terça-feira, 14 de março de 2017

O castelo de Chambord: harmonia misteriosa de força e delicadeza


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Que maravilhoso conglomerado de torres! Quanta força! Quanta solidez!

Mas, ao mesmo tempo, o seu conjunto produz uma sensação de harmonia e delicadeza.

Há uma nobreza nesses tetos azulados que descem tão harmonicamente até a parte de cantaria de pedra, assim como algo de vigoroso nessas rochas agarradas ao chão, que parecem dizer:

"Quem quiser me derrubar, se espatifa; quem quiser arrancar-me do solo tem que tirar o mundo dos seus próprios gonzos, porque eu sou uma torre do Castelo de Chambord e ninguém me tira daqui".

Que harmonia misteriosa nessa conexão entre a força e a delicadeza; entre o planejado do castelo e o espontâneo aparente da disposição das torres!

Como é belo ver qualidades antitéticas juntas.

Por que oferecem beleza especial as qualidades harmônicas opostas quando juntas?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O castelo de Saumur: fortíssimo e delicado,
tendendo para o Céu

Luis Dufaur
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Este é o famoso castelo de Saumur.

Há no castelo duas partes diferentes: uma parte vai do chão até as primeiras janelas.

São torres fortes que agarram como garras. Essas torres suportam com decisão e para todo o sempre, uma massa enorme.

À medida que as torres vão subindo, vão se tornando mais leves. E no alto elas como que se dividem num mundo de agulhas, de flechas, que todas elas tendem para o Céu.

Todas elas ‒ aqui a reprodução não dá ‒ têm no alto figuras simbólicas: um galo, símbolo da França, símbolo da Igreja, ou uma flor-de-lis, grandes e douradas.

De maneira que, quando bate o meio-dia sobre o castelo de Saumur, dá a impressão de que ele vai levantar para o Céu.

Podemos imaginar o castelo durante a noite, com vitrais em todos essas janelas, que fazem dele um escrínio de pedras preciosas luminosas, acesas na luz indecisa das velas.

As torre são tão altas que, para encostar escada e começar a subir, já levou tanta pedrada, tanta flecha, tantos recipientes de óleo em ebulição, de água quente, que não se ataca!

Castelo fortíssimo, castelo de uma delicadeza maravilhosa, que tem as garras na Terra, portanto é pão-pão, queijo-queijo, mas tem a alma no Céu.

Assim deve ser a alma do verdadeiro católico.

Nas suas culminâncias deve ser subtil, pronta para mover-se, elevada e tendendo para o Céu como uma chama de uma vela.

Mas, no que se diz de prático, agarra ali! Pega, faz e manda!





(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira)




Vídeo: O castelo de Saumur: fortíssimo e delicado, tendendo para o Céu -- CLIQUE NA FOTO





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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Um mundo irreal ou a fina ponta da realidade?

Peñafiel, Castela
Luis Dufaur
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Os castelos aqui reproduzidos, embora muitos sejam ruínas, pela arte fotográfica passam a idéia de que quem entra neles, encontra tudo colocado no lugar adequado, como se os castelões ‒ eles próprios umas figuras de lenda ‒ tivessem saído nesse momento.

É um mundo irreal que a arte da luz faz aparecer como sendo parte do mundo real de hoje.

Uma irrealidade como essas que, entretanto, parece integrar a realidade, e até ser a mais fina ponta da realidade, é algo impossível?

Ou é uma possibilidade que apenas o bornesismo dos homens não consegue enxergar?

Quer dizer, não há um mundo metafísico, fina ponta do mundo físico, que leva a se maravilhar almas dotadas de uma capacidade peculiar?

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Montemor-o-Velho: reminiscências
à espera de um ressurgimento

Montemor-o-Velho: igreja de Santa Maria da Alcáçova, na vila protegida pelo castelo.
Montemor-o-Velho: igreja de Santa Maria da Alcáçova,
na vila protegida pelo castelo.
Luis Dufaur
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O castelo de Montemor o Velho — com suas muralhas a coroar o monte, tendo a seus pés a vila, próxima do rio Mondego, na planície final que o conduz ao mar — constitui um exemplo entre tantos da vocação guerreira que marcou Portugal desde os primórdios de sua existência como nação cristã.

Situado no distrito de Coimbra, no centro de Portugal, o rio Mondego passou a constituir a divisa natural que separava os territórios cristãos das terras ocupadas pelos mouros após a decadência da província romana da Lusitânia.


No século VIII os muçulmanos do Norte da África invadiram a Península Ibérica.

Um chefe mouro teria construído uma fortificação e uma mesquita no lugar onde se encontra o castelo de Montemor o Velho.

Após a reconquista de Coimbra ao rei de Castela no século XI, Afonso VI reconstruiu a fortaleza e fez erigir a igreja de Santa Maria da Alcáçova, ali abrigada até nossos dias, objeto embora de várias restaurações.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Castel Valer: um castelo cuja alma
foi uma família entre a Itália e a Áustria

Castel Valer nas Dolomitas.
Castel Valer nas Dolomitas, Itália.
Luis Dufaur
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Os castelos mais famosos e visitados da Europa são os castelos reais.

Na sua maioria, hoje pertencem aos respectivos Estados e podem ser visitados parcial ou integramente como museus.

Esses, entrementes, não são os mais numerosos. Dezenas de milhares de castelos estão espalhados pelas regiões e países que constituíram a Cristandade europeia.

Em muitos casos estão em ruínas, mas também em muitos outros foram zelosa e meritoriamente conservados pelos seus donos através de muitas gerações.

Com frequência não estão abertos à visitação, pois se trata de casas de família. Ou por vezes, a visitação está restringida a certos períodos do ano ou da semana.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Dramas familiares no castelo:
o senhor feudal voltará?

A partida do cavaleiro, detalhe da lareira do castelo de Cardiff, Gales
A partida do cavaleiro,
detalhe da lareira do castelo de Cardiff, Gales
Luis Dufaur
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E a família dele participava intensamente das dores da guerra e do combate do chefe familiar.

Quando o cavaleiro ia para a guerra, a família rezava para ele e estava sempre à espera de notícias dele.

Não havia alegria maior do que quando o vigia do alto da torre anunciava que bem ao longe nos caminhos, um grupo de cavaleiros se aproximava fazendo sinal convencional de longe, que era o senhor do castelo que voltava.

Às vezes a dor era muito grande, porque em vez de ser o senhor, eram seus vassalos, seus escudeiros, que vinha trazendo seu corpo; ou eram apenas as relíquias dele pois seu corpo ficara no fundo do mar.

A família passava dias, meses, anos de agonia, a espera de uma notícia. As horas e horas de espera, a castelã as enchia rezando ou fazendo tapeçarias.

E as longas tapeçarias relatando vidas de santos ou episódios da vida quotidiana, mostram as longas esperas da castelã que às vezes, em umas horas de folga, subia à torre com uma tapeçaria na mão, trabalhando e olhando para ver se o seu senhor vinha.

Esses dois anos, cinco anos de fidelidade, na mesma espera e sobretudo, na mesma resignação.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A capela do castelo e a vigília de armas do cavaleiro

A vigília do cavaleiro, fim da Idade Média
A vigília do cavaleiro, fim da Idade Média.
Luis Dufaur
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Muito característico do estado de espírito cheio de coragem por amor a Cristo e à Fé, é a vigília de armas do cavaleiro.

Pode-se imaginar a cena: numa igreja ou capela do castelo, durante a noite: silêncio absoluto; diante do altar estão as armas que o cavaleiro irá revestir no dia seguinte quando for armado.

Ele passa a noite inteira rezando sozinho naquela igreja ou capela do castelo onde seus antepassados também vigiaram, onde toda a sua família durante gerações rezou.

Ele sabe que a partir do momento em que ele for armado cavaleiro, ele não se pertence mais a si mesmo.

Ele é obrigado por juramento a dispor a sua vida sempre que a Igreja for perseguida; que os órfãos, as viúvas e os fracos forem opressos.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O castelo, a coragem e o exemplo de Jesus Cristo

Castel Sforzesco, Milão, Itália
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O medieval encontrava o exemplo perfeito da coragem contemplando Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras.

Jesus Cristo é o protótipo de heroísmo.

Ele, no Horto das Oliveiras, não teve nenhuma atitude de estourado, pois isto seria incompatível com sua santidade infinita.

Ele mediu toda a tristeza das dores que Ele ia sofrer. Chegou a ter tanto medo dessas dores que suou sangue.

Mas apesar disto, como era dever dEle enfrentar aquelas dores, para cumprir a missão que o Padre Eterno lhe deu, Ele enfrentou tudo, levou a Cruz até o alto do Calvário e aí se deixou crucificar e morreu. Havia um ato deliberado da vontade dentro disso.

O cavaleiro cristão da Idade Média tinha eminentemente esta concepção da coragem. E o castelo era o fundo de quadro onde devia se exercer a coragem.

Ou servir de ponto de partida e referência constante de seus atos de heroísmo inclusive em terras longínquas. Como na Cruzada.

O cavaleiro tinha também no mais alto grau a noção do perigo.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Castelos: sonhos do Céu que antecipam a bem-aventurança eterna

O castelo Coradelli em Joinville: realização de um sonho de infância. A realização de um sonho de um alma pura está na origem dos maiores castelos da Europa.
O castelo Coradelli em Joinville: realização de um sonho de infância.
A realização de um sonho inocente está na origem dos maiores castelos da Europa.
Luis Dufaur
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Leonardo Coradelli, 66, massoterapeuta que ganha “mil e pouco por mês”, construiu com pouco dinheiro e muita paciência um castelo em Joinville, no norte de Santa Catarina. A construção demorou cerca de 20 anos e hoje é ponto turístico, noticiou a UOL.

Situado no alto de um morro, o castelo é todo branco, com janelas e vitrais verdes, tem mais de 700 metros de área construída, quatro andares, 48 torres, 31 arcos, 21 cômodos e uma piscina com chafariz.

Mas Leonardo mora só, num bairro humilde. E nos momentos livres trabalha no castelo. “Minha vida toda foi dedicada a esse projeto. Dia e noite, sábados e domingos e, às vezes, os vizinhos faziam mutirões para me ajudarem”, contou.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Neuschwanstein: o senso do combate e da dignidade afidalgada


Luis Dufaur
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O castelo de Neuschwanstein foi construído pelo rei Luís II da Baviera (1845-1886).

Corresponde a uma concepção romântica e wagneriana da Idade Média.

O homem que o imaginou quis refletir todo o espírito medieval, ou seja, o senso do combate e da dignidade afidalgada do homem da Idade Média.

O castelo está situado num panorama extremamente favorável: um extenso movimento montanhoso, que se prolonga e vai descendo, numa espécie de píncaro em relação a todas as circunjacências


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Castelo de Sant'Angelo: escabelo para os pés do Arcanjo São Miguel

Luis Dufaur
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Na ilustração ao lado, vemos o rio Tibre em Roma, com a ponte que conduz ao castelo de Sant´Angelo.

Ao longo dessa ponte monumental, construída para resistir aos séculos, percebem-se imagens de anjos.

Os fiéis que transpõem lentamente a ponte, rezando diante dessas imagens certas orações prescritas pela Igreja, ganham indulgência plenária, desde que depois visitem o castelo.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Castelo de Krasiczyn: residência principesca ainda sofre efeitos do comunismo

Palácio construído sobre antiga fortaleza medieval
Luis Dufaur
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O Castelo de Krasiczyn, na Polônia, nasceu sobre um antigo complexo de madeira, chamado Sliwnica, provavelmente construído no século XIV.

O castelo atual foi refeito em estilo renascentista. Sua reconstrução começou em 1580 por iniciativa de um nobre local: Estanislau Siecienski Siecin.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Cheverny: o maravilhoso do equilíbrio

Luis Dufaur
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Considero o panorama que se observa na fotografia ao lado de alta categoria.

Trata-se do Castelo de Cheverny, de estilo renascentista e clássico, situado no vale do Loire, na França.

Onde está a beleza dele? É preciso analisar elemento por elemento.

No meio da grama, a coisa mais comum do mundo: uma estrada inteiramente reta. No fundo, um castelo.

O que tem esse castelo propriamente de maravilhoso?

terça-feira, 21 de junho de 2016

Fortaleza de Montalegre:
coragem altaneira e coerência


Luis Dufaur
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O castelo de Montalegre, em Portugal, evoca séculos de luta e de reconquista na época medieval.

Testemunhou brilhantes manifestações de coragem e heroísmo.

Que impressão causa este castelo? Coragem altaneira e coerência. A alma do homem coerente é como uma dessas torres — não há fendas nem concessões.

A torre que sobressai, despida de qualquer ornato, reflete uma seriedade extraordinária.

Como era a vida quotidiana dentro dessa fortaleza?

Nela havia residência confortável para o senhor feudal, moradias e áreas de serviços para os servidores e para a população das cercanias, além de capela.

Quando os inimigos se aproximavam, toda a população das proximidades refugiava-se nela com todos os seus bens. Era uma espécie de amparo seguro para toda a população, e não apenas para o senhor feudal.

Internamente, era uma verdadeira aldeia com todos os artesãos trabalhando, cada qual em seu ofício do dia-a-dia.

Havia freqüentemente, na parte de um castelo em que habitava o senhor feudal, uma escada encimada por grande patamar.

Em determinados dias, colocava-se ali um pequeno trono do qual ele exercia o papel de juiz das disputas entre seus súditos.

Nessa espécie de cidadezinha, suas torres eram risonhas e encantadoras por dentro, sérias e terríveis por fora.

Todas as janelas davam para um pátio interior, no qual árvores frutíferas perfumavam todo o ambiente.

Da fonte com seu chafariz ouvia-se o cântico das águas, enquanto das torres partiam brados dos guerreiros em combate.

Nisso temos uma idéia do heroísmo ante perspectivas terríveis, do alto senso do sacrifício de pessoas que não temem a morte.

Elas sabem que outra vida bem-aventurada as espera, sobretudo se morrem lutando pela fé católica.



Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 5 de maio de 1984. Sem revisão do autor.





(Fonte: Catolicismo, setembro de 2010)


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