronneburg: cozinhas
Castelo de Ronneburg: cozinhas
A construção do castelo deu-se antes do ano 1231, numa colina escarpada, durante o reinado de Gerlach II, da dinastia dos Staufen.

É dessa época a “grande adega de vinhos”. A base da portentosa torre de pedra, com o calabouço, data da metade do século XIII.

Os habitantes das regiões circunvizinhas — Budingen, Selbold e Eckartshausen — tinham a seu cargo, cada uma, manter partes do castelo, mas possuíam também o direito de nele se refugiar, em caso de perigo.

Ao longo dos séculos Ronneburg passou por todo tipo de vicissitudes e transformações: foi sede de governo comunal, sofreu incêndios, teve partes demolidas e outras construídas, serviu como praça forte, como refúgio dos camponeses das redondezas durante ataques inimigos, e até como prisão de bandidos, guardando entretanto as marcas indeléveis de sua origem.

Um dos problemas que os construtores tiveram de enfrentar era o de abastecer de água o castelo. Para isso foi perfurado um poço, que até hoje lá se encontra, com cerca de 100 metros de profundidade, três vezes maior que a altura da torre.

Castelo de Ronneburg: sala de armas
Castelo de Ronneburg: sala de armas
O nível da água encontra-se a 12 metros no fundo do poço. Fizemos a experiência: da borda do poço, jogamos uma pedrinha e demorou um bom tempo para ouvirmos seu choque com a água. Lá está todo o aparelhamento de cordas, sarilho e balde adequados para retirar a água.

As dependências reservadas à família do castelão são naturalmente mais cuidadas, e já indicam sintomas da civilização requintada que então nascia. Mas a cozinha originária, com sua rusticidade e seu enorme pitoresco, ainda permanece.

As janelas gradeadas põem em evidência a preocupação com a defesa do castelo, tão necessária naqueles tempos de perigos e de lutas, de fé e de heroísmo.

A beleza que sobressai em Ronneburg não é a da arte, mas sim a das almas fortes e piedosas que produziram o apogeu da Idade Média, época que mereceu do Papa Leão XIII o magnífico elogio:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados, [...] a influência da sabedoria cristã e sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas a categorias e todas as relações da sociedade”.

(Autor: Gregorio Vivanco Lopes, em “Catolicismo”)



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